Crônica de uma vitória a conquistar*
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Tão
logo proclamada a rejeição de Jorge Messias, indicado pelo presidente da
República ao STF, explodiu na mídia dominante uma espécie de comemoração do que
se convencionou denominar "derrota histórica" de Lula.
Histórica sim, pois só no governo Floriano
Peixoto, na República Velha, em 1894,
cinco nomes foram barrados.
Porém não
o fim da linha.
Embora
com pequena margem de flutuação (os que oscilam conforme as circunstâncias), é
preciso considerar, grosso modo, que dos 81 senadores apenas 38 são
considerados da base do governo; entre 14 a 15 se situam no Centrão
conservador; e 29 se postam na oposição, dos
quais 15 do PL bolsonarista.
Uma maioria que votou em
Bolsonaro duas vezes.
Ou seja, uma correlação de forças
abertamente adversa. Tanto que a cada matéria relevante, o governo precisa
negociar pacientemente para obter maioria circunstancial.
Demais, pelo Regimento o
presidente da Casa detém superpoderes, inclusive sobre a pauta dos trabalhos,
ele próprio (David Alcolombre, União Brasil-Amapá) dúbio e chantagista.
E o ambiente de ontem,
marcadamente influenciado pelas eleições de novembro e (para parcela dos
senadores oposicionistas) sob tensão diante do rumoroso caso do Banco Master,
objeto de uma emenda destinada a elevar a garantia do Fundo Garantidor de
Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, que beneficiaria diretamente os
investidores em caso de quebra.
De quebra, a rejeição de Jorge
Messias também tem como alvo o STF, ora em confronto aberto com o Senado.
Ou seja, ambiente maduro para uma
derrota do governo.
Mas daí a avaliar que as
possibilidades de reeleição do presidente estariam irremediavelmente
comprometidas, como assinalam comentaristas da Globo News, entre outros, é de
uma irresponsabilidade jornalística sem tamanho!
Terá sido o momento oportuno para
a deliberação sobre a indicação de Jorge Messias? Parece que não, mas agora é
tarde, Inês é morta...
Às forças que dão sustentação ao
governo, por seu turno, cabe fortalecer a sua unidade em torno reeleição de
Lula e por cadeiras no Senado (que poderá ser renovado em dois terços) e na
Câmara dos Deputados (onde a base governista também é minoritária).
A empreitada é hercúlea. Como bem
assinala a Resolução Política do XVI Congresso do PCdoB, duas
grandes tarefas se impõem: batalhar por nova vitória da frente ampla
democrática e lutar pela realização de mudanças estruturais, com um plano e um
polo estratégicos, constituídos pela esquerda e por forças populares e
patrióticas.
Não é fácil, mas é possível.
*Texto da minha coluna no portal Vermelho.
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