26 setembro 2026

Dica de leitura

Solução para os juros altos
Luciano Siqueira    

Leitura oportuna, particularmente para quem se debruça sobre os gargalos de nossa economia na perspectiva de um quarto governo Lula.

O artigo "André Lara Resende: uma proposta para eliminar os juros absurdos" , publicado no Portal da Fundação Maurício Grabois https://grabois.org.br/2026/09/25/andre-lara-resende-uma-proposta-para-eliminar-os-juros-absurdos/ , lança luz sobre a política monetária brasileira e a dinâmica fiscal do país.

O ex-diretor do Banco Central argumenta que o verdadeiro desequilíbrio fiscal do Brasil não decorre dos gastos com serviços, funcionalismo ou políticas sociais (déficit primário), mas sim do serviço da dívida pública imposto pelas elevadas taxas de juros.

Os juros elevados elevam dramaticamente o custo médio da dívida brasileira, corroendo os recursos públicos (gerando déficits nominais expressivos) e transferindo renda para o setor financeiro e detentores de títulos.

O artigo questiona o dogma de que manter a taxa básica de juros (Selic) em níveis acelerados é a única forma de controlar a inflação ou garantir a renovação fiscal.

Ao contrário, juros extraordinariamente altos tornam a dívida pública insustentável, criando uma verdadeira ameaça à estabilidade fiscal — pois alimentam a desconfiança sobre a capacidade de pagamento do Estado no longo prazo.

Demais, a taxa Selic superelevada inibe o investimento produtivo, encarece o crédito para empresas e famílias, atua contra o crescimento do PIB e aprofunda as desigualdades sociais.

Para superar essa armadilha e destravar o desenvolvimento econômico, Lara Resende defende outra agenda: transição guiada para alinhar a taxa básica de juros a patamares neutros/razoáveis, cortando o custo da dívida; superar a fixação exclusiva em metas de déficit primário zero ou em arrocho fiscal pontual, adotando uma visão sistêmica sobre o arcabouço fiscal; . intervenções cambiais pontuais pelo Banco Central para conter pressões inflacionárias decorrentes de desvalorizações do real, sem depender unicamente do aumento da Selic para segurar o câmbio.

Ou seja, a redução dos juros é a saída para o desequilíbrio fiscal . Baixando o custo do endividamento, o Estado ganha sustentabilidade nas contas públicas e abre espaço para investimentos em infraestrutura e serviços públicos fundamentais.

Leia também: A reprimarização do Brasil e a possível virada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/brasil-desafios-do-desenvolvimento.html 

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