No vidro baço dos dias
Carla Montanha
Abriu-se um clarão fechado
na tarde
deitada ao vento.
Os dedos
corridos de terra
não contavam
o tempo.
Nem eu
aprendi
o ofício da noite,
nem as horas
que se gastavam
na cal do dia.
Mas o céu
esculpia linhas.
Bastava
fechar os olhos
para ver
um rosto fino,
sem sorriso,
gasto
no vidro baço
dos dias.
[Ilustração: Humberto da Costa]
Publicado na revista Araçá
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