18 setembro 2026

Palavra de poeta

Assim

Charles Simic    


O longo dia terminou, no qual tanto
E tão pouco aconteceu.
Grandes esperanças foram frustradas,
Depois, com pouco entusiasmo, restauradas mais uma vez.

Espelhos ficaram animados e esvaziados,
Obedecendo aos caprichos de uma chance.
Os ponteiros do relógio da igreja moveram-se
Às vezes de maneira suave, às vezes violentamente.

Noite caiu. O cérebro e seus mistérios
Aprofundaram-se. O letreiro vermelho neon
FOGOS DE ARTÍFICIO À VENDA veio do telhado
De um deprimente prédio antigo do outro lado da rua.

Um vaso de planta quase sem folhas
O qual ninguém jamais molha ou presta atenção
Lançou sua sombra na parede do quarto
Com o que me parecia uma alegria selvagem.

[Ilustração: Amadeo de Souza-Cardoso]

Leia também: "Homem comum", poema de Ferreira Gullar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_01601986954.html 

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