Passando
Oswald Barroso
Aperta minha mão, mulher
estreita tua vida à minha
que hoje cometemos algo assombroso.
Não fomos heróis
nem mesmo covardes fomos
embora uma ponta de medo nos perguntasse
pelo amanhã.
Mas a semente vingou
numa planta
numa rama
pequena e passageira
que se precisa semear a cada ano
como um ato de amor feito atrás da porta
do qual só não importa o perigo
como este poema provinciano
com hora e lugar determinados
mas que por isso mesmo
incomoda.
[Ilustração: Andrey Remnev]
Leia também: "Fresta", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-de-poeta_0649186256.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário