Campeonatos no Brasil vivem banalização da
mediocridade
Ela tem a ver com os fracassos da seleção nacional
e com as ações administrativas do nosso futebol. Carlo Ancelotti anunciou que
Neymar, Casemiro e Danilo estão fora; deveria haver outros
Tostão/Folha
de S. Paulo
Os
últimos jogos da Copa do Brasil e
do Brasileirão foram, na média, muito ruins,
alguns em péssimos gramados, como o do Corinthians contra o Athletico
Paranaense. Além disso, nas partidas, como é frequente no futebol brasileiro,
houve muitos tumultos, reclamações, discussões, pressão sobre os árbitros e
auxiliares, simulações. Nenhum árbitro do mundo é capaz de controlar tanta
bagunça. Muitos gostam, dizem que é o futebol raiz, mais emocionante.
A
banalização da mediocridade nos campeonatos nacionais tem a ver com os fracassos da seleção brasileira. Faz parte também
do que acontece, há décadas, no país, com variados governos, que não conseguem
diminuir a violência, a criminalidade, a corrupção, o enorme número de
residências sem saneamento básico e tantas outras misérias que assolam o país.
As ações no futebol e nos governos costumam ser paliativas, populistas, sem
mudanças nas estruturas.
Carlo Ancelotti voltou
ao Brasil e reconheceu que errou ao escalar Neymar durante
o segundo tempo contra a Noruega. Ele, com toda a sua experiência e o seu
conhecimento técnico, iludiu-se, como milhares de brasileiros, imaginando que
Neymar, nos momentos difíceis, acharia uma solução mágica.
Faltou
a Ancelotti reconhecer a ineficiência da estratégia de recuar para
contra-atacar contra a Noruega, ainda mais acompanhada pela passividade de
assistir aos noruegueses trocar passes e ficar com a bola, mesmo no campo do
Brasil. Marcar mais atrás para contra-atacar é uma estratégia que poderia dar
certo, desde que houvesse pressão intensa para recuperar a bola.
Na
história do futebol, muitas equipes que não possuem bons laterais, mas que têm
excelentes pontas, como a seleção brasileira, adotam com sucesso a formação
tática com três zagueiros e dois pontas como alas. Guardiola já fez muito isso.
O time fica mais ofensivo, ainda mais se marca mais à frente. O Palmeiras atual
tem jogado com três zagueiros e dois alas, o ponta-direita Allan e o lateral
esquerdo Piquerez bastante avançado, para aproveitar a velocidade e os
excelentes cruzamentos.
O
futebol brasileiro precisa melhorar dentro e fora de campo, em todas as
atividades, especialmente na formação de jogadores. É necessário também mudar
alguns conceitos. Rodri, que inicia as jogadas no próprio campo com precisos
passes, além de ser ótimo na marcação, foi eleito o melhor jogador do Mundial. A escolha
é discutível, mas ele foi merecidamente o melhor jogador da melhor seleção do
mundo, sem fazer um gol e sem dar o último passe para o gol. No Brasil só
valorizam quem faz gols ou dá o passe final para o gol.
Ancelotti
anunciou que Neymar, Casemiro e Danilo (o do Flamengo) estarão fora da próxima
convocação. Deveria haver outros. É o início da renovação. Certamente, vários
que estavam presentes no Mundial serão substituídos nos próximos anos.
A Uefa, formada por 55 países europeus, salvou o futebol, ao anunciar que não disputaria competições
promovidas pela Fifa, como as Copas do Mundo masculina e feminina, se
a entidade, como anunciara o presidente Infantino, vendesse o futebol para
empresários. Outras federações apoiaram a Uefa, menos a sul-americana Conmebol, que não se manifestou.
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Lições da Espanha, campeã do mundo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/copa-do-mundo-espanha-no-podio.html

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