05 junho 2026

Seleção: alternativas táticas

O corpo, a técnica e a alma no futebol
Seleção precisa pressionar mais a saída de bola do adversário e ser mais compacto. Dentro de certos limites, tensão dos jogadores é benéfica ao desempenho
Tostão/Folha de S. Paulo   

A goleada sobre o fraco Panamá serve para Carlo Ancelotti refletir sobre outras opções na escalação e formação tática da equipe. No primeiro tempo, a seleção repetiu a estratégia usada contra a Croácia com Matheus Cunha mais recuado, marcando pela esquerda, além de Luiz Henrique pela direita e a dupla de atacantes formada por Raphinha e Vinicius Junior.

No segundo tempo o time melhorou com os reservas. Os meio-campistas Paquetá e Danilo Santos formaram um trio no meio-campo. Paquetá é diferente de Matheus Cunha. O jogador do United (Matheus) é um meia-atacante que volta para receber a bola e marcar, enquanto Paquetá , assim como Danilo, é um meio-campista que joga de uma área a outra e que inicia as jogadas de frente para o campo adversário.

Raphinha ficou um pouco perdido pelo centro, pois no Barcelona atua do lado para o meio, se movimentando por todo o ataque. Danilo, Rayan, Endrick e Igor Thiago também mostraram novamente que podem ser boas alternativas.

Independentemente da escalação e da formação tática, o time precisa pressionar mais a saída de bola do adversário e ser mais compacto, defendendo e atacando em bloco. Quando o meio-campo se adiantava, os zagueiros ficavam muito atrás, deixando grandes espaços entre os dois setores para o Panamá trocar passes e chegar à área. Esse posicionamento do time brasileiro contra fortes seleções poderá ser um desastre.

Desde os 7 x 1 contra a Alemanha, em 2014, o recente 4 x 1 contra a Argentina e outros momentos ruins, critico o vazio que existe no meio-campo, com apenas dois jogadores para marcar, construir e avançar, além da pouca valorização do setor no controle da bola. Seria melhor formar um trio no meio-campo, desde que tenham pelo menos dois meio-campistas que marcam, constroem e avançam.

É necessário, em uma mesma partida, alternar a transição rápida da defesa para o ataque com a troca de passes e o domínio da bola e do jogo. Contra as seleções mais fortes será importante, em muitos momentos, recuar a marcação, atrair o outro time e contra-atacar para aproveitar os velozes atacantes brasileiros e os espaços deixados pelos adversários.

Além das qualidades individuais, coletivas e físicas, a seleção terá de estar bem emocionalmente na Copa. O grupo conta com a ajuda da psicóloga Marisa Santiago, especialista em terapia cognitivo-comportamental e mestre em ciências do esporte pela UFMG.

A ansiedade é uma reação emocional quando se percebe uma situação ameaçadora, com ou sem a presença de um perigo real, objetivo. O receio é o fracasso na Copa. A tensão é benéfica, dentro de certos limites, pois ela estimula a produção de substâncias químicas, melhora a concentração, a capacidade muscular e aumenta o entusiasmo. Se a ansiedade for excessiva, o corpo não obedece ao comando do cérebro e passa a ter ações inadequadas, impulsivas e, às vezes, violentas, que podem resultar em expulsões e derrotas.

Os jogadores, antes das partidas, criam hábitos, rituais para conviver melhor com a tensão emocional. Pelé chegava ao vestiário, deitava e fechava os olhos. Não sei se dormia e se sonhava com os lances magistrais que executaria em campo. Ele foi o maior de todos porque possuía, no mais alto nível, todas as qualidades técnicas, físicas e emocionais.

[Ilustração: imagem produzida em IA]

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