Mais umas palavras sobre o cerco a um delinquente
contumaz
Enio Lins
NOVAMENTE, O SESQUICENTENÁRIO Estadão capricha em seus editoriais. Na edição dominical de 23 de fevereiro, acertou um torpedo de 680 palavras na caixa dos peitos do ex-capitão – meliante que a PGR achou melhor jair indiciando por tentativa de golpe de Estado. O título, com apenas duas palavras, é irrebatível: “Golpismo continuado”. É isso aí, bicho! (como exclamaria Roberto Carlos).
“FIEL À SUA
IRREFREÁVEL ÍNDOLE GOLPISTA, Bolsonaro iniciou uma campanha de deslegitimação
da PGR e do Supremo, bastante reveladora da fraqueza de sua defesa jurídica e
de seu desespero” – é o bigode anunciando a que vem o texto. Por ser conteúdo
exclusivo para assinantes, reproduzo aqui apenas alguns trechos para não
contrariar a política d’O Estado de São Paulo, afinal a assinatura de qualquer
veículo sempre foi forma legítima de financiamento de uma maior liberdade
editorial.
SOBRE OS ARREGANHOS
DO EX-CAPITÃO, diz o Estadão: “o mesmo espírito golpista que
animou Bolsonaro antes, durante e depois de seu mandato presidencial segue
inspirando a sua defesa diante das gravíssimas acusações feitas contra ele pelo
procurador-geral da República, Paulo Gonet”, lembrando que “na manhã do dia 28
de agosto de 2021, (...) o então presidente Jair (...) disse a uma plateia de
evangélicos que só enxergava três opções de futuro: ‘Estar preso, estar morto
ou a vitória’, concluindo logo em seguida que ‘a primeira alternativa não
existe’”. Daí segue: “Em todo o seu fulgor, ali se manifestava o espírito
golpista que sempre orientou a trajetória do mau militar que, para infortúnio
deste país, chegou à Presidência da República. Ao não admitir nem sequer como
possibilidade uma derrota eleitoral, (...) Bolsonaro já prenunciava o iter
criminis – o ‘caminho do crime’ – que estava disposto a percorrer para se
aferrar ao poder”.
NÃO TEM PRA ONDE
CORRER O PATRIOTARISMO. Jair reuniu contra si mesmo balaios de provas no
quadriênio desastroso, culminados com a fuga do País, um dia antes do final de
seu mandato, e, homiziado em Miami, acelerou a deflagração de um golpe visando
ser reconduzido ao poder. O pirão para a intentona estava cozinhando desde a
confirmação de sua derrota eleitoral, em 30 de outubro de 2022, quando milhares
de acólitos, simultaneamente, montaram acampamentos às portas dos quartéis em
todo Brasil para implorar um golpe militar que desse fim ao Estado Democrático
de Direito. Sintomaticamente, os comandantes militares não solicitaram a
desocupação dessas áreas (de alta segurança), como requeriam a praxe, os
regulamentos e o bom-senso (imaginem se fossem os Sem-Terra a fazer isso). Ao
longo da primeira semana sob novo presidente, essa estrutura militar viciada,
vinculada ao ex-capitão, se recusou a proceder à retirada das fuzarcas
bolsonaristas de suas portas.
EM 8 DE JANEIRO DE
2023 ocorreu a bizarra intentona. Seguindo o plano de Jair e
seus aloprados, uma multidão de bolsonaristas invadiu as sedes dos poderes em
Brasília, atuando como vanguarda das tropas que esperaram sair das casernas
para acudir a vagabundagem que depredava alucinadamente o Palácio do Planalto,
o Congresso e a sede do STF. Mas a parcela majoritária, sã, das Forças Armadas,
não seguiu a minoria apodrecida. O golpe miou. Agora os envolvidos querem rugir
para impedir o cumprimento da Lei. Como bem identifica o Estadão: “A rigor, é o
mesmo modus operandi da disseminação das mentiras que Bolsonaro inventou desde
o início de seu desditoso governo contra o sistema eleitoral brasileiro”; mas
“o Brasil dispõe de instituições sólidas e de um sistema de Justiça que já
demonstrou ter capacidade de resistir a mentiras e investidas autoritárias. Se
Bolsonaro nada teme, que desça do palanque da desinformação e se defenda nos
autos”. Na mosca! – como diriam os atiradores esportivos.
Leia: Antípodas corrosivos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/minha-opiniao_10.html
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