29 julho 2023

Computação quântica & inteligência artificial

Computação quântica, inteligência artificial e o homo sapiens sapiens. O futuro de hoje

Claudio Carraly*

 
A Lei de Moore é um conceito desenvolvido pelo co-fundador da Intel, Gordon Moore, em 1965. A teoria previa que o número de transistores em um chip dobraria a cada dois anos.
 
Este crescimento exponencial da tecnologia do chip ajudou a revolucionar a indústria da computação, permitindo máquinas mais rápidas e mais confiáveis que poderiam ser usadas para uma gama cada vez maior de aplicações. Serviu como uma pedra angular no desenvolvimento de computadores.
 
Hoje nossos aparelhos celulares têm a capacidade computacional superior a muitos dos nossos computadores pessoais, que nesse momento já excedem a necessidade básica de trabalho e entretenimento pessoal, da maioria das pessoas na pesquisa. Dito isto, questionamos se a lei de Moore vai se esvair pela falta de necessidade pessoal de tanto hardware e processamento? Claro que não, essa capacidade vai migrar para outras áreas de conhecimento trazendo novas respostas e necessidades que nem sabíamos que tínhamos.
 
Aqui proponho um exercício futurológico, que como todo exercício de análise para o que há de vir, pode estar fadado ao fracasso pois baseado no presente projetamos o futuro, porém acredito que por conta do caminho que opera nossa tecnologia científica, podemos prever com bastante segurança o casamento inexorável da atual tão discutida inteligência artificial, com a pouco lembrada tecnologia computacional quântica.
 
A grosso modo para o leigo compreender o que é essa tecnologia, o sistema computacional atual é baseado no sistema binário de zero e um. Respondendo basicamente sim ou não a cada pergunta proposta, o sistema binário é usado pelos computadores e é constituído como dito de dois dígitos 0 e o 1. A combinação desses dígitos leva o computador a criar várias informações, como letras, palavras, textos, cálculos, ou seja, tudo que vivenciamos em nossas máquinas hoje. 
 
Já a tecnologia quântica é um campo multidisciplinar que compreende aspectos da ciência da computação, da física e da matemática e que utiliza a mecânica quântica para resolver problemas complexos mais rapidamente do que em computadores tradicionais, a grosso modo além de responder com o zero e o um binários, tem uma terceira resposta que é zero e um ao mesmo tempo e isso muda tudo, seria o depende entre o sim e o não das questões propostas.
 
Agora sim entramos na nossa viagem ao futuro próximo. Imaginem o casamento dos computadores quânticos com a inteligência artificial (IA)? Que mundo novo pode advir dessa unificação?
 
A questão não é se, mas, quando acontecer teremos uma modificação completa do mundo do trabalho, tecnologia, ciências, estudos e entretenimento.
 
O potencial é incalculável e irá transformar radicalmente a vida cotidiana das pessoas em várias áreas, impulsionando a revolução científico-tecnológica de maneiras que ainda são difíceis de imaginar completamente. Vamos explorar apenas algumas das possíveis mudanças que essa fusão pode trazer nesse admirável mundo novo:
 
1. Processamento de dados ultrarápido 
Os computadores quânticos podem processar enormes quantidades de dados de maneira incrivelmente rápida, tornando possível realizar cálculos complexos em uma fração do tempo que os computadores convencionais levariam. Isso pode melhorar significativamente a eficiência em diversas atividades, desde análises financeiras e previsões climáticas até a otimização de rotas de tráfego em tempo real;
 
2. Avanço nas ciências e medicina
Com a capacidade dos computadores quânticos de modelar sistemas complexos de maneira mais precisa, a pesquisa científica e a medicina podem dar passos gigantescos. Por exemplo, novos medicamentos podem ser descobertos mais rapidamente, acelerando a cura de doenças e condições médicas atualmente incuráveis;
 
3. Inteligência artificial mais poderosa
A união dos computadores quânticos com a IA pode aprimorar a capacidade de aprendizado e tomada de decisões dos algoritmos de IA. Isso permitirá que a IA compreenda e processe dados complexos em tempo real, levando a assistentes virtuais mais inteligentes, sistemas de reconhecimento de voz mais precisos, chatbots mais eficientes e avanços significativos em áreas como diagnósticos médicos e análise de grandes conjuntos de dados;
 
4. Criptografia e segurança mais robustas 
Embora a computação quântica possa ameaçar os sistemas de criptografia atuais, a unificação com a IA pode ajudar a criar algoritmos criptográficos quânticos mais seguros e eficientes. Isso garantiria uma comunicação mais segura e protegeria as informações pessoais dos usuários;
 
5. Realidade virtual e aumentada avançada
Com o poder de processamento dos computadores quânticos combinado com a inteligência artificial, a experiência de realidade virtual e aumentada pode ser revolucionada. Seria possível criar ambientes virtuais mais realistas, interativos e personalizados, permitindo novas formas de entretenimento, treinamento e comunicação;
 
6. Otimização de logística e transporte
Com a capacidade de resolver problemas complexos de otimização, a união da computação quântica com a IA pode melhorar significativamente a logística e o transporte. Isso inclui aprimorar a logística de cadeias de suprimentos, otimizar o tráfego em tempo real e planejar rotas mais eficientes para entrega de produtos e serviços;
 
7. Mudanças na indústria financeira 
A velocidade e a precisão dos computadores quânticos com IA podem revolucionar o setor financeiro. Algoritmos avançados podem detectar fraudes com maior eficiência, prever mudanças econômicas de forma mais precisa e aprimorar estratégias de investimento;
 
8. Avanço na inteligência de máquinas autônomas 
A combinação de computação quântica e IA pode impulsionar veículos autônomos, drones e robôs inteligentes, permitindo que eles tomem decisões mais rápidas e precisas em ambientes complexos e em constante mudança.
 
Essas são apenas algumas das maneiras pelas quais a unificação dos computadores quânticos com a inteligência artificial pode modificar a vida cotidiana das pessoas. É importante ressaltar que, apesar do grande potencial positivo, essa revolução também apresenta desafios éticos e de segurança, como o controle e a responsabilidade dessas tecnologias avançadas. Portanto, um desenvolvimento cuidadoso e ético é essencial para aproveitar plenamente os benefícios dessa fusão tecnológica. Lógico que seremos impactados, sim muitos empregos deixarão de existir e muitos serão desempregados por essa nova etapa da evolução tecnológica fato que ocorreu em todas revoluções científicas e que consolidou saltos evolutivos do conhecimento da humanidade, mas diferente dos trabalhadores que quebravam as máquinas da revolução industrial vamos ter que saber absorver a mão de obra e inteligência humana para outras áreas mais necessárias onde a inventividade e a criatividade das pessoas são fundamentais, chegará ao fim o modo de trabalho repetitivo baseado no taylorismo ou mesmo no fordismo.
 
Cabe a nós trazer para humanidade um momento único de crescimento da liberdade humana para progredir em aspectos até hoje não imaginados, novas relações de trabalho com jornadas menores porém mais eficientes, foco no lazer e também o ócio criativo como proposto por Domenico de Masi. 
 
Como visto, esse mundo que se descortina pode ser o início de uma bela jornada para o ser humano se utilizada para o crescimento e igualdade de oportunidades na utilização dessa ferramenta maravilhosa, mas também pode ser um futuro distópico que esses instrumentos forem mantidos nas mãos de poucos representando a continuidade opressiva de um mundo onde o abismo entre os mais ricos e mais pobres cada vez se acentua. Temos mais uma oportunidade de fazer o certo e levar nossa sociedade a um outro patamar, mais inclusiva, ambientalmente justa e socialmente solidária, não percamos pois mais essa oportunidade, e como dizia o poeta, "é você que ama o passado e não vê que o novo sempre vem".

*Advogado. ex-Secretário Executivo de Direitos Humanos de Pernambuco
Mórbida precisão científica', uma crônica para descontrair https://tinyurl.com/26h45qd3

Calote

Bolsonaro dá o calote em seus  incautos doadores. Recebeu 17 milhões pelo Pix e não pagou 1 milhão de multas aplicadas pelo  governo de São Paulo, por descumprimento de medidas protetivas durante a pandemia. Com essa volumosa doação poderá, talvez, adquirir mais imóveis com dinheiro vivo, prática contumaz no passsado.

Sylvio Belém

Reforma tributária avança: uma vitória sem heróis https://tinyurl.com/34vffeyc

Questão de confiança

Com Lula, confiança do brasileiro na economia é a maior em dez anos, segundo Ipsos

Essa tendência ascendente pode indicar uma recuperação econômica e um fortalecimento do mercado interno a partir da eleição do atual governo
Brasil 247


Brasil alcança a terceira posição no Índice de Confiança do Consumidor, elaborado pelo Instituto Ipsos, superando 29 nações e atingindo a maior pontuação em uma década, informou o Metrópoles. O país obteve 58,6 pontos na pesquisa realizada em junho, ficando atrás apenas da Indonésia, com 65,9 pontos, e da Tailândia, com 58,7.

A confiança do consumidor brasileiro registrou um aumento de 3,2 pontos em relação a maio, apresentando o segundo maior crescimento observado na pesquisa. Segundo a Ipsos, o indicador do Brasil vem melhorando desde outubro do ano passado. O índice geral também teve um avanço de 0,2 ponto em junho.

Além do Brasil, outros países destacaram-se na lista dos mais confiantes, como México (58,5), Índia (56), Cingapura (55), Holanda (53,2), Canadá (51,4) e Reino Unido (50,9). Entre os mais pessimistas, encontram-se Japão (38,9), África do Sul (37,5), Hungria (37,4), Turquia (35,9) e, por último, a Argentina (34,8).

Surpreendentemente, Alemanha e Estados Unidos apresentaram as maiores quedas no indicador, com recuos de 3,4 pontos e 2,8 pontos, respectivamente.

O levantamento do Ipsos revela um cenário positivo para a confiança do consumidor brasileiro, refletindo um otimismo em relação à economia. Essa tendência ascendente pode indicar uma recuperação econômica e um fortalecimento do mercado interno a partir da eleição do atual governo Lula. 

"Sou ex muita coisa, mas ex-forrozeiro, não" https://tinyurl.com/2zbl7xtk

Humor de resistência: Gilmar

Gilmar

'Mórbida precisão científica', uma crônica para descontrair https://tinyurl.com/26h45qd3


 

Biodiversidade em foco

MCTI e CNPq lançam chamada para Pesquisa em Biodiversidade

PPBio é um projeto nacional que visa ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e subsidiar políticas públicas voltadas para a conservação e uso sustentável dos recursos naturaisMinistra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos (PCdoB) transformou a sustentabilidade em prioridade do ministério.
Com informações do MCTI, portal da Fundação Grabois


O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançaram chamada pública no valor total de R$ 60 milhões no âmbito do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio). Os pesquisadores têm até 25 de agosto para submeter os projetos.

O Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) é um projeto nacional estratégico que visa ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e subsidiar a implementação de políticas públicas voltadas para a conservação e uso sustentável dos recursos naturais do Brasil.

A iniciativa busca suprir lacunas de conhecimento, em especial em regiões de difícil acesso e escassez histórica de conhecimentos científicos. Além da obtenção de dados científicos sobre a biodiversidade, incluindo aspectos como diversidade taxonômica, genética populacional e aspectos evolutivos, o PPBio também busca compreender padrões de distribuição de plantas e animais e do processo ecológico que resultam nos padrões atuais.

Para participar da chamada, o responsável deve ter currículo cadastrado na Plataforma Lattes, título de Doutor e ser coordenador do projeto.  Além disso, precisa ter vínculo com a instituição de execução do projeto ou, se aposentado, comprovar que mantém atividades acadêmicas e científicas. A proposta apresentada deverá ainda tratar de uma das nove linhas de pesquisas elencadas no edital e abordar ao menos três temas citados na chamada. 

Outro requisito é que as propostas submetidas nas linhas de pesquisa contemplem projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação estruturados em Redes Integradas de Pesquisa.

As inscrições devem ser feitas exclusivamente online, pela Plataforma Integrada Carlos Chagas, com preenchimento do Formulário, até às 23h59 de 25 de agosto. Informações adicionais sobre esta iniciativa podem ser obtidos pelo e-mail atendimento@cnpq.br ou pelo telefone (61) 3211-4000.

Veja aqui o edital: http://memoria2.cnpq.br/web/guest/chamadas-publicas?p_p_id=resultadosportlet_WAR_resultadoscnpqportlet_INSTANCE_0ZaM&filtro=abertas&detalha=chamadaDivulgada&idDivulgacao=114

Onde cabe quase tudo - sem preconceito nem sectarismo https://tinyurl.com/3y677r7f

Decadência

Depois da acachapante derrota com a reforma tributária, restou à extrema direita defender a posse de armas e, na pessoa do deputado Eduardo Bolsonaro, agredir os professores comparando-os a traficantes.

Sylvio Belém

Impossível explicar a vida num verso curto https://bit.ly/3Ye45TD

Thiago Modenesi opina

Os crimes de guerra dos campos de concentração de japoneses nos EUA

A internação de japoneses nos campos de detenção nos EUA durante a Segunda Guerra Mundial: um episódio vergonhoso e inaceitável de violação dos direitos humanos.
Thiago Modenesi*


 

Durante a Segunda Guerra Mundial, uma das páginas mais sombrias da história dos Estados Unidos foi escrita através dos campos de concentração de japoneses que foram estabelecidos em solo estadunidense. Este episódio vergonhoso e controverso marcou a violação dos direitos humanos de inúmeras famílias japonesas, que foram brutalmente detidas em centros de detenção por motivos de raça e origem étnica, sob o pretexto de proteção e segurança nacional,

O contexto da Segunda Guerra Mundial foi marcado por intensa tensão entre o Japão e os Estados Unidos. A agressiva política expansionista do Eixo, formado por Alemanha – Itália – Japão, e a posterior entrada dos EUA na guerra, após o ataque da marinha japonesa a Pearl Harbor em dezembro de 1941, possibilitaram a amplificação de um clima de medo e paranoia nos americanos, que já era construído em todos os meios de comunicação de massa do país há tempos em relação a outras culturas e povos.

Em 1942, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, assinou uma ordem executiva que permitia a remoção forçada e internação de japoneses e descendentes que habitassem em zonas costeiras consideradas áreas de segurança nacional. Cerca de 120.000 japoneses e americanos de ascendência japonesa foram afetados por essa medida, a maioria dos quais eram cidadãos americanos de origem japonesa, vários nascidos nos EUA.

Os campos de concentração, conhecidos como campos de detenção, foram estabelecidos em locais remotos e precários. Armazéns abandonados, estruturas militares temporárias e campos de prisioneiros de guerra foram rapidamente adaptados para esse fim. As condições nos campos de detenção eram desumanas, com superlotação, falta de privacidade, higiene inadequada e acesso limitado a serviços básicos. Os internos foram privados de liberdade, seus bens foram confiscados e suas vidas foram drasticamente interrompidas.

Embora o governo dos Estados Unidos defendesse essas ações como uma medida de segurança, com a intenção de evitar qualquer potencial colaboração entre japoneses nos Estados Unidos e o império japonês, a realidade é que as evidências que justificassem a necessidade dessas detenções não existiam.

A grande maioria dos detidos eram cidadãos estadunidenses, que não representavam uma ameaça à segurança interna, mas sim vítimas de preconceito e xenofobia. Tal preconceito se fazia presente nas capas das revistas em quadrinhos, jornais e grandes revistas de notícias, que retratavam os povos de descendência oriental, em particular os chineses e, depois da Segunda Guerra, os japoneses de maneira pejorativa, eram representados como uma ameaça ao modo de vida americano. Vale lembrar que chineses e japoneses são vítimas do preconceito nos EUA junto com os negros desde que o país foi fundado, com uma segregação que adentra ao século XX, a própria Ku Klux Klan perseguia descendentes e imigrantes orientais, além de negros e latinos.

A internação em massa de japoneses nos campos de detenção durante a Segunda Guerra Mundial é considerada hoje um dos maiores crimes perpetrados pelos Estados Unidos durante conflitos armados.

Posteriormente, em 1988, o Congresso dos EUA reconheceu oficialmente que a internação foi uma “grave injustiça” e promulgou uma lei que previa reparações financeiras e um pedido formal de desculpas aos sobreviventes que haviam sido detidos e às suas famílias, algo que efetivamente não aconteceu de maneira ampla, ou que conseguisse otimizar os prejuízos éticos, financeiros e humanitários.

Esse episódio lamentável da história americana serve para nos lembrar dos perigos do preconceito e da discriminação racial, e também de que os EUA não é o “exemplo de democracia e tolerância” tão propalado pelo governo do país quando quer atacar outras nações do mundo e seus regimes.

É um lembrete de que devemos estar vigilantes para que nunca mais tais violações dos direitos humanos ocorram novamente, em particular nos EUA, um dos países mais racistas do planeta até hoje. Precisamos aprender com os erros do passado para construir um futuro mais inclusivo e equitativo para todos, por isso tais episódios devem ser lembrados para que nunca mais se repitam.

*Professor universitário, presidente do PCdoB em Jaboatão dos Guararapes

Governo Lula, desafios atuais: a palavra do PCdoB https://tinyurl.com/3vnacznu