Tem um buraco mal explicado na operação Lava
Jato. Trata-se de Carlos Alexandre de Souza Rocha, apelidado de Ceará, amigo do
doleiro Alberto Youssef há 20 anos. Foi preso em Balneário Camboriú (SC) na
primeira fase da Operação Lava Jato, em 17 de março de 2014, acusado de ser
doleiro pelas conversas telefônicas grampeadas legalmente. Leia aqui http://twixar.me/vzP
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
23 fevereiro 2016
Contra a reforma da Previdência
Uma equação equivocada
Luciano Siqueira, no Blog da
Folha
Quem apoia também critica - na intenção de corrigir erros, alterar a agenda. Como agora: o governo se equivoca ao colocar a reforma da Previdência na ordem do dia, como uma espécie de moeda de troca para aprovar o retorno (necessário) da CPMF.
Merece
a crítica.
O erro
é antes de tudo político: como manter e ampliar o apoio popular ferindo
interesses diretos da massa de trabalhadores?
Óbvio
que o movimento sindical deve se levantar contra a anunciada reforma. Muito
mais do que por dever corporativo; em defesa do desenvolvimento nacional.
Isto
porque os argumentos em favor de uma reforma da Previdência são inconsistentes
e livram a cara do principal culpado pela explosão da dívida pública: os juros
astronômicos, que beneficiam o setor rentista.
Estudiosos
isentos e não comprometidos com o "mercado" são unânimes ao afirmarem
que o nó górdio das contas públicas não está nos gastos com a Previdência, mas
sim nos juros, que entram no Orçamento como gastos correntes.
Em
2015, os juros altos levaram o governo a despender nada menos do que 501
bilhões de reais, equivalente a 80% do déficit público.
As
despesas com a Previdência, por seu turno, aumentaram apenas 6 bilhões de
reais, correspondente a 1,4%/ano.
Sabe
quanto os juros cresceram no mesmo período? 130 bilhões de reais! Isto
significa 21 vezes mais que o déficit decorrente das despesas previdenciárias.
Ao
final, justo o principal causador da crise global, que também nos atinge
duramente agora - o capital financeiro, o rentismo - sai premiado.
O mesmo
que vem acontecendo nos EUA e na Europa onde, desde final de 2007 e início de
2008 a crise global atual começou. Os que comandam a ultrafinanceirização da
economia extorquem a produção via usura, são os que têm o domínio das medidas
de enfrentamento da crise... por eles mesmos criada.
O Brasil
não pode entrar nessa. Será renunciar à continuidade do crescimento econômico com
expansão de postos de trabalho e respeito aos direitos fundamentais.
Pelo
que está posto, mais uma vez, na quebra de braço entre a especulação versus
produção, ganhará a especulação.
A usura
não leva o País à superação da crise, antes a agrava.
Cumpre
aos segmentos mais avançados da base do governo, a exemplo do PCdoB, e aos
movimentos sociais, pressionarem a presidenta Dilma para que mude essa infeliz
equação.
Imediatamente.
Leia
mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFDSubmundo do futebol
Para entender o braço da FIFA no Brasil
Luis Nassif, no Jornal GGN
Nos anos 70 a TV a cabo começou a ganhar força, assim como as
transmissões esportivas internacionais. As redes de TVs tornam-se globais. E os
eventos esportivos ganharam dimensão internacional. Ao mesmo tempo, a inclusão
da África e da Ásia no negócio futebol ampliaram de forma inédita seu alcance.
É nesse novo quadro tecnológico que o futebol se torna um negócio
bilionário. Na hora certa, no lugar certo, o cartola brasileiro João Havelange
ajudou a dar forma final à FIFA. Desde os anos 20 o esporte já se constituía
nos eventos de maior audiência do rádio. Com os avanços tecnológicos, os
grandes espetáculos esportivos passaram a dispor de uma audiência global. E,
dentre todos os esportes, nenhum chegou perto da popularidade e abrangência do
futebol.
Em pouco tempo monta-se a rede global, com os seguintes personagens:
1. A FIFA.
2. As confederações
3. Os clubes
4. Os grupos de mídia hegemônicos em cada país
filiado.
A parte econômico-financeira é composta do patrocínio aos torneios
globais, torneios regionais e campeonatos nacionais. E os eventos os
financeiros ocorrem na compra de direitos de transmissão para cada um dos
eventos e nos patrocínios, e no mercado de jogadores.
A partir desses elementos teceram-se as relações de influência que acabaram
resultando na organização criminosa desbaratada pelo FBI.
A base do poder na FIFA são as confederações nacionais.
Para garantir a perpetuidade do poder, há uma aliança simbiótica entre
os dirigentes da FIFA, os grupos de mídia nacionais e os dirigentes das
Confederações.
Em parceria com a FIFA os grupos de mídia conseguiram a exclusividade
para os grandes eventos, que garantem os grandes patrocínios. E conseguiram os
patrocínios para os eventos regionais e nacionais. O dinheiro captado serviu
para irrigar os clubes e garantir a perpetuidade política dos grupos que
controlam as confederações.
Por seu lado, a parceria sempre se dá com os grupos de mídia
politicamente mais influentes. E garante a blindagem dos dirigentes das
confederações – não apenas perante os governos nacionais como perante os
sistemas de investigação locais.
Esse modelo criou tal blindagem político-policial que acabou
transbordando para outras formas de ação de crime organizado, como a lavagem de
dinheiro através do superfaturamento dos contratos e do comércio de jogadores.
Segundo dados da OCDE, o mercado de jogadores movimenta US$ 4
bilhões/ano, dos quais US$ 1 bilhão proveniente de lavagem de dinheiro. Parte
relevante do dinheiro lavado vem dos subornos pagos por emissoras de televisão
e patrocinadores aos dirigentes esportivos.
A internacionalização do futebol
- A ampliação da globalização
acabou introduzindo novos elementos nessa equação.
O primeiro, o da criação da cooperação internacional para o combate ao
crime organizado, que ganhou ênfase após os atentados das torres gêmeas.
Como as organizações criminosas atuavam em nível global, havia a
necessidade de uma cooperação em nível internacional. E aí sobressaiu a maior
competência dos órgãos de investigação norte-americanos, especialmente devido à
integração entre o FBI e as forças de segurança, conforme anotou Jamil Chade,
correspondente do Estadão em Genebra, em entrevista ao GGN, sobre o seu livro
“Política, propina e futebol: Como o PADRÃO FIFA ameaça o esporte mais popular
do planeta”.
E aí entraram em cena os interesses geopolíticos norte-americanos, a
noção histórica de interesse nacional amarrado aos interesses dos grandes
grupos que se internacionalizam.
Um dos últimos mercados nacionais protegidos era o das comunicações. E,
nesse mercado fechado, as transmissões de partidas de futebol sempre foram um
fator crítico para a hegemonia das emissoras. Basta conferir a imensa luta da
Record para tentar romper com o monopólio das transmissões da Globo.
A entrada do FBI nas investigações coincide com a ofensiva
internacionalizante dos grandes grupos de mídia norte-americanos e, também –
segundo Chade – com as manifestações de junho de 2013 no Brasil, que passaram a
percepção de que a opinião pública nacional não mais aceitaria passivamente a
corrupção dos dirigentes esportivos.
Quando o FBI entrou na parada, o jogo passou a virar. A imensa
organização criminosa começou a ruir. E, no rastro desse desmonte, teve início
a invasão final dos grupos de mídia norte-americanos sobre os superprotegidos
mercados nacionais de mídia.
Segundo Chade, empresas como a Time Warner, Disney, ESPN montaram
estratégias inicialmente fechando contratos com países e clubes menores, de
maneira a cercar os esquemas dos clubes maiores, que dominavam as
confederações.
Para se ter uma ideia do impacto do fim do monopólio das transmissões
esportivas, analise-se o mercado britânico. Com a pulverização dos canais
pagos, o único evento que consegue chegar em 15 pontos de audiência são as
transmissões de partidas de futebol. O restante não passa de 5 pontos.
O papel da Globo na corrupção da
FIFA - O imenso
poder político desses grupos garantirá algum tempo a mais de blindagem, antes
que a longa mão do FBI chegue até aqui. Em alguns casos, o que garante é a
aliança com os governos nacionais.
Segundo Chade, a primeira reação dos dirigentes teria sido lamentar que
as prisões tivessem ocorrido na Suíça. “Se isso acontecesse na América Latina,
já tínhamos resolvido tudo e estaríamos em casa”, comentou um argentino, membro
da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). “Mas eles não
estavam no Brasil nem em outra república latino-americana. As prisões ocorreram
justamente na Suíça, país que passou a colaborar de forma estreita com os EUA”,
continua Chade.
No caso brasileiro, a Globo estreitou relações com o MPF, tornando-se a
principal âncora da Lava Jato. No seu horizonte estratégico, certamente estavam
os problemas que vinham pela frente.
As principais operações identificadas foram compra de votos para a Copa
de 1998, para a Copa de 2010 e a compra de apoio para a eleição de Blatter em
2011. E, importante, “a realização de acordos para a Taça Libertadores, a Copa
América, a Copa do Brasil e as suspeitas sobre os Mundiais de 2018 e 2022”.
Continua o livro:
“De uma
maneira constante, segundo a Justiça, a propina teria sido paga a Teixeira e
Havelange para que influenciassem a Fifa na decisão de quem ficaria com os
direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006, incluindo o mercado
brasileiro”.
Continua o livro:
“Uma rede de
televisão no Brasil é citada como uma das envolvidas no suborno, ainda que seu
nome tenha sido mantido em sigilo no documento público, uma vez que o processo
não era contra ela. Naqueles Mundiais, os direitos de transmissão eram da Rede
Globo. Para os suíços, o serviço dos dois cartolas teria sido comprado por essa
e outras empresas que queriam manter contratos e relações com a Fifa. O
documento revela uma movimentação milionária nas contas de Teixeira e
Havelange. Ambos receberam subornos no valor total de pelo menos 21 milhões de
francos suíços, depositados em contas abertas em paraísos fiscais. Os
pagamentos ocorreram entre 1992 e 2004, e o tribunal decidiu processar os
brasileiros por “atos criminosos em detrimento da Fifa”.
Prossegue a denúncia que “subornos compravam influência na Fifa e
garantia de contratos no Brasil”.
Esse esquema
começou a operar em 1970, segundo o procurador Thomas Hildbrand, quando
Havelange assumiu o poder. Testemunhas ouvidas por ele sustentaram que “o
dinheiro vinha, em grande parte, de empresas que pagaram pela transmissão das
imagens das Copas de 2002 e 2006. No caso do Brasil, o valor do contrato era de
US$220 milhões. Outros contratos chegavam a US$750 milhões”.
Segundo eles, Teixeira e Havelange agiram com tal impunidade porque, por
conta da “cultura” brasileira, as propinas equivaliam a suplementação de verbas
“Seria essa
a suposta “cultura” dos brasileiros”, constata Chade. “Mais do que um absurdo e
uma ofensa a milhões de pessoas, a estratégia da defesa revela, no fundo, a imagem
que a entidade tem do país e de seus representantes. Essa imagem, de tão
enraizada, foi usada até mesmo diante da Justiça”.
O melhor exemplo da forma como a FIFA agia foi na imposição do estádio
de Brasília.
“Poucos dias
após a final da Copa do Mundo, o estádio mais caro do Brasil e o terceiro mais
caro do mundo recebeu outro momento de decisão: cem casais realizaram suas
festas de bodas no palco que havia servido ao Mundial. O evento chegou a ser
transmitido pela TV Globo, que pagou parte dos direitos da Copa e apagou
qualquer tipo de crítica ao evento. Na reportagem, a emissora insistia que o
casamento coletivo tinha sido uma “grande emoção” e que o estádio havia criado
novas oportunidades. Com apenas dois times e ambos na quarta divisão do futebol
brasileiro Brasiliense e Luziânia , o Distrito Federal passou a ser a imagem do
escândalo da Copa do Mundo e de seu legado inexistente. Meses depois do final
do Mundial, a falta de jogos no estádio Mané Garrincha levou o governo do DF a
transferir parte de sua burocracia para o local e ocupou as salas com suas
diferentes secretarias. Do lado de fora, o estacionamento feito para as
torcidas se transformou em garagem para os ônibus da cidade. Um ano depois da
Copa, o rombo no estádio era de mais de R$ 3,5 milhões”.
Sobre a corrupção cultural - O combate à corrupção exige mudança de padrões
culturais. Não se pode aceitar passivamente conviver com empresas sobre as
quais pairam suspeitas de atividades criminosas.
Afinal, como declarou o procurador Deltan Dallagnol “o nosso parâmetro
para lidar com a corrupção deve ser o crime de homicídio. Quem rouba milhões,
mata milhões”. A declaração foi dada na Globonews.
Segundo ele, o simples combate às pessoas corruptas não vai fazer com
que a corrupção acabe no Brasil. “Nós precisamos mudar o sistema”, declarou no
Programa do Jô.
O mesmo bordão foi brandido pelo procurador Carlos Fernando dos Santos
Lima, para criticar a Lei de Leniência:
“Infelizmente, a despeito de todas as obrigações internacionais
assumidas pelo Brasil, as primeiras e únicas tentativas do Governo após a
publicação da Lei Anticorrupção foram sempre no sentido de contorná-la, de
desrespeitar o mínimo ético imposto por essa legislação”.
Carlos Fernando é vice-secretário de cooperação internacional do MPF,
setor incumbido de buscar apoio nas investigações internacionais e de fornecer
elementos solicitados pelos parceiros. Segundo Chade, o Brasil tem sido o país
latino-americano que menos atendeu aos pedidos do FBI até agora.
Leia mais sobre temas
da atualidade: http://migre.me/kMGFD
No mundo e no Brasil
Além dos limites
Eduardo
Bomfim, no portal Vermelho
Em 1999 dois coronéis da nova geração de militares
chineses, Qiao Liang e Wang Xiangsui publicaram o livro: A Guerra Além dos
Limites. Conjecturas sobre a Guerra e a Tática na era da Globalização.
Em
substancial ensaio sobre arte militar, questões financeiras, tecnológicas,
geopolíticas, eles dizem que a primeira regra do que consideram como Guerra
Irrestrita é a de que não existem regras, nada é proibido.
Desde
os grandes ataques especulativos financeiros, considerados por eles como
capazes de efeitos devastadores equivalentes aos maiores conflitos militares da
era contemporânea, à “fabricação” de guerras regionais cujos fins são a posse
das riquezas naturais, espaços geomilitares.
Nesses
16 anos do século XXI as opiniões dos analistas chineses mostraram-se
acertadas, e mais, os instrumentos da “Guerra sem limites” aperfeiçoam-se na
medida em que as inovações tecnológicas avançaram.
Mas o
caminho bélico continua a determinar a conquista das riquezas em disputa. É o
que acontece, por exemplo, com o que já é possível chamar a estratégica Batalha
da Síria.
Ali a
velha Ordem encontra-se atolada em uma junção de fatores catastróficos tendo
que enfrentar a sofisticada capacidade militar russa, que defende o Estado
Sírio e seu governo contra grupos fanáticos terroristas, dos quais os EUA e
aliados perderam as rédeas, acontecendo atentados como os de Paris.
Além
de uma vaga de centenas de milhares de refugiados rumo à Europa fugindo dos
conflitos movidos pelo controle de riquezas naturais, geopolíticos, no Oriente
Médio e África.
Mesmo
longe do principal teatro de operações, o Brasil, que faz parte dos Brics,
também tem sido atingido pela Guerra sem Limites via sistemática campanha de
desconstrução da sua autoestima, identidade cultural, institucional,
fragmentação social.
O
País vem sendo empurrado através de meticulosa, difusa tempestade midiática, na
tentativa de uma conflagração interna com vistas a se impor um novo tipo de
Estado de exceção.
Para que
quando anêmico, convulsionado, dividido, fragilizado, fiquem expostas suas
riquezas naturais, integridade territorial.
Assim,
é essencial defender os valores democráticos, a soberania nacional, a
legitimidade do governo Dilma, as instituições republicanas, e melhor
assimilarmos os fenômenos globais dos novos tempos.
Leia mais sobre
temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD
22 fevereiro 2016
Afirmação partidária
2016, ano de apresentar os lutadores do povo à sociedade
Nilson Vellasquez, em seu blog
No ambiente
conturbado, de aguçamento da crise econômica mundial e de seu rebatimento na
economia nacional, a crise política instaurada desde a reeleição de Dilma
Rousseff à presidência da República e todas as suas consequências, tem sido
comum, entre os setores mais consequentes da esquerda, dos quais faz parte o
PCdoB, a repetição de que, em períodos de crise, oportunidades aparecem para o
crescimento partidário.
O exame
detalhado da história de nosso país, e dos comunistas, confirma essa
possibilidade. Afinal de contas, é fato o crescimento partidário obtido por
volta dos anos 30 e 40 do século XX, períodos em que a grande crise de 29, a ascensão
do nazifascismo e a II Grande Guerra deram o tom do que viriam a ser aquele
período.
No Brasil,
a repressão, perseguição e preconceito que sofriam o PCdoB naquele momento não
impediram os comunistas de obter resultados eleitorais significativos, conquistando
bancadas parlamentares em grandes cidades, candidaturas a presidente, além de
uma expressiva participação na Constituinte de 1946. Aliado a isso, uma
inserção significativa entre os sindicatos e os movimentos sociais da época,
além da atuação na ANL. A essa atuação, embora inimigos principais tenham sido
combatidos, soma-se a diversidade de temas que nossas lideranças se propuseram
a tratar em suas intervenções: educação, liberdade religiosa, questão racial
etc.
Nesse
sentido, mesmo entendedores de que os fatos que estão postos hoje são
diferentes dos de outrora, é importante realçar a ousadia com a qual os
comunistas devem se portar em tempos difíceis: preservar a identidade
partidária, garantir nossa sobrevivência, mas jogar a rede em busca de novos
adeptos às nossas ideias e práticas é urgente. Por isso, as eleições municipais
de 2016 cumprem sentido estratégico na trajetória de acumulação de forças
partidárias. Para tal, entender a natureza da crise política em que vivemos e
utilizar os meios necessários para superá-la, sobretudo no que concerne ao
entendimento da classe trabalhadora, são pontos nodais de nossa atuação.
A atual
crise política do Brasil é, essencialmente, fruto da radicalização da luta de
classes, aqui e no mundo. Fruto de incontáveis lutas históricas que desaguaram
na eleição de Lula em 2002, mas que teve seus desdobramentos na insatisfação
das classes dominantes com as tentativas de perdas de seus privilégios e
conquistas de direitos das classes trabalhadoras. Dessa forma, na tentativa de
desqualificar o projeto, as classes dominantes utilizaram-se, como em variados
momentos da história, da criminalização da atividade política e da sua
correspondente judicialização.
A obra
dessa criminalização, iniciada desde o primeiro dia do Governo Lula, é um
efeito perverso na superestrutura político-ideológica de afastamento das
pessoas da atividade política; quando não, aliados ao niilismo do século XXI,
ao modo pós-modernista, individualista de encarar o mundo, há um preenchimento
das atividades políticas por grupos ditos setoriais, ou minoritários.
Diante
desses fatos, antes de encarar quaisquer juízos de valor, haja vista
entendermos o que é central em nossa atuação política, é necessário termos a mínima
correspondência com a forma com que os movimentos sociais se organizam
atualmente e incorporar essa forma de atuação à nossa tática eleitoral.
Se é
verdade que a corrupção e os acordos políticos escusos não acabarão nem tão
cedo, visto que é parte constitutiva do sistema capitalista, é verdade também
que os comunistas e as forças mais avançadas não podem abrir mão da consciência
de inúmeros militantes que, mesmo não enxergando nos partidos seu modelo de
organização, militam por causas justas.
Nesse
sentido, aos comunistas, e não a outrem, cabe o papel de apresentar à sociedade
os homens e mulheres que lutam pela igualdade de gênero, os que lutam pelo fim
do racismo, pela emancipação feminina, pelo direito à cidade, etc. As eleições
devem ser momento de convergir as várias práticas sociais que deságuam num Novo
Projeto Nacional de Desenvolvimento.
As
eleições, dessa forma, cumprem o papel de mostrar à sociedade que é possível
construir opiniões para os mais diversos setores da sociedade sem desqualificar
a atuação política, entendendo que é possível construir plataformas avançadas,
para os trabalhadores, nas mais diversas áreas de atuação e que o descrédito
para com a classe política precisa ser combatido, fazendo com que os mais
diversos segmentos da sociedade se sintam representados nas chapas
próprias a vereador Brasil a fora. Essa maneira de traduzir a luta específica
para a luta geral é capacidade inerente aos comunistas, portanto a oportunidade
de construí-la a partir do jogo eleitoral não pode passar. É fundamental, é
estratégico.
Batalha acirrada
Lula mira na Globo: Não tenho casa em Paraty, nem uso empresa fantasma
Na semana em que se revelou – com 25 anos de atraso – o
escândalo envolvendo FHC, a ex-amante e a rede de proteção midiática que
blindou o PSDB, as três revistas semanais de maior circulação no país ignoraram
a denúncia contra o ex-presidente tucano.
Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador
Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador
Para a
mídia velha, pouco importa que FHC tenha usado a Brasif (uma empresa que ganhou
espaços dos aeroportos para operar freeshops, durante o governo do PSDB) para
mandar dinheiro à ex-amante – como revelou Mirian Dutra, uma ex-jornalista da
Globo que foi amante de Fernando Henrique.
Pouco
importa que a Brasif tenha doado recursos à campanha de FHC. Pouco importa que
a Globo (também concessionária de serviço público) tenha participado da trama
para esconder a jornalista na Europa – a fim de evitar o escândalo de um filho
do presidente fora do casamento.
Nada disso
virou capa das revistas. Era de se esperar.
O
jornalismo brasileiro não se importa em saber: por que, afinal, a Brasif
funciona no mesmo endereço, em Belo Horizonte, onde fica a sede da empresa em
nome da qual está registrada a mansão construída pelos irmãos Marinho numa área
de proteção ambiental em Paraty?
171: esse é
o número do imóvel em BH que une a empresa (de fachada?) usada pela família
Marinho e a Brasif - como você pode ler aqui.
Em vez de
dedicar uma edição ao escândalo do tucanato, depois de 287 edições contra Lula,
a revista da marginal dá nova capa com ataques ao petista.
O que fez
Lula? Respondeu, com uma nota irônica, em que mostra disposição de travar uma
luta frontal contra aqueles que pretendem destruí-lo.
Lula negou
mais uma vez que seja o dono do sítio de Atibaia e do apartamento no Guarujá. E
numa nota endereçada à TV Record (que solicitara explicações, diante do ataque
de Veja), Lula reafirmou que “não é e nunca foi dono de imóveis em
Guarujá, Atibaia, Paraty ou outros lugares aprazíveis. Nunca registrou
propriedade pessoal em nome de empresas fantasmas ou em paraísos fiscais”.
O recado
está dado. E certamente deve preocupar a família Marinho.
Lula segue
em situação delicada, sob ataque cerrado. Mas a Globo e os Civita que se
preparem para uma guerra total: se o petista se recuperar (o que não é
impossível) e ganhar a Presidência em 2018, as relações com o cartel midiático
que pensa mandar no Brasil jamais voltarão a ser amistosas.
A guerra
está declarada.
Abaixo, a
nota publicada neste sábado (20) no site do Instituto Lula
Nota enviada à Rede Record sobre a capa da revista Veja
O
ex-presidente Lula já comprovou com documentos – inclusive sua declaração
de Imposto de Renda – que jamais ocultou patrimônio.
Lula não é
e nunca foi dono de imóveis em Guarujá, Atibaia, Paraty ou outros lugares
aprazíveis. Nunca registrou propriedade pessoal em nome de empresas fantasmas
ou em paraísos fiscais.
A repetição
de teses caluniosas sobre Guarujá e Atibaia tem o objetivo de ligar o
ex-presidente a processos em que ele não é investigado e sequer citado. Lula
reside em São Bernardo, no mesmo apartamento em que morava antes de ser
presidente da República. Nunca desrespeitou a lei, antes, durante ou depois de
governar o pais.
É ilegal e
vergonhosa a invasão de privacidade a que Lula e sua família vêm sendo
submetidos por determinados agentes do Estado e veículos da imprensa.
*Rodrigo Viana trabalhou na Rede Globo de 1995 a 2006 e atualmente
está na Rede Record. É blogueiro.
A palavra do PCdoB
Dilma cometeu 'erro tático" com sua base, diz Luciana Santos
'Nós temos dito claramente que achamos incorreta a pauta da
reforma da Previdência para o momento', diz Luciana Santos, presidente nacional
do PCdoB’
Em
entrevista ao JC, Luciana Santos fala sobre ajuste fiscal, candidatura em
Olinda e a vaga de vice no Recife
Paulo Veras
Presidente nacional do PCdoB, sigla
mais fiel a Dilma Rousseff, Luciana Santos é contra a reforma da Previdência e
vê erro estratégico na condução do ajuste fiscal. Em entrevista ao Jornal do Commercio, ela se coloca no debate pela sucessão em Olinda. No
Recife, sinaliza que os comunistas esperam continuar na vice de Geraldo Julio
(PSB).
JORNAL DO
COMMERCIO – O PCdoB vai apoiar a reforma da Previdência?
LUCIANA
SANTOS -
Nós temos a compreensão de que esse debate é necessário. Todos os dados indicam
que em função do envelhecimento da população brasileira, nós teremos daqui a
alguns anos um colapso na Previdência. Agora, nós achamos que existem reformas
estruturantes no País mais urgentes, que poderiam impactar nos recursos da
própria Previdência.
JC - Quais
seriam?
LUCIANA – A reforma tributária, por exemplo. Ela é muito mais
urgente. Nós temos um tributo que penaliza os trabalhadores, os salários mais
baixos. E a gente poderia fazer uma reforma que pudesse incidir onde se tem
mais renda e mais patrimônio. Isso daria outra equação para as receitas da
União. Há também o debate político numa situação em que a presidente precisa
resgatar uma relação com a própria base social que a elegeu, que são os
trabalhadores.
JC – Há um
erro no modo como a presidente está conduzindo o ajuste?
LUCIANA – Desde o primeiro ano do mandato, quando se pautou aquelas
duas primeiras Medidas Provisórias do seguro-desemprego, acho que foi um erro
tático. De apresentar medidas que impactavam exatamente na base social que
elegeu ela. É tanto que nós tivemos um ministro da Fazenda que durou só um ano.
Acho que o que nós vamos persistir é em uma agenda que a própria presidente,
paralelamente, também fez. Que são as PPPs, os anúncios de investimento em
infraestrutura, para retomar o crescimento. O acordo de leniência é um debate
necessário também. Porque nós temos que punir os executores da corrupção, mas
não se pode penalizar os trabalhadores, os técnicos, os engenheiros e a própria
economia.
JC – E como
fica a posição do partido em relação à CPMF?
LUCIANA – É preciso que se diga que a proposta do governo é que seja
um imposto temporário. E sirva exatamente para cobrir o déficit da própria
Previdência e da Saúde, que é também um problema estrutural no País. Então
achamos que a CPMF, sendo temporária, é necessária. Por que é preciso cortar
gordura, mas não a ponto de paralisar os serviços essenciais da população.
JC – Esses
temas não vão contra às bandeiras históricas do PCdoB?
LUCIANA – Por isso que nós não somos a favor da reforma da
Previdência agora. Nós não votamos no fator previdenciário. É claro que na
medida em que estamos na base do governo, nossa posição é avaliar. Mas a
princípio, nós temos dito claramente que achamos incorreta a pauta da reforma
da Previdência para o momento. Agora, a CPMF é imposto sobre a movimentação de
quem tem conta em banco. Não é exatamente uma agenda contra o trabalhador.
Diferentemente da reforma da Previdência.
JC – O
PCdoB vai ter candidato em Olinda?
LUCIANA – Estamos construindo com muita calma. Não necessariamente
teria que ser o PCdoB. Não é um projeto pessoal, é um projeto político das
cidades, que precisam mais do que nunca melhorar a qualidade de vida. Nós
estamos procurando debater esse assunto programaticamente para a partir daí
lutar pela unidade das nossas forças, que sempre foi para nós algo muito caro.
JC – A
senhora tem a pretensão de disputar a prefeitura? Pode se afastar da
presidência do PCdoB?
LUCIANA – Olinda é a minha vida. Então, esse é um debate que está
posto. E mesmo com a presidência nacional do partido, nós vamos fazer a
avaliação desses desafios. Existem muitos casos desses no Brasil todo. Nosso
saudoso Eduardo Campos era presidente nacional do partido e era também
governador. A princípio, não haveria contradição. Mas isso é uma construção
política. Estamos abertos para que, no contexto do leque de forças do nosso
campo, ver quem reunirá mais condições para termos êxito no resultado
eleitoral.
JC – O PT
tem feito gestos para o PCdoB em Olinda e já ofereceu até a vice. Essa aliança
é possível?
LUCIANA – Nós estamos abertos para todas as construções políticas
desde que isso seja uma construção de muitas forças. Até julho, muitas mudanças
haverão. Até porque as eleições serão muito diferentes este ano. O período de
campanha vai ser curtíssimo, não vai ter financiamento de campanha privado.
Muitas variáveis ainda estão em desenvolvimento até o prazo das convenções.
JC – Com o
PSB, que está se colocando como oposição, ainda é possível um entendimento?
LUCIANA – Essas são coisas que estão em construção. Todas as
candidaturas do nosso campo são legítimas. Naturais até. A gente vê isso com
paciência para poder, lá na frente, construir convergências. Esse tempo todo em
que o PCdoB esteve a frente da prefeitura, o PSB participou do nosso governo.
JC – A
candidatura de Antônio Campos causa algum desconforto ao PCdoB, que sempre foi
aliado do PSB no Estado?
LUCIANA – Temos uma aliança que para o PCdoB é uma das mais
programáticas. Historicamente, nossa afinidade política sempre foi com o PSB e
o PT. A relação com Arraes vem até antes de o PT existir. Nós vamos lutar até
as últimas consequências para esse ambiente de unidade política. Esse é o nosso
espírito.
JC – No
Recife, há um movimento que defende um vice do PMDB para Geraldo Julio. O PCdoB
gostaria de continuar na vice?
LUCIANA – Natural que a gente tenha esse desejo. Pela questão da
continuidade de um projeto político exitoso. Uma experiência que Luciano
Siqueira, com Geraldo Julio, tem vivenciado. Mas nós ainda não tivemos nenhuma
conversa nesse sentido, de mudança dessa construção política que nós já fizemos
lá atrás.
JC – A
troca da vice poderia prejudicar a aliança entre os dois partidos?
LUCIANA – Cada coisa a gente discute a seu tempo. Não tivemos
nenhuma conversa com o PSB sobre isso. Então não tem porque a gente antecipar
qualquer avaliação por que isso vai passar por uma discussão coletiva entre
nós. Não tem nenhuma definição sobre isso.
JC – Hoje,
a disposição do PCdoB, então, é apoiar a reeleição do prefeito?
LUCIANA – Claro. Nós somos do governo. Temos o vice-prefeito.
JC – Então
uma eventual aliança com o PT no Recife estaria descartada?
LUCIANA – O que nos move são os projetos políticos. Nós temos
afinidade com o PT. Tanto que apoiamos a presidente Dilma mesmo na adversidade,
independente de popularidade. Nós não sabemos qual será o projeto eleitoral do
PT, que também está em construção. Não tem como definir posições sem ter
evoluído no processo de discussão das próprias alternativas que estão em curso
na discussão do Recife. A princípio, nós vivenciamos esse período todo com
Geraldo Julio e temos a vice-prefeitura. Essa é a aliança que está posta hoje.
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