27 agosto 2026

Minha opinião

Discurso para vencer e para perder*
Luciano Siqueira      


Não há fórmula precisa para a vitória eleitoral, é óbvio. Igualmente óbvio que a vitória em geral se produz mediante a distinção explícita das diferenças entre os contendores aos olhos do eleitorado.

É o que a experiência indica.

Analistas das pesquisas em voga se desdobram no exame de detalhes, nas respostas quantificadas, na busca de compreensão mais próxima da realidade a respeito do discernimento do eleitorado em relação ao perfil das candidaturas.

Há uma conspiração em favor do rebaixamento do debate.

A consciência política é sempre uma ameaça à classe dominante.

Isso se comprova numa retrospectiva dos pleitos majoritários no Brasil de agora, desde a superação da ditadura militar.

Os acidentes Collor e Bolsonaro não negam a assertiva, a confirmam. Ambos rebaixando o confronto político, mas não fugindo dele, nos dois casos com o apoio poderoso do complexo midiático dominante.

Tudo pela superficialidade dos discursos para que uma ideia força, ainda que falsa, pudesse predominar – o não comprovado combate à corrupção (caça aos marajás) e a resistência a uma suposta deterioração de valores e costumes via reedição do slogan fascista Deus, Pátria e Família.

A digressão vem a propósito da batalha eleitoral de agora.

Lula cresce e pavimenta a dianteira, ainda que não plenamente consolidada, quando o tarifaço de Trump coloca em destaque a defesa da soberania nacional.

Na outra ponta, um cacho de candidaturas da extrema direita cuja marca comum é o discurso da subserviência aos EUA.

Feliz demarcação de campos!

O raciocínio também se aplica à disputa por governos estaduais. As circunstâncias locais pesam muito, particularmente nuances de cada candidatura em ambiente de rebaixamento do debate.

Sempre foi assim.

Mas é fato que muitas vezes o desempate em favor de candidaturas populares e progressistas se deu pela diferenciação política, para muito além do confronto de supostas habilidades administrativas.

Quando se põe “a política no posto de comando”, confrontando diferenças no plano local e nacional, a pasmaceira dá lugar ao bom e desejado acirramento da disputa.

Quanto mais agora em que candidaturas aos governos estaduais se perfilam, ou não, ao lado do presidente Lula.

Cá na província, nada incomoda tanto a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, quanto a pergunta sobre a composição de suas alianças locais (onde pontificam bolsonaristas) e sua posição em relação à eleição presidencial. Prefere, espertamente, ater-se à temática administrativa.

Uma armadilha para a candidatura oponente, do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), aliado do presidente Lula.

Por enquanto, o confronto tem se ilimitado basicamente ao cotejamento de qual dos contendores fez mais “entregas”.

Ponto para a governadora, que se apoia na máquina estadual e num rosário amplamente majoritário de prefeituras.

O fenômeno também comparece em outros estados. Diz respeito, mais do que à esperteza de marqueteiros, ao nível político de líderes e partidos em confronto.

O discurso administrativo gera, no máximo, gratidão; o discurso político emociona e eleva a consciência do eleitorado.

*Texto da minha coluna semanal no portal ‘Vermelho’

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"Somos todos Lula em torno de um cafezinho" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html 

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