Meu pai
Chico de
Assis
Há 42 anos meu pai se foi. No transcurso do tempo, foi-se atenuando o tormento, experimentado naquela noite em que cheguei à casa em que ele morava, somente a tempo de pô-lo num taxi, para sentir sua cabeça pender em meu ombro, no que acho tenha sido seu último suspiro.
Aquele momento dilacerador de perda foi-se diluindo em lembranças, as vezes refletidas em versos, alguns dos quais deixo hoje com vocês, na homenagem que anualmente presto, nesta data, ao meu pai, FRANCISCO DE ASSIS BARRETO DA ROCHA, ou simplesmente seu Rocha, como os amigos o chamavam.
O tempo, a poesia, a aceitação resignada das fatalidades do
destino me ajudaram a superar a dor e a seguir em frente. Ainda que em seu
lugar tenha se instalado o incomensurável: uma saudade inclemente, cravada no
meu peito para sempre!
Na cadeira
de balanço
sua silhueta
relembra lições
de vida.
Na cadeira
de balanço
sua sombra
serena desafia
a morte.
Na cadeira
de balanço
tantos anos
passados
anunciam:
nosso amor
em silêncio
por ser
infinito
prescinde do
tempo.
Salve 24 de fevereiro de 1917. Salvem os 108 anos que o
“velho Rocha” faria hoje — se a “marvada das gentes” não o tivesse levado tão
cedo!!!
Leia também: Para sempre
Chico! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/08/palavra-de-poeta-chico-de-assis_14.html
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