03 fevereiro 2018

Poesia sempre

Te amo
Pablo Neruda

Te amo de uma maneira inexplicável,
de uma forma inconfessável,
de um modo contraditório.
Te amo, com meus estados de ânimo que são muitos
e mudar de humor continuadamente
pelo que você já sabe
o tempo,
a vida,
a morte.
Te amo, com o mundo que não entendo
com as pessoas que não compreendem
com a ambivalência de minha alma
com a incoerência dos meus atos
com a fatalidade do destino
com a conspiração do desejo
com a ambigüidade dos fatos
ainda quando digo que não te amo, te amo
até quando te engano, não te engano
no fundo levo a cabo um plano
para amar-te melhor
Te amo , sem refletir, inconscientemente
irresponsavelmente, espontaneamente
involuntariamente, por instinto
por impulso, irracionalmente
de fato não tenho argumentos lógicos
nem sequer improvisados
para fundamentar este amor que sinto por ti
que surgiu misteriosamente do nada
que não resolveu magicamente nada
e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada,
melhorou o pior de mim.
Te amo
Te amo com um corpo que não pensa
com um coração que não raciocina
com uma cabeça que não coordena.
Te amo incompreensivelmente
sem perguntar-me porque te amo
sem importar-me porque te amo
sem questionar-me porque te amo
Te amo
simplesmente porque te amo
eu mesmo não sei porque te amo…


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Humor de resistência

Lafa vê a desigualdade de gênero

Partido de classe

O PCdoB e sua irrecusável missão 
Luciano Siqueira, no portal Vermelho, Blog do Renato página do PCdoB

Livre pensar é só pensar, convidava Millor Fernandes na sua página Pif-Paf, originariamente publicada na revista O Cruzeiro, destilando sua verve anarquista e bem humorada.
Em tempo de crise – e de dispersão política e ideológica -, pensamentos voam, numa miríade ora fincada na realidade, ora delirante. Mas toda ideia vale a pena, desde que devidamente apreciada e debatida. Para acolher ou refutar. Livremente.
Ora, nos seus quase cem anos de existência e atuação ininterrupta, o PCdoB teve que encarar com paciência, mas firmeza de princípios e clareza política, proposições vindas de aliados, ou mesmo nascentes em suas fileiras, no sentido de aderir a agrupamentos constituídos por outras agremiações, numa espécie de partido-frente.
Em parte, esse tipo de especulação se inspira em experiências de outros países. Como o Uruguai, onde se forma uma frente ampla integrada por alguns partidos, incluindo o Partido Comunista.
De outra parte, denota impaciência e falta de perspectiva, numa espécie de ânsia por ver criado um “fato novo” na cena política, capaz (sic) de “balançar o coreto” e recuperar a esperança e a disposição de luta.
Porém o buraco é bem mais embaixo. O desafio da construção de um programa comum em torno do qual se possa forjar ampla frente social e política dispensa o borramento das fronteiras entre os partidos do campo democrático e de esquerda. 
Aqueles constituídos de fato como partidos políticos - para além de meras legendas eleitorais - expressam interesses de classes e de segmentos de classes. Mesmo que o espectro partidário brasileiro, historicamente frágil e instável, não o traduza com nitidez.
O Partido Comunista do Brasil, de prolongada, complexa e dura trajetória, mas vitoriosa, encara os ingentes desafios de agora com solidez teórica, descortino estratégico e sagacidade tática. É a expressão do proletariado revolucionário.
Ainda um partido organicamente pequeno, tendo em conta a grandiosidade das responsabilidades que lhe cabem, mas fadado a se fortalecer e a expandir a sua influência.
Na busca de reconhecimento por parte da classe que representa e das amplas camadas populares, há que preservar sua identidade e sua autonomia. E isto em nada o impede de exercer papel destacado na formação de uma frente ampla.
Essa combinação entre marca própria e amplitude, firmeza de propósitos e flexibilidade integra seu lastro teórico e político e se confirma pela prática.
Mas há quem assim não compreenda - e passe a negar a necessidade de um partido dessa natureza e se enrede em projetos pessoais ou de curto alcance; e há também quem imagine que um conglomerado de partidos de distintas posições políticas e ideológicas, mas empenhado na restauração democrática, poderia dar conta de um "novo patamar" da luta política no país.
Na prática, são formas de negação do sentido de classe e da missão histórica do PCdoB, ainda que com assento em pretensas manobras táticas.
O velho e renovado Partido Comunista do Brasil comparece hoje à cena política nacional com programa próprio, conduta tática combativa e ao mesmo tempo flexível e ousa integrar o concerto multipartidário em busca de soluções para a crise que o Brasil enfrenta com a pré-candidatura da deputada Manuela d'Ávila.
Ou seja, pugna por uma unidade ampla, sem entretanto renunciar a posições próprias e à sua independência orgânica. 

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Questão democrática

Manuela defende neutralidade na rede em evento de tecnologia
Portal Vermelho

A pré-candidata do PCdoB, Manuela d'Ávila esteve na Campus Party Brasil nesta sexta-feira (2), um dos maiores eventos de tecnologia do país, para participar de um painel sobre a neutralidade da rede. Na ocasião ela conversou com o portal TecMundo sobre a questão.


O fim da neutralidade de rede permite que as operadoras discriminem o tráfego de qualquer site ou serviço em suas redes a fim de obter benefícios financeiros. Ou seja: o usuário vai pagar valores diferenciados para utilizar serviços específicos, caso o fim da neutralidade aconteça.

Há algumas semanas, Gilberto Kassab (PSD), atual ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, comentou que o Brasil não tem como pauta o fim da neutralidade "por agora". Contudo, rumores da indústria indicam que operadoras já fazem lobby para que a neutralidade vá por água abaixo.

Leia a entrevista na íntegra:

TecMundo: Em primeiro lugar, qual o motivo da visita aqui na Campus Party?

Manuela D'Ávila: Eu vim participar de um debate sobre neutralidade, após convite da própria Campus. A ideia era que todos os pré-candidatos à presidência fizessem um debate sobre a questão, mas eu fui a única que veio. Eu acho que a gente precisa fazer um esforço para transformar isso em um debate nessa eleição. Esse é um tema que interessa todo mundo por várias razões, interessa ao Brasil. Precisamos sair com candidaturas engajadas na construção e na proteção de dados.

E onde estão os outros candidatos que foram convidados?

Manuela D'Ávila: Eu não sei [risos], estão falando que eles têm medo dessa galera e dessa juventude.

Você acredita que o Brasil está mirando o fim da neutralidade de rede?

Manuela D'Ávila: Eu acho que sim, e por duas razões: primeiro, sempre existiram muitos interesses em torno disso, os interesses das teles [empresas de telecomunicações] são milionários, fazem muita pressão. E esse governo agora é um governo refém, refém dos interesses internacionais. Então, de um lado as corporações que querem esse modelo de negócio aqui dentro já queriam antes; e de outro lado, as grandes empresas, das grandes economias do mundo que são representadas pelas políticas de seus governos querem acabar com as oportunidades de negócios para a juventude brasileira.

É bom que a gente compreenda que existem duas dimensões da discussão. Essa individual, de garantir o acesso de todos a tudo, mas existe uma dimensão estratégica do desenvolvimento do país.
Quando a gente fala de tecnologia das coisas, por exemplo, que pode existir um carro autônomo, as grandes montadoras que não são nacionais e dois jovens do interior do RS, SP ou BA, poderão competir na rede em pé de igualdade a gente está abrindo oportunidade de desenvolvimento para o Brasil.

O Brasil precisa da indústria, precisa da indústria criativa, que é a indústria 4.0, para ajudar o país.

Pensando especificamente no usuário de internet, como você enxerga o fim da neutralidade? Como isso poderá ser algo ruim?

Como eu sou uma pessoa de esquerda, eu digo que, em primeiro lugar, porque cria a internet dos poderosos e dos pobres. Isso é o oposto do que a internet se propôs a ser em sua origem.

A internet, não sempre, mas ela tem a perspectiva transformadora na comunicação porque ela garante que todas as pessoas se conectam. Ela permite que um cara faça um rap lá no Rio de Janeiro e que ele faça um upload naquele plataforma do momento. A neutralidade permite também que novos negócios surjam, a menos de 10 anos ninguém esperava que a Netflix virasse o que virou.

Como assim tem um monte de filme? [risos]. O fim da neutralidade impedirá o acesso dos usuários, claro que sempre os mais pobres.

A neutralidade de rede não anda sendo combatida de maneira efusiva pelos candidatos da direita, como você enxerga isso?

Um cara lá do meu estado, que chamava Leonel de Moura Brizola, que diria que são os "interésses". O fim da neutralidade tem ligação com os interesses de muitos poderosos internacionais e também com relação às teles e empresas de comunicação.

O Brasil está polarizado politicamente e a tecnologia, como podemos observar na plateia da Campus Party também, é majoritariamente composta por homens. Como você olha para isso e como é fazer parte desta discussão da neutralidade?

Eu vim na Campus várias vezes. É uma galera muito jovem e o lugar deles precisa ser o Brasil, não é? O Brasil precisa acolher eles. Eu entendo a indignação deles com a situação. É muito difícil produzir tecnologia em um país que não investe na sua indústria e as oportunidades são diminuídas. É muito difícil. O problema é não compreender por onde se constroem essas saídas.

Essas saídas precisam acontecer. A gente pode pensar em dois países que têm muito desenvolvimento tecnológica: Estados Unidos e Coreia do Sul. Todo o Estado tem uma participação determinante, o problema é que a galera não se informa sobre isso. Mentem muito na própria internet, não é? Divulgam muita notícia mentirosa, passam a acreditar que as coisas caem do céu. É natural o investimento público.

Mas eu também não tenho medo. Me disseram que ali [plateia da Campus Party] tinham algumas pessoas que votavam na extrema-direita, mas estava todo mundo ouvindo de boa. Eu acredito que seja uma galera que estuda muito, que se prepara muito, e que busca o bem do Brasil. 


Fonte: TecMundo
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02 fevereiro 2018

Maligno

Temer tem aposentadoria temporariamente suspensa por não provar que está vivo. Mas o povo brasileiro bem sabe que ele está vivo — e quanto mal faz ao Brasil.

01 fevereiro 2018

Rejeição

Pesquisa Data Folha: 87% dos brasileiros não querem votar em candidatos de Temer. Mas a presunção de alguns governistas  da província os leva a dizer que isso é “bobagem”. Será?

31 janeiro 2018

Descrença a reverter

Alan Schaller
Inapetência cívica e luta eleitoral 
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

Dentre os muitos dados significativos revelados na pesquisa Data Folha divulgada hoje, um suscita reflexão imediata: quase trinta por cento dos eleitores tendem a votar em branco ou nulo caso Lula não seja candidato.

Evidente que informações sobre o pleito de outubro contidas em pesquisas, agora, carecem de solidez, seja porque vivemos um instante da vida nacional de extrema imprevisibilidade, seja porque tradicionalmente tendências de opinião pública, no Brasil, se alteram muito rapidamente.

Além disso, o cenário da disputa eleitoral ainda está em formação, longe de ganhar contornos definitivos.

Entretanto, os pesquisadores comparam esse dado de agora com a série histórica de pesquisas relacionadas com o pleito presidencial e nele reconhecem um recorde.

Quer dizer: a desilusão do eleitorado, ou de expressiva parcela dele, hoje seria muito maior do que em outras oportunidades críticas.

Deve ser mesmo. Os últimos três anos, sobretudo, têm sido tomados por um noticiário extremamente negativo acerca da política, dos políticos e dos partidos. Intenso, ininterrupto e parcial, nunca assentado na apreciação multilateral dos fatos. Do que resulta, inevitavelmente, uma inapetência cívica considerável.

Importa levar em conta isso, para muito além das escaramuças verbais que predominam nessa fase que antecede a formação de coalizões e a definição de candidaturas majoritárias — nos âmbitos nacional e local.

Urge levar a sério o debate, ferir questões efetivamente essenciais.

Por exemplo, a informação do IBGE de que a taxa média de desemprego subiu em 2017 e é a maior desde 2012. Tremendo contraste com o que diz a propaganda governamental, de que o crescimento econômico está em retomada e o emprego se expande.

Alguns poucos e débeis indicadores "positivos" apenas demonstram que a economia continua péssima para os trabalhadores.

A inflação baixa (principalmente por queda da demanda), juros diminuídos (mas ainda estratosféricos vis a vis a inflação) não são magias que dispensem investimentos públicos em infraestrutura — fator decisivo para o verdadeiro crescimento econômico.

Assim, não será com artifícios midiáticos, nem com o bate boca entre postulantes a cargos majoritários que esse percentual elevado de desiludidos se reverterá.

A disputa entre propostas programáticas distintas há que lastrear a busca do voto — e a recuperação da credibilidade.


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