25 fevereiro 2025

Enio Lins opina

Mais umas palavras sobre o cerco a um delinquente contumaz
Enio Lins  

NOVAMENTE, O SESQUICENTENÁRIO Estadão capricha em seus editoriais. Na edição dominical de 23 de fevereiro, acertou um torpedo de 680 palavras na caixa dos peitos do ex-capitão – meliante que a PGR achou melhor jair indiciando por tentativa de golpe de Estado. O título, com apenas duas palavras, é irrebatível: “Golpismo continuado”. É isso aí, bicho! (como exclamaria Roberto Carlos).

“FIEL À SUA IRREFREÁVEL ÍNDOLE GOLPISTA, Bolsonaro iniciou uma campanha de deslegitimação da PGR e do Supremo, bastante reveladora da fraqueza de sua defesa jurídica e de seu desespero” – é o bigode anunciando a que vem o texto. Por ser conteúdo exclusivo para assinantes, reproduzo aqui apenas alguns trechos para não contrariar a política d’O Estado de São Paulo, afinal a assinatura de qualquer veículo sempre foi forma legítima de financiamento de uma maior liberdade editorial.

SOBRE OS ARREGANHOS DO EX-CAPITÃO
, diz o Estadão: “o mesmo espírito golpista que animou Bolsonaro antes, durante e depois de seu mandato presidencial segue inspirando a sua defesa diante das gravíssimas acusações feitas contra ele pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet”, lembrando que “na manhã do dia 28 de agosto de 2021, (...) o então presidente Jair (...) disse a uma plateia de evangélicos que só enxergava três opções de futuro: ‘Estar preso, estar morto ou a vitória’, concluindo logo em seguida que ‘a primeira alternativa não existe’”. Daí segue: “Em todo o seu fulgor, ali se manifestava o espírito golpista que sempre orientou a trajetória do mau militar que, para infortúnio deste país, chegou à Presidência da República. Ao não admitir nem sequer como possibilidade uma derrota eleitoral, (...) Bolsonaro já prenunciava o iter criminis – o ‘caminho do crime’ – que estava disposto a percorrer para se aferrar ao poder”.

NÃO TEM PRA ONDE CORRER O PATRIOTARISMO
. Jair reuniu contra si mesmo balaios de provas no quadriênio desastroso, culminados com a fuga do País, um dia antes do final de seu mandato, e, homiziado em Miami, acelerou a deflagração de um golpe visando ser reconduzido ao poder. O pirão para a intentona estava cozinhando desde a confirmação de sua derrota eleitoral, em 30 de outubro de 2022, quando milhares de acólitos, simultaneamente, montaram acampamentos às portas dos quartéis em todo Brasil para implorar um golpe militar que desse fim ao Estado Democrático de Direito. Sintomaticamente, os comandantes militares não solicitaram a desocupação dessas áreas (de alta segurança), como requeriam a praxe, os regulamentos e o bom-senso (imaginem se fossem os Sem-Terra a fazer isso). Ao longo da primeira semana sob novo presidente, essa estrutura militar viciada, vinculada ao ex-capitão, se recusou a proceder à retirada das fuzarcas bolsonaristas de suas portas.

EM 8 DE JANEIRO DE 2023
 ocorreu a bizarra intentona. Seguindo o plano de Jair e seus aloprados, uma multidão de bolsonaristas invadiu as sedes dos poderes em Brasília, atuando como vanguarda das tropas que esperaram sair das casernas para acudir a vagabundagem que depredava alucinadamente o Palácio do Planalto, o Congresso e a sede do STF. Mas a parcela majoritária, sã, das Forças Armadas, não seguiu a minoria apodrecida. O golpe miou. Agora os envolvidos querem rugir para impedir o cumprimento da Lei. Como bem identifica o Estadão: “A rigor, é o mesmo modus operandi da disseminação das mentiras que Bolsonaro inventou desde o início de seu desditoso governo contra o sistema eleitoral brasileiro”; mas “o Brasil dispõe de instituições sólidas e de um sistema de Justiça que já demonstrou ter capacidade de resistir a mentiras e investidas autoritárias. Se Bolsonaro nada teme, que desça do palanque da desinformação e se defenda nos autos”. Na mosca! – como diriam os atiradores esportivos.

Leia: Antípodas corrosivos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/minha-opiniao_10.html

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