Futebol permite sonhar o sonho
impossível
Excesso
de jogos vai deixar vários jogadores fora da Copa por contusão. Os melhores
treinadores simplificam o jogo e tomam decisões corretas no momento certo
Tostão/Folha
de S. Paulo
O excesso de partidas e a enorme intensidade das equipes e dos atletas, que atuam nos limites físico e mental, são motivos importantes de tantas contusões e ausências nos muitos campeonatos espalhados pelos continentes. É preciso diminuir o número de jogos e a ganância pelo lucro. Esse exagero piora a qualidade do espetáculo. Não teremos na Copa do Mundo vários jogadores excepcionais por causa de contusões.
Clássico é clássico,
clássico não tem favorito. Antigos chavões continuam atuais. Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras, apontados como favoritos nos clássicos regionais,
não venceram no final de semana. O Cruzeiro perdeu para o Atlético-MG e
Palmeiras e Flamengo empataram contra Santos e Vasco. Os seis primeiros colocados no Brasileirão não
ganharam na rodada. O equilíbrio parece ainda maior que nos anos anteriores.
Como é habitual, os técnicos do
Cruzeiro e Flamengo mudaram demais as equipes durante o segundo tempo e isso
contribuiu para os maus resultados. O Cruzeiro perdia, o técnico tirou os melhores
jogadores e isso dificultou a reação da equipe. O Flamengo vencia, o técnico
trocou vários atletas o que facilitou a reação do Vasco. Os treinadores, para
poupar, melhorar ou apenas por habito, costumam trocar jogadores sempre aos 15
minutos do segundo tempo. Muitas vezes, atrapalham a equipe.
O treinador do Atlético-MG,
Eduardo Dominguez, apelidado de Barba, é alto, magro e tem uma barba grisalha.
Está bastante parecido com o personagem Dom Quixote vivido pelo grande ator
Peter O'Toole, no magistral filme musical "Dom Quixote de La Mancha",
ao lado de Sophia Loren, como Dulcineia, dirigido por Arthur Hiller. A trilha
sonora inclui a famosa canção "o sonho impossível", de Lawrence
Rosenthal, que teve lindíssima versão gravada por Maria Bethânia.
Na minha juventude,
um dos meus livros preferidos era "Dom Quixote", com suas visões
delirantes e sonhos inimagináveis, uma obra épica da literatura, escrita pelo
espanhol Miguel de Cervantes em 1605. Sonhar o sonho impossível.
Teoria e prática
Quando atuava como médico,
estudei psicanálise por interesse intelectual e para entender melhor os
pacientes. Imaginava que seria muito difícil compreender as ideias de Freud, mas logo percebi que seus textos
eram claros, convincentes e simples e que até os mistérios da alma tinham
lógica. Freud colocou ordem no caos.
Quando joguei ao lado de Pelé, vi que ele, como Freud, tornava
simples o que era complexo. Com poucos movimentos corporais e ações, iluminava
tudo o que estava em sua frente e chegava ao gol. O mesmo acontece com os
grandes talentos de todas as áreas.
Esta quarta-feira (6) é dia de ver
um grande jogo, entre Bayern e PSG, pela Liga dos Campeões, em Munique, com a
presença de muitos craques, como o centroavante Kane, que, longe de ser um
Pelé, define as jogadas com precisão, com poucos movimentos e ações.
O mesmo ocorre com os
treinadores. Os melhores são os que, além do conhecimento técnico, tático e
científico, possuem a capacidade de simplificar e de tomar as decisões corretas
no momento certo, antes e durante as partidas. Unem a teoria à prática. A teoria
sem a prática é um vazio. A prática sem a teoria é uma grosseira simplificação.
[Ilustração: LS]
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