A Guerra EUA x Irã e
Clausewitz
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Conflito
de curta duração e ações cirúrgicas, como diz o falastrão Donald Trump e
reverbera a mídia ocidental pró-imperialista ou guerra prolongada de
consequências ainda imprevisíveis, como sugerem analistas isentos?
Cá com
meus modestíssimos botões, penso que o conflito parece muito mais complexo do
que gostariam os agressores EUA-Israel.
E me
traz à mente o estudioso da guerra clássica Carl von Clausewitz a cuja obra mui
apresentado pelo esquecível camarada Haroldo Lima — dirigente do PCdoB falecido
na pandemia de COVID —, ao tempo de nossa militância clandestina na resistência
à ditadura militar.
"Ler Clausewitz é indispensável", dizia Haroldo. E
discorria sobre o assunto com o entusiasmo de quem imaginava que derrotaríamos
a ditadura militar pela força das armas.
Agora,
com saudade do velho e querido camarada, manuseio o exemplar de "Da
guerra" (Carl von Clausewitz, Editora Martins Fontes, 1996), da biblioteca
daqui de casa, revejo passagens sublinhadas. Sem nenhuma pretensão, é óbvio, de
analisar o que se passa no Oriente Médio com base na obra do estudioso belga,
pois me falta competência e os tempos são outros.
Mas
imagino o general prussiano do século XIX diante das estripulias de Donald
Trump e sua pretendida “guerra cirúrgica”, sustentada em aparato bélico ultramoderno,
reafirmando que a essência da guerra permanece a mesma: um ato de violência
destinado a forçar o adversário a se submeter aos ditames do agressor.
No caso,
o conflito entre uma potência imperialista sem imites no uso da força e um país
médio, de cultura milenar, que há três décadas vinha se preparando para este
embate e se apoia no chamado "ódio primordial", no dizer de
Clausewitz, para resistir por etapas, multiplicando frentes de combate de modo
a tornar o conflito “regional” e, assim, mais complexo e duradouro.
Isto sem
almejar vitória decisiva a curto prazo, mas usando como "eixo de
resistência" a persistente mobilização de suas forças armadas e do povo e
das milícias aliadas, no intuito de exaurir a vontade política do inimigo.
Clausewitz
certamente diria que ao Irã a resistência não visa necessariamente a uma
vitória decisiva no campo de batalha; ela objetiva “exaurir as razões políticas
do adversário”, neste caso, às voltas com contradições e conflitos de toda
ordem, na arena mundial e internamente, onde cresce o desgaste de Trump, surgem
divisões em sua base de apoio e caem drasticamente os índices de aprovação do
seu governo.
As consequências virão em seguida. Acompanhemos.
Leia também: Trump e o velho imperialismo americano sem maquiagem https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/enio-lins-opina_21.html

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