Vencemos. E agora?*
Luciano Siqueira
A reeleição de Lula no segundo turno, sustentada por intensa mobilização social nas ruas e nas redes, se projeta para muito além da vitória eleitoral e impõe desafios de grande magnitude.
Um é rechaçar trincheiras poderosas da oposição.
A maioria parlamentar de direita e de extrema direita é uma delas. Não será simples negociar consensos pontuais e momentâneos, por maior habilidade que o presidente Lula tenha (e tem muita), assim como os nossos quadros parlamentares mais experientes e afeitos à tarefa.
Outra é o complexo midiático neoliberal - que se expressa como poderosa corrente de opinião essencialmente contrária aos interesses fundamentais da nação e do povo.
Fez esforço intenso e articulado em favor de uma candidatura presidencial de confiança, sob o rótulo de "terceira via" (preferencialmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos) e se frustrou.
Resistiu o quanto pôde à alternativa bolsonarista, porém aderiu a Flávio Bolsonaro como instrumento disponível na tentativa de derrotar Lula.
Desde o dia seguinte ao pleito segue o cerco sobre o governo tendo como bandeira imediata o pretendido ajuste das contas públicas em dimensão que, na prática, inviabilizaria os propósitos fundamentais do governo.
Daí o segundo desafio: manter articuladas e ativas as forças sociais que ganharam as ruas e as redes e forjaram a maioria eleitoral.
Também não é simples.
A mobilização que ganhou expressão praticamente em todas as partes do país, incluindo cidades médias e pequenas do interior, contém no seu bojo expectativas populares que não poderão jamais ser frustradas.
Compreender as aspirações da maioria da população nesse instante, identificar o que há de novo no comportamento da juventude mais ativa, dos trabalhadores e da intelectualidade é um desafio.
Isto porque não funcionaria a repetição pura e simples de formas de abordagens que vigoraram até um passado relativamente recente.
Nem a supervalorização de experiências como a do “Exército de Lula” no WhatsApp.
Para muito além da manutenção do nível do emprego e até da ampliação dos programas sociais compensatórios - Bolsa Família, Pé de Meia, Luz para Todos, Minha Casa, Minha Vida, etc. – imprescindível é arrostar a necessidade de reformas estruturais, sem as quais, a médio e longo prazo, as expectativas do povo e de segmentos sociais progressistas se frustrarão.
Aí reside um dado de consciência política programática ainda à margem do debate. Introduzi-lo implica bem sucedido esforço teórico e político que aborde em profundidade os entraves ao desenvolvimento nacional.
Nada simples, porém possível, desde que se ponha em movimento uma massa crítica verdadeiramente empenhada e influente.
*Minha coluna semanal no portal 'Vermelho'
O “gosto amargo” da necessária amplitude https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01301628229.html

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