É preciso marcar e jogar
bem
No Paulista, tivemos mais um clássico com muita marcação,
mas sem brilho
Tostão/Folha de S. Paulo
No fim de semana, Palmeiras e São Paulo fizeram um clássico sem brilho e com muita marcação. Não basta marcar. É preciso jogar bem e, se possível, encantar.
Estêvão, novamente, atuou parte do jogo pelo centro. Não
funcionou bem. Estava perdido. Deve ter sido orientação de Abel Ferreira, na
tentativa de fazer dele um jogador mais completo. Estêvão, quando atuava nas
categorias de base do Cruzeiro, era
chamado de Messinho, pela habilidade e por ser canhoto.
Isso me faz lembrar de um fato. Quando Messi iniciou
a carreira no time principal do Barcelona, atuava
pela ponta direita, de onde driblava para o centro para decidir com a canhota a
jogada, como faz Estêvão.
Na véspera de um clássico, Guardiola ligou para Messi em casa,
onde estava concentrado, e pediu para ele ir ao campo do Barcelona. O técnico
mostrou que queria que ele jogasse como um meia, onde tentaria receber a bola
entre o meio campo e os zagueiros adversários para daí tentar o gol. Nascia um
dos maiores fenômenos da história do futebol. Estêvão
não é Messi, mas pode tentar ser ainda melhor. Cada um faz a sua história.
O clássico mineiro entre Cruzeiro e América foi também sem brilho
e com muita marcação. Os times brasileiros, cada vez mais, procuram pressionar
quem está com a bola ou que vai recebê-la. Isso é um avanço estratégico, desde
que seja acompanhado de ações criativas. Gabigol teve mais uma atuação apagada,
mas, como tem cinco gols no Campeonato Mineiro, mesmo sendo três de pênaltis, é
elogiado. É a adoração pelos números.
Nem todos os times europeus utilizam com
frequência a marcação por pressão. No Real Madrid, Ancelotti prefere atrair o
adversário para contra-atacar e aproveitar a incrível velocidade dos quatro
atacantes. Foi o que ocorreu contra o Manchester City na vitória por 3x2, pela Liga dos Campeões.
Será que nesta quarta (19), no jogo de volta, em Madri, Guardiola vai repetir a
estratégia de jogar com zagueiros no meio de campo e sem um lateral direito
mais marcador contra Vinicius Junior?
Liverpool e Barcelona são, neste momento,
lideres dos campeonatos nacionais e os dois mais bem colocados na primeira fase
da Liga dos Campeões. Possuem semelhanças e diferenças. Os dois marcam em bloco
e por pressão, mas o Liverpool, diferentemente do Barcelona, prefere posicionar
os defensores em uma linha intermediária entre a grande área e o meio-campo. É
menos arriscado.
O Liverpool, quando recupera a bola, chega mais rapidamente ao
gol, para aproveitar a velocidade de Luis Diaz e Salah, enquanto o Barcelona
prefere ficar mais com a bola e envolver o outro time com troca de passes. Os
três meio-campistas do Liverpool marcam, constroem e avançam, enquanto no
Barcelona há um meio-campista mais centralizado para iniciar as jogadas e mais
um de cada lado que jogam de uma intermediária à outra.
No Brasil é diferente. Os técnicos preferem a antiga postura de
jogar com dois volantes marcadores em linha e mais um meia, camisa 10, único
responsável pela armação das jogadas, entre os dois volantes e os atacantes.
A melhor estratégia é a mais bem executada, que possui melhores
jogadores e que usa de variações de acordo com o momento.
O jogo de futebol dá aula de diversidade.
Perguntei ao DeepSeek quem escreveu o artigo "O mundo cabe numa organização de base". Gostei da resposta https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/01/minha-opiniao_30.html
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