SONETO
Walmir Ayala
Serei a suspeição do antigo nácar
de que era o canto arguto da sereia,
cisma de hirtos corais no olhar de areia,
unhas de cegos fios como facas.
Serei
a foz do limbo que encouraça
corpos de escama, e gesto que penteia
verdes vaidades de ondas, que se traçam
pelas perplexidades da sereia.
Serei
às vezes transpassado em dardos
como um ninho de ostras, destinado
a oferta-me à sereia, rosa vivas;
e nascendo em seu bico,
peixe ou nave,
com duplas velas comporei mais cêdo
cataclismas de mim no seu rochedo.
[Ilustração:
Leia também 'A Palavra Mágica', poema de Carlos Drummond de Andrade https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/10/palavra-de-poeta_80.html

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