27 outubro 2026

Dica de leitura

Tecnologia digital & soberania nacional   

Celso P. de Melo (pesquisador do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências) aborda de modo consistente a questão da segurança da informação diplomática e estatal, em artigo no Jornal GGN https://jornalggn.com.br/artigos/quem-carrega-a-nossa-mala-diplomatica-por-celso-p-de-melo/  

Historicamente, assinala, uma "mala diplomática" garantia segurança e controle absoluto sobre os segredos e documentos de um país, pois sabia exatamente onde ela estava e quem a protegia. No entanto, com a transformação tecnológica, os segredos estatais deixaram de viajar apenas em envelopes lacrados e passaram a transitar por computadores, nuvens, cabos, satélites e redes digitais que muitas vezes dependem de infraestruturas e jurisdições estrangeiras.

Celso adverte que o controle sobre os caminhos por onde passam os dados, os locais onde são armazenados e os sistemas que os processam tornaram-se uma verdadeira infraestrutura de poder. Organizações e nações ficam vulneráveis ​​e a mercê de plataformas estrangeiras.  

Argumenta que o Brasil cometeu, por vezes, o equívoco de confundir o mero uso eficiente de tecnologias disponíveis (digitalização) com a soberania digital.

Ser soberano exige ir além: significa ter a capacidade de decidir de quais tecnologias depender e manter autonomia nos pontos críticos onde a ausência de alternativas comprometeria a liberdade de decisão nacional.

Fazendo um paralelo histórico com figuras como Irineu Evangelista de Sousa (o Barão de Mauá) — que compreendeu a importância de dominar os fluxos de informações comerciais no século XIX —, Celso Pinto de Melo lembra que o Brasil não faz parte do zero, pois o Itamaraty e outras instituições já acumulam iniciativas na área. Contudo, o país ainda enfrenta desafios complexos em relação a datacenters, plataformas digitais e pressões geopolíticas globais.

A dependência tecnológica em si não anula a soberania, desde que não se transforme em vulnerabilidade por falta de escolha (assim como a mala diplomática clássica podia ter fechaduras ou navios estrangeiros, mas o conteúdo e o controle estratégico permanente sob tutela nacional).

Acrescenta que o novo ciclo político e administrativo que se avizinha (a partir de 2027) traz uma oportunidade singular para o Brasil transformar esforços e iniciativas dispersas em uma política coerente de soberania digital, garantindo que o país continue escolhendo seus próprios caminhos.

Vale dizer, preservar-se como nação soberana.

(LS)

"Quando o futuro deixa de ser promessa" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/desenvolvimento-soberano.html 

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