“Estudem, não apenas Química, mas também
Matemática, Física, Português, História. Formem uma concepção racional do
mundo. Adquiram uma cultura razoável nas artes, para que a vida seja prazerosa”
(Ricardo Ferreira).
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
31 julho 2013
Inclusão
Fundação Getúlio Vargas avalia que
desde 2003 quase 50 milhões de pessoas ingressaram no
mercado de consumo no Brasil.
Cena política
Não basta ter fé. Muita água
corre embaixo da ponte
Luciano Siqueira
Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)
Parecido com a
crença religiosa de jogadores de futebol. Todos iniciam a partida crentes de que
terão a ajuda divina e vencerão. Ao final, alguns ganham, outros perdem. Não terá
sido por falta de fé. É que muitas variáveis interferem no curso da disputa.
Luciano Siqueira
Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)
Assim são as
múltiplas especulações sobre o cenário eleitoral de 2014 – para a presidência
da República e os governos estaduais.
Claro que especular
faz parte. Desenham-se hipóteses, “cenarizam-se” o porvir – como dizem alguns
analistas. Mas erra quem aposta todas as fichas na vontade subjetiva dos
principais atores na cena. Pior: e desconsidera o peso das disputas estaduais,
que têm tudo a ver com a eleição presidencial, no que se refere à formação de
palanques e alianças.
No Brasil, como se
sabe, a diversidade regional historicamente influencia o desenrolar das
disputas. Em outras palavras: numa eleição “casada”, em que se disputam a
presidência da República, governos estaduais, assentos no Senado, na Câmara dos
Deputados e Assembleias Legislativas, ter ou não ter palanque forte nos estados
pode fazer a diferença. Diferente do pleito de 1989, “solteiro”, em que Collor
se elegeu presidente.
Para complicar, há
governadores candidatos à reeleição e outros que, em segundo mandato, desejam
eleger o seu sucessor e que, assim, necessitam de coligações amplas em seus
estados, sob risco de insucesso. E nem todos estão bem situados.
Segundo a pesquisa
CNI/Ibpope mais recente, praticamente todos os governadores amargam redução
importante dos índices de popularidade, com exceção do pernambucano Eduardo
Campos (PSB) e do paranaense Beto Richa (PSDB). São nove os governadores que têm
mais de 20% de saldo negativo (somatório de ruim e péssimo). Na espreita, de olho nas tendências do
eleitorado, situam-se pretendentes do PT, PMDB e PP e, no Maranhão, com larga
vantagem inicial, o ex-deputado Flavio Dino (PCdoB).
No último pleito
municipal, dezesseis dos vinte e seis prefeitos de capitais tinha suas
administrações desaprovadas por larga ampla da população. Nenhum deles se
reelegeu ou elegeu sucessor.
Menos complexo seria
se a lógica dominante fosse o perfilhamento de partidos a partir do projeto
nacional, sequenciando-se, de modo coerente e harmônico, acordos no âmbito dos
estados. Mas não é assim, nunca foi e certamente não será desta vez.
Nesse emaranhado, entretanto,
duas variáveis certamente concorrerão para uma delimitação de campos menos
borrada, abrindo espaço para a viabilização, ou não, de pretensões
presidenciais (e também aos governos estaduais). Uma é o desempenho da
economia, sobretudo o controle da inflação e a manutenção do nível de emprego,
que em geral beneficia quem governa. Outra é a capacidade de mesclar clareza de
objetivos, perspectiva de vitória e habilidade. Porque, tal como jogadores de
futebol quando entram em campo, todos se igualam no quesito fé – e isto só não
basta.
Dimensão
A quarta-feira é de Adélia Prado: “Os diamantes são indestrutíveis?/Mais é meu amor./O mar é imenso?/Meu
amor é maior...”
30 julho 2013
Recuperação de calçadas
. Começou a
recuperação de passeios públicos no Recife. A Prefeitura investirá R$ 20
milhões na recuperação de 140 quilômetros de calçadas, em 12 meses. Serão construídas
também Além 1000 rampas de acessibilidade.
. Você já pode ver o serviço sendo feito nas ruas das Flores e João Souto Maior, que fazem parte do polígono do Carmo, e na Rua Sete de Setembro, na Boa Vista.
. Você já pode ver o serviço sendo feito nas ruas das Flores e João Souto Maior, que fazem parte do polígono do Carmo, e na Rua Sete de Setembro, na Boa Vista.
Ricardo Ferreira
O Brasil perdeu hoje um dos seus grandes cientistas e extraordinária figura humana, Ricardo Ferreira. Sábio defensor do socialismo.
Auto retrato
Equivocada a crítica da Folha de
S. Paulo às redes sociais e ao jornalismo na internet. Atrai refletores para a
própria manipulação que faz dos fatos.
Reforço
Prefeitura do Recife nomeia 60
novos Educadores Sociais concursados. Acompanharão adolescentes e jovens em
medidas socioeducativas.
Caminhante
A terça-feira é de Rainer Maria Rilke: “Quem agora caminha em algum lugar no mundo,/Sem
razão caminha no mundo,/Vem a mim.”
Controle urbano
Em 7 dias de
operação contra o estacionamento irregular na cidade, a CTTU autuou 265
veículos e guinchou 40. Espaço público devolvido ao povo.
29 julho 2013
Sustentabilidade em foco
Conferência Municipal do Meio Ambiente debaterá propostas para a Política Nacional de Resíduos Sólidos
. A Prefeitura do Recife realizará, nesta terça (30) e quarta-feira (31), a 2ª Conferência Municipal de Meio Ambiente, com tema “Resíduos Sólidos e Sustentabilidade”. Mais de 200 pessoas, entre moradores, representantes de entidades, ONGs, instituições de ensino, empresários e observadores, vão participar das discussões e elaborar propostas com vista à consolidação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O evento será aberto às 9h, e ocorrerá no Centro de Formação de Educadores Professor Paulo Freire, na Madalena.
. A conferência abordará uma das questões que mais afeta o meio ambiente no Brasil e no mundo: o tratamento e a destinação do lixo. Na ocasião, os participantes vão definir vinte ações prioritárias para o município e sugerir outras para serem debatidas na etapa estadual do evento. “Não há como conseguir bons resultados na área de resíduos sólidos, sem o envolvimento da sociedade. A conferência é um instrumento que aproxima o poder público da população, e ela nos ajudará a direcionar as ações do governo”, pontuou a secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, Cida Pedrosa.
. A iniciativa também possibilitará que a comunidade conheça melhor os compromissos estabelecidos nos planos locais e regionais. Em março de deste ano, por exemplo, a PCR aderiu ao Plano de Resíduos Sólidos do Governo de Pernambuco, que contém as principais diretrizes sobre políticas públicas para a área. Uma alternativa moderna que inclui tratamento e reciclagem de resíduos; e faz os municípios da Região Metropolitana atuarem de forma integrada. O evento ainda visa elaborar estratégias de mitigação dos impactos ambientais; identificar soluções para diminuir a geração de resíduos e mudar padrão de consumo.
. Para contribuir com o debate, no primeiro dia, haverá a apresentação de um painel sobre Resíduos Sólidos pelo professor da UFPE José Fernando Jucá, autor e organizador de diversos livros. Jucá também coordena projetos de pesquisa nas áreas de Geotecnia Ambiental, Bioenergia e Resíduos Sólidos Urbanos. Após a palestra, as pessoas serão divididas em quatro grupos temáticos de trabalho. São eles: Produção e Consumo Sustentáveis; Redução dos impactos ambientais; Geração de Emprego, Trabalho e Renda; e Educação Ambiental.
. Já o segundo dia do evento será marcado pelas plenárias. Neste momento, as ações elaboradas pelos grupos de trabalho serão lidas, debatidas e eleitas as prioritárias. Por fim, ocorrerá a escolha dos 12 delegados que representarão a capital pernambucana durante a Conferência Estadual de Meio Ambiente, prevista para o segundo semestre deste ano. “Não é suficiente ter um bom serviço de coleta e um plano de gestão. Temos que repensar o tipo de consumo e o desperdício de jogar fora artigos recicláveis, que são objetivos de valor no mercado. Esses materiais precisam voltar para a cadeia produtiva, gerando renda a quem precisa e benefícios ao meio ambiente”, concluiu Cida Pedrosa.
Do Blog do Meio Ambiente
. A Prefeitura do Recife realizará, nesta terça (30) e quarta-feira (31), a 2ª Conferência Municipal de Meio Ambiente, com tema “Resíduos Sólidos e Sustentabilidade”. Mais de 200 pessoas, entre moradores, representantes de entidades, ONGs, instituições de ensino, empresários e observadores, vão participar das discussões e elaborar propostas com vista à consolidação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O evento será aberto às 9h, e ocorrerá no Centro de Formação de Educadores Professor Paulo Freire, na Madalena.
. A conferência abordará uma das questões que mais afeta o meio ambiente no Brasil e no mundo: o tratamento e a destinação do lixo. Na ocasião, os participantes vão definir vinte ações prioritárias para o município e sugerir outras para serem debatidas na etapa estadual do evento. “Não há como conseguir bons resultados na área de resíduos sólidos, sem o envolvimento da sociedade. A conferência é um instrumento que aproxima o poder público da população, e ela nos ajudará a direcionar as ações do governo”, pontuou a secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, Cida Pedrosa.
. A iniciativa também possibilitará que a comunidade conheça melhor os compromissos estabelecidos nos planos locais e regionais. Em março de deste ano, por exemplo, a PCR aderiu ao Plano de Resíduos Sólidos do Governo de Pernambuco, que contém as principais diretrizes sobre políticas públicas para a área. Uma alternativa moderna que inclui tratamento e reciclagem de resíduos; e faz os municípios da Região Metropolitana atuarem de forma integrada. O evento ainda visa elaborar estratégias de mitigação dos impactos ambientais; identificar soluções para diminuir a geração de resíduos e mudar padrão de consumo.
. Para contribuir com o debate, no primeiro dia, haverá a apresentação de um painel sobre Resíduos Sólidos pelo professor da UFPE José Fernando Jucá, autor e organizador de diversos livros. Jucá também coordena projetos de pesquisa nas áreas de Geotecnia Ambiental, Bioenergia e Resíduos Sólidos Urbanos. Após a palestra, as pessoas serão divididas em quatro grupos temáticos de trabalho. São eles: Produção e Consumo Sustentáveis; Redução dos impactos ambientais; Geração de Emprego, Trabalho e Renda; e Educação Ambiental.
. Já o segundo dia do evento será marcado pelas plenárias. Neste momento, as ações elaboradas pelos grupos de trabalho serão lidas, debatidas e eleitas as prioritárias. Por fim, ocorrerá a escolha dos 12 delegados que representarão a capital pernambucana durante a Conferência Estadual de Meio Ambiente, prevista para o segundo semestre deste ano. “Não é suficiente ter um bom serviço de coleta e um plano de gestão. Temos que repensar o tipo de consumo e o desperdício de jogar fora artigos recicláveis, que são objetivos de valor no mercado. Esses materiais precisam voltar para a cadeia produtiva, gerando renda a quem precisa e benefícios ao meio ambiente”, concluiu Cida Pedrosa.
Do Blog do Meio Ambiente
Viva Alice!
Música e poesia para minha neta Alice, que chegou hoje: de Tom Zé,
com Thais Gulin: “Ali sim, Alice” http://migre.me/fCChR
Ali sim, Alice
Aqui se meu gato passar
Aculá, se o sapo se mandar
De cá se o coelho se deitar
Ali se o tapete voar
Aculá, se o sapo se mandar
De cá se o coelho se deitar
Ali se o tapete voar
Alice, ali sim, ali orro orrro ali
Ali sim, ali sim
Ali orro ro ro ro ali
Ali sim, ali sim
Ali orro ro ro ro ali
Alice brilhante se escuta cigarra biruta o sol a solerar
Ali sinfonia de grilos a ninar os filhos noite de luar
Alice silenciosa se ajeita
A vida num planeta
Que é pra se decifrar
Ali sinfonia de grilos a ninar os filhos noite de luar
Alice silenciosa se ajeita
A vida num planeta
Que é pra se decifrar
Alice, ali sim, ali orro orrro ali
Ali sim, ali sim
Ali orro ro ro ro ali
Ali sim, ali sim
Ali orro ro ro ro ali
Números e tendências
As pesquisas pós-manifestações
Tudo considerado, Dilma mantém-se favorita. Ela caiu, mas seus adversários efetivos não subiram
Tudo considerado, Dilma mantém-se favorita. Ela caiu, mas seus adversários efetivos não subiram
Marcos Coimbra, na Carta
Capital
Na recente safra de pesquisas uma única coisa interessa: o que dizem a
respeito da sucessão presidencial. O demais é secundário. Ou melhor, só é
relevante por seus efeitos sobre essa questão fundamental.
Se não tivéssemos uma eleição daqui a pouco mais de um ano e se a
presidenta não fosse candidata, perguntas sobre a avaliação do governo e de
políticas seriam de relevância menor.
Todas concordam que Dilma Rousseff caiu do patamar onde estava até o
início de junho. Naquelas, obtinha, no voto espontâneo, perto de 25%. Nas
novas, minguou para 15%.
No chamado voto estimulado, ficava entre 50% e 58%, a depender dos
adversários. Nas de agora, mal chega a 35% nas simulações de primeiro turno e
vai, no máximo, a 42% naquelas de segundo.
É preciso lembrar que a predisposição a votar na presidenta estava em
queda de março para junho. No voto espontâneo, fora de 35% para 25%, e caíra de
60% para 50% na estimulada. Ou seja, suas chances de vitória tinham se
reduzido, apesar de permanecerem elevadas.
Nas atuais, a queda foi bem mais expressiva. O desgaste que se
identificava foi intensificado e acelerado pelas manifestações de junho.
O que parece é que Dilma sofreu uma perda considerável de intenção de
voto pelo fato de os cidadãos terem ido às ruas se manifestar e não pela
preexistência de uma elevada insatisfação com ela ou com seu governo. Em outras
palavras, as manifestações foram causa e não consequência do tamanho e do tipo
de descontentamento retratados hoje pelas pesquisas (e que se reflete no
despencar de suas chances, para usar a palavra que tanto alegra a “grande
mídia”).
De um lado, o fato de elas eclodirem e receberem imensa (e favorável)
cobertura dos meios de comunicação fez com que tivessem o que a sociologia
chama de “efeito demonstração”. Mesmo quem tinha uma insatisfação “aceitável”
passou a achar que devia “indignar-se”, ainda que não soubesse exatamente
contra o quê.
Mas a razão primordial para as manifestações cumprirem esse papel foi o seu impacto na
elevação da sensação de insegurança dos brasileiros comuns. E o que a provocou
foi a visualização da violência em estado bruto nas principais cidades do País.
Nenhum governo resiste à repetição diária de cenas de mortes, sangue,
tiros, quebra-quebras, depredações, incêndios. Durante três semanas, exatamente
entre as pesquisas de junho e julho, foi ao que a sociedade brasileira assistiu
na televisão, viu na internet, ouviu no rádio, leu em jornais e revistas.
Em outras palavras, o que de fato atingiu a avaliação do governo (com um
consequente impacto na intenção de voto em Dilma) não foi o “lado bom” das
manifestações, tão louvado pela mídia, das moças e rapazes a cantar o Hino
Nacional enrolados na bandeira, mas seu “lado negro”, dos “baderneiros” e
“arruaceiros”. Em relação xifópaga, um usou o outro.
Mas, se é verdade que Dilma desceu, é também verdade que nenhum de seus
adversários efetivos subiu. Apenas Marina Silva teve desempenho positivo.
Ao comparar a performance de Aécio Neves e Eduardo Campos nas pesquisas
de junho e julho, vemos que no voto espontâneo ambos permaneceram estacionados:
o tucano em 4% e o pernambucano em 1%. No estimulado, Aécio tinha 14% e lá
ficou. Eduardo obtinha 3% e passou a 4%.
Cresceram Marina (turbinada pela simpatia dos ricos) e o não voto, o
agregado daqueles que disseram branco, nulo, nenhum ou não saber. Quando se
considera apenas a indecisão, os resultados de julho foram iguais àqueles de
junho, com 5%. O que poderia ser considerado voto de rejeição, a soma de
brancos e nulos, dobrou, ainda que ficasse em menos de 20%.
Tudo considerado, Dilma mantém-se favorita, até pelo fato de essas
pesquisas a flagrarem no que deve ter sido seu pior momento. Permanece à
frente, tem a seu favor o tempo, a inércia da reeleição e, como mostram as
pesquisas qualitativas recentes, continua a contar com a torcida de muitos que
acham cedo para julgá-la.
E a única candidatura que cresceu foi de alguém que a maioria da
população vê com simpatia, mas sem condições de se sentar na cadeira de
presidente. Muita gente admira Marina, mas poucos ficam confortáveis ao
imaginá-la no cargo.
Quanto a fabricar alguém de última hora, a chance é pequena, mas não
pode ser descartada. Em 1989, por exemplo, a um mês da eleição, a direita
inventou a candidatura de Silvio Santos.
Terá outra na algibeira para 2014?
Parcialidade
Má vontade e desrespeito considerar “comando compartilhado do
Planalto” as ótimas relações entre Dilma e Lula. Por que deveriam estar
rompidos!?
Brasil melhor
A taxa de desemprego nos EUA – dita em recuperação - está em 7,5%. No
Brasil, a situação é bem melhor: 5,8%.
Boa cobertura
Fundo de
Financiamento Estudantil (Fies) atenderá 400 mil estudantes este ano – contra 153,5
mil em 2011 e 368,8 mil em 2012.
Palavra de poeta
A segunda-feira é de Maciel Melo: “Nessa casa o negócio é o
seguinte:/Chorar só se for muito preciso/E na dúvida de amar abra um sorriso.”
28 julho 2013
A epigenética explica?
Estado de ânimo sob suspeita
Luciano Siqueira
Fica uma certeza e uma frustração. A certeza está em que a indústria de medicamentos logo cuida de se apropriar de estudos como esse e produzir drogas capazes de provocar a alteração genética necessária. É sempre assim. E não seria trágico se o acesso às tais drogas não custasse ao cidadão comum os olhos da cara – ou seu meus melhores genes, se preferirem. Inalcançável para a maioria.
Luciano Siqueira
Publicado no blog da revista
Algomais
O modo de encarar a vida tem
muito de subjetivo e, claro uma boa dose de realidade concreta. Feito o primo
adolescente que respondeu a uma observação minha acerca do seu estado de
espírito – “Você parece em dificuldades” – de modo a não deixar dúvidas: ”Pareço,
não; estou!”
Então, otimismo ou
pessimismo tem tudo a ver com muita coisa – sobretudo com a realidade como ela
é. Mas como a ciência sempre pretende ir muito além do mundo imediato que nos
cerca e da mera aparência das coisas, estuda-se sobre o pessimismo com a mesma
ânsia resolutiva de quem deseja vencer o câncer.
Tim Spector, pesquisador
do Hospital St Thomas, em Londres, acompanha grupo de gêmeos idênticos na
tentativa de esclarecer por que algumas pessoas são mais positivas do que
outras a respeito da vida. Ou seja, ele vai atrás de clarear os mistérios da
formação da personalidade. E, assim, quem sabe tornar possível transformar o
pessimista visceral em saltitante otimista.
Ele observou, por exemplo,
gêmeas idênticas que têm tudo em comum, mas diferem frontalmente porque uma se
mostra sempre entusiasmada e confiante, e a outra frequentemente se deixa
afundar na depressão. A pista o pesquisador inglês diz ter encontrado na
genética. Alguns genes estão presentes na irmã desanimada e ausentes na
eufórica.
No que diz respeito à personalidade,
a diferença entre as pessoas seria meio a meio decorrente de fatores genéticos.
Mas tem um detalhe: o ambiente onde o indivíduo está objetivamente inserido
influencia os genes, modificando-os parcialmente. A epigenética explica,
garantem os entendidos no assunto.
A coisa é muito mais
complexa do que esse breve e superficial registro, que aqui é feito por escriba
absolutamente leigo no assunto. Mesmo tendo formação médica e outrora se
interessado por essa coisa fantástica que é a genética. Fica uma certeza e uma frustração. A certeza está em que a indústria de medicamentos logo cuida de se apropriar de estudos como esse e produzir drogas capazes de provocar a alteração genética necessária. É sempre assim. E não seria trágico se o acesso às tais drogas não custasse ao cidadão comum os olhos da cara – ou seu meus melhores genes, se preferirem. Inalcançável para a maioria.
A frustração é que a tal
influência do ambiente não se faz da noite para o dia – leva um tempo biológico
bem distante do que medimos na vida cotidiana. Por isso, por mais que a gente
se esforce e que a corrente do bom humor se estenda, tem gente que teima em
manter a crista baixa em qualquer situação, irradia pessimismo a torto e a
direito e ainda fecha a cara por qualquer motivo. São os chatos irrecuperáveis
e inacessíveis aos bons resultados da pesquisa do doutor Tim Spector. Ou estou
sendo pessimista?
Impunes?
28 bolivianos em trabalho análogo
à escravidão em 3 oficinas que confeccionam roupas das grifes Le Lis Blanc e
Bo.Bô, em São Paulo. Impunes?
Baixo nível
Quer dizer que nem cumprimentar o campeão da Libertadores a
presidenta Dilma pode? Rebaixamento da política sem limites.
História: 28 de julho de 1938
Um dos romances de cordel de maior sucesso, sobre a morte de Lampião.
Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, traídos, são
emboscados, mortos e degolados pela polícia na fazenda Angicos, SE. As cabeças
ficam expostas no museu Nina Rodrigues até 1969. (Vermelho www.vermelho.org.br)
Garantia
Gestantes
que cumprem aviso prévio gozam de estabilidade no emprego. Presidenta Dilma já
sancionou lei.
Pessimismo
Quando alguém passa a dizer que nada presta, na política e na vida, nem
mesmo uma flor que desabrocha, melhor não se olhar ao espelho.
A vida do jeito que é
Clandestino
Marco Albertim, no Vermelho www.vermelho.org.br
Com o frio da manhã na medula, pouco se
importou que a lembrança do que deixara para trás desse conta de prejuízo na
alma. A suspeita de que a demanda de afeto, inda que surda, logo seria um
cavouco nas entranhas, juntou-se ao balanço de perdas e danos.
A estação de estrada-de-ferro, na cerração cinzenta da manhã, absorvia com sofreguidão lenta a vigilância sonolenta do guarda ferroviário, os olhos mortos do camponês de chapéu de feltro e capa do mesmo tecido, o sono mudo do menino com a cabeça no colo da mãe, deitado no banco de madeira; ambos envoltos numa chita mouriscada com dobras de cima a baixo, tão ao gosto dos vãos no respaldo e no assent o do banco. Absorvia o frio na medula do operário Granadino dos Montes, seus urdumes, o balanço de perdas no juízo sereno; absorvia sem incômodo.
O trem parou. Antes que do cano de escape fosse expelida a derradeira golfada de fumaça na estação, uma vintena de homens e mulheres ocupara a plataforma de cimento estropiado na margem da ferrovia. O acesso aos vagões se deu sem atropelos, sob a espreita, àquela altura, apurada do guarda com calça, paletó e quepe cor cinza. O camponês, o menino e a mãe, despertos pelo motor chiante do trem, foram os primeiros a subir no primeiro vagão do comboio. Granadino dos Montes, atrás deles, seguiu-lhes do mesmo modo de andar sem cobiça dos pobres.
Os óculos, ele os pusera no rosto macilento com vincos de quem se habituara a pensar em problemas, revolvendo-os da superfície às entranhas; óculos com aros de metal reluzente comprimindo duas lentes finas, transparentes, próprias de quem as usa para leituras a pouca distância. O guarda, também com óculos semelhantes, mas com rosto corado feito uma romã; a saliência das bochechas, logo abaixo dos olhos, compunha-se feito anteparos à armação dos óculos. Ele espreitou pelas lentes mais grossas que as de Granadino dos Montes, os óculos do operário. As roupas de Granadino, de brim ordinário como a dos outros passageiros, acentuavam-lhe o talhe de operário; já os óculos...
Granadino dos Montes sentou-se ao lado da janela. A observação do casario pobre, o desengonço das telhas, as ruas sem calçamento da Vila do Vintém ao lado da ferrovia, sucederia sem lesão o sorvo terapêutico da estação do trem. Teria que olhar sem dar conta de incômodo nos olhos. A armação dos óculos, retangulares, por certo teria o efeito de um objeto estranho em seu rosto redondo. Acomodara-os no rosto, com a preocupação de ter nos olhos a mansidão comum a quem se acostumara a ver sem sinais de espanto, de surpresa.
- Não sei quando vou devolver os óculos a você, porque não sei quando vou voltar. Também não sei para onde vou. Só quando me derem a passagem saberei para onde estou indo. Por segurança...
A peroração, a última a um parente próximo, estendera-a mais do que o preciso, mas convencera-se de que se referir a um futuro vago, denso, era o discurso mais adequado à opção de vida a que fora forçado. O parente quisera dar-lhe algum dinheiro, recusara-o para infundir confiança de que sua volta, inda que incerta, seria certa.
De seu lado, na mesma poltrona, sentou-se o camponês de capote de feltro. Em sua frente, a mulher e o filho com vestimentas de chita. O camponês tinha uma mala quadrada, de papelão revestido de plástico. A mulher, uma sacola cheia de roupas nos fundos, fechada na abertura por um laço num cordão grosso. Granadino dos Montes trouxera o macacão de trabalho na sacola com alças em arco; sacola de tamanho médio, com duas camisas e uma calça a mais, cuecas, uma toalha, escova e pasta de dentes.
No corredor, em pé, o guarda ferroviário, conferindo o bilhete de cada passageiro, deteve-se em frente ao acesso às poltronas de Granadino, da mulher e do camponês. Sopesou nos dedos sanguíneos os bilhetes do camponês, da mulher e da criança. O do operário, olhou-o para cumprir o rito, sem perder de vista os aros brilhosos dos óculos no rosto de Granadino dos Montes.
- Há muito tempo que usa óculos?
Granadino, enquanto o guarda segurava o bilhete, voltara a se distrair com a paisagem da janela. A Vila do Vintém ficara para trás. O canavial, feito um tapete ondulante no sopro do vento, sussurrava permissivo à inquirição no juízo do guarda.
- Sim.
A curta resposta do operário fez crescer as suspeitas do guarda ferroviário. Na estação de trem de Maceió, ele foi intimado a mostrar os documentos a homens sem farda, sob o olhar pomposo de triunfo do guarda.
Quarenta anos depois, uma multidão se comprime na Praça do Derby. Granadino dos Montes tem no rosto óculos com armação de acetato. Chove; ele não sente os pingos nos ombros arqueados. Olha para a grama da mesma cor do canavial que respondera com sussurros às perguntas do guarda ferroviário.
- Granadino! Segure essa bandeira! Vai começar a marcha.
Marco Albertim, no Vermelho www.vermelho.org.br
A estação de estrada-de-ferro, na cerração cinzenta da manhã, absorvia com sofreguidão lenta a vigilância sonolenta do guarda ferroviário, os olhos mortos do camponês de chapéu de feltro e capa do mesmo tecido, o sono mudo do menino com a cabeça no colo da mãe, deitado no banco de madeira; ambos envoltos numa chita mouriscada com dobras de cima a baixo, tão ao gosto dos vãos no respaldo e no assent o do banco. Absorvia o frio na medula do operário Granadino dos Montes, seus urdumes, o balanço de perdas no juízo sereno; absorvia sem incômodo.
O trem parou. Antes que do cano de escape fosse expelida a derradeira golfada de fumaça na estação, uma vintena de homens e mulheres ocupara a plataforma de cimento estropiado na margem da ferrovia. O acesso aos vagões se deu sem atropelos, sob a espreita, àquela altura, apurada do guarda com calça, paletó e quepe cor cinza. O camponês, o menino e a mãe, despertos pelo motor chiante do trem, foram os primeiros a subir no primeiro vagão do comboio. Granadino dos Montes, atrás deles, seguiu-lhes do mesmo modo de andar sem cobiça dos pobres.
Os óculos, ele os pusera no rosto macilento com vincos de quem se habituara a pensar em problemas, revolvendo-os da superfície às entranhas; óculos com aros de metal reluzente comprimindo duas lentes finas, transparentes, próprias de quem as usa para leituras a pouca distância. O guarda, também com óculos semelhantes, mas com rosto corado feito uma romã; a saliência das bochechas, logo abaixo dos olhos, compunha-se feito anteparos à armação dos óculos. Ele espreitou pelas lentes mais grossas que as de Granadino dos Montes, os óculos do operário. As roupas de Granadino, de brim ordinário como a dos outros passageiros, acentuavam-lhe o talhe de operário; já os óculos...
Granadino dos Montes sentou-se ao lado da janela. A observação do casario pobre, o desengonço das telhas, as ruas sem calçamento da Vila do Vintém ao lado da ferrovia, sucederia sem lesão o sorvo terapêutico da estação do trem. Teria que olhar sem dar conta de incômodo nos olhos. A armação dos óculos, retangulares, por certo teria o efeito de um objeto estranho em seu rosto redondo. Acomodara-os no rosto, com a preocupação de ter nos olhos a mansidão comum a quem se acostumara a ver sem sinais de espanto, de surpresa.
- Não sei quando vou devolver os óculos a você, porque não sei quando vou voltar. Também não sei para onde vou. Só quando me derem a passagem saberei para onde estou indo. Por segurança...
A peroração, a última a um parente próximo, estendera-a mais do que o preciso, mas convencera-se de que se referir a um futuro vago, denso, era o discurso mais adequado à opção de vida a que fora forçado. O parente quisera dar-lhe algum dinheiro, recusara-o para infundir confiança de que sua volta, inda que incerta, seria certa.
De seu lado, na mesma poltrona, sentou-se o camponês de capote de feltro. Em sua frente, a mulher e o filho com vestimentas de chita. O camponês tinha uma mala quadrada, de papelão revestido de plástico. A mulher, uma sacola cheia de roupas nos fundos, fechada na abertura por um laço num cordão grosso. Granadino dos Montes trouxera o macacão de trabalho na sacola com alças em arco; sacola de tamanho médio, com duas camisas e uma calça a mais, cuecas, uma toalha, escova e pasta de dentes.
No corredor, em pé, o guarda ferroviário, conferindo o bilhete de cada passageiro, deteve-se em frente ao acesso às poltronas de Granadino, da mulher e do camponês. Sopesou nos dedos sanguíneos os bilhetes do camponês, da mulher e da criança. O do operário, olhou-o para cumprir o rito, sem perder de vista os aros brilhosos dos óculos no rosto de Granadino dos Montes.
- Há muito tempo que usa óculos?
Granadino, enquanto o guarda segurava o bilhete, voltara a se distrair com a paisagem da janela. A Vila do Vintém ficara para trás. O canavial, feito um tapete ondulante no sopro do vento, sussurrava permissivo à inquirição no juízo do guarda.
- Sim.
A curta resposta do operário fez crescer as suspeitas do guarda ferroviário. Na estação de trem de Maceió, ele foi intimado a mostrar os documentos a homens sem farda, sob o olhar pomposo de triunfo do guarda.
Quarenta anos depois, uma multidão se comprime na Praça do Derby. Granadino dos Montes tem no rosto óculos com armação de acetato. Chove; ele não sente os pingos nos ombros arqueados. Olha para a grama da mesma cor do canavial que respondera com sussurros às perguntas do guarda ferroviário.
- Granadino! Segure essa bandeira! Vai começar a marcha.
O poeta sabe
O domingo é de Drummond: “As coisas tangíveis/tornam-se insensíveis/à
palma da mão/Mas as coisas findas/muito mais que lindas,/essas ficarão.”
27 julho 2013
A cota de sono de cada um
Científico estímulo à
preguiça
Luciano Siqueira
Luciano Siqueira
Publicado no Jornal da Besta
Fubana
Leio aqui
que pesquisadores holandeses sugerem que sete ou mais horas de sono por noite
podem trazer benefícios para o coração quando combinadas a um estilo de vida
saudável. Ou seja: comer com parcimônia, não fumar, beber com moderação e fazer
exercícios físicos com regularidade.
Anoto a
receita com o sentimento de que a tal pesquisa concluiu o óbvio. Com todo o
respeito devido à equipe de cientistas envolvida no trabalho, da Universidade
de Wageningen e do Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente da
Holanda, e à amostragem examinada, mais de 14 mil homens e mulheres; e ao tempo
dedicado, uma década. Mais: ao final da empreitada, 600 haviam sofrido de
doenças cardiovasculares ou infarto e 129 haviam morrido, conforme noticia o European
Journal of Preventive Cardiology.
De toda
sorte, o detalhe que chama atenção é o tempo desejável dedicado ao sono. A
pesquisa assevera que as pessoas que cultivam hábitos saudáveis tinham 57%
menos chances de desenvolver doenças cardiovasculares e risco 67% menor de
morrer desses males. Porém se acresce uma boa noite de sono – se 7 horas ou
mais – a estimativa pula para 65% menos chances de desenvolver problemas do
coração e um risco 83% menor de morrer.
Embora analistas
afirmem que esta é a primeira pesquisa sobre o tema que enfatiza a variável
tempo de sono como decisiva, com a devida ressalva – ainda segundo a citada
publicação – de que quem dorme pouco necessariamente não está ameaçado de
infarto, vejo que o assunto talvez não mereça, mas tem lá seu interesse.
Aqui do lado
uma companheira protesta: “Por que estão diminuindo a necessidade de sono?
Sempre soube que é de pelo menos oito horas por dia!”
Já o
companheiro que se aproxima para bisbilhotar o que escrevo, põe em dúvida a
validade das conclusões do estudo, de olho na chamada dieta saudável. “Do jeito
que vai esses cientistas vão terminar proibindo tudo o que é bom: sal, açúcar,
álcool. Falta proibir sexo! “
Cá com meus
botões, mais modesto sou ao ler a notícia. Desde adolescente me habituei a
dormir em média 5 horas e meia por noite. Sempre. E me sinto muito bem. Nem sei
direito porque adquiri esse hábito. Até me lembro de uma entrevista de James
Dean, protagonista do hollywoodiano “Juventude transviada”, em que dizia perder
tempo de vida enquanto dormia. Mas o fato é que o tempo de sono me satisfaz – e
já não tenho idade para perseguir as mais de sete horas recomendadas.
Pelo sim,
pelo não, por mais que a conclusão dos cientistas holandeses nos pareça banal,
vale prestar atenção. E seguir as recomendações, se possível. Desde que o bolso
permita e as noites possam ser bem dormidas, livres de angustias financeiras e
dores amorosas. Preguiçosamente.
“Aí também
já é o paraíso!”, exclama o outro bisbilhoteiro aqui do lado. (É que escrevi
essas despretensiosas linhas enquanto espero o início de uma reunião plenária
do PCdoB).
Bom sono a
tod@s!
Trabalho escravo
28 bolivianos em trabalho análogo
à escravidão em 3 oficinas que confeccionam roupas das grifes Le Lis Blanc e
Bo.Bô, em São Paulo.
Incerteza lá
O de sempre: FMI teme alta mais forte dos juros nos EUA caso cresça a incerteza
face a política monetária e a alta volatilidade no mercado.
Regressão
27 milhões
de desempregados em países da Comunidade Europeia. E a crise não dá sinais de
solução.
Pano de fundo da luta atual
Em defesa da nação e da democracia
Eduardo Bomfim, no Vermelho www.vermelho.org.br
Um profundo desencanto das sociedades com os fundamentos ideológicos, culturais, econômicos, dos valores constituídos, das estruturas caducas do reinado absolutista da doutrina neoliberal nesses últimos trinta anos.
Onde prevalece um cenário de certa desorientação, uma tempestade de ansiedades subjetivas resultantes da crise civilizacional forjada por esse capitalismo, pelo imperialismo.
Em meados da década de trinta passada quando o nazi-fascismo já era bem mais que uma ameaça aos povos o dirigente comunista búlgaro George Dimitrov proferiu célebre discurso sobre o fascismo, suas terríveis ameaças.
Dizia ele que nos tempos das crises sistêmicas do capital internacional surgiam dois fenômenos sociais antagônicos: o crescimento das lutas dos trabalhadores e demais camadas sociais contra a pressão capitalista de jogar sobre os ombros dos povos o fardo da debacle econômica.
Afirmando que nesse processo de grande resistência dos assalariados e demais segmentos sociais aumenta o nível do combate popular, eleva-se o seu nível de consciência política, de organização.
O outro aspecto é que em épocas de crise sistêmica do capital aparece em cena o fascismo como fenômeno real incentivado pelo capital financeiro global com o objetivo de promover o golpe aberto, terrorista, dos elementos mais chauvinistas, reacionários, através de ações e armadilhas contra as sociedades, os povos.
O Brasil apesar da realidade diferenciada no cenário mundial com razoável crescimento econômico, inclusão social, também está imerso nessa arapuca do capital rentista mundial que através de intensa pressão da grande mídia reacionária identifica pontos débeis no governo e constrói passo a passo, como capítulos de uma novela, o ambiente favorável para impor uma ditadura do mercado de viés fascista.
Nesse quadro de instabilidades, provocações imperialistas do capital financeiro cabe às forças consequentes a luta sem tréguas na formação de uma combativa frente patriótica, democrática, progressista, em uma urgente edificação de um projeto estratégico, econômico, social de desenvolvimento em defesa da nação ameaçada, da democracia.
Eduardo Bomfim, no Vermelho www.vermelho.org.br
Estamos vivenciando na atualidade o
agravamento em escala planetária dos múltiplos fatores da crise estrutural do
capitalismo, a decadência das políticas neoliberais implementadas nessas
últimas décadas praticamente em quase todas as nações do mundo.
Um profundo desencanto das sociedades com os fundamentos ideológicos, culturais, econômicos, dos valores constituídos, das estruturas caducas do reinado absolutista da doutrina neoliberal nesses últimos trinta anos.
Onde prevalece um cenário de certa desorientação, uma tempestade de ansiedades subjetivas resultantes da crise civilizacional forjada por esse capitalismo, pelo imperialismo.
Em meados da década de trinta passada quando o nazi-fascismo já era bem mais que uma ameaça aos povos o dirigente comunista búlgaro George Dimitrov proferiu célebre discurso sobre o fascismo, suas terríveis ameaças.
Dizia ele que nos tempos das crises sistêmicas do capital internacional surgiam dois fenômenos sociais antagônicos: o crescimento das lutas dos trabalhadores e demais camadas sociais contra a pressão capitalista de jogar sobre os ombros dos povos o fardo da debacle econômica.
Afirmando que nesse processo de grande resistência dos assalariados e demais segmentos sociais aumenta o nível do combate popular, eleva-se o seu nível de consciência política, de organização.
O outro aspecto é que em épocas de crise sistêmica do capital aparece em cena o fascismo como fenômeno real incentivado pelo capital financeiro global com o objetivo de promover o golpe aberto, terrorista, dos elementos mais chauvinistas, reacionários, através de ações e armadilhas contra as sociedades, os povos.
O Brasil apesar da realidade diferenciada no cenário mundial com razoável crescimento econômico, inclusão social, também está imerso nessa arapuca do capital rentista mundial que através de intensa pressão da grande mídia reacionária identifica pontos débeis no governo e constrói passo a passo, como capítulos de uma novela, o ambiente favorável para impor uma ditadura do mercado de viés fascista.
Nesse quadro de instabilidades, provocações imperialistas do capital financeiro cabe às forças consequentes a luta sem tréguas na formação de uma combativa frente patriótica, democrática, progressista, em uma urgente edificação de um projeto estratégico, econômico, social de desenvolvimento em defesa da nação ameaçada, da democracia.
Aprendizado
O sábado é de Cora Coralina: “Aceitei contradições/lutas e pedras/como
lições de vida/
e delas me sirvo”
e delas me sirvo”
Flora repatriada
A Agência Brasil
divulgou recentemente e vale o registro aqui. Cerca de 540 mil amostras da
flora brasileira que fazem parte das coleções dos museus Nacional de História
Natural, de Paris, e do Kew Gardens, de Londres, serão integradas ao herbário
virtual Jardim Botânico do Rio. As amostras foram levadas aos países por
missões estrangeiras que passaram pelo Brasil entre os séculos 18 e 20.
Além das coleções de
Paris e de Londres e do próprio Jardim Botânico, o herbário virtual terá
imagens e informações de outros museus europeus “que vão entrar nessa
iniciativa com a gente”, segundo a coordenadora. O Jardim Botânico já tem 300
mil amostras prontas para incluir no herbário virtual. A intenção é lançá-lo
com meio milhão de amostras de plantas, disse Rafaela. O herbário deve começar
a funcionar até novembro deste ano.
26 julho 2013
Esclarecer faz bem
. A notícia de que
o ministro Joaquim Barbosa (presidente do Superior Tribunal Federal) teria
comprado um apartamento em Miami mediante o uso de uma empresa de fachada para
não pagar impostos é verdade ou mentira?
. “Denuncismo” à parte – que em nada ajuda a democracia -, bom seria que o ministro Joaquim Barbosa viesse a público esclarecer o assunto, com a transparência devida.
. “Denuncismo” à parte – que em nada ajuda a democracia -, bom seria que o ministro Joaquim Barbosa viesse a público esclarecer o assunto, com a transparência devida.
Simples e genial
Dominguinhos deixa vazio o
trono do baião
Por Jose Carlos Ruy, no Vermelho www.vermelho.org.br
Por Jose Carlos Ruy, no Vermelho www.vermelho.org.br
. Não
é apropriado dizer que a música brasileira ficou órfã nesta terça-feira (23),
quando José Domingos de Morais, o Dominguinhos, despediu-se da vida. Não é
apropriado: com seu jeito simples, brincalhão e alto astral, o mais correto
seria dizer que perdemos um irmão mais velho, que deixa muita saudade.
. Ele tinha 72 anos (nasceu em Garanhuns, PE, em 12 de fevereiro de 1941), e sempre teve cara de menino sanfoneiro de enorme talento. Lutava há seis contra o câncer que finalmente o venceu.
. Era sanfoneiro desde os seis anos de idade. Vinha de família humilde; foi filho de mestre Chicão, também sanfoneiro e afinador de sanfonas. Como Januário, pai de Luiz Gonzaga, o rei do baião que foi padrinho e fonte de inspiração para Dominguinhos. E que fez do menino com que se encantou, no longínquo 1950, seu príncipe herdeiro.
. Leia
mais http://migre.me/fBwPt
. Ele tinha 72 anos (nasceu em Garanhuns, PE, em 12 de fevereiro de 1941), e sempre teve cara de menino sanfoneiro de enorme talento. Lutava há seis contra o câncer que finalmente o venceu.
. Era sanfoneiro desde os seis anos de idade. Vinha de família humilde; foi filho de mestre Chicão, também sanfoneiro e afinador de sanfonas. Como Januário, pai de Luiz Gonzaga, o rei do baião que foi padrinho e fonte de inspiração para Dominguinhos. E que fez do menino com que se encantou, no longínquo 1950, seu príncipe herdeiro.
Palavra de poeta
A sexta-feira é de Mario Quintana: “No retrato
que me faço/- traço a traço -/às vezes me pinto nuvem,/às vezes me pinto
árvore...”
25 julho 2013
Batalha de longo curso
A força do preconceito
Luciano Siqueira
Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)
Depois da própria casa, é na rua (18%) em que atitudes preconceituosas mais se verificam. Homossexuais têm seu direito de ir e vir constrangido.
Lícito supor que o mesmo aconteça pelo Brasil afora, apenas com leves variações estatísticas.
Luciano Siqueira
Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)
Educação começa em casa,
costuma-se dizer. E o preconceito também – a julgar pelo que revela estudo
feito pelo Programa Rio sem Homofobia. Onde os homossexuais mais sofreram
agressões, no estado do Rio de Janeiro, em 2012, foi precisamente no ambiente
familiar: do total de denúncias registradas nos quatro centros de referência em
operação, via ligações 0800, 22% foram praticados pelos próprios amigos e
parentes, nas residências das vítimas, sendo 38% agressões verbais e 22%
agressões físicas.
Depois da própria casa, é na rua (18%) em que atitudes preconceituosas mais se verificam. Homossexuais têm seu direito de ir e vir constrangido.
Lícito supor que o mesmo aconteça pelo Brasil afora, apenas com leves variações estatísticas.
Isto mostra o quanto é
necessário avançar no processo civilizatório brasileiro, de que o grau de
superação do preconceito homofóbico pode ser tomado como um dos indicadores.
Igualmente a questão se
coloca em relação a outras modalidades de preconceito e de discriminação. De raça,
gênero e condição socioeconômica e até em relação ao endereço.
Inúmeros e recorrentes são
os registros de jovens que ocultam a localidade onde residem quando se
candidatam a um emprego. Áreas das cidades reconhecidamente pobres e/ou palco
de maior incidência da violência criminal conferem, ao senso comum, uma espécie
de suspeita a priori, velada ou mesmo explícita.
O mapeamento da violência
criminal de uma cidade como o Recife, por exemplo, elemento de referência para
a formulação e o incremento de políticas públicas específicas, se constitui em
dado de realidade a ser manejado sempre com cuidado. Para evitar o rebaixamento
da autoestima da população ali localizada e, por extensão, vitimá-la pelo preconceito.
Assim, impõe-se o
enfrentamento das desigualdades que objetivamente realimentam atitude inadequadas,
preconceituosas – mediante políticas públicas inspiradas na sustentabilidade
econômica ambiental e social – em estreita articulação com o embate de ideias. Uma
reforça a outra, sendo que a extirpação do preconceito requer persistência e
continuidade, numa visão de longo prazo.
Em toda sociedade, a
conquista de padrão elevado de vida material não corresponde de imediato ao
mesmo alcance civilizatório. A subjetividade é em grande medida determinada
pela realidade objetiva, mas tem vida própria e implica em luta específica. Visão
de mundo e adoção de valores mais avançados leva muito mais tempo.
Pesquisas como a realizada
no Rio de Janeiro, portanto, além de revelarem o lado cruel da discriminação e
do preconceito, fornecem dados preciosos para o debate, a formatação de
políticas públicas e a luta em favor da solidariedade humana.
Desinformação
Especular é natural e até útil,
quando se examina a cena política. Afinal, estamos às portas de 2014. Mas tem
gente “chutando” pra todo lado.
Sentimento
A quinta-feira é de Vinícius de Moraes: “Amo-te, enfim, com grande liberdade/Dentro da eternidade e a cada instante.”
24 julho 2013
Guerrilha do Araguaia
Diário de Pernambuco:
Comissão da Verdade faz sessão na SBPC
. A Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara realiza, nesta quarta-feira (24), às 19h, sessão pública no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa faz parte da programação da 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Em discussão o cumprimento da sentença que condenou o Brasil, na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), sobre o desaparecimento forçado de 70 guerrilheiros no caso conhecido por "Guerilha do Araguaia",com destaque para os pernambucanos Miguel Pereira dos Santos (Cazuza) e Antonio Ferreira Pinto (Antonio Alfaiate).
. De acordo com Manoel Moraes, à frente das duas relatorias, o momento é importante. Trata-se da primeira sessão para coleta de informações sobre pernambucanos mortos ou desaparecidos na região amazônica brasileira do Araguaia. "As participações de Beatriz Affonso, como representante do Cejil e Gilles Gomes são essenciais para preencher as lacunas históricas que ainda existem nesse período e, especialmente, no que diz respeito à Guerrilha”, explica Moraes.
. "A militância de Cazuza e Alfaiate está inserida na relatoria do PCdoB. A história de resistência à ditadura civil-militar e as consequências deste envolvimento transformaram-se em uma das denúncias que levou o Brasil a responder perante à CIDH pelo desaparecimento dos corpos dos guerrilheiros do Araguaia", atenta Moraes.
. O evento, em forma de debate, conta com a participação da diretora do Programa do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) no Brasil, Beatriz Affonso, e Gilles Gomes, coordenador geral da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Cazuza - Miguel Pereira dos Santos, recifense, militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), iniciou cedo a participação na vida política, filiando-se ao Partido Comunista. Em 1965, devido às perseguições políticas, passou a viver na clandestinidade. Há registros de órgãos de repressão de que teria viajado à China Comunista para receber treinamento de guerrilha. Após retornar ao Brasil, passou a fazer parte das Forças Guerrilheiras do Araguaia e morreu em 25 de setembro de 1972 - há informações controversas sobre a o dia exato da morte.
Alfaiate - Desaparecido na região do Araguaia em 14 de janeiro de 1974, Antônio Ferreira Pinto, conhecido como "Antônio Alfaiate", era militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). "As informações sobre as circunstâncias da morte de Cazuza e de Antônio Alfaiate revelam-se ainda inconclusas, além do desfecho final de suas mortes. Documentos e depoimentos, inclusive de agentes da repressão, traçam uma intensa luta pelo sufocamento da guerrilha que foi desenvolvida com grande preocupação pela ditadura", explica Manoel Moraes.
Comissão da Verdade faz sessão na SBPC
. A Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara realiza, nesta quarta-feira (24), às 19h, sessão pública no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa faz parte da programação da 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Em discussão o cumprimento da sentença que condenou o Brasil, na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), sobre o desaparecimento forçado de 70 guerrilheiros no caso conhecido por "Guerilha do Araguaia",com destaque para os pernambucanos Miguel Pereira dos Santos (Cazuza) e Antonio Ferreira Pinto (Antonio Alfaiate).
. De acordo com Manoel Moraes, à frente das duas relatorias, o momento é importante. Trata-se da primeira sessão para coleta de informações sobre pernambucanos mortos ou desaparecidos na região amazônica brasileira do Araguaia. "As participações de Beatriz Affonso, como representante do Cejil e Gilles Gomes são essenciais para preencher as lacunas históricas que ainda existem nesse período e, especialmente, no que diz respeito à Guerrilha”, explica Moraes.
. "A militância de Cazuza e Alfaiate está inserida na relatoria do PCdoB. A história de resistência à ditadura civil-militar e as consequências deste envolvimento transformaram-se em uma das denúncias que levou o Brasil a responder perante à CIDH pelo desaparecimento dos corpos dos guerrilheiros do Araguaia", atenta Moraes.
. O evento, em forma de debate, conta com a participação da diretora do Programa do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) no Brasil, Beatriz Affonso, e Gilles Gomes, coordenador geral da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Cazuza - Miguel Pereira dos Santos, recifense, militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), iniciou cedo a participação na vida política, filiando-se ao Partido Comunista. Em 1965, devido às perseguições políticas, passou a viver na clandestinidade. Há registros de órgãos de repressão de que teria viajado à China Comunista para receber treinamento de guerrilha. Após retornar ao Brasil, passou a fazer parte das Forças Guerrilheiras do Araguaia e morreu em 25 de setembro de 1972 - há informações controversas sobre a o dia exato da morte.
Alfaiate - Desaparecido na região do Araguaia em 14 de janeiro de 1974, Antônio Ferreira Pinto, conhecido como "Antônio Alfaiate", era militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). "As informações sobre as circunstâncias da morte de Cazuza e de Antônio Alfaiate revelam-se ainda inconclusas, além do desfecho final de suas mortes. Documentos e depoimentos, inclusive de agentes da repressão, traçam uma intensa luta pelo sufocamento da guerrilha que foi desenvolvida com grande preocupação pela ditadura", explica Manoel Moraes.
Valor do trabalho
Os salários nominais
dos trabalhadores brasileiros medido em 12 meses até abril têm alta de 8,3%. Em
2011, o aumento anual médio foi de 2,7%
Retrato
A quarta-feira é de Cecília Meireles: “Eu não dei por esta mudança,/Tão
simples, tão certa, tão fácil:/- Em que espelho ficou perdida/a minha face?”
23 julho 2013
Dominguinhos vive!
Dominguinhos inesquecível, com
Elba Ramalho. Dele e Nando Cordel, “De volta pro aconchego” http://goo.gl/hZYTb
Inadimplência estável
Banco Central, otimista, informa que a inadimplência de todas as
operações de crédito do sistema financeiro está estável em 3,6%. E não
aumentará.
Canto
A terça-feira é de Pablo Neruda: “eu quero/que todos
vivam/na minha vida/e cantem no meu canto”
22 julho 2013
Serviços em alta
. A avaliação
é da Fundação Getúlio Vargas. O Índice de
Expectativas de Serviços (IE-S) de junho sinalizou que o setor pode ter um
desempenho melhor no segundo semestre do que na primeira metade de 2013.
. A “Sondagem de Serviços”, divulgada na semana passada pela FGV, mostrou que as expectativas dessa atividade cresceram 0,4% em junho na comparação com maio, descontando-se os efeitos sazonais. Essa foi a primeira alta do indicador desde novembro.
. Dos sete segmentos que integram a “Sondagem de Serviços”, três tiveram alta nas expectativas entre maio e junho. Esse foi o caso de serviços de informação (5,8%), transportes (2,8%) e serviços prestados às famílias (1%). Esses três segmentos representam cerca de 56% dos serviços na sondagem da FGV.
. A “Sondagem de Serviços”, divulgada na semana passada pela FGV, mostrou que as expectativas dessa atividade cresceram 0,4% em junho na comparação com maio, descontando-se os efeitos sazonais. Essa foi a primeira alta do indicador desde novembro.
. Dos sete segmentos que integram a “Sondagem de Serviços”, três tiveram alta nas expectativas entre maio e junho. Esse foi o caso de serviços de informação (5,8%), transportes (2,8%) e serviços prestados às famílias (1%). Esses três segmentos representam cerca de 56% dos serviços na sondagem da FGV.
Geração ameaçada
Mais de 53 mil pessoas são assassinadas por ano e as vítimas tornaram-se
cada vez mais jovens. O perfil desses jovens, vítimas dos vários tipos de
mortes violentas, é em sua maioria homens, pardos, com 4 a 7 anos de estudo,
mortos nas vias públicas, por armas de fogo. Esse é um dos dados que consta no
estudo Custo da Juventude Perdida no Brasil, de autoria de Daniel
Cerqueira, diretor de Estado, Instituições e Democracia do Ipea.
O Pacto pela Vida no Recife representa um esforço articulado, que envolve todo
o governo, no sentido de darmos a nossa contribuição no enfrentamento dessa
situação.
Inflação em queda?
. Inflação
em queda? Parece que sim. A Agência Brasil noticiou no fim de semana que a prévia de julho deste ano da inflação oficial, medida pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), ficou em 0,07%. A taxa é
inferior à de junho, 0,38%. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
. Contribuíram para a retração da inflação principalmente as despesas transportes (que passou de uma inflação de 0,1% na prévia de junho para uma queda de preços de 0,55% em julho) e alimentação (que passou de uma inflação de 0,27% para uma queda de preços de 0,18%).
. Além disso, há Tum peso específico importante do tomate, que ficou 16,78% mais barato em julho, o etanol (-3,71%), a gasolina (-0,69%) e ônibus urbano (-1,02%).
. No setor de transportes, também tiveram influência importante para a redução do IPCA-15 os itens seguro voluntário (-1,82%), ônibus intermunicipal (-0,91%), metrô (-2,02%) e trem (-1,15%). O IPCA-15 acumula taxas de 3,52% no ano e de 6,4% nos últimos 12 meses.
. Cá com meus botões, anoto que colunistas dos grandes jornais não contradizem esses dados, antes os aceitam. Bom sinal.
. Contribuíram para a retração da inflação principalmente as despesas transportes (que passou de uma inflação de 0,1% na prévia de junho para uma queda de preços de 0,55% em julho) e alimentação (que passou de uma inflação de 0,27% para uma queda de preços de 0,18%).
. Além disso, há Tum peso específico importante do tomate, que ficou 16,78% mais barato em julho, o etanol (-3,71%), a gasolina (-0,69%) e ônibus urbano (-1,02%).
. No setor de transportes, também tiveram influência importante para a redução do IPCA-15 os itens seguro voluntário (-1,82%), ônibus intermunicipal (-0,91%), metrô (-2,02%) e trem (-1,15%). O IPCA-15 acumula taxas de 3,52% no ano e de 6,4% nos últimos 12 meses.
. Cá com meus botões, anoto que colunistas dos grandes jornais não contradizem esses dados, antes os aceitam. Bom sinal.
A vida do jeito que é
Leviatã
Marco Albertim, no Vermelho www.vermelho.org.br
Podia dispensar o porta-níqueis, mas em suas mãos a bolsinha compunha-se de modo a acentuar a delicadeza de cada um dos dedos de unhas curtas; tão curtas que o contato de um minúsculo pincel untado de esmalte requeria extrema destreza da manicura.
- Assim, não despertará a cobiça do motorista de táxi – advertiu Elga Cegonha; advertiu e depois emendou:
- Não quer esperar o motorista de seu pai? Logo ele estará de volta e levará você para a casa de sua amiga.
Elguinha tinha outro propósito. Caso fosse levada pelo chofer da família, o rumo que ia seguir àquela tarde correria o risco de ser descoberto pelos pais, acostumados a fitar os passos da filha sem obliquidade nos olhos. O par de tênis nos pés de Elguinha, de fino solado, era uma moldura nos seus passos curtos. Também Elga Cegonha se dera conta de uma calça jeans modelando suas coxas fartas, remoçando os passos maduros de seus pés. O marido, no entanto, advertira-a de que de que o uso de calças jeans seria agressivo à dignidade própria das tardes de chá, tão frequentes na rotina de Elga Cegonha, em visita às amigas.
- Meus amigos estão acostumados a me ver de terno e gravata. Vista-se de modo a não pôr em risco à etiqueta da família – dissera-lhe o diretor de banco, avesso a humores fáceis.
Por certo lembrando-se do figurino sem vincos, seu e do marido, a quase sexagenária ponderou que a camisa de seda, branca, da filha, depunha quase nada da condição social da família. Elguinha, fingindo-se de acordo com o código de honra da mãe, trocou o algodão chinfrim da blusa pelo lilás luminoso de uma blusa de gola levantada, tão ereta quanto o andar empertigado da mãe em noite de sarau.
Elguinha, no banco de trás do motorista de táxi, ordenou que estacionasse na esquina do único prédio revestido de mármore marrom, na Rua Conselheiro Portela.
- Espere e volto já – disse ao motorista.
Não precisou entrar no elevador porque Santelma, a amiga de faculdade, emergiu da porta, usando uma bermuda com as bordas esfiapadas, soltas; por cima, uma camisa igual à que Elguinha devolvera ao guarda-roupa, em obediência ao rito da mãe. As duas, no entanto, com o abraço e o beijo nas faces, juntaram a densidade do perfume de cada uma. No táxi, o motorista viu-se incensado.
- Para o Derby – ordenou Elguinha ao motorista.
A multidão ao lado do canal da Avenida Agamenon Magalhães, já sentada no asfalto, interrompeu o trânsito. Na praça, os canteiros de grama verde estavam ocupados por moços de bermuda, tênis sujos e camisas com dizeres reclamando demandas. Santelma puxou Elguinha pelo braço. Antes de sentarem no gramado ainda úmido da chuva recém-cessada, convieram que uma volta no entorno da praça, caminhando no ritmo do pouco espaço não ocupado por grupos em conversa, daria conta de suor na pele tenra, infensa a maus-tratos; assim, fariam sumir dos cabelos e da curva dos pescoços, o perfume de fragrância ostensiva, estranha ao olfato de moços educados no sorvo de patchuli.
A noite colheu as duas no meio da Avenida Conde da Boa Vista, percurso da marcha por mudanças sociais. Santelma e Elguinha, apurando curiosas as curvas de cada corpo das mulheres da PM, urdiram-nas de biquíni, sem a espessura do colete no brim cáqui severo, da farda.
- Será que elas se lembram de ir à praia? – palpitou Santelma.
- De biquíni seria difícil imaginar elas com a farda da polícia – disse a outra.
À noite, na Rua da Aurora, a multidão se comprimiu sem olhar o arrepio das águas do Capibaribe, sob a chuva fina. Um rojão estourou perto das duas. A patrulha da PM parou, pediu para que todos se sentassem no chão a fim de facilitar a identificação do responsável pelo estouro. Ninguém foi identificado. Elguinha, ao sentar-se, curvou o dorso de modo súbito; a blusa, esgarçada nas costas por uma costura imperceptível, descoseu-se, pondo a nu a penugem transparente de sua pele.
A câmara da televisão focou o local do estrondo. Rostos imberbes foram flagrados de frente, de lado; ao fundo, a placidez escura do Rio Capibaribe.
Nos jardins da casa de uma amiga, sob a coberta de um toldo, Elga Cegonha sorveu sem pressa o chá na xícara de porcelana. Pouco se importava com o ruído de moços sem rumo numa via pública. O estrugido do rojão chamou sua atenção. Viu Elguinha. Reconheceu a filha pelo lilás da blusa.
- Meu Deus! Minha filha está sendo tragada pelo leviatã...!
Marco Albertim, no Vermelho www.vermelho.org.br
Elga Cegonha abriu uma das gavetas da cômoda
de seu quarto e tirou, sem hesitação, duas cédulas de cem reais; deu-as à filha
com a mesma sem-cerimônia. Em seguida, ponderando, chamou-a de volta ao quarto
para trocar as cédulas por dez notas de vinte reais. Elguinha pôs o dinheiro
numa carteirinha de couro, fechada por um zíper, do tamanho do bolso da
algibeira de sua calça jeans.
Podia dispensar o porta-níqueis, mas em suas mãos a bolsinha compunha-se de modo a acentuar a delicadeza de cada um dos dedos de unhas curtas; tão curtas que o contato de um minúsculo pincel untado de esmalte requeria extrema destreza da manicura.
- Assim, não despertará a cobiça do motorista de táxi – advertiu Elga Cegonha; advertiu e depois emendou:
- Não quer esperar o motorista de seu pai? Logo ele estará de volta e levará você para a casa de sua amiga.
Elguinha tinha outro propósito. Caso fosse levada pelo chofer da família, o rumo que ia seguir àquela tarde correria o risco de ser descoberto pelos pais, acostumados a fitar os passos da filha sem obliquidade nos olhos. O par de tênis nos pés de Elguinha, de fino solado, era uma moldura nos seus passos curtos. Também Elga Cegonha se dera conta de uma calça jeans modelando suas coxas fartas, remoçando os passos maduros de seus pés. O marido, no entanto, advertira-a de que de que o uso de calças jeans seria agressivo à dignidade própria das tardes de chá, tão frequentes na rotina de Elga Cegonha, em visita às amigas.
- Meus amigos estão acostumados a me ver de terno e gravata. Vista-se de modo a não pôr em risco à etiqueta da família – dissera-lhe o diretor de banco, avesso a humores fáceis.
Por certo lembrando-se do figurino sem vincos, seu e do marido, a quase sexagenária ponderou que a camisa de seda, branca, da filha, depunha quase nada da condição social da família. Elguinha, fingindo-se de acordo com o código de honra da mãe, trocou o algodão chinfrim da blusa pelo lilás luminoso de uma blusa de gola levantada, tão ereta quanto o andar empertigado da mãe em noite de sarau.
Elguinha, no banco de trás do motorista de táxi, ordenou que estacionasse na esquina do único prédio revestido de mármore marrom, na Rua Conselheiro Portela.
- Espere e volto já – disse ao motorista.
Não precisou entrar no elevador porque Santelma, a amiga de faculdade, emergiu da porta, usando uma bermuda com as bordas esfiapadas, soltas; por cima, uma camisa igual à que Elguinha devolvera ao guarda-roupa, em obediência ao rito da mãe. As duas, no entanto, com o abraço e o beijo nas faces, juntaram a densidade do perfume de cada uma. No táxi, o motorista viu-se incensado.
- Para o Derby – ordenou Elguinha ao motorista.
A multidão ao lado do canal da Avenida Agamenon Magalhães, já sentada no asfalto, interrompeu o trânsito. Na praça, os canteiros de grama verde estavam ocupados por moços de bermuda, tênis sujos e camisas com dizeres reclamando demandas. Santelma puxou Elguinha pelo braço. Antes de sentarem no gramado ainda úmido da chuva recém-cessada, convieram que uma volta no entorno da praça, caminhando no ritmo do pouco espaço não ocupado por grupos em conversa, daria conta de suor na pele tenra, infensa a maus-tratos; assim, fariam sumir dos cabelos e da curva dos pescoços, o perfume de fragrância ostensiva, estranha ao olfato de moços educados no sorvo de patchuli.
A noite colheu as duas no meio da Avenida Conde da Boa Vista, percurso da marcha por mudanças sociais. Santelma e Elguinha, apurando curiosas as curvas de cada corpo das mulheres da PM, urdiram-nas de biquíni, sem a espessura do colete no brim cáqui severo, da farda.
- Será que elas se lembram de ir à praia? – palpitou Santelma.
- De biquíni seria difícil imaginar elas com a farda da polícia – disse a outra.
À noite, na Rua da Aurora, a multidão se comprimiu sem olhar o arrepio das águas do Capibaribe, sob a chuva fina. Um rojão estourou perto das duas. A patrulha da PM parou, pediu para que todos se sentassem no chão a fim de facilitar a identificação do responsável pelo estouro. Ninguém foi identificado. Elguinha, ao sentar-se, curvou o dorso de modo súbito; a blusa, esgarçada nas costas por uma costura imperceptível, descoseu-se, pondo a nu a penugem transparente de sua pele.
A câmara da televisão focou o local do estrondo. Rostos imberbes foram flagrados de frente, de lado; ao fundo, a placidez escura do Rio Capibaribe.
Nos jardins da casa de uma amiga, sob a coberta de um toldo, Elga Cegonha sorveu sem pressa o chá na xícara de porcelana. Pouco se importava com o ruído de moços sem rumo numa via pública. O estrugido do rojão chamou sua atenção. Viu Elguinha. Reconheceu a filha pelo lilás da blusa.
- Meu Deus! Minha filha está sendo tragada pelo leviatã...!
21 julho 2013
O mundo da física
As relatividades quânticas
. Como os conceitos revolucionários da teoria da relatividade e da mecânica quântica, fundamentais para a física atual, são frequentemente interpretados de forma equivocada ou postos em xeque por quem não os conhece bem?
. A física é uma ciência que provoca ao mesmo tempo curiosidade, respeito, fascínio, mas também temor e desconfiança. Afinal, ela foi a ciência que originou as maiores revoluções científicas e tecnológicas do século 20. Isso ocorreu devido ao desenvolvimento das duas grandes teorias que formam os seus pilares: a teoria da relatividade e a mecânica quântica.
. Leia mais http://migre.me/fyAa7
. Como os conceitos revolucionários da teoria da relatividade e da mecânica quântica, fundamentais para a física atual, são frequentemente interpretados de forma equivocada ou postos em xeque por quem não os conhece bem?
. A física é uma ciência que provoca ao mesmo tempo curiosidade, respeito, fascínio, mas também temor e desconfiança. Afinal, ela foi a ciência que originou as maiores revoluções científicas e tecnológicas do século 20. Isso ocorreu devido ao desenvolvimento das duas grandes teorias que formam os seus pilares: a teoria da relatividade e a mecânica quântica.
. Leia mais http://migre.me/fyAa7
Palavra de poeta
O domingo é de Castro Alves: “Viver, qual vive esta flor./ Juntar as rosas da vida/Na rama verde e
florida,/Na verde rama do amor!”
Fragmento de um diálogo oportuno
Carta a uma amiga nas
redes sociais
Luciano Siqueira
Amiga querida, escrevo esse breve
comentário tão somente porque a admiro e acredito em suas potencialidades;
jamais para induzi-la a pensar igual a mim. Jamais! Ninguém faz a cabeça de
ninguém, no máximo pode ajudar a refletir. Como ensina o poeta Rilke, “para que
duas criaturas se aconselhem, são necessários muitos encontros e muitas
realizações”. Como já conversamos bastante várias vezes...
Luciano Siqueira
Bem
compreendo sua revolta e seu estado momentâneo de insatisfação e descrença.
Compreendo e respeito. Mas me surpreende que você esteja navegando na onda dos
que, embora com razão para a revolta e o protesto, se deixam arrastar
facilmente pela negação de tudo e de todos, estimulada pela extrema direita.
Você postou algo que nos chamava (a nós que fomos eleitos pelo voto popular) a
todos “salafrários” e propunha que nenhum fosse reeleito. Sinto-me no dever de
lhe advertir que esse tipo de ideia, essa pregação estéril e inconsequente, a
História já registrou muitas vezes - sempre com desfecho horroroso, suprimindo
a liberdade e impedindo a solução real dos problemas. Foi num ambiente assim
que se criaram as condições políticas para que Hitler assumisse o poder na
Alemanha. À época, os alemães aos milhares foram às ruas protestar contra
coisas erradas – que eram muitas, como no Brasil de hoje -, mas o fizeram
desconhecendo conquistas acumuladas ao longo da trajetória de combate e
sacrifícios do povo alemão. Nada merecia confiança, tudo era encaminhado à lata
do lixo. Aí o “novo” se apresentou falsamente na figura de Hitler e na
ideologia nazista. Assim também aconteceu na Itália de Mussolini e no Brasil da
ditadura militar instituída em 1964.
Ótimo
que centenas de milhares de brasileiros descubram agora a necessidade e o gosto
de irem às ruas. Nós do PCdoB e muitos outros, como a presidenta Dilma,
saudamos com entusiasmo a eclosão das manifestações de rua e orientamos nossos
militantes e amigos para que participassem ativamente – como vêm participando.
Péssimo que a pretexto de escoimar a política brasileira de sujeiras, se tente
jogar fora a água suja e a criança juntos. A Globo adora isso, a grande mídia
toda empenhada em gerar o ambiente para o retrocesso, idem.
Uma
das minhas filhas sofreu muito ao ver na passeata do Recife gente nova e
desinformada agir como se a luta do povo estivesse começando agora. Ela que é
filha de pai e mãe que dedicam toda a sua vida a essa luta, com dignidade.
Sentiria a mesma coisa se lhe mostrasse a tal postagem dos “salafrários”.
Em
contraponto, belíssimo o cartaz erguido pela Pe. Reginaldo Veloso na passeata
do Recife: “O Brasil que nunca dormiu saúda o Brasil que acordou”.
Belo,
justo, sábio e oportuno. Coisa de quem luta com alegria e esperança, porque
confia na verdadeira força do povo.
20 julho 2013
Contra a violência sexista
CPI da Violência Contra a Mulher
apresenta 13 projetos
Um dos 13 projetos de lei apresentados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) de Violência Contra a Mulher é o Projeto de Lei, que torna crime de tortura a submissão de pessoa à situação de violência doméstica ou familiar. A matéria será encaminhada para análise de comissões permanentes da Casa, ainda a serem definidas, antes de seguir para votação em Plenário. http://migre.me/fxQiO
Um dos 13 projetos de lei apresentados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) de Violência Contra a Mulher é o Projeto de Lei, que torna crime de tortura a submissão de pessoa à situação de violência doméstica ou familiar. A matéria será encaminhada para análise de comissões permanentes da Casa, ainda a serem definidas, antes de seguir para votação em Plenário. http://migre.me/fxQiO
Tempo
O sábado é de Drummond: “Pouco importa venha a velhice, que
é a velhice?/Teus ombros suportam o mundo/e ele não pesa mais que a mão de uma
criança.”
19 julho 2013
Calor
Planeta teve quinto mês de junho mais quente da história - 16,14 graus centígrados. Vale um debate. Quem opina?
Sinal
Inflação desacelera nas capitais. Bom sinal para quem torce pelo Brasil, má notícia para a turma do quanto pior, melhor.
Ação articulada
Vandalismo em Vitória, mais um ato sintomático de que se trata de ação nacional articulada pela extrema direita."Tecnologia" é sempre igual.
Qual reforma?
No Vermelho:
Uma proposta de reforma política democrática e criativa
Aldo Arantes*
Uma proposta de reforma política democrática e criativa
Aldo Arantes*
Em
encontro realizado com a presidenta Dilma para discutir a Reforma Política a
OAB e o MCCE apresentaram o Projeto de Iniciativa Popular Eleições Limpas. Na
oportunidade ela manifestou sua simpatia pela proposta. E, nos últimos dias, a
imprensa tem noticiado a possibilidade de o governo vir a apoiar este Projeto
caso não seja aprovado o plebiscito sobre a Reforma Política.
A luta em defesa do plebiscito é fundamental. Coloca nas mãos do povo a decisão de qual Reforma Política atende a seu interesse. Todavia na hipótese de não haver plebiscito é fundamental que as forças democráticas construam uma alternativa de Reforma Política que conte com apoio de amplas camadas da sociedade, organizações sociais e partidos políticos. E esta alternativa deve estar estabelecida de imediato.
Há anos o congresso tenta votar uma Reforma Política e não consegue. E a razão é simples. Há, com variantes, a Reforma Política Democrática e a Antidemocrática. A primeira visa aprofundar a democracia e construir um poder político em maior sintonia com o povo brasileiro, sobretudo as camadas mais pobres da população. Esta alternativa visa, também, elevar o nível de consciência política da sociedade e consolidar partidos os partidos políticos. A segunda é uma reforma política que pretende concentrar mais ainda o poder político das elites, reduzindo o número de partidos e ampliando a força do dinheiro no processo eleitoral.
A inexistência de uma maioria para qualquer destas propostas explica o fato do Congresso não ter conseguido aprovar uma Reforma Política até agora. Diante da evidente crise de representação política as forças conservadores do Congresso se apressam em elaborar um projeto dentro de 90 dias.
As primeiras declarações de integrantes da Comissão indicada para esta tarefa não abordam questões estruturantes de uma Reforma Política Democrática tais como o financiamento de campanha e o sistema eleitoral. Levantam questões como a não reeleição para cargos executivos, a coincidência das eleições e a proibição das coligações proporcionais. Querem votar logo e submeter o “prato feito“ ao referendo popular.
O momento é decisivo. Ou os defensores da Reforma Política Democrática se unem e mobilizem a opinião pública ou será aprovada uma Reforma Antidemocrática. Somente esta união barrar a manobra dos setores conservadores e assegurar a aprovação de uma Reforma Política Democrática.
E esta alternativa surgiu com a proposta da OAB, MCCE e outras entidades. Estas entidades partem da constatação de que o País enfrenta uma crise de representação política. E que a raiz desta crise está no financiamento privado de campanha através do qual o poder econômico exerce sua influência para compor governos e representações parlamentares à sua imagem e semelhança. E abre caminho para a corrupção eleitoral.
A Lei da Ficha Limpa deu contribuição ao adotar medidas de combate às consequências da corrupção eleitoral. Mas é necessário extirpar sua causa. E a causa fundamental da corrupção eleitoral está no financiamento privado de campanha, sobretudo no financiamento de empresas. Daí a centralidade que o debate sobre a Reforma Política ganhou no país.
Na Audiência Pública realizada no Supremo Tribunal Federal para discutir a Ação Direta de Inconstitucionalidade da OAB sobre o financiamento privado de campanha inúmeras personalidades deram números sobre o tema. O Deputado Henrique Fontana denunciou que os gastos gerais da campanha eleitoral de 2002 foram de 827 milhões de reais e em 2010 4 bilhões e 900 milhões. E que dos 513 deputados eleitos em 2010, 369 estão entre os que dispunham de mais recursos para suas campanhas.
Na mesma oportunidade o diretor de Pesquisas do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, Geraldo Tadeu, declarou que tem havido um aumento da contribuição de empresas e uma redução da pequena contribuição de pessoas físicas. Em 2008 empresas doaram 86% dos recursos da campanha eleitoral. Em 2010 doaram 91,30% e em 2012 95,10%. Tais números são mais fortes do que qualquer denúncia da influência do poder econômico no processo eleitoral. Desvirtuando gravemente o resultado eleitoral e a vontade do cidadão.
O Projeto de iniciativa popular apresentando pela da OAB, MCCE e várias entidades sociais, intitulados Eleições Limpas, prevê o financiamento público de campanha visando democratizar a disputa eleitoral. Prevê, também, a doação feita por pessoas físicas no limite de R$ 700,00, doados aos partidos políticos e não aos candidatos.
Todavia a implantação do financiamento público de campanha não é viável com o atual sistema eleitoral em que as eleições são realizadas com milhares de candidatos. A adoção de um novo sistema eleitoral é uma necessidade não só para assegurar o financiamento público, mas para assegurar uma representação política mais identificada com as causas populares.
O Projeto de Iniciativa Popular estabelece a eleição proporcional em dois turnos. O primeiro turno as eleições se daria em torno da plataforma partidária e da lista fechada de candidatos. Neste turno estaria assegurado o debate em torno de ideias, projetos e não em torno de objetivos individuais. Com base no quociente eleitoral seria definido o número de vagas parlamentares a serem preenchidas por cada partido.
No segundo turno cada partido disputaria o voto popular com dobro das vagas obtidas. Assim o partido que obtiver cinco vagas das cadeiras parlamentares disputaria o segundo turno com os dez primeiros nomes de sua lista partidária. Caberia ao eleitor dar a palavra sobre quais seriamos os eleitos.
Com isto se combina, de forma criativa, o objetivo de elevar o nível da disputa eleitoral em torno de projetos para o País e , ao mesmo temo, leva em conta a cultura política brasileira da votação em candidatos. Para assegurar a elaboração de uma lista de candidatos, de forma democrática, seria garantida a participação de todos filiados no processo de sua elaboração.
Um dado relevante desta proposta é que ela assegura a coligação proporcional realizada com base em programas políticos comuns. E proíbe a barganha, utilizando o tempo de TV como moeda de troca.
Só através de uma ampla frente que inclua os mais diversos segmentos, organizações sociais e partidos políticos será possível barrar a manobra dos setores conservadores e assegurar a aprovação de uma Reforma Política Democrática.
O projeto de Iniciativa Popular Eleições tem sido recebido de forma muito positiva por diversos setores da sociedade por representar algo novo, criativo e de caráter democrático. Ele pode se transformar no fator de unificação e mobilização da sociedade. O momento e de urgência política. Necessita da coleta de milhões de assinaturas a este projeto o mais rápido para que possa ser submetido ao Congresso para ser votado e ter validade para as próximas eleições.
* Aldo Arantes é membro da Comissão de Reforma Política da OAB e membro do Comitê Central do PCdoB
A luta em defesa do plebiscito é fundamental. Coloca nas mãos do povo a decisão de qual Reforma Política atende a seu interesse. Todavia na hipótese de não haver plebiscito é fundamental que as forças democráticas construam uma alternativa de Reforma Política que conte com apoio de amplas camadas da sociedade, organizações sociais e partidos políticos. E esta alternativa deve estar estabelecida de imediato.
Há anos o congresso tenta votar uma Reforma Política e não consegue. E a razão é simples. Há, com variantes, a Reforma Política Democrática e a Antidemocrática. A primeira visa aprofundar a democracia e construir um poder político em maior sintonia com o povo brasileiro, sobretudo as camadas mais pobres da população. Esta alternativa visa, também, elevar o nível de consciência política da sociedade e consolidar partidos os partidos políticos. A segunda é uma reforma política que pretende concentrar mais ainda o poder político das elites, reduzindo o número de partidos e ampliando a força do dinheiro no processo eleitoral.
A inexistência de uma maioria para qualquer destas propostas explica o fato do Congresso não ter conseguido aprovar uma Reforma Política até agora. Diante da evidente crise de representação política as forças conservadores do Congresso se apressam em elaborar um projeto dentro de 90 dias.
As primeiras declarações de integrantes da Comissão indicada para esta tarefa não abordam questões estruturantes de uma Reforma Política Democrática tais como o financiamento de campanha e o sistema eleitoral. Levantam questões como a não reeleição para cargos executivos, a coincidência das eleições e a proibição das coligações proporcionais. Querem votar logo e submeter o “prato feito“ ao referendo popular.
O momento é decisivo. Ou os defensores da Reforma Política Democrática se unem e mobilizem a opinião pública ou será aprovada uma Reforma Antidemocrática. Somente esta união barrar a manobra dos setores conservadores e assegurar a aprovação de uma Reforma Política Democrática.
E esta alternativa surgiu com a proposta da OAB, MCCE e outras entidades. Estas entidades partem da constatação de que o País enfrenta uma crise de representação política. E que a raiz desta crise está no financiamento privado de campanha através do qual o poder econômico exerce sua influência para compor governos e representações parlamentares à sua imagem e semelhança. E abre caminho para a corrupção eleitoral.
A Lei da Ficha Limpa deu contribuição ao adotar medidas de combate às consequências da corrupção eleitoral. Mas é necessário extirpar sua causa. E a causa fundamental da corrupção eleitoral está no financiamento privado de campanha, sobretudo no financiamento de empresas. Daí a centralidade que o debate sobre a Reforma Política ganhou no país.
Na Audiência Pública realizada no Supremo Tribunal Federal para discutir a Ação Direta de Inconstitucionalidade da OAB sobre o financiamento privado de campanha inúmeras personalidades deram números sobre o tema. O Deputado Henrique Fontana denunciou que os gastos gerais da campanha eleitoral de 2002 foram de 827 milhões de reais e em 2010 4 bilhões e 900 milhões. E que dos 513 deputados eleitos em 2010, 369 estão entre os que dispunham de mais recursos para suas campanhas.
Na mesma oportunidade o diretor de Pesquisas do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, Geraldo Tadeu, declarou que tem havido um aumento da contribuição de empresas e uma redução da pequena contribuição de pessoas físicas. Em 2008 empresas doaram 86% dos recursos da campanha eleitoral. Em 2010 doaram 91,30% e em 2012 95,10%. Tais números são mais fortes do que qualquer denúncia da influência do poder econômico no processo eleitoral. Desvirtuando gravemente o resultado eleitoral e a vontade do cidadão.
O Projeto de iniciativa popular apresentando pela da OAB, MCCE e várias entidades sociais, intitulados Eleições Limpas, prevê o financiamento público de campanha visando democratizar a disputa eleitoral. Prevê, também, a doação feita por pessoas físicas no limite de R$ 700,00, doados aos partidos políticos e não aos candidatos.
Todavia a implantação do financiamento público de campanha não é viável com o atual sistema eleitoral em que as eleições são realizadas com milhares de candidatos. A adoção de um novo sistema eleitoral é uma necessidade não só para assegurar o financiamento público, mas para assegurar uma representação política mais identificada com as causas populares.
O Projeto de Iniciativa Popular estabelece a eleição proporcional em dois turnos. O primeiro turno as eleições se daria em torno da plataforma partidária e da lista fechada de candidatos. Neste turno estaria assegurado o debate em torno de ideias, projetos e não em torno de objetivos individuais. Com base no quociente eleitoral seria definido o número de vagas parlamentares a serem preenchidas por cada partido.
No segundo turno cada partido disputaria o voto popular com dobro das vagas obtidas. Assim o partido que obtiver cinco vagas das cadeiras parlamentares disputaria o segundo turno com os dez primeiros nomes de sua lista partidária. Caberia ao eleitor dar a palavra sobre quais seriamos os eleitos.
Com isto se combina, de forma criativa, o objetivo de elevar o nível da disputa eleitoral em torno de projetos para o País e , ao mesmo temo, leva em conta a cultura política brasileira da votação em candidatos. Para assegurar a elaboração de uma lista de candidatos, de forma democrática, seria garantida a participação de todos filiados no processo de sua elaboração.
Um dado relevante desta proposta é que ela assegura a coligação proporcional realizada com base em programas políticos comuns. E proíbe a barganha, utilizando o tempo de TV como moeda de troca.
Só através de uma ampla frente que inclua os mais diversos segmentos, organizações sociais e partidos políticos será possível barrar a manobra dos setores conservadores e assegurar a aprovação de uma Reforma Política Democrática.
O projeto de Iniciativa Popular Eleições tem sido recebido de forma muito positiva por diversos setores da sociedade por representar algo novo, criativo e de caráter democrático. Ele pode se transformar no fator de unificação e mobilização da sociedade. O momento e de urgência política. Necessita da coleta de milhões de assinaturas a este projeto o mais rápido para que possa ser submetido ao Congresso para ser votado e ter validade para as próximas eleições.
* Aldo Arantes é membro da Comissão de Reforma Política da OAB e membro do Comitê Central do PCdoB
Assinar:
Postagens (Atom)