Mula Ladrona, uma pornochanchada do crime organizado
Enio Lins
“FICO
INCRÍVEL”, como dizem que diria um saudoso político alagoano,
com a surpresa expressada por veículos de mídia, e colunistas da política,
quando surge mais um escândalo envolvendo a familícia do Jair e seus achegados.
Ora, quem não sabe que o presidiário Bolson4ro é um delinquente contumaz? É
pública sua ligação com o banditismo, sendo notórios seus laços íntimos –
assumidos de forma acintosa desde sempre – com criminosos como Ronnie Lessa
(preso, condenado a 78 anos e 9 meses em regime fechado) e Adriano Nóbrega (CPF
cancelado), dentre outros.
COMO ALGUÉM com algum tino pode imaginar a inexistência de
cumplicidade entre Jair & filhos e Daniel Vorcaro? Ora, o banco Master
surgiu para a fama e ganhou cachoeiras de dinheiro – inclusive abocanhando a
parte do leão no assalto aos aposentados – durante o governo Bolsonaro! Foi na
gestão de Campos Neto, bolsonarista-raiz indicado por Jair para a presidência
do Banco Central “Independente” que todas as bandidagens do Master prosperaram
sem riscos de quaisquer investigações. Bolsonaro/Vorcaro é uma rima rica,
milionária, ao pé da letra. Jair & filhos & Daniel Vorcaro & Master
são indissociáveis, são a própria tradução da financeirização mafiosa do
bolsonarismo.
NÃO SE PODE ESTRANHAR a notícia de que milhões de dólares – não se esqueçam:
afanados das aposentadorias brasileiras e de outras fraudes – foram desviados
para contas ligadas ao filme Dark
Horse (Mula Manca, em tradução livre). Essa produção subhollywoodiana se
anuncia como contadora de potocas sobre o galopar do Jair Bolson4ro, mantendo a
tradição cinematográfica de biografar bandidos famosos como Al Capone (22
filmes contam sua vida, desde 1959), Bugsy Siegel (Bugsy, 1991), Frank Lucas (O
Gângster, 2007) e tantos outros. Várias dessas cinebiografias são verdadeiras
obras de arte, como a trilogia “Poderoso Chefão”. Mas duas diferenças
antagônicas saltam aos olhos nessa película patrocinada por beneméritos da
estirpe de Daniel Vorcaro: 1) é uma produção radicalmente Trash, lixo do mais baixo nível artístico; 2) não é um filme, mas
mais um crime cometido pela trupe do capitão de milícias.
“DARK HORSE” É A EGUINHA POCOTÓ do bolsonarismo. Tem transportado nos seus caçuás muitos
milhões de dólares para os bolsos da familícia, segundo confirmado nos diálogos
entre Flavito Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Mas seria a grana roubada dos
aposentados pelo Master a única fonte imoral que alimenta a milionária produção
sobre a vida do Jair? Ou existem outros investidores da mesma dimensão ética
aportando dinheiro sujo no coprológico filme? Evidentemente que uma produção
desqualificada como Dark Horse (Cavalo do
Cão, em tradução livre) não vale um dólar furado, evidenciando
que o tráfego desses milhões tem outros destinos além da teratológica obra.
CENA FUNDAMENTAL a ser mais bem visualizada nos bastidores do set de
filmagem de Dark Horse (Mula-sem-cabeça, em tradução livre) é que os delitos do banco Master não se
restringem ao escandaloso roubo do dinheiro dos aposentados. O banco de
Vorcaro, sob o aval do Bando Central de Campos Neto, teria mantido negócios
milionários, na ordem de R$ 11,5 bilhões, com fundos operados em parceria com o
PCC e o Comando Vermelho – duas das mais poderosas organizações do crime
organizado brasileiro. No caso, a operadora Reag DTVM, apontada como a
responsável por essas movimentações, está sob investigação dos órgãos federais
através da operação Carbono Oculto, conforme noticiado pelo g1 (e outros
veículos de mídia) desde dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
UMA COISA É
NECESSÁRIA ser reconhecida como coerente, pelo menos
sonoramente: a empresa produtora do filme do Jair, Go Up, tem a pronúncia de
GOUPE, vocalização que o bolsonarismo parece entender, e se regozijar, como a
fiel tradução de “golpe” para inglês.
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