23 fevereiro 2016

Buraco furado

Tem um buraco mal explicado na operação Lava Jato. Trata-se de Carlos Alexandre de Souza Rocha, apelidado de Ceará, amigo do doleiro Alberto Youssef há 20 anos. Foi preso em Balneário Camboriú (SC) na primeira fase da Operação Lava Jato, em 17 de março de 2014, acusado de ser doleiro pelas conversas telefônicas grampeadas legalmente. Leia aqui http://twixar.me/vzP

Contra a reforma da Previdência

Uma equação equivocada

Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Quem apoia também critica - na intenção de corrigir erros, alterar a agenda. Como agora: o governo se equivoca ao colocar a reforma da Previdência na ordem do dia, como uma espécie de moeda de troca para aprovar o retorno (necessário) da CPMF.
Merece a crítica.
O erro é antes de tudo político: como manter e ampliar o apoio popular ferindo interesses diretos da massa de trabalhadores?
Óbvio que o movimento sindical deve se levantar contra a anunciada reforma. Muito mais do que por dever corporativo; em defesa do desenvolvimento nacional.
Isto porque os argumentos em favor de uma reforma da Previdência são inconsistentes e livram a cara do principal culpado pela explosão da dívida pública: os juros astronômicos, que beneficiam o setor rentista.
Estudiosos isentos e não comprometidos com o "mercado" são unânimes ao afirmarem que o nó górdio das contas públicas não está nos gastos com a Previdência, mas sim nos juros, que entram no Orçamento como gastos correntes.
Em 2015, os juros altos levaram o governo a despender nada menos do que 501 bilhões de reais, equivalente a 80% do déficit público. 
As despesas com a Previdência, por seu turno, aumentaram apenas 6 bilhões de reais, correspondente a 1,4%/ano.
Sabe quanto os juros cresceram no mesmo período? 130 bilhões de reais! Isto significa 21 vezes mais que o déficit decorrente das despesas previdenciárias.
Ao final, justo o principal causador da crise global, que também nos atinge duramente agora - o capital financeiro, o rentismo - sai premiado.
O mesmo que vem acontecendo nos EUA e na Europa onde, desde final de 2007 e início de 2008 a crise global atual começou. Os que comandam a ultrafinanceirização da economia extorquem a produção via usura, são os que têm o domínio das medidas de enfrentamento da crise... por eles mesmos criada.
O Brasil não pode entrar nessa. Será renunciar à continuidade do crescimento econômico com expansão de postos de trabalho e respeito aos direitos fundamentais.
Pelo que está posto, mais uma vez, na quebra de braço entre a especulação versus produção, ganhará a especulação.
A usura não leva o País à superação da crise, antes a agrava.
Cumpre aos segmentos mais avançados da base do governo, a exemplo do PCdoB, e aos movimentos sociais, pressionarem a presidenta Dilma para que mude essa infeliz equação. 
Imediatamente.
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Submundo do futebol

Para entender o braço da FIFA no Brasil

Luis Nassif, no Jornal GGN

Nos anos 70 a TV a cabo começou a ganhar força, assim como as transmissões esportivas internacionais. As redes de TVs tornam-se globais. E os eventos esportivos ganharam dimensão internacional. Ao mesmo tempo, a inclusão da África e da Ásia no negócio futebol ampliaram de forma inédita seu alcance.
É nesse novo quadro tecnológico que o futebol se torna um negócio bilionário. Na hora certa, no lugar certo, o cartola brasileiro João Havelange ajudou a dar forma final à FIFA. Desde os anos 20 o esporte já se constituía nos eventos de maior audiência do rádio. Com os avanços tecnológicos, os grandes espetáculos esportivos passaram a dispor de uma audiência global. E, dentre todos os esportes, nenhum chegou perto da popularidade e abrangência do futebol.
Em pouco tempo monta-se a rede global, com os seguintes personagens:
1.     A FIFA.
2.     As confederações
3.     Os clubes
4.     Os grupos de mídia hegemônicos em cada país filiado.
A parte econômico-financeira é composta do patrocínio aos torneios globais, torneios regionais e campeonatos nacionais. E os eventos os financeiros ocorrem na compra de direitos de transmissão para cada um dos eventos e nos patrocínios, e no mercado de jogadores.
A partir desses elementos teceram-se as relações de influência que acabaram resultando na organização criminosa desbaratada pelo FBI.
A base do poder na FIFA são as confederações nacionais.
Para garantir a perpetuidade do poder, há uma aliança simbiótica entre os dirigentes da FIFA, os grupos de mídia nacionais e os dirigentes das Confederações.
Em parceria com a FIFA os grupos de mídia conseguiram a exclusividade para os grandes eventos, que garantem os grandes patrocínios. E conseguiram os patrocínios para os eventos regionais e nacionais. O dinheiro captado serviu para irrigar os clubes e garantir a perpetuidade política dos grupos que controlam as confederações.
Por seu lado, a parceria sempre se dá com os grupos de mídia politicamente mais influentes. E garante a blindagem dos dirigentes das confederações – não apenas perante os governos nacionais como perante os sistemas de investigação locais.
Esse modelo criou tal blindagem político-policial que acabou transbordando para outras formas de ação de crime organizado, como a lavagem de dinheiro através do superfaturamento dos contratos e do comércio de jogadores.
Segundo dados da OCDE, o mercado de jogadores movimenta US$ 4 bilhões/ano, dos quais US$ 1 bilhão proveniente de lavagem de dinheiro. Parte relevante do dinheiro lavado vem dos subornos pagos por emissoras de televisão e patrocinadores aos dirigentes esportivos.
A internacionalização do futebol - A ampliação da globalização acabou introduzindo novos elementos nessa equação.
O primeiro, o da criação da cooperação internacional para o combate ao crime organizado, que ganhou ênfase após os atentados das torres gêmeas.
Como as organizações criminosas atuavam em nível global, havia a necessidade de uma cooperação em nível internacional. E aí sobressaiu a maior competência dos órgãos de investigação norte-americanos, especialmente devido à integração entre o FBI e as forças de segurança, conforme anotou Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra, em entrevista ao GGN, sobre o seu livro “Política, propina e futebol: Como o PADRÃO FIFA ameaça o esporte mais popular do planeta”.
E aí entraram em cena os interesses geopolíticos norte-americanos, a noção histórica de interesse nacional amarrado aos interesses dos grandes grupos que se internacionalizam.
Um dos últimos mercados nacionais protegidos era o das comunicações. E, nesse mercado fechado, as transmissões de partidas de futebol sempre foram um fator crítico para a hegemonia das emissoras. Basta conferir a imensa luta da Record para tentar romper com o monopólio das transmissões da Globo.
A entrada do FBI nas investigações coincide com a ofensiva internacionalizante dos grandes grupos de mídia norte-americanos e, também – segundo Chade – com as manifestações de junho de 2013 no Brasil, que passaram a percepção de que a opinião pública nacional não mais aceitaria passivamente a corrupção dos dirigentes esportivos.
Quando o FBI entrou na parada, o jogo passou a virar. A imensa organização criminosa começou a ruir. E, no rastro desse desmonte, teve início a invasão final dos grupos de mídia norte-americanos sobre os superprotegidos mercados nacionais de mídia.
Segundo Chade, empresas como a Time Warner, Disney, ESPN montaram estratégias inicialmente fechando contratos com países e clubes menores, de maneira a cercar os esquemas dos clubes maiores, que dominavam as confederações.
Para se ter uma ideia do impacto do fim do monopólio das transmissões esportivas, analise-se o mercado britânico. Com a pulverização dos canais pagos, o único evento que consegue chegar em 15 pontos de audiência são as transmissões de partidas de futebol. O restante não passa de 5 pontos.
O papel da Globo na corrupção da FIFA - O imenso poder político desses grupos garantirá algum tempo a mais de blindagem, antes que a longa mão do FBI chegue até aqui. Em alguns casos, o que garante é a aliança com os governos nacionais.
Segundo Chade, a primeira reação dos dirigentes teria sido lamentar que as prisões tivessem ocorrido na Suíça. “Se isso acontecesse na América Latina, já tínhamos resolvido tudo e estaríamos em casa”, comentou um argentino, membro da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).  “Mas eles não estavam no Brasil nem em outra república latino-americana. As prisões ocorreram justamente na Suíça, país que passou a colaborar de forma estreita com os EUA”, continua Chade.
No caso brasileiro, a Globo estreitou relações com o MPF, tornando-se a principal âncora da Lava Jato. No seu horizonte estratégico, certamente estavam os problemas que vinham pela frente.
As principais operações identificadas foram compra de votos para a Copa de 1998, para a Copa de 2010 e a compra de apoio para a eleição de Blatter em 2011. E, importante, “a realização de acordos para a Taça Libertadores, a Copa América, a Copa do Brasil e as suspeitas sobre os Mundiais de 2018 e 2022”.
Continua o livro:
“De uma maneira constante, segundo a Justiça, a propina teria sido paga a Teixeira e Havelange para que influenciassem a Fifa na decisão de quem ficaria com os direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006, incluindo o mercado brasileiro”.
Continua o livro:
“Uma rede de televisão no Brasil é citada como uma das envolvidas no suborno, ainda que seu nome tenha sido mantido em sigilo no documento público, uma vez que o processo não era contra ela. Naqueles Mundiais, os direitos de transmissão eram da Rede Globo. Para os suíços, o serviço dos dois cartolas teria sido comprado por essa e outras empresas que queriam manter contratos e relações com a Fifa. O documento revela uma movimentação milionária nas contas de Teixeira e Havelange. Ambos receberam subornos no valor total de pelo menos 21 milhões de francos suíços, depositados em contas abertas em paraísos fiscais. Os pagamentos ocorreram entre 1992 e 2004, e o tribunal decidiu processar os brasileiros por “atos criminosos em detrimento da Fifa”.
Prossegue a denúncia que “subornos compravam influência na Fifa e garantia de contratos no Brasil”.
Esse esquema começou a operar em 1970, segundo o procurador Thomas Hildbrand, quando Havelange assumiu o poder. Testemunhas ouvidas por ele sustentaram que “o dinheiro vinha, em grande parte, de empresas que pagaram pela transmissão das imagens das Copas de 2002 e 2006. No caso do Brasil, o valor do contrato era de US$220 milhões. Outros contratos chegavam a US$750 milhões”.
Segundo eles, Teixeira e Havelange agiram com tal impunidade porque, por conta da “cultura” brasileira, as propinas equivaliam a suplementação de verbas
“Seria essa a suposta “cultura” dos brasileiros”, constata Chade. “Mais do que um absurdo e uma ofensa a milhões de pessoas, a estratégia da defesa revela, no fundo, a imagem que a entidade tem do país e de seus representantes. Essa imagem, de tão enraizada, foi usada até mesmo diante da Justiça”.
O melhor exemplo da forma como a FIFA agia foi na imposição do estádio de Brasília.
“Poucos dias após a final da Copa do Mundo, o estádio mais caro do Brasil e o terceiro mais caro do mundo recebeu outro momento de decisão: cem casais realizaram suas festas de bodas no palco que havia servido ao Mundial. O evento chegou a ser transmitido pela TV Globo, que pagou parte dos direitos da Copa e apagou qualquer tipo de crítica ao evento. Na reportagem, a emissora insistia que o casamento coletivo tinha sido uma “grande emoção” e que o estádio havia criado novas oportunidades. Com apenas dois times e ambos na quarta divisão do futebol brasileiro Brasiliense e Luziânia , o Distrito Federal passou a ser a imagem do escândalo da Copa do Mundo e de seu legado inexistente. Meses depois do final do Mundial, a falta de jogos no estádio Mané Garrincha levou o governo do DF a transferir parte de sua burocracia para o local e ocupou as salas com suas diferentes secretarias. Do lado de fora, o estacionamento feito para as torcidas se transformou em garagem para os ônibus da cidade. Um ano depois da Copa, o rombo no estádio era de mais de R$ 3,5 milhões”.
Sobre a corrupção cultural - O combate à corrupção exige mudança de padrões culturais. Não se pode aceitar passivamente conviver com empresas sobre as quais pairam suspeitas de atividades criminosas.
Afinal, como declarou o procurador Deltan Dallagnol “o nosso parâmetro para lidar com a corrupção deve ser o crime de homicídio. Quem rouba milhões, mata milhões”. A declaração foi dada na Globonews.
Segundo ele, o simples combate às pessoas corruptas não vai fazer com que a corrupção acabe no Brasil. “Nós precisamos mudar o sistema”, declarou no Programa do Jô.
O mesmo bordão foi brandido pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, para criticar a Lei de Leniência:
“Infelizmente, a despeito de todas as obrigações internacionais assumidas pelo Brasil, as primeiras e únicas tentativas do Governo após a publicação da Lei Anticorrupção foram sempre no sentido de contorná-la, de desrespeitar o mínimo ético imposto por essa legislação”.
Carlos Fernando é vice-secretário de cooperação internacional do MPF, setor incumbido de buscar apoio nas investigações internacionais e de fornecer elementos solicitados pelos parceiros. Segundo Chade, o Brasil tem sido o país latino-americano que menos atendeu aos pedidos do FBI até agora.
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No mundo e no Brasil

Além dos limites

Eduardo Bomfim, no portal Vermelho
Em 1999 dois coronéis da nova geração de militares chineses, Qiao Liang e Wang Xiangsui publicaram o livro: A Guerra Além dos Limites. Conjecturas sobre a Guerra e a Tática na era da Globalização.
Em substancial ensaio sobre arte militar, questões financeiras, tecnológicas, geopolíticas, eles dizem que a primeira regra do que consideram como Guerra Irrestrita é a de que não existem regras, nada é proibido.
Desde os grandes ataques especulativos financeiros, considerados por eles como capazes de efeitos devastadores equivalentes aos maiores conflitos militares da era contemporânea, à “fabricação” de guerras regionais cujos fins são a posse das riquezas naturais, espaços geomilitares.
Nesses 16 anos do século XXI as opiniões dos analistas chineses mostraram-se acertadas, e mais, os instrumentos da “Guerra sem limites” aperfeiçoam-se na medida em que as inovações tecnológicas avançaram.
Mas o caminho bélico continua a determinar a conquista das riquezas em disputa. É o que acontece, por exemplo, com o que já é possível chamar a estratégica Batalha da Síria.
Ali a velha Ordem encontra-se atolada em uma junção de fatores catastróficos tendo que enfrentar a sofisticada capacidade militar russa, que defende o Estado Sírio e seu governo contra grupos fanáticos terroristas, dos quais os EUA e aliados perderam as rédeas, acontecendo atentados como os de Paris.
Além de uma vaga de centenas de milhares de refugiados rumo à Europa fugindo dos conflitos movidos pelo controle de riquezas naturais, geopolíticos, no Oriente Médio e África.
Mesmo longe do principal teatro de operações, o Brasil, que faz parte dos Brics, também tem sido atingido pela Guerra sem Limites via sistemática campanha de desconstrução da sua autoestima, identidade cultural, institucional, fragmentação social.
O País vem sendo empurrado através de meticulosa, difusa tempestade midiática, na tentativa de uma conflagração interna com vistas a se impor um novo tipo de Estado de exceção.
Para que quando anêmico, convulsionado, dividido, fragilizado, fiquem expostas suas riquezas naturais, integridade territorial.
Assim, é essencial defender os valores democráticos, a soberania nacional, a legitimidade do governo Dilma, as instituições republicanas, e melhor assimilarmos os fenômenos globais dos novos tempos.
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22 fevereiro 2016

Afirmação partidária

2016, ano de apresentar os lutadores do povo à sociedade

Nilson Vellasquez, em seu blog
No ambiente conturbado, de aguçamento da crise econômica mundial e de seu rebatimento na economia nacional, a crise política instaurada desde a reeleição de Dilma Rousseff à presidência da República e todas as suas consequências, tem sido comum, entre os setores mais consequentes da esquerda, dos quais faz parte o PCdoB, a repetição de que, em períodos de crise, oportunidades aparecem para o crescimento partidário.
O exame detalhado da história de nosso país, e dos comunistas, confirma essa possibilidade. Afinal de contas, é fato o crescimento partidário obtido por volta dos anos 30 e 40 do século XX, períodos em que a grande crise de 29, a ascensão do nazifascismo e a II Grande Guerra deram o tom do que viriam a ser aquele período.
No Brasil, a repressão, perseguição e preconceito que sofriam o PCdoB naquele momento não impediram os comunistas de obter resultados eleitorais significativos, conquistando bancadas parlamentares em grandes cidades, candidaturas a presidente, além de uma expressiva participação na Constituinte de 1946. Aliado a isso, uma inserção significativa entre os sindicatos e os movimentos sociais da época, além da atuação na ANL. A essa atuação, embora inimigos principais tenham sido combatidos, soma-se a diversidade de temas que nossas lideranças se propuseram a tratar em suas intervenções: educação, liberdade religiosa, questão racial etc. 
Nesse sentido, mesmo entendedores de que os fatos que estão postos hoje são diferentes dos de outrora, é importante realçar a ousadia com a qual os comunistas devem se portar em tempos difíceis: preservar a identidade partidária, garantir nossa sobrevivência, mas jogar a rede em busca de novos adeptos às nossas ideias e práticas é urgente. Por isso, as eleições municipais de 2016 cumprem sentido estratégico na trajetória de acumulação de forças partidárias. Para tal, entender a natureza da crise política em que vivemos e utilizar os meios necessários para superá-la, sobretudo no que concerne ao entendimento da classe trabalhadora, são pontos nodais de nossa atuação.
A atual crise política do Brasil é, essencialmente, fruto da radicalização da luta de classes, aqui e no mundo. Fruto de incontáveis lutas históricas que desaguaram na eleição de Lula em 2002, mas que teve seus desdobramentos na insatisfação das classes dominantes com as tentativas de perdas de  seus privilégios e conquistas de direitos das classes trabalhadoras. Dessa forma, na tentativa de desqualificar o projeto, as classes dominantes utilizaram-se, como em variados momentos da história, da criminalização da atividade política e da sua correspondente judicialização.
A obra dessa criminalização, iniciada desde o primeiro dia do Governo Lula, é um efeito perverso na superestrutura político-ideológica de afastamento das pessoas da atividade política; quando não, aliados ao niilismo do século XXI, ao modo pós-modernista, individualista de encarar o mundo, há um preenchimento das atividades políticas por grupos ditos setoriais, ou minoritários.
Diante desses fatos, antes de encarar quaisquer juízos de valor, haja vista entendermos o que é central em nossa atuação política, é necessário termos a mínima correspondência com a forma com que os movimentos sociais se organizam atualmente e incorporar essa forma de atuação à nossa tática eleitoral.
Se é verdade que a corrupção e os acordos políticos escusos não acabarão nem tão cedo, visto que é parte constitutiva do sistema capitalista, é verdade também que os comunistas e as forças mais avançadas não podem abrir mão da consciência de inúmeros militantes que, mesmo não enxergando nos partidos seu modelo de organização, militam por causas justas.
Nesse sentido, aos comunistas, e não a outrem, cabe o papel de apresentar à sociedade os homens e mulheres que lutam pela igualdade de gênero, os que lutam pelo fim do racismo, pela emancipação feminina, pelo direito à cidade, etc. As eleições devem ser momento de convergir as várias práticas sociais que deságuam num Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento.
As eleições, dessa forma, cumprem o papel de mostrar à sociedade que é possível construir opiniões para os mais diversos setores da sociedade sem desqualificar a atuação política, entendendo que é possível construir plataformas avançadas, para os trabalhadores, nas mais diversas áreas de atuação e que o descrédito para com a classe política precisa ser combatido, fazendo com que os mais diversos segmentos da sociedade se sintam  representados nas chapas próprias a vereador Brasil a fora. Essa maneira de traduzir a luta específica para a luta geral é capacidade inerente aos comunistas, portanto a oportunidade de construí-la a partir do jogo eleitoral não pode passar. É fundamental, é estratégico.
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Batalha acirrada

Lula mira na Globo: Não tenho casa em Paraty, nem uso empresa fantasma

Na semana em que se revelou – com 25 anos de atraso – o escândalo envolvendo FHC, a ex-amante e a rede de proteção midiática que blindou o PSDB, as três revistas semanais de maior circulação no país ignoraram a denúncia contra o ex-presidente tucano.

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador
Para a mídia velha, pouco importa que FHC tenha usado a Brasif (uma empresa que ganhou espaços dos aeroportos para operar freeshops, durante o governo do PSDB) para mandar dinheiro à ex-amante – como revelou Mirian Dutra, uma ex-jornalista da Globo que foi amante de Fernando Henrique.
Pouco importa que a Brasif tenha doado recursos à campanha de FHC. Pouco importa que a Globo (também concessionária de serviço público) tenha participado da trama para esconder a jornalista na Europa – a fim de evitar o escândalo de um filho do presidente fora do casamento.
Nada disso virou capa das revistas. Era de se esperar.
O jornalismo brasileiro não se importa em saber: por que, afinal, a Brasif funciona no mesmo endereço, em Belo Horizonte, onde fica a sede da empresa em nome da qual está registrada a mansão construída pelos irmãos Marinho numa área de proteção ambiental em Paraty?
171: esse é o número do imóvel em BH que une a empresa (de fachada?) usada pela família Marinho e a Brasif - como você pode ler aqui.
Em vez de dedicar uma edição ao escândalo do tucanato, depois de 287 edições contra Lula, a revista da marginal dá nova capa com ataques ao petista.
O que fez Lula? Respondeu, com uma nota irônica, em que mostra disposição de travar uma luta frontal contra aqueles que pretendem destruí-lo.
Lula negou mais uma vez que seja o dono do sítio de Atibaia e do apartamento no Guarujá. E numa nota endereçada à TV Record (que solicitara explicações, diante do ataque de Veja), Lula reafirmou que “não é e nunca foi dono de imóveis em Guarujá, Atibaia, Paraty ou outros lugares aprazíveis. Nunca registrou propriedade pessoal em nome de empresas fantasmas ou em paraísos fiscais”.
O recado está dado. E certamente deve preocupar a família Marinho.
Lula segue em situação delicada, sob ataque cerrado. Mas a Globo e os Civita que se preparem para uma guerra total: se o petista se recuperar (o que não é impossível) e ganhar a Presidência em 2018, as relações com o cartel midiático que pensa mandar no Brasil jamais voltarão a ser amistosas.
A guerra está declarada.
Abaixo, a nota publicada neste sábado (20) no site do Instituto Lula
Nota enviada à Rede Record sobre a capa da revista Veja
O ex-presidente Lula já comprovou com documentos – inclusive sua declaração de Imposto de Renda – que jamais ocultou patrimônio.
Lula não é e nunca foi dono de imóveis em Guarujá, Atibaia, Paraty ou outros lugares aprazíveis. Nunca registrou propriedade pessoal em nome de empresas fantasmas ou em paraísos fiscais.
A repetição de teses caluniosas sobre Guarujá e Atibaia tem o objetivo de ligar o ex-presidente a processos em que ele não é investigado e sequer citado. Lula reside em São Bernardo, no mesmo apartamento em que morava antes de ser presidente da República. Nunca desrespeitou a lei, antes, durante ou depois de governar o pais.
É ilegal e vergonhosa a invasão de privacidade a que Lula e sua família vêm sendo submetidos por determinados agentes do Estado e veículos da imprensa. 
*Rodrigo Viana trabalhou na Rede Globo de 1995 a 2006 e atualmente está na Rede Record. É blogueiro.
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A palavra do PCdoB

Dilma cometeu 'erro tático" com sua base, diz Luciana Santos

'Nós temos dito claramente que achamos incorreta a pauta da reforma da Previdência para o momento', diz Luciana Santos, presidente nacional do PCdoB’
Em entrevista ao JC, Luciana Santos fala sobre ajuste fiscal, candidatura em Olinda e a vaga de vice no Recife
Paulo Veras
Presidente nacional do PCdoB, sigla mais fiel a Dilma Rousseff, Luciana Santos é contra a reforma da Previdência e vê erro estratégico na condução do ajuste fiscal. Em entrevista ao Jornal do Commercio, ela se coloca no debate pela sucessão em Olinda. No Recife, sinaliza que os comunistas esperam continuar na vice de Geraldo Julio (PSB).

JORNAL DO COMMERCIO – O PCdoB vai apoiar a reforma da Previdência?
LUCIANA SANTOS - Nós temos a compreensão de que esse debate é necessário. Todos os dados indicam que em função do envelhecimento da população brasileira, nós teremos daqui a alguns anos um colapso na Previdência. Agora, nós achamos que existem reformas estruturantes no País mais urgentes, que poderiam impactar nos recursos da própria Previdência.
JC - Quais seriam?
LUCIANA –  A reforma tributária, por exemplo. Ela é muito mais urgente. Nós temos um tributo que penaliza os trabalhadores, os salários mais baixos. E a gente poderia fazer uma reforma que pudesse incidir onde se tem mais renda e mais patrimônio. Isso daria outra equação para as receitas da União. Há também o debate político numa situação em que a presidente precisa resgatar uma relação com a própria base social que a elegeu, que são os trabalhadores.
JC – Há um erro no modo como a presidente está conduzindo o ajuste?
LUCIANA – Desde o primeiro ano do mandato, quando se pautou aquelas duas primeiras Medidas Provisórias do seguro-desemprego, acho que foi um erro tático. De apresentar medidas que impactavam exatamente na base social que elegeu ela. É tanto que nós tivemos um ministro da Fazenda que durou só um ano. Acho que o que nós vamos persistir é em uma agenda que a própria presidente, paralelamente, também fez. Que são as PPPs, os anúncios de investimento em infraestrutura, para retomar o crescimento. O acordo de leniência é um debate necessário também. Porque nós temos que punir os executores da corrupção, mas não se pode penalizar os trabalhadores, os técnicos, os engenheiros e a própria economia.
JC – E como fica a posição do partido em relação à CPMF?
LUCIANA – É preciso que se diga que a proposta do governo é que seja um imposto temporário. E sirva exatamente para cobrir o déficit da própria Previdência e da Saúde, que é também um problema estrutural no País. Então achamos que a CPMF, sendo temporária, é necessária. Por que é preciso cortar gordura, mas não a ponto de paralisar os serviços essenciais da população.
JC – Esses temas não vão contra às bandeiras históricas do PCdoB?
LUCIANA – Por isso que nós não somos a favor da reforma da Previdência agora. Nós não votamos no fator previdenciário. É claro que na medida em que estamos na base do governo, nossa posição é avaliar. Mas a princípio, nós temos dito claramente que achamos incorreta a pauta da reforma da Previdência para o momento. Agora, a CPMF é imposto sobre a movimentação de quem tem conta em banco. Não é exatamente uma agenda contra o trabalhador. Diferentemente da reforma da Previdência.
JC – O PCdoB vai ter candidato em Olinda?
LUCIANA – Estamos construindo com muita calma. Não necessariamente teria que ser o PCdoB. Não é um projeto pessoal, é um projeto político das cidades, que precisam mais do que nunca melhorar a qualidade de vida. Nós estamos procurando debater esse assunto programaticamente para a partir daí lutar pela unidade das nossas forças, que sempre foi para nós algo muito caro.
JC – A senhora tem a pretensão de disputar a prefeitura? Pode se afastar da presidência do PCdoB?
LUCIANA – Olinda é a minha vida. Então, esse é um debate que está posto. E mesmo com a presidência nacional do partido, nós vamos fazer a avaliação desses desafios. Existem muitos casos desses no Brasil todo. Nosso saudoso Eduardo Campos era presidente nacional do partido e era também governador. A princípio, não haveria contradição. Mas isso é uma construção política. Estamos abertos para que, no contexto do leque de forças do nosso campo, ver quem reunirá mais condições para termos êxito no resultado eleitoral.
JC – O PT tem feito gestos para o PCdoB em Olinda e já ofereceu até a vice. Essa aliança é possível?
LUCIANA – Nós estamos abertos para todas as construções políticas desde que isso seja uma construção de muitas forças. Até julho, muitas mudanças haverão. Até porque as eleições serão muito diferentes este ano. O período de campanha vai ser curtíssimo, não vai ter financiamento de campanha privado. Muitas variáveis ainda estão em desenvolvimento até o prazo das convenções.
JC – Com o PSB, que está se colocando como oposição, ainda é possível um entendimento?
LUCIANA – Essas são coisas que estão em construção. Todas as candidaturas do nosso campo são legítimas. Naturais até. A gente vê isso com paciência para poder, lá na frente, construir convergências. Esse tempo todo em que o PCdoB esteve a frente da prefeitura, o PSB participou do nosso governo.
JC – A candidatura de Antônio Campos causa algum desconforto ao PCdoB, que sempre foi aliado do PSB no Estado?
LUCIANA – Temos uma aliança que para o PCdoB é uma das mais programáticas. Historicamente, nossa afinidade política sempre foi com o PSB e o PT. A relação com Arraes vem até antes de o PT existir. Nós vamos lutar até as últimas consequências para esse ambiente de unidade política. Esse é o nosso espírito.
JC – No Recife, há um movimento que defende um vice do PMDB para Geraldo Julio. O PCdoB gostaria de continuar na vice?
LUCIANA – Natural que a gente tenha esse desejo. Pela questão da continuidade de um projeto político exitoso. Uma experiência que Luciano Siqueira, com Geraldo Julio, tem vivenciado. Mas nós ainda não tivemos nenhuma conversa nesse sentido, de mudança dessa construção política que nós já fizemos lá atrás.
JC – A troca da vice poderia prejudicar a aliança entre os dois partidos?
LUCIANA – Cada coisa a gente discute a seu tempo. Não tivemos nenhuma conversa com o PSB sobre isso. Então não tem porque a gente antecipar qualquer avaliação por que isso vai passar por uma discussão coletiva entre nós. Não tem nenhuma definição sobre isso.
JC – Hoje, a disposição do PCdoB, então, é apoiar a reeleição do prefeito?
LUCIANA – Claro. Nós somos do governo. Temos o vice-prefeito.
JC – Então uma eventual aliança com o PT no Recife estaria descartada?
LUCIANA – O que nos move são os projetos políticos. Nós temos afinidade com o PT. Tanto que apoiamos a presidente Dilma mesmo na adversidade, independente de popularidade. Nós não sabemos qual será o projeto eleitoral do PT, que também está em construção. Não tem como definir posições sem ter evoluído no processo de discussão das próprias alternativas que estão em curso na discussão do Recife. A princípio, nós vivenciamos esse período todo com Geraldo Julio e temos a vice-prefeitura. Essa é a aliança que está posta hoje.
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