06 agosto 2026

Palavra de poeta

No vidro baço dos dias
Carla Montanha  

Abriu-se um clarão fechado
na tarde
deitada ao vento.

Os dedos
corridos de terra
não contavam
o tempo.

Nem eu
aprendi
o ofício da noite,
nem as horas
que se gastavam
na cal do dia.

Mas o céu
esculpia linhas.

Bastava
fechar os olhos
para ver
um rosto fino,
sem sorriso,
gasto
no vidro baço
dos dias.

[Ilustração: Humberto da Costa]

Publicado na revista Araçá

Leia também "Retorno", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0433487496.html 

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