20 novembro 2015

Malandragem rentista

Um escândalo internacional: o cartel do câmbio

Luis Nassif, no GGN
Um escândalo de proporções internacionais coloca frente a frente o CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) e o Banco Central, em torno de um cartel internacional especializado em manipular cotações de moedas.
O caso foi descoberto nos Estados Unidos e envolve grandes bancos internacionais com atuação no mercado brasileiro.
Por volta de julho passado, os primeiros acusados assinaram um acordo de leniência com autoridades norte-americanas. Trinta dias após as autoridades norte-americanas anunciarem os acordos, foi assinado o acordo de leniência com o primeiro banco disposto a receber os benefícios da delação premiada.
Como o cartel atuava em âmbito internacional, é comum que as empresas negociem concomitantemente acordos de leniência com as autoridades de cada país onde se deu o crime.
No Brasil, só a primeira empresa a aderir tem os benefícios integrais do acordo - caso entregue informações relevantes sobre a atuação do cartel. Quem vier depois, terá direito apenas à redução de multas, no caso de apresentarem provas consistentes sobre as operações.
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Feito o acordo, juntaram-se os especialistas do CADE e do Bacen para apurar a natureza do crime.
Os dados levantados até agora dizem respeito à conduta praticada lá fora, nos chamados mercados offshore, tanto à vista como nos mercados futuros. Mas há indícios eloquentes de prejuízos a clientes brasileiros.
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Os indícios iniciais apontam que havia conluio tanto para fixar spreads (a parcela do banco em cada operação) quanto manipular índices de referência - fundamentalmente o índice Reuters, o do Banco Central Europeu e a nossa PTAX (o dólar de referência para as operações de mercado). Investiga-se se essas manipulações responderam pela apreciação artificial do real no mercado de câmbio.
Se comprovada, abre espaço para ações gigantescas de indenização. Mas, por enquanto, não existem evidências a esse respeito.
Em relação à PTAX, o BC diz que seria difícil manipular o índice internamente, já que ele se baseia em consulta a um universo maior de operadores. Mas apenas as investigações dirão.
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O cartel atuava com clientes de várias nacionalidades, incluindo brasileiros - o que justifica a entrada do CADE e do BC nas investigações. Dificultava a entrada de novos participantes e a soma das operações dos seus bancos era majoritária nos mercados internacionais.
Causa espécie que o BC jamais tenha identificado esses prejuízos, mostrando que o consumidor – Pessoa Física ou mesmo grandes Pessoas Jurídicas – jamais esteve no centro de sua atuação.
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O episódio reacendeu uma velha disputa de competência entre CADE e BC. Cabe ao CADE analisar tudo o que se relacione com condutas anticompetitivas, principalmente nas operações de fusão e incorporação. O BC não concordava e, pelos idos de 2009, houve um acordo em torno de um Projeto de Lei definindo o papel de cada um: inicialmente, o BC analisaria o impacto de fusões e incorporações sobre o mercado bancário; aprovando a operação, caberia ao CADE analisar as implicações sobre a concorrência
Foi só surgir o caso do cartel do câmbio, para Alexandre Tombini se mover rapidamente, pretendendo que a presidente Dilma Rousseff assine uma Medida Provisória afastando totalmente o CADE da qualquer análise sobre o sistema financeiro, inclusive sobre práticas anticoncorrenciais.
Como uma agência capturada pelo sistema financeiro, em que pese a qualidade da supervisão bancária, não seria prudente conferir ao Bacen o monopólio da fiscalização de práticas do sistema financeiro.
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Um olhar sobre o terror

Paris e o baile dos retrocessos inadiáveis

Ana Maria Prestes, no Blog do Renato
Na Paris da sexta-feira 13, novembro de 2015, reabriram-se os portões do baile de máscaras do jovem século XXI. Sobre o tapete vermelho manchado de sangue, dançam bêbados equilibristas. São os líderes europeus desconcertados com seus próprios fracassos, anfitriões dos retrocessos inadiáveis.
Desde 2001, a sinfonia é mais ou menos a mesma. Com a inauguração do milênio e do novo século, veio de embrulho a guerra de novo tipo, midiatizada em primeira instância com a queda das torres gêmeas de Nova Iorque. Algo que os incautos e os desavisados (ou nem tanto!) gostam de classificar como efeito do choque de civilizações à la Huntington.
Já na entrada do baile, os anfitriões posam de moços e dão as mãos para as damas do retrocesso. Na pista de dança principal, também conhecida como OTAN, os pares se alternam, mas a banda toca sem parar e, por vezes, surgem convidados especiais para o espetáculo horripilante em que se fabrica o extermínio de centenas de milhares de civis inocentes.
Enquanto o baile avança no centro do sistema, sua periferia é destroçada e já quase não há pontes de saída ou garantias de que as carruagens não virarão abóboras. Quem não dança conforme a música é desclassificado e abandonado à própria sorte para travar lutas inglórias e explodir corpos nos pontos cegos do complexo baile social.
Ilhado o baile e destruídas as pontes, resta o medo e o abandono. Quantos Iraques, Afeganistões, Palestinas, Líbias, Sírias, Ucrânias, serão necessários para que se perceba que, na contradança, nossos prestimosos líderes fazem par com o terror? E ao fazê-lo, abrem as portas deste século para um cenário de retrocessos humanitários.
Ana Maria Prestes é cientista política e membro do Comitê Central do PCdoB
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Significado dos atentados em Paris

Terror

Eduardo Bomfim, no Vermelho
Os atentados terroristas em Paris na sexta-feira (13/11) “merecem o repúdio generalizado como crime abominável de lesa-humanidade... e mostram os perigos a que está exposta a humanidade” afirmou com justeza em nota oficial a direção nacional do PCdoB.
É fundamental identificar as causas desse barbarismo fanático de grupos fundamentalistas que atuam como se fossem uma espécie de franquia do ódio e violência doentios.
Cabe às nações que defendem a democracia, a soberania dos povos, a sensatez como diplomacia nas relações entre os indivíduos, sociedades, o combate a esse fenômeno brutal, repugnante.
Antes da primeira guerra do Golfo não existiam grupos terroristas que merecessem maiores preocupações dos órgãos de inteligência na Europa, Estados Unidos e no mundo ocidental.
Com a política de incentivar o caos no Afeganistão, sob o governo do presidente norte-americano Jimmy Carter, começou-se a fecundar o “ovo da serpente” através de um líder oriundo de uma milionária família saudita do petróleo, promovido a insurgente mor contra o Estado afegão. Seu nome, depois mundialmente conhecido, Osama Bin Laden, chefe da organização terrorista Al Qaeda.
Recentemente procurando estender o controle geopolítico sobre a Líbia, Iraque, Irã, destituir o governo de Assad na Síria, outra vez os EUA apoiaram uma organização brutal, terrível, o Estado Islâmico.
Os incentivadores desses grupos fanáticos perderam o controle sobre eles e desde 2001 a humanidade passou a conviver com dantescas ações de terror como o ataque contra as Torres Gêmeas em Nova York.
As ações criminosas em Paris resultam desse contexto, assim como a explosão do metrô em Madri anos atrás, e atentados ignominiosos no Oriente Médio, África etc.
As consequências de tudo isso tem sido o horror que ameaça as nações, a fragmentação do Oriente Médio, do continente africano, banhados em sangue, o flagelo social de milhões de refugiados rumo à Europa principalmente.
Tanto como é óbvia a crise sistêmica da Nova Ordem mundial, a presença do fascismo na Europa como força crescente, do ideário autoritário no mundo. O Brasil deve manter firme repúdio ao terrorismo, a defesa do Estado de Direito, da democracia, da soberania nacional, e acautelar-se em um cenário que aderna perigosamente para sérias tensões geopolíticas globais.
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19 novembro 2015

China

Em meu gabinete, hoje, com a Cônsul-Geral da China, Li Feiyul, que em breve inaugurará no Recife a sede do Consulado.

Direita furiosa

Ontem, ocupantes de barracas em acampamento no gramado do Congresso Nacional, golpistas do movimento pró-impeachment da presidenta Dilma, mostraram sua cara com nitidez: ao melhor estilo fascista, agrediram militantes da Marcha das Mulheres Negras. Um deles sacou uma arma e deu tiros para o alto, logo após tentar fugir depois de arremessar bombas caseiras contra as mulheres. Só a ampla mobilização do povo pode deter a fúria direitista. 

Lula

Não deve causar estranheza a sequência de entrevistas que Lula vem concedendo. Ele tem mesmo que falar. Sua opinião é a mais respeitada e de maior audiência dentre os ex-presidentes da República, além de ser a maior liderança popular da história recente do País. 

Visões distintas

Duas maneiras distintas de noticiar a vitória do governo ontem, no Congresso Nacional, que votou pela manutenção do veto da presidenta Dilma a projetos que acarretariam um acréscimo de 50 bilhões de reais às despesas com o funcionalismo. Uns contam quantos votos faltaram à oposição - e fazem disso argumento para atestar a fragilidade da base parlamentar governista. Outros, analisando os fatos em movimento, destacam a recuperação gradativa da base parlamentar do governo - efetivamente, um fato novo na cena política.