09 janeiro 2026

Enio Lins opina

Entre soluços e quedas do catre, o cárcere é o lugar para golpistas
Enio Lins   

HÁ TRÊS ANOS, Jair B tentou finalizar o golpe de Estado que almejou, armou e anunciou durante sua infeliz temporada na presidência. Entre 2019 e 2022, o mito fez várias experimentações, deixando acima da linha d’água visíveis pontas de icebergs.

13 DE JUNHO DE 2019: Santos Cruz, general de Divisão, foi exonerado do estratégico posto de ministro-chefe da Secretaria de Governo. É o primeiro militar de alta patente a romper com Jair B por conta da golpista meta do mito. Oficial experiente, tendo ocupado postos relevantes, como o comando das forças da ONU no Congo, não se intimidou com a virulência do núcleo íntimo do ex-capitão, nem se dobrou às exigências do presidente. Peitou publicamente o filho Zero-dois (Carlucho) e Olavo de Carvalho, tresloucado guru da extrema-direita, e que disparava impropérios contra militares que não tivessem compromisso com um golpe antidemocrático. O general saiu atirando e denunciou, inclusive, que o “combate à corrupção” prometido por Jair era mera demagogia.

30 DE MARÇO DE 2021:
 numa atitude inédita, os três comandantes das Forças Armadas entregaram seus cargos em protesto à demissão do ministro da Defesa, general Fernando de Azevedo e Silva, exonerado por Jair B por não se dobrar à pressão presidencial para “sensibilizar a cúpula militar para uma agenda de ruptura que incluía o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal”, conforme noticiado pelo site Congresso em Foco. Opondo-se às articulações de golpe, renunciaram a seus postos os comandantes do Exército, general Edson Pujol; da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior; da Aeronáutica, brigadeiro Antônio Bermudez. Estava ali consolidada a ruptura entre militares profissionais, defensores da Constituição, e a banda podre fardada (minoria golpista, alinhada com Jair).

EM 18 DE JULHO DE 2022:
 em nova ação inédita, Jair B, presidente da República, convocou os embaixadores das nações com representação em Brasília. Na infausta reunião, a fala presidencial chocou toda a diplomacia: o chefe de Estado brasileiro atacou o sistema eleitoral que o havia elegido (desde 1996), mentiu descaradamente sobre a falta de segurança das urnas eletrônicas, e defendeu o vulnerabilíssimo voto impresso (com larga história de fraudes em todo lugar do mundo) como “o melhor”. Era o aviso prévio de que não respeitaria o resultado das eleições de outubro, caso perdesse o pleito.

ENTRE 26 E 28 DE JULHO, 
em seguida a escandalosa reunião de Jair B com os embaixadores, duas das principais autoridades militares americanas visitaram o Brasil e exprimiram publicamente o desacordo dos Estados Unidos com as movimentações golpistas dos bolsonaristas. Lloyd Austin III, secretário de Defesa norte-americano, e a general Laura Richardson, chefa do Comando Sul do Exército dos EUA, se encontraram reservadamente com o general Paulo Sérgio de Oliveira, então ministro da Defesa e, em entrevistas, posicionaram-se contra atentados à democracia e destacaram a confiança do governo americano no processo eleitoral brasileiro. Foi mais um banho de água fria na banda podre golpista.

EM 8 DE JULHO DE 2023, 
depois de dois meses com a vagabundagem bolsonarista cercando os quartéis em “clamor” por um golpe militar, é dada a ordem à turba para invadir e depredar as sedes dos três poderes, em Brasília. Sete dias depois da posse do presidente Lula, a expectativa dos golpistas era que as tropas acudissem em apoio ao estouro do gado do Jair - que monitorava os acontecimentos de seu esconderijo nos Estados Unidos - e depusessem o presidente eleito "por incapacidade de manter a ordem", instalando uma ditadura conforme planejado na minuta Punhal Verde-Amarelo. Mas as tropas não aderiram, o golpe foi derrotado no mesmo dia. Três anos depois, os líderes estão presos, condenados depois de rigoroso processo e impecável julgamento – noutro acontecimento inédito na História do Brasil. Uma novidade merecedora de aplausos, e lição importante para o resto do mundo democrático. Viva a Democracia brasileira!

Leia também: Sempre na superfície maledicente https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/minha-opiniao_22.html

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