09 fevereiro 2008

Bom dia, Carlos Drummond de Andrade

Amor e seu tempo

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, na mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.

Recife: uma visão da base

Do professor Tadeu Colares sobre o clima na base militante do PT: Abro os jornais e o que se lê são "saraivadas de palavras" entre o pessoal do PT. Ora neste momento é tudo o que a oposição quer. O clima e as tensões do lado do PT poderão prejudicar todo um trabalho que a esquerda vem desenvolvendo nos últimos anos e todo um movimento que reforça a necessidade de várias candidaturas de esquerda e de dialogo, coisa que o PCdoB vem fazendo bem com maestria. Aí vai todo o mérito pra você e Alanir que no silencio desenvolve um trabalho de formiguinha, altamente eficiente. O PCdoB sem querer precipitar, mas antevendo, poderá ter os antigos aliados do PT do seu lado... É uma perspectiva que se avizinha perfeitamente viável. O tempo dirá...

08 fevereiro 2008

Fora de pauta

Passado o Carnaval, o pleito de outubro volta ao primeiro plano do noticiário político. Da parte que nos toca, perdem tempo os que imaginam uma pauta que inclua a retirada da pré-candidatura do PCdoB à Prefeitura do Recife, desavenças entre o prefeito João Paulo e o seu vice-prefeito, ruptura das relações entre o PT e o PCdoB.

São temas que sequer como hipótese deve figurar na pauta. Porque a realidade é outra. Teremos um candidato do PT e um candidato do PCdoB – meros concorrentes, sintonizados com o projeto estratégico que nos une em torno dos governos Lula e Eduardo Campos. Dois candidatos que percorrerão caminhos próprios, de acordo com o perfil e a estratégia de cada um.

Lição de atitude

Seja passado o passado. Tomes outra vereda, e pronto. (Miguel de Cervantes).

História: 8 de fevereiro de 1872


Ilustração de Israel Cysneiros para o livro Rebeliões nas Senzalas
Grande expedição repressiva contra quilombolas - guerrilheiros de Rosário, SE, só encontra ranchos abandonados. Os quilombos de Sergipe, numerosos e aguerridos, chegarão até a abolição. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Por uma prática política consciente

De Audísio Costa sobre o meu artigo O conteúdo das alianças (veja abaixo postagem com o texto do artigo): Este é um momento importante para que possamos fazer uma discussão desta natureza. Em pleno debate eleitoral.

Uma questão que não é normalmente considerada consiste no fato de sermos uma República relativamente jovem, onde ainda predomina a cultura colonialista, portanto personalista também.

Não se tem cultura de se votar em projetos políticos, mas em pessoas. Este é um grande problema, pois as pessoas têm projetos políticos e tal nem sempre é debatido. Nenhum político fala por si só. Representa o grupo ao qual pertence. Não temos ainda a cultura e até mesmo o entendimento da importância do partido político. Vejamos as constantes mudanças de nome de partidos, para mascarar que são as mesmas pessoas e os mesmos projetos já rejeitados pela população. Fora o PCdoB, qual partido tem mais de 85 anos no Brasil? Nenhum. Observe-se que sendo estes partidos das classes trabalhadoras sempre foram perseguidos e colocados na ilegalidade, apesar de a Constituição sempre garantir o direito de expressão política.

Mesmo em Recife, que tem uma história de construção de ideais revolucionários, vemos em quase todas as eleições predominarem o personalismo em vez de propostas políticas promotoras do desenvolvimento.

Outro fato importante relatado é que nenhum governo faz tudo. O tempo não dá. A correlação de forças políticas nem sempre permite. Mas poucos têm esta compreensão.

Assim, o debate da construção de um projeto político de gestão, considerando evolução das correlações de forças políticas é extremamente importante. Temos que construir uma nova cultura política de participação de todos, expressão máxima da cidadania e defesa dos direitos humanos.

Vamos à luta. O novo é difícil, é incompreendido, mas gera o debate, permite surgir novas concepções de gestão do patrimônio público.
*
Comentário oportuno, Audísio. Agora que passou o Carnaval, importa discutir o assunto com militantes e amigos – para que possamos realizar uma campanha consciente e ousada. (LS).

07 fevereiro 2008

Bom dia, Lau Siqueira

cobaia

não existem feridas
que não cicatrizem
mas a marca funda
de um olhar amargo
dói como a dor
de um bicho esmagado