30 janeiro 2026

Turbulências na economia global

Dívida recorde no G7 ameaça crescimento e estabilidade global
O esgotamento do modelo de endividamento das nações ricas impõe riscos que drenam investimentos públicos e penalizam países emergentes
Davi Molinari/Vermelho  

A economia global navega por águas turbulentas com o agravamento do nível de endividamento das nações que compõem o G7. Os países desenvolvidos enfrentam dívidas públicas que atingem patamares recordes e indicam um cenário futuro de risco sistêmico não apenas para o crescimento econômico, mas também para a própria estabilidade financeira internacional.

Atualmente, a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) já ultrapassa a marca de 100% em seis das sete nações do grupo, sendo a Alemanha a única exceção. Esse cenário confirma a exaustão de um modelo que sinaliza o fim do conforto fiscal das economias centrais, o aumento de juros e recessão econômica.

Reportagens recentes de veículos como o The New York Times e o Wall Street Journal destacam que passivos antes associados apenas a nações em desenvolvimento agora consomem os orçamentos dos países desenvolvidos. O Japão lidera este ranking preocupante com um endividamento de 236,66% do seu PIB, seguido por Itália com 135,33% e Estados Unidos com 120,79%. França, Canadá e Reino Unido também superam a barreira dos 100%, evidenciando uma trajetória que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), paralisa o crescimento e semeia incertezas em escala mundial.

A crise do capitalismo ameaça os serviços públicos

O peso dos juros sobre essas dívidas é devastador para as políticas públicas e o bem-estar social. Apenas os Estados Unidos gastam anualmente mais de US$ 1 trilhão em pagamentos de juros, um valor que já supera o orçamento militar do país.

No Japão, o serviço da dívida consome 25% do orçamento nacional. Esses recursos, que deveriam ser destinados à infraestrutura, saúde e educação, são drenados para sustentar um sistema financeiro em crise, revelando as contradições da fase de financeirização extrema que prevalece no mundo. A dependência de estímulos fiscais e monetários criou uma economia viciada em déficits, incapaz de gerar desenvolvimento duradouro sem comprometer as futuras gerações. Ao mesmo tempo, nunca houve tamanha concentração de recursos nas mãos de tão poucas pessoas em que 3 mil habitantes detêm cerca de U$ 18 trilhões.

Os impactos globais dessa dinâmica são profundos e inevitáveis. O Banco Mundial projeta que a dívida pública global ultrapassará 100% do PIB mundial até 2029, superando a marca de US$ 100 trilhões. O FMI prevê que a cada 10 pontos percentuais de endividamento acima do limite de 100% o crescimento econômico é reduzido entre 0,5% e 1% ao ano, devido à queda na produtividade e nos investimentos. Para países como o Brasil e o restante da América Latina, o contágio se traduz em maior volatilidade, juros globais elevados e menor demanda por exportações, aumentando a vulnerabilidade externa.

Diante desse cenário estrutural, a saída para as economias em desenvolvimento não reside na reprodução do receituário neoliberal que levou as potências centrais a este impasse. O fortalecimento da soberania econômica e a ampliação do investimento público estratégico surgem como alternativas fundamentais para proteger o bem-estar social contra os reflexos da crise do G7. A título de comparação, o endividamento do Brasil em relação ao PIB é de 79%. Bem abaixo do nível de endividamento dos países mais ricos do mundo.

Em Davos, império, arrogância e… declínio https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/sinais-da-decadencia.html

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