Nada mais embaraçoso para um governo operoso e às voltas com sucessivas tentativas de obstrução no parlamento do que a emergência de temas extemporâneos e supostamente do seu próprio interesse.
Segundo o Jornal do Brasil de hoje, em reunião com senadores, o presidente Lula teria desautorizado qualquer iniciativa que lhe permita disputar nova reeleição. Segundo o senador Cristovam Buarque, presente ao encontro, Lula prometeu romper com o PT se o partido lutar pela proposta.
A se confirmar o fato, Lula terá agido corretamente. A pauta da base aliada deve se centrar nos grandes projetos de governo para impulsionar o desenvolvimento.
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
09 abril 2008
Em conexão com o mundo
O governo federal lançou ontem o Programa Banda Larga nas Escolas, que proporcionará que mais de 37 milhões de alunos de 56 mil escolas da rede pública do país tenham acesso rápido e gratuito à internet no ambiente escolar até 2010.
O objetivo é oferecer acesso à internet com velocidade até dez vezes superior à média registrada atualmente pelo usuário de internet no Brasil, beneficiando diretamente 86% dos estudantes da rede pública.
E é pra já. Além da instalação, as operadoras de telecomunicações vão oferecer a ampliação periódica da velocidade para manter a qualidade e a atualidade do serviço durante a vigência da oferta, até 2025. O cronograma prevê, este ano, o atendimento a 40% do total das escolas previstas. Em 2009, o serviço será estendido a outros 40% e, em 2010, aos 20% restantes. Com base na infra-estrutura identificada pelas operadoras, será possível instalar a rede em duas mil escolas até junho.
Sem dúvida uma ferramenta de grande potencial pedagógico, se devidamente aproveitada.
O objetivo é oferecer acesso à internet com velocidade até dez vezes superior à média registrada atualmente pelo usuário de internet no Brasil, beneficiando diretamente 86% dos estudantes da rede pública.
E é pra já. Além da instalação, as operadoras de telecomunicações vão oferecer a ampliação periódica da velocidade para manter a qualidade e a atualidade do serviço durante a vigência da oferta, até 2025. O cronograma prevê, este ano, o atendimento a 40% do total das escolas previstas. Em 2009, o serviço será estendido a outros 40% e, em 2010, aos 20% restantes. Com base na infra-estrutura identificada pelas operadoras, será possível instalar a rede em duas mil escolas até junho.
Sem dúvida uma ferramenta de grande potencial pedagógico, se devidamente aproveitada.
De volta ao nosso convívio
Desde sábado esse amigo de vocês andou mal das pernas. De início, uma indisposição gástrica, e em seguida essa virose que vem e vai rápido, porém deixa o sujeito fora de ritmo.
Mas hoje é novo dia e tudo parece em ordem. E cá estamos de novo – para a troca de informações e idéias com os que aqui comparecem.
Mas hoje é novo dia e tudo parece em ordem. E cá estamos de novo – para a troca de informações e idéias com os que aqui comparecem.
07 abril 2008
História: 7 de abril de 1831

O protesto no campo de Santana (hoje Pça. da República), por Rugendas
Revolta do povo e da tropa nas ruas do Rio obrigam d. Pedro I a abdicar (em favor do filho de 5 anos) e sair do Brasil. Conclui-se a independência de Portugal. Escolhida a Regência Trina Provisória, que pede moderação aos manifestantes. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).
06 abril 2008
É hoje, às 17 horas
Será lançado hoje, domingo (06/04), às 17 horas, na Livraria Cultura do Paço Alfândega o livro Nação Xambá: do terreiro aos palcos. De autoria da jornalista e pesquisadora Marileide Alves, aprovado pelo Programa BNB de Cultura do Banco do Nordeste, o livro tem como objetivo principal o resgate e preservação da história de lutas e resistência do povo Xambá e do terreiro Ilê Axé Oyá Megu, do Quilombo do Portão do Gelo, em Olinda/PE.
05 abril 2008
Anos de chumbo
Vesti azul
Urariano Mota
Quando vem o primeiro de abril, sempre me lembro do que chamavam a revolução de 31 de março. A história oficial sempre antecipou em um dia o golpe de 64 para evitar o ridículo. E aqui e ali volta para mim o terror daqueles anos na forma de pessoas e canções. Lembro, por exemplo, de Eremias Delizoicov, a quem conheci na Escola Técnica Federal de São Paulo. O menino que eu vira em 1968 não anunciava o cadáver de 18 anos, perfurado de balas, o rosto irreconhecível porque uma só ferida, os cabelos tão úmidos, tão grossos por coágulos de sangue, que davam a impressão de flutuar no chão seco. Nada havia naquele cadáver que lembrasse o jovem que eu conhecera. Eremias não era aqueles olhos apertados, a boca aberta à procura de ar, a lembrar um afogamento.
“Vesti azul, minha sorte então mudou. Vesti azul, minha sorte então mudou...”, não, não pensem que enlouqueci. Há uma coerência entre essas canções despretensiosas, alegres, leves, e os cadáveres dos terroristas na ditadura militar. Não pensem jamais que vicejam hinos do Drácula em épocas sombrias, de repressão. Pelo contrário.
Na Escola Técnica Federal de São Paulo, Eremias Delizoicov foi a minha salvação no meio daqueles meninos burgueses, lembro. A Escola Técnica daqueles anos possuía alunos da elite econômica do Brasil. Certo dia, percebi que um jovem gordo, que se vestia com blusões de couro tão natural como uma segunda pele, era filho do dono da Aços Villares. E eu então me encolhi mais em minha camisa de algodão, nos 10 graus do inverno paulistano. A conversa daqueles alunos toda era sobre carros, motos, motores, esportes.
Onde um amigo, uma alma, um leitor, um irmão que entendesse e falasse sobre Platão, Descartes, os grandes inventos da humanidade, a música de Chopin? Quando me perguntavam sobre máquinas, potências de motores, eu lhes respondia que mais me preocupava O Discurso do Método. Um ridículo imenso caía então sobre o nordestino que não possuía nem bicicleta.
“Pensam que a pobreza é lixo, e que rapaz pobre não tem coração”. Não, não pensem que enlouqueço ao lembrar essas canções melosas, adocicadas, daqueles férreos anos. “Estava na tristeza que dava dó, vivia amargamente e andava só”, lembro, tão nitidamente quanto lembro a diferença, o contraste dessa canção com a vida que não poderia brotar, de um mundo reprimido naqueles anos. “Que azul é a cor do céu, e do seu olhar também... Vesti azul, minha sorte então mudou”, cantava Simonal. Por não ter camisa azul, eu procurava o azul do espírito. Uma coisinha estúpida, a procurar uma alternativa que não fosse pular fora da vida.
Ao escrever agora, não resisto ao impulso de desejar o impossível, que fôssemos mais maduros em 1968. Se não maduros, pelo menos profetas, leitores do futuro, videntes.
A morte torna as pessoas mais razoáveis e transparentes à humanidade. Se não todas as mortes, pelo menos algumas dão um vulto a essas pessoas que antes não víamos. Eremias morreu como um herói, permitam-nos dizer. O aparelho onde estava caíra. Fora entregue por um outro jovem preso, que não suportara as torturas. Cercado por forças do Exército, Eremias sozinho resistiu. Resistiu à bala, sem nenhuma esperança. A distância nos permite dizer que ele, naquele tiroteio cerrado, chamava a atenção dos demais companheiros fora. Que a casa não era mais segura, para ninguém. Outra hipótese que nos ocorre é a de ele saber que não havia mais saída, se caísse vivo. A saber, não haveria mais saída de continuar vivo, sem delatar.
Talvez ele tenha querido evitar, no fim e enfim, ser uma coisinha estúpida, a balançar nervoso numa câmara de tortura. Algo estúpido, tão estúpido quanto um “Vesti azul” de primeiro de abril.
(Publicado no Direto da Redação, em http://www.diretodaredacao.com/site/noticias/index.php?not=3825)
Urariano Mota
Quando vem o primeiro de abril, sempre me lembro do que chamavam a revolução de 31 de março. A história oficial sempre antecipou em um dia o golpe de 64 para evitar o ridículo. E aqui e ali volta para mim o terror daqueles anos na forma de pessoas e canções. Lembro, por exemplo, de Eremias Delizoicov, a quem conheci na Escola Técnica Federal de São Paulo. O menino que eu vira em 1968 não anunciava o cadáver de 18 anos, perfurado de balas, o rosto irreconhecível porque uma só ferida, os cabelos tão úmidos, tão grossos por coágulos de sangue, que davam a impressão de flutuar no chão seco. Nada havia naquele cadáver que lembrasse o jovem que eu conhecera. Eremias não era aqueles olhos apertados, a boca aberta à procura de ar, a lembrar um afogamento.
“Vesti azul, minha sorte então mudou. Vesti azul, minha sorte então mudou...”, não, não pensem que enlouqueci. Há uma coerência entre essas canções despretensiosas, alegres, leves, e os cadáveres dos terroristas na ditadura militar. Não pensem jamais que vicejam hinos do Drácula em épocas sombrias, de repressão. Pelo contrário.
Na Escola Técnica Federal de São Paulo, Eremias Delizoicov foi a minha salvação no meio daqueles meninos burgueses, lembro. A Escola Técnica daqueles anos possuía alunos da elite econômica do Brasil. Certo dia, percebi que um jovem gordo, que se vestia com blusões de couro tão natural como uma segunda pele, era filho do dono da Aços Villares. E eu então me encolhi mais em minha camisa de algodão, nos 10 graus do inverno paulistano. A conversa daqueles alunos toda era sobre carros, motos, motores, esportes.
Onde um amigo, uma alma, um leitor, um irmão que entendesse e falasse sobre Platão, Descartes, os grandes inventos da humanidade, a música de Chopin? Quando me perguntavam sobre máquinas, potências de motores, eu lhes respondia que mais me preocupava O Discurso do Método. Um ridículo imenso caía então sobre o nordestino que não possuía nem bicicleta.
“Pensam que a pobreza é lixo, e que rapaz pobre não tem coração”. Não, não pensem que enlouqueço ao lembrar essas canções melosas, adocicadas, daqueles férreos anos. “Estava na tristeza que dava dó, vivia amargamente e andava só”, lembro, tão nitidamente quanto lembro a diferença, o contraste dessa canção com a vida que não poderia brotar, de um mundo reprimido naqueles anos. “Que azul é a cor do céu, e do seu olhar também... Vesti azul, minha sorte então mudou”, cantava Simonal. Por não ter camisa azul, eu procurava o azul do espírito. Uma coisinha estúpida, a procurar uma alternativa que não fosse pular fora da vida.
Ao escrever agora, não resisto ao impulso de desejar o impossível, que fôssemos mais maduros em 1968. Se não maduros, pelo menos profetas, leitores do futuro, videntes.
A morte torna as pessoas mais razoáveis e transparentes à humanidade. Se não todas as mortes, pelo menos algumas dão um vulto a essas pessoas que antes não víamos. Eremias morreu como um herói, permitam-nos dizer. O aparelho onde estava caíra. Fora entregue por um outro jovem preso, que não suportara as torturas. Cercado por forças do Exército, Eremias sozinho resistiu. Resistiu à bala, sem nenhuma esperança. A distância nos permite dizer que ele, naquele tiroteio cerrado, chamava a atenção dos demais companheiros fora. Que a casa não era mais segura, para ninguém. Outra hipótese que nos ocorre é a de ele saber que não havia mais saída, se caísse vivo. A saber, não haveria mais saída de continuar vivo, sem delatar.
Talvez ele tenha querido evitar, no fim e enfim, ser uma coisinha estúpida, a balançar nervoso numa câmara de tortura. Algo estúpido, tão estúpido quanto um “Vesti azul” de primeiro de abril.
(Publicado no Direto da Redação, em http://www.diretodaredacao.com/site/noticias/index.php?not=3825)
04 abril 2008
História: 4 de abril de 1983
Passeata de desempregados no Largo 13 de Maio, periferia sul de São Paulo, termina em saque de supermercado. Começa onda de centenas de ações similares que se estende até o Rio. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).
Assinar:
Postagens (Atom)