31 julho 2010

Bom dia, Chacal

cárcere privado

vivo em cárcere privado
por livre e espontânea vontade
ao meu amor muito obrigado
por me livrar da liberdade

Onde começa o caminho do chão

Ciência Hoje Online:
É possível contar a história das cidades litorâneas brasileiras a partir da sua relação com o mar. Na reunião da SBPC, urbanista da USP mostrou como nossos portos e seu entorno foram sucessivamente valorizados, abandonados e estão prestes a serem revitalizados.
. "Na terra em que o mar não bate, não bate o meu coração. O mar onde o céu flutua, onde morre o sol e a lua, e acaba o caminho do chão", diz um trecho da canção "Beira-mar", de Caetano Veloso e Gilberto Gil.
. Podemos entender assim: se o mar é onde acaba o caminho do chão, o caminho do chão – naturalmente – começa no mar. É exatamente esse o ponto de Maria Cristina Leme, arquiteta e urbanista da Universidade de São Paulo (USP) e representante da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa Planejamento Urbano e Regional (Anpur).
. Veja a matéria na íntegra http://migre.me/11fvS

Cena de campanha

O poeta sabe das coisas

A dica de sábado é de Thiago de Mello: "Velho pássaro, este mundo/dorme como um menino/e se renova cada manhã."

Baixaria na ordem do dia

Em Petrolina Jarbas acusa Eduardo de “jogo sujo”. Começou a baixaria, própria do candidato peemedebista.

Minha coluna semanal no portal Vermelho

Sinal fechado, sinal aberto
Luciano Siqueira


Bem que cabe um fundo musical na voz de Paulinho da Viola: “– Olá! Como vai?/– Eu vou indo. E você, tudo bem?/– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro...”. Em pouco mais de um minuto, às vezes menos, o breve diálogo se dá assim em poucas palavras, na distribuição do jornal de prestação de contas do nosso mandato de vereador no Recife e agora, a campanha em andamento, panfletos da candidatura a deputado estadual.

Das sete às 8 da manhã e das 17 às 18 horas, junto com militantes, amigos e assessores compareço a cruzamentos movimentados da cidade, tal como na campanha eleitoral de 2008. Poucos são os que não abaixam o vidro do carro para receber nossos impressos, aplaudir nosso gesto e comentar algo. Tem de tudo.

“- Desculpe, sou católico, não posso receber.” - Católico?! “- Sim, não é jornal evangélico?” - Não, amigo, é a prestação de contas do meu mandato. “- Ah, sim, agora estou vendo quem o senhor, não é Luciano Siqueira?” - Sim, sou eu, muito prazer... Leia com atenção e faça sua crítica, se desejar. “- Vou ler, sim. Conte comigo, doutor, o senhor é de fé.”

Outra: “- Recebo não, de jeito nenhum!” – Tudo bem, respeito sua atitude... “- Ah, é você, nosso vice-prefeito!” – Isso mesmo, como vai? “- Desculpe, é que a gente recebe tanto papel que, rodando nesse taxi o dia todo, meu carro fica parecendo depósito de lixo...”.

Nesse caso, o taxista encosta o carro, puxa conversa e jura o voto, dele e de toda a família, e ainda pede uma cota de panfletos para distribuir.

Essa forma de campanha – o contato direto com a população na rua, tanto em cruzamentos movimentados como em portas de fábrica, escolas e locais de grande afluência – tem se mostrado, ao longo de sucessivas campanhas, muito eficiente. E prazerosa. Além de estimular o ânimo combativo da militância.

Ainda hoje escuto referências à minha presença nas ruas – tal como também o faz Luciana Santos, inclusive quando prefeita de Olinda – como fator de escolha do voto. “- Você é o único que tem a coragem de olhar a gente nos olhos”, dizem com frequencia.

Reação negativa? Aqui e acolá, sim. Até agressiva. Mas isso faz parte, como se costuma dizer, a gente encara com naturalidade e, não raro, consegue neutralizar ou reverter – desde que o semáforo demore a abrir ou a fila de carros seja grande.

Serra X Dilma, diferenças incontornáveis

No Blog do Emir:
Se tudo fosse igual

Emir Sader

Há uma tese que corre em setores políticos distintos que, pelos equívocos que contém e pelas conseqüências desastrosas que gera, deve ser analisada com precisão. É a tese de que o PT e o PSDB seriam a mesma coisa, assim como os governos do FHC e do Lula.

A tese leva a uma espécie de “terceirismo” entre a direita e a esquerda, buscando definir uma eqüidistância em relação às candidaturas da Dilma e do Serra. Em 2006 essa posição levou a que alguns setores da esquerda propusessem o voto branco ou nulo diante da alternativa de Lula ou Alckmin, como se fosse igual para o Brasil qualquer um deles que fosse eleito.

Se os governos de FHC e Lula fossem iguais, a desigualdade teria diminuído e não aumentado durante o governo de FHC. Se fossem iguais, o extraordinário apoio popular que tem Lula teria sido dado também ao governo FHC que, ao contrário, terminou seu mandato com uma imensa rejeição da população brasileira.

Se fossem iguais, a reação do Brasil diante da mais grave crise econômica internacional desde 1929 teria sido a mesma de FHC em 1999: elevar a taxa de juros a 48%, pedir novo empréstimo ao FMI, assinar a corresponde Carta de Intenções (deles), cortar recursos das políticas sociais, aumentando a recessão e o desemprego, que levou o Brasil à uma profunda e prolongada recessão, de que só saímos no governo Lula.

Enquanto que o Lula reagiu diante da crise incentivando a retomada do crescimento da economia, baixando as taxas de juros, mantendo o poder aquisitivo dos salários, intensificando as políticas sociais, e fazendo assim que superássemos rapidamente a crise.

Se fossem iguais, não teria sentido a luta contra a ALCA – Área de Livre Comércio das Américas -, que FHC propugnava e que o governo Lula inviabilizou, para fortalecer os processos de integração regional. Dizer que são governos iguais ou similares é dizer que tanto faz privilegiar alianças subordinadas com os EUA ou aliar-se prioritariamente com os países do Sul do mundo, com os Brics entre eles.

Se fossem iguais os governos FHC e Lula, o Estado mínimo a que tinha sido reduzido o Estado brasileiro seria o mesmo que o Estado indutor do crescimento e a garantia da extensão dos direitos sociais da maioria pobre da população. O desenvolvimento, suprimido do discurso de FHC, foi resgatado como objetivo estratégico pelo governo Lula, articulado intrinsecamente a políticas sociais e de distribuição de renda.

Se fossem iguais, a maioria dos trabalhadores continuaria a não ter carteira de trabalho assinado, predominando o emprego informal sobre o formal. O poder aquisitivo dos salário teria continuado a cair, ao invés de ser elevado acima da inflação.

É grave que haja setores na esquerda que não consigam distinguir essas diferenças, entre a direita e a esquerda. Perdem a capacidade de identificar onde está a direita – o inimigo fundamental do campo popular -, correndo o grave risco de fazer o jogo dela, em detrimento da força e da unidade da esquerda.