19 março 2026

Palavra de poeta

O monte e o rio
Pablo Neruda     

Na minha pátria tem um monte.
Na minha pátria tem um rio.
Vem comigo.
A noite sobe ao monte.
A fome desce ao rio.
Vem comigo.
E quem são os que sofrem?
Não sei, porém são meus.
Vem comigo.
Não sei, porém me chamam
e nem dizem: “Sofremos”
Vem comigo
E me dizem:
“Teu povo,
teu povo abandonado
entre o monte e o rio,
com dores e com fome,
não quer lutar sozinho,
te está esperando, amigo.”
Ó tu, a quem eu amo,
pequena, grão vermelho
de trigo,
a luta será dura,
a vida será dura,
mas tu virás comigo.

[Ilustração: Claude Manet]

Leia também o poema "Não-coisa", de Ferreira Gullar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/10/palavra-de-poeta_76.html 

Minha opinião

Quando a escalação só vale na hora de entrar em campo 
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65     

Assim é a ordem natural das coisas na disputa eleitoral: composições majoritárias não são anunciadas com muita antecedência, e sim às vésperas do início da competição. 

Essa é a tradição. E mais do que isso a resultante inevitável do processo de negociações entre forças políticas e lideranças proeminentes. 

Demais, cabe ao técnico de cada time, no caso os candidatos à governança do Estado, o anúncio definitivo. Antes disso, mesmo especulações consistentes não passam disso: especulações. 

Mais ainda quando o quantitativo de lideranças e de grupos em disputa ultrapassa a possibilidade de acomodações na chamada chapa majoritária — governadoria, vice-governadoria e, neste pleito, duas cadeiras no Senado.

Isto sem rejeitar a hipótese pouco provável — porque para o inusitado sempre há uma primeira vez — de que especulações precoces venha a ser confirmadas.

Terceira via carece de chão https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/minha-opiniao_19.html 

Fotografia

Vitor Metódio 

Violência sexista

Feminicídio: a violência contra as mulheres não é exceção, é estrutura
Dados recentes e leituras feministas e marxistas sinalizam que mortes de mulheres integram dinâmicas sociais, econômicas e culturais reforçadas pelo ambiente digital
Sarah Cavalcante/Portal Grabois
  

O aumento dos casos de feminicídio no Brasil evidencia um problema que não pode ser tratado como exceção. A cada novo crime, a narrativa dominante insiste em individualizar a violência, seja como resultado de conflitos pessoais, seja como descontrole emocional. No entanto, essa leitura é insuficiente para explicar a recorrência e a regularidade desses casos.

Os dados evidenciam essa dimensão estrutural. O Brasil registrou 6.904 vítimas de feminicídio, entre casos consumados e tentativas em 2025, o que representa um aumento de 34% em relação a 2024, quando houve 5.150 vítimas. Foram 2.149 assassinatos e 4.755 tentativas, totalizando quase seis mulheres mortas por dia no país. As informações constam no Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL).
Gráfico mostra feminicídios consumados e tentados no Brasil, por mês, em 2024 e 2025:   

Mais do que números, esses dados revelam a persistência de uma estrutura social que naturaliza a desigualdade de gênero e autoriza diferentes formas de violência contra as mulheres. O feminicídio não começa no momento do assassinato. Ele é o desfecho extremo de um processo contínuo de desvalorização, controle e violação dos corpos femininos.

Como demonstra a socióloga brasileira Heleieth Saffioti, a violência contra a mulher não pode ser compreendida como desvio individual, mas como expressão de uma estrutura de poder que articula patriarcado e capitalismo, organizando as relações sociais de forma desigual (SAFFIOTI, 2015). Nesse sentido, o feminicídio não é um evento isolado, mas parte de uma lógica social mais ampla.
Essa perspectiva se aprofunda na leitura de Silvia Federici, para quem a violência contra as mulheres não é um fenômeno periférico, mas um elemento constitutivo da própria formação do capitalismo. Historicamente, essa violência operou como mecanismo de controle sobre os corpos femininos e sua capacidade reprodutiva (FEDERICI, 2017). O feminicídio, portanto, não representa uma ruptura, mas a continuidade de uma lógica que legitima a violência como forma de poder. 

Quando a violência vira conteúdo digital

A lógica patriarcal e misógina vem sendo reconfigurada a partir do ambiente digital. Um relatório do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, identificou mais de 120 canais brasileiros no YouTube dedicados à produção de conteúdo misógino, que somam mais de 23 milhões de inscritos e apresentam crescimento acelerado desde a pandemia (NETLAB, 2024).

Nesses espaços, o que se apresenta como “valorização masculina” frequentemente se traduz na construção de uma identidade baseada na desconfiança e no ódio em relação às mulheres. Relacionamentos são tratados como disputa de poder, e o feminismo é apresentado como ameaça. Trata-se da constituição de uma cultura que não apenas reproduz, mas atualiza padrões históricos de dominação.

Gráfico mostra predominância de temas em títulos de vídeos misóginos analisados pelo NetLab da UFRJ: 

A antropóloga Rita Segato contribui para compreender esse fenômeno ao afirmar que a masculinidade não é um dado natural, mas um status que precisa ser constantemente reafirmado. Essa reafirmação exige um “tributo”, e historicamente o corpo feminino tem ocupado esse lugar simbólico (SEGATO, 2016). Nesse contexto, a violência não é um desvio, mas um mecanismo de validação dessa masculinidade.

Essa interpretação desloca o feminicídio do campo do crime individual para o campo da política. Para Rita Segato (2016), trata-se de um crime categorial. Não se dirige apenas a uma pessoa específica, mas a uma categoria social. A vítima é despersonalizada porque o que importa é o significado social do ato, isto é, a reafirmação de um poder que se exerce sobre as mulheres.

Essa dimensão comunicativa da violência ajuda a compreender por que o feminicídio possui efeitos que ultrapassam o caso individual. Ele envia uma mensagem, produz medo e reafirma hierarquias.

Ao mesmo tempo, como aponta a marxista Silvia Federici, a violência contra as mulheres desempenhou, ao longo da história do capitalismo, um papel central no controle de seus corpos e de sua força de trabalho (FEDERICI, 2017). No contexto contemporâneo, esse mecanismo assume novas formas, mediadas por plataformas digitais que ampliam o alcance desses discursos e, em muitos casos, os transformam em fonte de lucro.

De acordo com o levantamento do NetLab, cerca de 80% desses canais são monetizados. Isso indica que a misoginia não é apenas uma expressão ideológica, mas também um produto que gera engajamento e receita. Estamos, portanto, diante de uma engrenagem que articula cultura, mercado e poder.

Esse dado é decisivo porque altera a escala do problema. A violência simbólica não circula apenas como opinião, mas é incentivada por modelos de negócio baseados na atenção e no engajamento, que frequentemente favorecem conteúdos extremos e polarizadores. Há, portanto, quem lucre com a violência contra as mulheres.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o feminicídio não diminuiu, mesmo com maior visibilidade pública do tema. Quando a misoginia se torna linguagem cotidiana, em conteúdos e comunidades digitais, memes, discursos e práticas sociais, cria-se um ambiente em que a violência deixa de ser exceção e passa a ser parte de um continuum.

Diante desse cenário, o enfrentamento ao feminicídio não pode se restringir à punição dos crimes após sua ocorrência. Como indicam as leituras de Heleieth Saffioti e Silvia Federici, trata-se de uma violência inscrita na própria organização social, articulada ao patriarcado e às dinâmicas do capitalismo. Isso significa que respostas pontuais ou exclusivamente punitivas são insuficientes, pois não alteram as condições que produzem e reproduzem essa violência.

Ao mesmo tempo, como aponta Rita Segato, a violência contra as mulheres opera como linguagem de poder e mecanismo de reafirmação de hierarquias. Nesse sentido, o feminicídio não é apenas um problema de segurança pública, mas um fenômeno político que exige enfrentamento também no plano simbólico, cultural e comunicacional.

No contexto contemporâneo, essa dinâmica é potencializada por plataformas digitais que não apenas amplificam discursos misóginos, mas os transformam em mercadoria. A monetização desse conteúdo revela que a violência contra as mulheres está integrada a modelos de negócio que lucram com a radicalização e o engajamento, o que impõe a necessidade de sua regulação e responsabilização.

Dessa forma, enfrentar o feminicídio implica reconhecer que não se trata de um desvio, mas de um elemento estruturante das relações sociais. Qualquer política que não confronte essa base, seja no campo econômico ou comunicacional, tende a atuar apenas sobre os efeitos, preservando as condições que permitem que essa violência continue sendo produzida, legitimada e explorada.

Nota: A opção por utilizar o nome e sobrenome das autoras neste artigo constitui uma decisão política deliberada, que busca enfrentar o apagamento histórico de mulheres na produção do conhecimento e afirmar a centralidade de suas contribuições.

Referências

FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2017.

TV GRABOIS. Machosfera, red pill e violência: o que está por trás do aumento do feminicídio. 2026.

LESFEM – LABORATÓRIO DE ESTUDOS DE FEMINICÍDIOS; MARIANO, Silvana (Coord.); BERTASSO, Daiane; DIAS, Gabriella Thais Amaral. Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025. Londrina: Universidade Estadual de Londrina, 2026.

NETLAB/UFRJ. Relatório “Aprenda A Evitar ‘Esse Tipo’ De Mulher”: Estratégias Discursivas E Monetização Da Misoginia No Youtube. Rio de Janeiro: UFRJ, 2024.

SAFFIOTI, Heleieth Iara Bongiovani. Gênero, patriarcado, violência. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2015.

SEGATO, Rita Laura. La guerra contra las mujeres. Madrid: Traficantes de Sueños, 2016.


Sarah Cavalcante é jornalista, especialista em comunicação digital, mestranda no Prolam/USP e diretora de comunicação da Fundação Maurício Grabois.

Em defesa do feminismo emancipacionista e anticapitalista https://vermelho.org.br/coluna/em-defesa-do-feminismo-emancipacionista-e-anticapitalista/

UNE apoia Cuba

Com Cuba, sempre! A solidariedade da UNE à ilha rebelde atravessa gerações
Comboio internacional reúne lideranças históricas da UNE em ação humanitária e política contra o bloqueio, reforçando a defesa da soberania e da integração latino-americana.
Bianca Borges, Gustavo Petta, Manuella Mirella, Orlando Silva/Vermelho   

Nesta semana, embarcamos para Cuba. Bianca Borges, atual presidenta da UNE, acompanhada de três ex-presidentes — Orlando Silva, Gustavo Petta e Manuella Mirella — integrando o “Comboio Nuestra América”, uma mobilização internacional de solidariedade ao povo cubano. Levamos donativos arrecadados pela campanha “Com Cuba, Sempre!” e, mais do que isso, levamos a mensagem histórica do movimento estudantil brasileiro: a luta pela paz, pela soberania dos povos e contra o imperialismo.

A presença de quatro gerações de dirigentes da UNE nessa missão não é casual. É o reconhecimento de que a solidariedade internacional não é pauta de uma gestão, mas compromisso permanente que atravessa décadas de história da entidade. Desde sua fundação em 1937, a UNE defende o fim das guerras, a autodeterminação dos povos e a construção de um mundo sem bloqueios, invasões ou intervenções imperialistas.

A paz como princípio, a solidariedade como prática

A defesa da paz sempre foi marca da UNE. Denunciamos as Guerras no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão, nos mobilizamos contra invasões militares na América Latina e, hoje, seguimos firmes contra todas as formas de imperialismo que ameaçam os povos soberanos. Para nós, defender a paz não é discurso retórico — é enfrentar concretamente as causas das guerras: a ganância por recursos naturais, a submissão econômica e o bloqueio cruel contra nações que ousaram escolher seu próprio caminho.

Cuba resiste há mais de 65 anos ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. Esse cerco não é apenas uma sanção comercial abstrata — é uma política sistemática de asfixia que impede o acesso a alimentos, medicamentos, energia e insumos essenciais. Nos últimos anos, especialmente durante o governo Trump, o bloqueio foi intensificado com novas sanções que atingem diretamente empresas e países que comercializam com Cuba, aprofundando a crise energética e humanitária na ilha.

Diante disso, cabe aos países do Sul Global, especialmente da América Latina e do Caribe, mobilizarem-se em solidariedade concreta. Furar bloqueios, criar correntes humanitárias e garantir que o imperialismo não avance sobre povos que resistem heroicamente. A Revolução Cubana transformou a vida e a história de Cuba, garantiu educação e saúde universais, erradicou o analfabetismo e se tornou referência mundial em ciência e medicina. Essa revolução atravessa gerações e segue viva, apesar de tudo.

Gerações unidas pela mesma causa

A composição deste comboio simboliza a continuidade histórica da luta estudantil pela solidariedade internacional. Orlando Silva presidiu a UNE entre 1995 e 1997, em um período marcado pela resistência ao neoliberalismo e pela reorganização dos movimentos sociais após a redemocratização e impeachment de Collor. Depois de sua gestão, integrou a Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD), reforçando os laços internacionais da juventude progressista.

Gustavo Petta liderou a entidade entre 2003 e 2005, período em que a UNE recebeu o Congresso Latino-Americano e Caribenho de Estudantes da OCLAE junto com a Bienal da UNE, evento que contou com a presença do presidente Lula, de Evo Morales, de Cristina Kirchner e do ministro Gilberto Gil, entre outras lideranças. Foi um momento histórico de integração latino-americana e afirmação do protagonismo estudantil na região.

Manuella Mirella presidiu a UNE entre 2023 e 2025, gestão marcada por grandes mobilizações em defesa da Palestina. Foram realizadas diversas ações nas universidades, e o Congresso de 2025, que encerrou sua gestão, terminou com um grande ato de solidariedade ao povo palestino. Sua gestão também recebeu a Conferência Regional de Educação Superior (CRES), evento internacional que discutiu inclusão, diversidade e políticas para o ensino universitário na América Latina e Caribe.

Agora, Bianca Borges, eleita em 2025, lidera a UNE em um contexto de ofensiva conservadora global e aprofundamento de crises estruturais. Sob sua presidência, a entidade lançou a campanha “Com Cuba, Sempre!”, mobilizando estudantes de todo o Brasil para arrecadar recursos e medicamentos destinados ao povo cubano. Essa iniciativa dialoga diretamente com a tradição histórica da UNE, como a campanha “O Petróleo é Nosso” nos anos 1950, que mobilizou o país pela soberania nacional.

Rebeldia que atravessa gerações

O que nos une — quatro presidentes de gerações diferentes — é a convicção de que a luta pela solidariedade internacional não envelhece, não se aposenta, não se cansa. A cada geração, o imperialismo se reinventa, mas a resistência dos povos também. E a UNE, cumprindo seu papel histórico, segue ao lado de quem resiste.

Levar medicamentos a Cuba é um gesto humanitário concreto. Mas levar a mensagem dos estudantes brasileiros é, acima de tudo, um gesto político: Cuba não está sozinha. A América Latina não abandonará quem a inspirou a sonhar com revolução, soberania e dignidade. Enquanto houver bloqueio, haverá resistência. Enquanto houver imperialismo, haverá solidariedade.

Esse comboio é a rebeldia que nos inspira. É a esperança que nos move. É a história que nos une. Com Cuba, sempre!

O sadismo digital da Casa Branca https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/o-espetaculo-da-guerra.html   

Humor de resistência

 

avilarte83

Minha opinião

Terceira via carece de chão* 
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65    

Três juízos de valor a propósito das eleições de outubro: 

Um - A radicalização de tendências no eleitorado, captada nas pesquisas até agora divulgadas, é fruto da luta no campo das ideias — cada vez mais acirrada sobretudo nas redes digitais —, mas corresponde, sim, a uma base social marcada pelo conflito de extremos: os 10% mais ricos detêm mais de 40% da riqueza do país, enquanto os 50% mais pobres concentram menos de 15%. Não há um reflexo mecânico ou esquemático dessa contradição na medida em que o polo rico - a chamada elite dominante – leva vantagem na "guerra cultural" mediante poderosos instrumentos midiáticos e digitais e conta com influente rede conservadora na base da sociedade, inclusive representada pela expansão de igrejas evangélicas, sobretudo as neopentecostais.

Dois — São variados e complexos os fatores que contribuem para a vantagem inicial de Lula em relação ao oponente da extrema direita. Inclusive na esfera subjetiva, decorrente do complexo jogo de forças cuja face principal se revela na esfera parlamentar — Senado e Câmara dos Deputados —, mas se traduz no cotidiano de cada "aldeia" como fruto de múltiplos fatores — incluindo desvairado clientelismo, que parte da base progressista do governo também pratica. Em outras palavras, para além da polarização social assentada economicamente, a ação política institucional (mandatos parlamentares, governos locais, organizações corporativas diversas, etc.) tanto podem contribuir em favor da reeleição do presidente, como servir de base para o fortalecimento do seu oposto. A luta concreta decidirá.

Três — Nesse contexto, sobra pouco espaço para uma candidatura de centro-direita, apresentada como "terceira via". Prevalece o cabo de guerra, onde o extremo vitorioso terá sido mais eficiente num discurso compreensível e assimilável pela maioria do eleitorado; e mais sagaz e competente na ampliação do arco de forças que o apoiem. Quanto mais ampla a coalizão político-eleitoral que seja capaz de construir, maior chances de vitória.

Ou seja, uma nova vitória de Lula será parida numa disputa radicalizada na qual sejamos capazes de unir do lado de cá amplas e variadas correntes e grupos de interesse e, pelo menos, neutralizar segmentos desgarrados da candidatura da extrema direita mas não dispostos a integrar a frente ampla democrática. 

Sem nenhum laivo de estreiteza politica e sectarismo.

Nessas circunstâncias, uma candidatura presidencial caracterizada como "terceira via", sequer serviria para formar bancadas parlamentares mais robustas.

*Texto da minha coluna semanal no portal 'Vermelho'

Leia também: O lugar do PCdoB na cena política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/partido-renovado-e-influente.html