24 fevereiro 2025

Palavra de poeta: Chico de Assis

Meu pai
Chico de Assis  

Há 42 anos meu pai se foi. No transcurso do tempo, foi-se atenuando o tormento, experimentado naquela noite em que cheguei à casa em que ele morava, somente a tempo de pô-lo num taxi, para sentir sua cabeça pender em meu ombro, no que acho tenha sido seu último suspiro.

Aquele momento dilacerador de perda foi-se diluindo em lembranças, as vezes refletidas em versos, alguns dos quais deixo hoje com vocês, na  homenagem que anualmente presto, nesta data,  ao meu pai, FRANCISCO DE ASSIS BARRETO DA ROCHA, ou simplesmente seu Rocha, como os amigos o chamavam.

O tempo, a poesia, a aceitação resignada das fatalidades do destino me ajudaram a superar a dor e a seguir em frente. Ainda que em seu lugar tenha se instalado o incomensurável: uma saudade inclemente, cravada no meu peito para sempre! 
 
Na cadeira de balanço
sua silhueta relembra lições
de vida.
 
Na cadeira de balanço
sua sombra serena desafia
a morte.
 
Na cadeira de balanço
tantos anos passados
anunciam:
 
nosso amor em silêncio
por ser infinito
prescinde do tempo.
 
Salve 24 de fevereiro de 1917. Salvem os 108 anos que o “velho Rocha” faria hoje — se a “marvada das gentes” não o tivesse levado tão cedo!!!


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