30 setembro 2026

Palavra de poeta

ALMA MATER

Virginia Leal   


meu olhar sobre amor ao mar,

um denso e quente olhar
e(s)ntranhamente fecundo,
vem da mulher metamórfica,
amada e cantada pelo poeta
das cosmicidades órficas!

 

[Ilustração: José Luís Poveda]

Leia também: "Rainha dos degradados", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/palavra-de-poeta_22.html 

Uma crônica de Urariano Mota

O presidente Lula no Recife 
Entre soberania, memória e afeto pelo Recife, a passagem de Lula pela capital pernambucana evoca a defesa da democracia, da pátria e da liberdade.
Urariano Mota/Vermelho     

Diante da luminosa presença do nosso presidente nesta sexta-feira (25) no Recife, tenho que antecipar a minha coluna, pois não conseguirei estar na rua e em casa escrevendo ao mesmo tempo. Há quem escreva direto no celular, mas escrever com tamanha habilidade e talento jamais conseguirei. 

Então eu tento estar presente por antecipação, se é que é possível semelhante feitiçaria. Então eu busco uma saída, que pode estar a partir do histórico discurso de Lula na abertura da sessão da ONU no dia 22 desta semana. E relacionarei com o sentido de pátria dos brasileiros adiante. Do seu discurso histórico, que foi capa de jornais em todo o mundo, menos na mídia do capital do Brasil, destaco: 

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém.

Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas.

O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais.

No dia quatro de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino.

Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo.

Vão decidir entre democracia e negacionismo.

Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão.

O Brasil continuará sendo um país soberano.

Ninguém…!!! Ninguém nos afastará desse caminho”. 

Dele vou ao patriota de todos os tempos, o inesquecível Frei Caneca: 

“É possível que brasileiros, que homens reputados por patriotas, e que se mostravam tão interessados pelo bem do seu país, sejam agora os primeiros verdugos de seus compatriotas, os opressores de sua mesma nação, os tiranos de sua pátria?” 

A seguir, no Typhis Pernambucano, Frei Caneca escreveu: 

“Quando a nau da pátria se acha combatida por ventos embravecidos; quando, pelo furor das ondas, ela ora se sobe às nuvens, ora se submerge nos abismos; quando levada pelo furor dos euripos, feita o ludibrio dos mares, ela ameaça naufrágio e morte, todo cidadão é marinheiro; um dever sustentar o timão, outro pôr a cara ao astrolábio, ferrar o pano outro, outro alijar ao mar os fardos que a sobrecarregam e afundam, cada um prestar a diligência ao seu alcance, e sacrificar-se pelos cidadãos em perigo.

Firme neste princípio, eu levanto a voz do fundo da minha pequenez e te falo oh Pernambuco, pátria da liberdade, asilo da honra e alcance da virtude! (…) tu me deste o berço, tu ateaste no meu coração a chama celeste da liberdade, contigo ou descerei aos abismos da perdição e desonra, ou a par da tua glória voarei à eternidade”. 

Até os versos imortais: 

“Entre Marília e a pátria
Coloquei meu coração:
A pátria roubou-me todo;
Marília que chore em vão.

Quem passa a vida que eu passo,
Não deve a morte temer;
Com a morte não se assusta
Quem está sempre a morrer….”

Então ligo a presença de Lula no Recife neste 25 de setembro ao romance “A mais longa duração da juventude”, quando o personagem Vargas fala:

“Como é bonita a minha cidade. Só agora percebo. Me perdoa, Recife, por ter sido tão brutal. Tu és para mim o mundo, o lugar da fraternidade que ainda não temos. Mas um dia vamos ter, e tu serás a companheira e camarada da revolução. Eu te amo a ti, somente a ti, acima de todas as coisas. Eu te amo como o meu último afeto. Estás acima do que mais amo, a minha pátria”.

Por isso, por tanto e por tudo estaremos caminhando na multidão com o nosso maior presidente. E mais a doce lembrança de chuva e tanajura da infância no bairro de Água Fria.

Lula dá o tom da reta de chegada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_089066419.html

Minha opinião

A boa notícia é a redução do desemprego
Luciano Siqueira     

Vi agora a notícia no Jornal Nacional, que noticia os dados e faz de contas de que o governo nada tem a ver com isso...

O fato é que o país criou 165,8 mil empregos formais em agosto, acumulando  1,14 milhão de novos postos de trabalho, notadamente nos setores de serviços , comércio e indústria, que mantiveram trajetória de expansão e contratações.

Sinal de revigoramento da atividade econômica, o aumento do consumo das famílias e o impacto direto dos investimentos públicos e dos programas de desenvolvimento do atual governo.

Simples assim.
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Solução para os juros altos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/dica-de-leitura_0110212980.html 

Arte é vida

 

Candido Portinari

O selo do PCdoB na frente pró-Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/o-pcdob-e-lula.html 

Dica de leitura

Celso Pinto de Melo: que engenheiros estamos formando?
Luciano Siqueira     

No artigo "Estamos formando engenheiros para um mundo que já não existe?”, publicado no Jornal GGN, Celso Pinto de Melo, reflete comenta a defasagem entre o modelo de ensino da Engenharia e as rápidas transformações tecnológicas, produtivas e sociais do século XXI.

Enquanto os fundamentos das ciências exatas mudam lentamente, as tecnologias e critérios do mundo real evoluem em ritmo acelerado. Por isso, a Universidade corre o risco de formação de profissionais com um "mapa mental" ou uma visão industrial ultrapassada.

Tomando como referência o estatístico Hans Rosling — que demonstrou como as pessoas analisam problemas modernos com visões de mundo obsoletas —, o autor observa que alunos que entram hoje na faculdade exercem a profissão até 2060 ou 2070.

Ou seja, tecnologias como gêmeos digitais, inteligência artificial e manutenção preditiva redefinem o que é possível na engenharia.

Daí, mais do que ensinar apenas ferramentas técnicas do momento, a Universidade precisa ensinar o estudante a aprender, já que nenhuma matriz curricular conseguirá cobrir todas as tecnologias das próximas quatro décadas.

Nesse sentido, o autor identifica três gargalos críticos na trajetória de formação: a desconexão entre a teoria abstrata (cálculo, física e química) e a prática da engenharia; a transição de problemas acadêmicos "bem formulados" para a bagunça do mundo real, onde os dados são incompletos, há restrições de custo e as soluções teóricas nem sempre funcionam na prática; e o "vale da morte", a transição entre o protótipo de laboratório e a produção em escala industrial, onde por tentativas se acumula o verdadeiro conhecimento tecnológico.

O Brasil não faz parte do zero e possui exemplos marcantes de liderança e inovação baseados na integração entre ciência e produção, tais como o setor aeronáutico (Embraer); a exploração de petróleo em águas profundas (Petrobras) e o agronegócio e a agricultura tropical.

Entretanto, o país convive com disparidades: produtores obsoletos e setores de fronteira tecnológica.

Postas essas questões, o Brasil não precisa escolher entre formar o engenheiro apenas para a "fábrica do futuro" ou para a "fábrica do presente". O desafio nacional é formar profissionais capazes de fazer a transição, conectando a universidade, o setor produtivo e os centros tecnológicos para resolver problemas complexos e promover a inovação sustentável no país.

Para ler o artigo clique aqui https://jornalggn.com.br/artigos/estamos-formando-engenheiros-para-um-mundo-que-ja-nao-existe-por-celso-p-de-melo/

Leia também "Quando o futuro deixa de ser promessa" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/desenvolvimento-soberano.html 

Uma crônica de Ruy Castro

Deus, cabo eleitoral com exclusividade
Por suas declarações em palanques, é como se Flávio Bolsonaro estivesse fazendo negócios com Deus. Um deles é o de que vai terceirizar seu mandato, entregando-o às mãos de Jesus; pode isso, Arnaldo?
Ruy Castro/Folha de S. Paulo  

Vivendo e aprendendo. Sempre ouvimos dizer que cargos políticos eram laicos e que Deus nunca se rebaixaria a se misturar com gente que pede votos a quem no fundo despreza. Mas, pelo visto, não é mais assim. Flávio Bolsonaro contratou Deus como cabo eleitoral e usa seu santo nome em comícios, passeatas e sabe-se mais por onde anda como candidato à Presidência. E, ao que parece, é um contrato de exclusividade. Só ele pode invocar Deus e, se quiser, até prometer-lhe um ministério. Eis alguns exemplos.

"Deus está me preparando há 24 anos para ser presidente do Brasil." É um de seus motes favoritos. Significa que foi Deus quem o ensinou a extorquir servidores, condecorar milicianos, mentir como quem respira e suplicar dinheiro a Daniel Vorcaro. "Acredito que Deus colocou uma ‘missão’ em minha vida." Deixa implícito que sua candidatura atende a um chamado de ordem espiritual e que Deus viu nele um novo Cristo, quem sabe até com uma midiática crucificação.

"Deus vai me honrar [com a vitória na eleição]." Pela frequência com que Flávio repete isso, parece que a vitória está incluída no pacote de seus negócios com Deus. Resta ver se um dia prestará contas sobre esses negócios, ao contrário das contas que continua devendo sobre o filme "Dark Horse". "Se Deus me honrar, vamos poder colocar mais ministros [no STF]." E, com isso, obrigará Deus a se misturar com um tribunal tão desmoralizado.

"Vou fazer uma oração antes de ler o termo de posse, entregando o Brasil nas mãos de Jesus." Epa! Significa que quem vai governar é Jesus? Pode isso, Arnaldo —o fulano ser eleito e terceirizar o mandato? E sabe-se lá se Jesus não tem mais o que fazer?

Afinal, sua jurisdição abrange toda a humanidade, o que inclui os Estados Unidos. O patrão Donald Trump se contentará com sublocar Deus em vez de tê-lo todo para si?

"Não debato com quem não acredita em Deus." Afinal, Flávio é candidato a presidente ou a pastor? Resta ver se ele, notório evangélico de última hora, aguentaria cinco minutos de debate com um pastor de verdade.

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html  

Postei nas redes

Isso não me interessa, mas vale o registro: essa gente brinca com fogo o tempo todo! Diz a Folha de S. Paulo: "Flávio e Michelle se aproximaram de bispo que defendeu retirar título de padroeira de Nossa Senhora." 

Lula dá o tom da reta de chegada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_089066419.html 

Minha opinião

Em debate insosso, a vantagem de João 
Luciano Siqueira   

Nada de novo no front. Tal como em outras eleições, o debate na TV Globo, ontem – cujo índice de audiência ainda não foi divulgado - concentrou-se em problemas específicos de Pernambuco, sem referências ao confronto que se trava sobre os rumos do país. 

Do ponto de vista da governadora Raquel, a questão nacional deve ficar mesmo debaixo do tapete para que não perca apoios da extrema direita, que tem peso significativo em seu palanque.  

Mas João poderia ter sublinhado, mesmo que de passagem, a propósito de sua vantajosa aliança com o presidente Lula, a questão da soberania nacional, que tem tudo a ver com a tradição pernambucana de lutas libertárias e com a superação dos entraves atuais ao desenvolvimento. 

Não fez, mas não perdeu o debate. 

"Não perder é uma forma de ganhar", sempre se disse em relação a esse tipo de confronto na disputa eleitoral, tanto na TV, como no rádio ou em canais na internet. 

Raquel perdeu, mantendo-se o tempo todo na defensiva, visivelmente nervosa e preocupada em contornar temas que lhes são desastrosos — a questão de gênero (desde que divulgado vídeo em que sugere laqueadura sem que a paciente soubesse), a inoperância administrativa em áreas cruciais da gestão pública, como a saúde e, mais uma vez, suas alianças com a extrema direita. 

No cômputo geral, o candidato da Frente Popular levou vantagem e deve ter acrescentado alguns pontos a mais em sua tendência crescente nas pesquisas às vésperas do pleito — como atestam os números da última rodada Quest.

Leia também "Dois trunfos em favor de João Campos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao.html 

29 setembro 2026

Palavra de poeta

fresta
Cida Pedrosa      

a fechadura me sorri 
 
quem segura esta dor 
por trás da porta? 
 
anjos que andam? 
gente que voa? 
olhos de cristal?
 
a chave apenas 
fecha o olho 
a imagem não: 
a esta é dada a vastidão
 
[Ilustração: Amedeo Modigliani]
 
Leia também: "Faz anos navego o incerto", poema de Caio Fernando Abreu https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/palavra-de-poeta_7.html 

Em sintonia com o povo

Lula acertou: fim das bets, reajuste no Bolsa Família e canetas no SUS têm amplo apoio popular
Maioria da população aprova iniciativas do presidente Lula: 62% acham certa a proibição das apostas online
Priscila Lobregatte/Vermelho      

A maioria dos brasileiros apoia três medidas recentes tomadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva: 62% são favoráveis ao fim das bets; 59%, ao reajuste do Bolsa Família e 58% à disponibilidade de canetas emagrecedoras no SUS para tratar a obesidade. Os resultados foram levantados em pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (28).

No caso das bets, foi perguntado se o entrevistado sabia sobre o fim das apostas online, anunciado por Lula na sexta-feira (25). Conforme o levantamento, 40% responderam que já sabiam e aprovavam e 22% disseram não saber, mas acharam uma boa ideia, totalizando 62% de aprovação à medida. Os que não aprovam somaram 32% e outros 6% disseram não saber ou não quiseram responder (NS/NR).

Quanto à atualização no valor do Bolsa Família, anunciada no dia 17, os 59% favoráveis dividiam-se em 45% que sabiam e 14% que não sabiam, mas que ouvindo na entrevista, aprovavam. Outros 39% desaprovaram e 2% não souberam ou não quiseram responder.

Sobre a distribuição gratuita de canetas emagrecedoras no SUS para pessoas em tratamento contra a obesidade, anunciadas no mesmo dia, 38% tinham conhecimento e julgavam positivamente a medida, enquanto 20% também viam dessa forma, mesmo tendo sabido somente na entrevista, somando 58%. Na ponta oposta, 38% desaprovavam e 4%, NS/NR.

Recortes

A pesquisa também traz recortes sobre o perfil dos entrevistados — a seguir, reproduzimos os índices obtidos em alguns deles.

Todas essas medidas são aprovadas majoritariamente pelas mulheres: 64% delas aprovam a proibição às bets e 62% têm a mesma posição sobre as canetas, índice igual ao das que concordam com o reajuste do Bolsa Família. No caso dos homens, os percentuais de aprovação são de respectivamente 61%, 53% e 56%.

A visão positiva a essas medidas também é mais presente na faixa etária mais jovem. A proibição das bets teve 69% de avaliação positiva entre as pessoas com 16 a 34 anos; nessa mesma faixa, o percentual de favoráveis à distribuição das canetas é de 64% e de 66% quanto ao reajuste do Bolsa Família.

Quando o recorte é por renda familiar, as medidas contra as apostas são aprovadas principalmente na faixa de dois a cinco salários mínimos (63%). No caso das canetas (60%) e do Bolsa Família (74%), os mais favoráveis estão principalmente entre quem tem renda familiar mais baixa, de até dois salários mínimos.

Em relação ao recorte religioso, os católicos se mostraram os mais favoráveis às três medidas: 62% no caso do fim das bets; 57% para as canetas no SUS e 60% quanto ao reajuste do Bolsa Família. Os evangélicos tiveram os percentuais positivos de 59%, 53% e 53% para cada uma das iniciativas.

A pesquisa foi feita entre os dias 24 e 27 de setembro com 2.004 entrevistados. A margem de erro estimada é de dois pontos e o nível de confiança é de 95%.

Medidas

A proibição das bets foi anunciada na última sexta-feira (25) pelo presidente Lula. Liberadas por Michel Temer (MDB) sem critérios e tendo ficado sem nenhuma regulação por todo o período de Jair Bolsonaro (PL), as apostas online só foram regulamentadas no atual governo. No entanto, o impacto que causaram na saúde pública e na economia desde a sua chegada levou à proibição.

No dia 17 de setembro, Lula anunciou que o SUS passaria a ofertar as canetas emagrecedoras como forma de a população menos favorecida ter acesso a um tratamento mais eficaz e rápido contra a obesidade, problema que vem se tornando cada vez mais comum e que acarreta uma série de outros distúrbios na saúde, como diabetes e pressão alta.

No mesmo dia, o presidente comunicou que o valor do Bolsa Família seria corrigido em 15,04% a fim de repor as perdas inflacionárias, conforme estabelecido em lei. Assim, o piso saiu de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio foi de R$ 675 para R$ 777.

A disputa pelo Senado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0646797896.html 

Filme de Tuca Siqueira lançado na França

Coração de Lona entra na disputa do Festival Biarritz
Coração de Lona entra na disputa do Festival Biarritz nesta segunda-feira (28), com filme brasileiro dirigido por Tuca Siqueira e produzido em Pernambuco
 Carlos Enrik/ABC do ABC     

O filme brasileiro Coração de Lona, dirigido e roteirizado pela cineasta pernambucana Tuca Siqueira, participa da competição do Festival Biarritz Amérique Latine, dedicado ao cinema latino-americano. A sessão do longa está marcada para esta segunda-feira (28), durante a 35ª edição do evento, realizada na cidade francesa entre 26 de setembro e 2 de outubro.

A produção acompanha Inês, uma dançarina que vive com a família em um circo decadente que percorre pequenas cidades do interior. Depois de perder um bebê, ela precisa continuar trabalhando para sustentar a trupe enquanto enfrenta questões relacionadas ao passado e aos próprios sonhos.

Coração de Lona chega ao festival francês

Produzido pela Garimpo Filmes, produtora pernambucana formada por mulheres, o longa recebeu apoio do programa de internacionalização Brasil no Mundo, do Projeto Paradiso, após sua seleção para o Festival Biarritz Amérique Latine.

O apoio garantiu a presença da diretora Tuca Siqueira e da produtora executiva Rayssa Costa no festival.

“A ideia de tornar inegociável o direito ao sonho nos acompanhou durante toda a realização do ‘Coração de Lona’. Esse é o sentimento que queremos imprimir na tela e fora dela”, afirmou Tuca Siqueira.

História acompanha família em circo decadente

Na trama, Inês é interpretada por Ane Oliva e vive com o marido, o palhaço Biu, papel de Geyson Luiz, e o filho Fael, interpretado por Luan Rian do Nascimento Silva.

O circo também conta com a presença da artista Diva, interpretada por Priscilla Mesquita de Almeida. A personagem é uma mulher com deficiência e, segundo a produção, sua trajetória é apresentada sem uma abordagem capacitista.

O roteiro foi desenvolvido a partir do Edital Núcleos Criativos, entre 2016 e 2017, com tutoria do cineasta Ruy Guerra. O projeto também passou pelo grupo de desenvolvimento Marieta e pelo Lab 3emeio, em 2024, quando recebeu nova consultoria de roteiro de Iana Cossoy Paro.

Produção foi realizada no Agreste de Pernambuco

Com orçamento de pouco menos de R$ 1,5 milhão, o filme foi gravado entre outubro e novembro de 2024 na região de Garanhuns, no Agreste pernambucano.

A produção foi financiada pelo edital de Arranjos Regionais e, segundo os realizadores, gerou renda para a comunidade circense envolvida no projeto.

O processo também foi utilizado como formação audiovisual para pessoas que ainda não tinham contato com a produção de um longa-metragem.

“Mulheres decidindo sua própria jornada é o que eu gostaria de ver na vida cotidiana e, se essa ainda é uma realidade distante para muitas sociedades, o cinema torna-se uma possibilidade de projetar essa narrativa”, declarou a diretora.

A cineasta explica que escolheu o ambiente circense para abordar questões relacionadas à sobrevivência e aos desejos da protagonista, embora a produção não seja definida como um filme sobre circo.

Sinopse

Inês vive com a família em um circo decadente. Depois de perder um bebê, ela descobre que o passado não pode simplesmente ser abandonado, mas precisa ser atravessado.

Coração de Lona apresenta uma narrativa sobre o encerramento de ciclos e a busca de uma mulher que considera inegociável o direito de sonhar.

O longa tem direção, roteiro e argumento de Tuca Siqueira, produção de Rayssa Costa, Tuca Siqueira e Camila Valença e produção executiva de Guga Massud e Rayssa Costa. A distribuição é realizada por Lira Filmes e Pixys Produções Artísticas.

O mundo gira. Saiba mais  https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Editorial do 'Vermelho'

A pauta do Brasil e do povo na voz de Lula dá o tom da reta de chegada
Dias decisivos do primeiro turno exigem forte militância nas ruas e redes para consagrar Lula nas urnas e derrotar a grave ameaça que paira sobre o país
Editorial do 'Vermelho' 

A campanha presidencial chega à reta final do primeiro turno marcada pelo confronto de polos nitidamente antagônicos. De um lado está Luiz Inácio Lula da Silva, com sua trajetória de defesa da democracia, da soberania da pátria, do desenvolvimento nacional e da reindustrialização do país, da valorização do trabalho, da distribuição de renda e redução das desigualdades, dos direitos sociais e humanos, da inclusão social, da segurança pública, da educação, da ciência e tecnologia, da segurança alimentar e da proteção ambiental.

Ao acabar com as bets, reajustar o Bolsa Família, pela pauta do povo, Lula retomou o protagonismo da disputa e, nesta hora decisiva, sua campanha ganha energia, entusiasmo e reúne multidões.

No outro lado está Flávio Bolsonaro, que, ao se colocar a favor das bets, depois de ter sabotado a aprovação do fim da escala 6×1, revelou com absoluta luz que é contra o povo. De ponta a ponta dessa campanha, com execrável ostentação, Flávio se apresenta como serviçal do governo de Donald Trump, com uma agenda de traição à pátria: tramou e respaldou os tarifaços e seu programa, em essência, consiste em promover a total entrega das riquezas do Brasil ao imperialismo estadunidense, a começar pelas terras raras e minerais críticos.

O candidato da extrema-direita também tem vínculos comprovados com o movimento liderado por seu pai, Jair Bolsonaro, condenado e preso por organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Se eleito, a democracia brasileira voltaria a ser mutilada. Evidências, fatos, vários episódios demonstram o vínculo de Flávio com bandos criminosos, as milícias.

É também o único candidato presidencial formalmente sob investigação da Polícia Federal por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao suposto financiamento da cinebiografia Dark Horse sobre o seu pai. No centro desse caso está a sua relação íntima com o ex-banqueiro criminoso Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O candidato mente reiteradamente: negou fatos, mudou versões e continua sustentando afirmações contestadas pelos elementos já amplamente conhecidos.

Flávio Bolsonaro, mergulhado na corrupção, se limita a essa agenda entreguista e de traição nacional, enquanto Lula comprova a sua estatura de líder com prestígio de dimensões internacionais, como ficou demonstrado com sua performance na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 22 de setembro, num pronunciamento que articulou democracia, soberania, multilateralismo, combate à fome, desenvolvimento, mudanças climáticas, inteligência artificial e combate às políticas de guerras.

É nesse campo, mais diretamente ligado às condições de vida da população, que a campanha de Lula, nesta reta final do primeiro turno, concentrou suas ações. Entre as medidas de maior alcance está a recomposição do Bolsa Família, o reajuste de 15,04%. Outro movimento de grande repercussão foi a proibição das bets, que enfrenta o endividamento e defende a renda familiar e a saúde da população. As pesquisas demonstram que Lula atendeu a verdadeiro clamor popular, dando um basta aos cassinos virtuais.

O Brasil livre das bets foi uma espécie de tremor de terra na dinâmica da disputa. Parcelas da população até então alheias ao processo eleitoral despertaram-se. E o presidente Lula passou a centralizar sua mensagem no futuro do país, dando ênfase a uma nova geração de direitos a ser garantida ao povo com a riqueza oriunda de um ciclo robusto de desenvolvimento, caso o eleitorado venha honrá-lo com um quarto mandato.

Entre os compromissos estão a continuidade da luta pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial; o compromisso de zerar os impostos sobre todos os itens da cesta básica, além da adoção de um sistema de devolução de parte dos impostos para os consumidores; o governo também já instituiu o Desenrola Brasil 3.0, nova modalidade de renegociação de dívidas; a criação da Rede Brasil contra o Câncer, a ampliação do Farmácia Popular com exames e teleconsultas gratuitos, a expansão do programa Agora Tem Especialistas e da Rede de Hospitais Inteligentes.

Na educação, estão previstas a universalização do Pé-de-Meia, a implantação do ensino integral em todas as escolas públicas, a ampliação da formação em inteligência artificial, robótica e programação e a retomada do Ciência sem Fronteiras com foco em tecnologia e inteligência artificial. Também estão entre os compromissos assegurar paz e segurança ao povo, combater implacavelmente as facções criminosas e fortalecer o Pacto Contra o Feminicídio.

São questões essenciais para o debate, que contrastam com tergiversações para tumultuar a campanha, como a ofensiva do ministro André Mendonça contra o STF para atingir a legalidade democrática do país e o episódio recente envolvendo uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida, afrontando princípios constitucionais como a liberdade de expressão, a liberdade religiosa e o direito de professar uma fé ou de não se manifestar por nenhuma religião.

Ao se colocar no epicentro desse episódio, Flávio deu um tiro no pé, atacou a Igreja Católica e provoca grave desgaste em sua campanha, na boca da urna, trazendo à tona a política de ódio, de manipulação da fé e a intolerância religiosa do bolsonarismo.

A pauta dos direitos do povo, da democracia e da soberania do Brasil, na voz de Lula, vem soprar fortes e bons ventos, despertando ânimo e esperança no eleitorado e elevando a mobilização da militância democrática, popular e patriótica.

Nessa reta final, de uma disputa acirradíssima, é fundamental mais presença nas ruas e nas redes, em todos os cantos do país, virando e ganhando votos, hasteando bandeiras, fazendo vibrar o prenúncio da vitória, convocando o eleitorado às urnas, reduzindo a abstenção ao mínimo, com destaque para o reforço da mobilização para a agenda da campanha de Lula, que prevê comícios e caminhadas em Belém, Fortaleza, Salvador, Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo.

A eleição de Lula, se confirmada, exigirá uma sólida base parlamentar, política e social. Por isso, é fundamental uma bancada de esquerda forte no Congresso Nacional, na qual o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) tem papel fundamental e precisa ampliar sua representação, ao lado da eleição de deputados, senadores, governadores e representantes nas assembleias legislativas comprometidos com os interesses do país e os direitos do povo.

Leia também: Ao acabar com as bets, Lula atende clamor popular https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_0212001759.html

Sylvio: omelete

Depois de denunciar "tentativa de homicídio" como decorrência  da chuva de ovos com que foi presenteado em comício, Flávio Bolsonaro recebe o apelido de "candidato omelete".    

Ilustração: Crisvector

O jogo do mercado com as apostas nas eleições https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/mercado-eleicoes.html 

Atolado na lama

Site revela escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro, orgias, presentes caros e lobby
Reportagem do PlatôBR mostra relação de presidenciável com garotas de programa e situações nada republicanas durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro    
Priscila Lobregatte/Vermelho 

O senador e candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL), tem muita sujeira sobre e sob seu tapete. E uma delas, certamente escondida com muito cuidado, acaba de vir à tona. Conforme revelado pelo site PlatôBR, o Zero 1 está envolto em situações nada republicanas e de moralidade bastante questionável para um homem público que tenta se vender como alguém ligado ao trinômio “Deus, Pátria e Família”.

A reportagem, assinada por Rodrigo Rangel, traz elementos — como texto, áudios, documentos e fotos — jogados no ventilador por seu amigo ex-sócio na chocolateria Alexandre Ferreira Dias Santini, após prejuízo tomado na empreitada. Depois de anos de amizade, veio a briga em torno da empresa, mas hoje, Dias Santini está de novo colado a Flávio.

O que veio à tona, no entanto, é bombástico. De orgias com garotas de programa a presentes caros dados a Flávio e lobbies junto ao governo de Jair Bolsonaro (PL), passando por situação envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal indicado pelo então presidente, Kássio Nunes Marques.

Com relação às festinhas com as garotas de programa, reveladas por Dias Santini à esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, a matéria mostra que era o próprio sócio do senador “quem organizava vários desses convescotes, inclusive à custa do dinheiro que circulava com certa facilidade entre eles desde os tempos da sociedade na loja de chocolates – um dinheiro que, como mostraram as investigações do Ministério Público do Rio, depois arquivadas por decisão do Poder Judiciário, vinha das rachadinhas e de outras transações nebulosas”.

De acordo com a matéria, a revelação criou uma crise no casal em meio à campanha pela reeleição de Bolsonaro, o que teria gerado preocupações de que o escândalo viesse à tona naquele momento.

Também neste caso, aparece o nome do advogado e amigo de Flávio, Willer Tomaz — sim, aquele investigado nas fraudes no INSS e que era dono, junto com Daniel Vorcaro, do jatinho que foi usado pelo senador, além de ter sido companheiro de viagem de Flávio no safári na África do Sul. Tomaz representou Flávio na briga com Dias Santini.

O site publicou, ainda, um print de uma mensagem de Flávio ao ex-sócio dizendo: “Não sei o que vc está ganhando querendo destruir meu casamento e minha família, mas saiba que Deus te usou pra me fazer um pai, um marido e uma pessoa melhor. Me arrependi, de verdade, de muitas escolhas erradas que fiz na vida e não vou errar nunca mais com a minha família. Peço que se afaste definitivamente da Fernanda, não ligue mais, não procure mais, arrume outra dentista (…)”.

Lobby e “presentes”

A reportagem também traz elementos que mostram as relações entre Flávio, lobistas e figuras interessadas em fazer jogadas que lhes rendessem vantagens durante o governo de Jair Bolsonaro. Uma casa em Brasília era, inclusive, usada para encontros desse seleto grupo — e Flávio foi visto por lá com regularidade.

“As amizades eram de épocas distintas, mas os ‘parceiros’ de Flávio, com acesso facilitado a figuras de relevo do governo de Jair Bolsonaro, conviviam, participavam dos mesmos encontros, se ajudavam. Na pandemia de Covid-19, eles estreitaram contato, por exemplo, com os empresários que conseguiram fechar com o Ministério da Saúde um contrato bilionário, mais tarde cancelado por causa das evidências de irregularidades, para a compra da vacina indiana Covaxin”, diz o texto.

Dentre os amigos de Flávio estava o advogado Alan Belaciano (que já teve problemas com a Justiça por se apresentar como juiz). Ele foi responsável por “dar de presente” ao senador equipamentos de academia que somavam quase R$ 90 mil — para serem colocados na mansão de R$ 6 milhões comprada por Flávio em Brasília —, além de uma tevê de 75 polegadas. Mas, um de seus regalos mais caros foi um relógio Rolex, cuja nota fiscal indica o valor de R$ 305 mil.

Outro dado trazido é que Alexandre Dias Santini também era próximo de Fabrício Queiroz e do advogado Frederico Wassef. Diálogos entre Dias Santini e Wassef mostram, inclusive, as jogadas feitas pelo advogado para salvar a pele de Flávio no caos das rachadinhas e a ingratidão ele ele atribuía ao clã Bolsonaro. Além disso, conforme mostra a reportagem, “o ex- sócio (Dias Santini) era a ponte para o operador das rachadinhas (Queiroz) pedir dinheiro a Flávio”.

Quanto ao ministro Kássio Nunes Marques, a reportagem aponta que, em meio aos desentendimentos entre o ex-sócio e Flávio, numa mensagem em tom de ameaça enviada por Dias Santini a Flávio, o ex-sócio diz “ter a informação de que ele havia tratado diretamente com Kassio sobre interesses de um cliente que tinha um processo no gabinete do ministro. O caso seria tocado por Alan Belaciano – aquele amigo de Flávio que havia montado o bunker no Lago Sul, o mesmo que comprou o Rolex”.

Dias Santini escreveu: “Vou te passar apenas uma única informação que considero importante para vc. Vc falou diretamente com o Kassio Nunes e intermediou um cliente em um processo para tratarem disso. Vc é maluco ou inconsequente! Brasília não tem muros e seu amiguinho está sendo observado…”.

Não há mais detalhes sobre essa questão. O que se sabe, no entanto, é que Dias Santini e Flávio reataram sua relação — tão bem que o ex-sócio já se sente confortável para fazer campanha para o senador.

A mídia flerta com o desastre https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/informacoes-distorcidas.html

Humor de resistência

Aroeira

Flávio Bolsonaro quer entregar terras raras aos Estados Unidos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/entreguismo-sem-limites.html 

Arte é vida

 

Anthony Sims Jr

Fogo de monturo financeiro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/dica-de-leitura_01813434061.html 

Minha opinião

Debate da Globo não faz sentido 
Luciano Siqueira    

Apenas uma opinião de militante, simplesmente. Não tenho acesso direto ao comando nacional da campanha de Lula, nem é o próprio presidente, para tratar deste assunto. 

Minha opinião é que Lula não deva comparecer ao debate da TV Globo. 

Trata-se de um programa, digamos assim, rigorosamente planejado de modo não permitir a explicitação consistente das opiniões. 

Ao contrário, as regras restritivas possibilitam apenas o bate boca entre os participantes e, como vimos na campanha passada, agora novamente todos os demais candidatos comparecerão dispostos a atacar o presidente e não a expor suas propostas programáticas. 

Na eleição passada foi assim. Até um falso sacerdote teve a palavra para fazer provocações de toda espécie. 

A possível ausência de Lula agora contrariará os interesses da própria Rede Globo e dará azo a que Flávio Bolsonaro e demais candidatos da extrema direita se esgoelem na crítica ao presidente. 

Sem nenhuma importância ou qualquer influência sobre o curso da disputa nesta reta final.

Se houver um segundo turno - bom seria liquidar fatura já agora -, aí sim: um contra um e a mínima possibilidade de confrontar as ideias. 

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html 

Fotografia

 

Priscilla Buhr

A força das ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html 

Desenrola 3.0

Desenrola 3.0 permite ao governo comprar dívidas e acertar a vida das pessoas, diz Lula
Nova versão do programa de negociação de dívidas prevê que a União dívidas inadimplentes com desconto de 90% e repasse integralmente a vantagem aos devedores
Priscila Lobregatte/Vermelho  

Com o objetivo de desafogar as famílias que se encontram endividadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nessa sexta-feira (25), Medida Provisória que institui a terceira fase do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, o Desenrola 3.0.

A nova etapa prevê que a União compre, em leilão, carteiras de dívidas inadimplentes de até R$ 10 mil, com desconto de 90%, e repasse integralmente a vantagem aos devedores. A estimativa é de que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis à compra, com potencial de beneficiar até 15 milhões de pessoas.

“É importante lembrar que é um Desenrola melhor do que os outros”, afirmou o presidente. “No outro, as pessoas tiveram que individualmente procurar um banco. Agora é o governo que vai comprar dívida e acertar a vida das pessoas”, completou.

Com essa mudança de eixo, o devedor poderá quitar o valor restante à vista, mantendo o percentual de desconto obtido pela União, ou parcelar o saldo remanescente, em condições que ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Ao anunciar a iniciativa, Lula também ponderou sobre o que está levando ao alto endividamento de parte da população: “Obviamente tem muitos fatores: nem sempre as pessoas ganham o que precisam, às vezes as pessoas entram num descompasso de fazer dívida de forma desordenada e depois não consegue se acertar mais, sobretudo pela facilidade do cartão de crédito”.

Neste ponto, criticou o fato de o sistema financeiro oferecer vários cartões de crédito a uma mesma pessoa, gerando uma bola de neve de dívidas.

Lula também falou sobre a “jogatina sem controle das bets”, que tem sido um dos fatores a estrangular financeiramente mulheres de pessoas. No mesmo evento, o presidente anunciou outra medida provisória, que acaba com as apostas on line.

“Se a dívida, inclusive em função das bets, é um problema real na sociedade, para a economia brasileira, nada mais justo e correto do que colocar o poder de compra do Estado a serviço da redução, da reestruturação das dívidas dessas famílias”, afirmou ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

Ele destacou que a dimensão da nova etapa pode alcançar uma parcela significativa das dívidas bancárias elegíveis: “Estamos falando de limpar dessa carteira R$ 150 bilhões em dívidas. É forte, é potente para que essas famílias possam recomeçar”.

De acordo com o governo, o Desenrola 3.0 terá o seguinte cronograma:

  • Setembro/2026: publicação da MP (texto final, que altera a Lei nº 14.690/2023). 
  • Novembro/2026: publicação do chamamento para entrega de propostas. 
  • Dezembro/2026: entrega de propostas pelos credores. 
  • Janeiro/2027: homologação das propostas selecionadas. 
  • Fevereiro/2027: assinatura de contratos e início do repasse do deságio aos devedores (quitação à vista ou parcelamento).

Lula anuncia o fim das bets https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/mp-das-bets.html   

Desenvolvimento soberano

Quando o futuro deixa de ser promessa
A crise climática e a revolução digital impõem a necessidade de superar a histórica subordinação primária do país por meio da construção de um Estado preditivo e capaz de converter recursos naturais em independência tecnológica
Marcio Pochmann/A Terra é Redonda     

1.

O Brasil está diante de uma mudança de época que exige mais do que crescimento econômico para reconstruir a capacidade de decidir o próprio futuro. Durante boa parte do século XX, desenvolvimento significou avançar em direção a uma fronteira relativamente conhecida como industrializar, urbanizar, elevar a produtividade, ampliar direitos, aumentar a escolaridade e reduzir a distância em relação às economias centrais. Hoje, essa referência perdeu nitidez.

A tese central é simples. O futuro deixou de ser uma promessa automática do progresso e precisa voltar a ser objeto de construção política, econômica e social. Isso significa repensar o desenvolvimento em um mundo marcado simultaneamente pela crise climática, pela revolução digital, pela financeirização, pela reorganização geoeconômica e pela transformação das formas de trabalho, produção e sociabilidade.

Durante boa parte do século XX, havia conflitos profundos sobre quem deveria conduzir o desenvolvimento e quem dele se beneficiaria, mas permanecia uma convicção poderosa acerca da possibilidade do futuro ser melhor que o presente. Essa talvez tenha sido uma das grandes promessas da modernidade. Mais educação deveria significar melhores empregos, assim como mais tecnologia, menos esforço, mais produtividade, maior prosperidade, mais ciência, maior domínio sobre a natureza.

No primeiro terço do século XXI, essa certeza começou a se desfazer. A ascensão da Ásia, sobretudo da China, desloca o eixo da economia mundial, ao passo que a crise climática evidencia os limites da expansão material e a revolução digital amplia extraordinariamente a capacidade de produzir e processar informações, ao mesmo tempo que concentra poder. Paralelamente, a financeirização permite que a riqueza abstrata cresça em meio ao avanço da insegurança social, enquanto a hiperconectividade multiplica a comunicação e transforma atenção e tempo em bens cada vez mais escassos.

Por isso, a pergunta já não parece ser apenas como crescer mais, mas que desenvolvimento ainda faz sentido e quem terá capacidade de orientá-lo. O Antropoceno tornou essa questão incontornável ao revelar que a humanidade não está separada da natureza e que suas próprias ações alteram as condições materiais de continuidade da vida social. O futuro, assim, deixa de ser apenas aquilo que ainda não aconteceu e passa a ser também aquilo que as decisões do presente podem tornar possível ou mesmo impossível.

Para o Brasil, essa transformação chega em momento contraditório. No século passado, o país realizou uma das mais rápidas mudanças estruturais entre as economias periféricas de passado colonial e escravista. Em poucas décadas, deixou de ser predominantemente rural e primário-exportador para constituir uma sociedade urbana e industrial. Essa transformação, contudo, permaneceu incompleta. Desde os anos 1990, o Brasil perdeu densidade industrial justamente quando uma nova revolução tecnológica começava a reorganizar a economia mundial. A financeirização, a especialização produtiva e a fragmentação das cadeias globais reduziram parte da capacidade nacional de produzir tecnologias e bens de maior complexidade.

2.

Por isso, a saída não está simplesmente em restaurar o desenvolvimentismo do século passado. A indústria contemporânea combina software, inteligência artificial, sensores, dados, novos materiais, automação e serviços especializados. A agricultura depende cada vez mais de genética, máquinas, satélites e informação ao passo que as infraestruturas física e digital se tornaram inseparáveis.

Diante disso, o Brasil não precisa escolher entre ser potência agrícola, industrial, energética, ambiental ou digital, mas integrar essas dimensões. A emergência climática amplia essa possibilidade, pois poucos países possuem simultaneamente água, biodiversidade, biomassa, terras produtivas, potenciais hidrelétrico, solar e eólico, reservas minerais e capacidade científica.

Mas a abundância também pode ser uma armadilha. O país pode exportar lítio e importar baterias, exportar minerais estratégicos e comprar equipamentos tecnológicos, produzir energia limpa e importar os bens industriais que dela mais se beneficiam e, ainda, exportar biomassa e adquirir materiais sofisticados produzidos a partir desse mesmo recurso.

Nesse caso, o Brasil poderia tornar-se essencial à transição verde mundial e, ainda assim, permanecer tecnologicamente dependente. A diferença entre uma potência ambiental e uma periferia verde reside na capacidade de transformar recursos naturais em conhecimento, tecnologia e produção.

A mesma lógica vale para a relação com a China, cuja ascensão oferece ao Brasil novos mercados, investimentos e possibilidades produtivas, mas também pode aprofundar um padrão conhecido de exportação de matérias-primas e importação de produtos industriais. Trocar o centro da dependência não significa superá-la.

A questão relevante é saber quanto conhecimento, tecnologia, fornecedores, empregos qualificados e capacidade produtiva permanecem no país depois que o investimento chega. O mesmo princípio vale para ferrovias, portos e corredores bioceânicos, pois uma infraestrutura destinada apenas a acelerar a exportação de commodities pode tornar a periferia mais eficiente, mas não necessariamente mais desenvolvida. O desenvolvimento exige encadeamentos produtivos e capacidade tecnológica.

A energia ocupa posição central nessa transformação. Durante milênios, as sociedades dependeram essencialmente dos fluxos naturais. A Revolução Industrial rompeu esse limite ao permitir a utilização, em larga escala, de carvão, petróleo e gás acumulados ao longo de milhões de anos. O início do século XXI, por sua vez, exige um novo movimento, marcado pela ampliação do uso do sol, do vento e da água, apoiado por redes elétricas, sistemas de armazenamento, eletrônica e inteligência computacional.

O Brasil possui condições extraordinárias para essa transição. Mas dispor de energia não significa, por si só, possuir soberania energética. A questão decisiva está no destino do excedente gerado por esses recursos. A renda do petróleo pode ser consumida no presente ou financiar ciência, infraestrutura e tecnologias para uma economia progressivamente menos dependente dos combustíveis fósseis.

3.

Há, portanto, uma oportunidade histórica de usar a riqueza dos estoques para construir a economia dos fluxos renováveis. A transformação em curso, porém, não se limita à produção. Ela também modifica a experiência cotidiana. Toda sociedade possui uma espécie de relógio. A sociedade agrária vivia segundo o tempo da natureza, ao passo que a industrial se submeteu ao relógio mecânico da fábrica e a sociedade digital começa a viver sob o relógio do algoritmo. Ele não apenas marca o tempo, mas classifica, recomenda, compara, notifica e procura antecipar comportamentos.

O trabalhador industrial precisava estar presente durante determinadas horas. O indivíduo hiperconectado precisa permanecer disponível. O relógio saiu da parede, entrou no bolso e passou a disputar espaço dentro da própria mente.

A tecnologia prometia economizar tempo. O paradoxo é que, quanto mais rapidamente realizamos uma tarefa, maior parece ser o número de tarefas à espera. Surge, assim, uma nova desigualdade que avançou para o acesso e no uso do tempo. A informação se generaliza de forma abundante e a atenção, escassa para uma comunicação instantânea e exposta cada vez mais a conteúdos quase ilimitados, tendo o silêncio se transformado em privilégio. Na sociedade hiperconectada, talvez o novo luxo seja poder não estar disponível.

A inteligência artificial aprofunda essa transformação. Pela primeira vez, máquinas de uso cotidiano participam diretamente da escrita, da análise, da programação e da tomada de decisões. A questão não é impedir a inteligência artificial, mas decidir quanto pensamento desejamos delegar. É justamente nesse ponto que a transformação tecnológica encontra o problema institucional, pois a produção, finanças e informação organizam-se em redes globais. As plataformas coordenam bilhões de pessoas, empresas atuam em dezenas de países e organizações criminosas e religiosas também aprenderam a operar em redes.

Enquanto isso, o Estado concebido na era industrial permanece, em muitos casos, dividido em estruturas setorializadas e pouco integradas. O problema não é simplesmente ter um Estado grande ou pequeno, mas saber se ele é capaz de produzir informações, integrar dados, planejar, regular e antecipar riscos.

O Estado desenvolvimentista do século XX atuava na industrialização de uma sociedade ainda marcada por estruturas agrárias. No início do século XXI, o Estado da era digital precisa preservar sua capacidade transformadora e incorporar novas dimensões, especialmente a sustentabilidade ecológica e a atuação preditiva. Isso significa antecipar acontecimentos e tendências como enchentes, transformações demográficas, mudanças no trabalho e dependências produtivas para que a atuação estatal antecipada evite que se converta em crises.

Nesse novo Estado, a informação deixa de ser apenas recurso administrativo e torna-se infraestrutura estratégica. Por isso, instituições públicas de estatística e geociências, como o IBGE, ganham nova centralidade. O Estado agrário precisava conhecer terras, população e produção. O industrial incorporou empresas, empregos, renda e cidades. O Estado digital precisa compreender também mobilidade, plataformas, fluxos digitais, riscos ambientais, novas formas de trabalho e uso do tempo.

Não parece ser suficiente saber onde as pessoas moram, mas também compreender por onde circulam, assim como é importante superar a medida da renda sem relacioná-la ao custo de vida, à mobilidade e ao tempo. Para além da identificação e acompanhamento da conexão, a necessidade de conhecer a qualidade e os efeitos dessa conexão.

O desafio brasileiro, portanto, não é apenas voltar a crescer, mas recuperar a capacidade de decisão e construção de uma estratégia capaz de integrar natureza, indústria, energia, dados, ciência e sociedade. No século XX, desenvolver-se significava avançar em direção a uma fronteira relativamente conhecida. Agora, a própria fronteira está em movimento. Talvez seja justamente aí que resida a oportunidade brasileira. O futuro deixou de ser promessa. Por isso mesmo, precisa voltar a ser projeto.

*Marcio Pochmann, professor titular de economia na Unicamp, é o atual presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Autor entre outros livros de Novo sujeito coletivo: a governança de populações em três tempos do capitalismo no Brasil (Editora da Unicamp). [https://amzn.to/40lMNWU]

A mídia flerta com o desastre https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/informacoes-distorcidas.html