Charge de Nani
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
21 junho 2019
Enrolados
Num flagrante de vassalagem dos
procuradores da Operação Lava Jato diante do então juiz Sérgio Moro, trecho
inédito revelado da conversa travada no Telegram entre procuradores da
República — desta feita entre Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Lima
— evidencia que os fatos contradizem a fala do ministro na audiência desta
quarta na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Leia mais https://bit.ly/2L6IZmW
Aonde?
— Discursando para evangélicos, Bolsonaro disse “Todos votarão em mim.”
— Votarão pra quê?
— Presidente, em 2022.
— Em que planeta?
20 junho 2019
Impasses e desgastes
Há muito jogo a ser jogado
Luciano Siqueira
Há sinais claros de que “a casa pode desmoronar“. Ou seja, a estrutura — se é que podemos falar sim — do governo Bolsonaro pode se esvair bem mais rápido do que se imagina.
Dois dos seus ministros, batizados de “super“, Sérgio Moro da Justiça e Paulo Guedes, da Economia, se vêem metidos em verdadeiro inferno astral.
Paulo Guedes é exatamente o depositário, no governo, dos compromissos fundamentais do presidente com o todo poderoso capital financeiro. Do trabalho de sua equipe depende muito a execução da agenda ultraliberal.
Entretanto, seja pelos embaraços constantes e intermináveis do próprio governo, seja pela própria incompetência política, a partir mesmo da reforma da Previdência, a que deu status de pedra de toque de uma suposta retomada da economia, nada anda a contento. Mais de uma dezena de sucessivas previsões do PIB no curto espaço de pouco mais de cinco meses, aponta para o agravamento da crise econômica.
Desse modo, as forças golpistas que desde que apearam do poder a presidenta Dilma e, sobretudo, na campanha eleitoral passada anunciavam uma pronta recuperação da economia não conseguem entregar o que prometeram.
Na outra ponta, o também qualificado super ministro da Justiça, ex- juiz Sérgio Moro, de paladino do combate à corrupção passa à incômoda condição de acuado diante de revelações comprometedores.
Especialistas na matéria são unânimes ao afirmar que as informações do Intercept não são frutos de hackers, mas de gente que, por razões institucionais, certamente tinha acesso e compartilhava diálogos comprometedores envolvendo Sérgio Moro e o procurador Deltan Dellagnol na operação Lava Jato.
Em outras palavras, trata-se de lances de disputa pelo poder.
É a hipótese mais plausível.
De tal modo que a liberação das informações a conta gotas constrange Sérgio Moro e seus comparsas — e por extensão o governo Bolsonaro — a uma torturante defensiva.
Mesmo o tratamento dado ao assunto por parte da grande mídia, dúbio em relação a Moro, soam como que um aviso de que pode ser abandonado na próxima esquina.
A Rede Globo, que atuou sempre como um dos braços da Lava Jato, a ponto de comparecer aos locais das operações de prisão, busca e apreensão antes mesmo da Polícia Federal, deve ter muito que temer.
Nesse ambiente de tensão e instabilidade as forças democráticas devem identificar as frestas por onde vai se tornando cada vez mais possível explorar incongruências e fragilidades do governo. E atrair boa parte dos descontentes.
Luciano Siqueira
Há sinais claros de que “a casa pode desmoronar“. Ou seja, a estrutura — se é que podemos falar sim — do governo Bolsonaro pode se esvair bem mais rápido do que se imagina.
Dois dos seus ministros, batizados de “super“, Sérgio Moro da Justiça e Paulo Guedes, da Economia, se vêem metidos em verdadeiro inferno astral.
Paulo Guedes é exatamente o depositário, no governo, dos compromissos fundamentais do presidente com o todo poderoso capital financeiro. Do trabalho de sua equipe depende muito a execução da agenda ultraliberal.
Entretanto, seja pelos embaraços constantes e intermináveis do próprio governo, seja pela própria incompetência política, a partir mesmo da reforma da Previdência, a que deu status de pedra de toque de uma suposta retomada da economia, nada anda a contento. Mais de uma dezena de sucessivas previsões do PIB no curto espaço de pouco mais de cinco meses, aponta para o agravamento da crise econômica.
Desse modo, as forças golpistas que desde que apearam do poder a presidenta Dilma e, sobretudo, na campanha eleitoral passada anunciavam uma pronta recuperação da economia não conseguem entregar o que prometeram.
Na outra ponta, o também qualificado super ministro da Justiça, ex- juiz Sérgio Moro, de paladino do combate à corrupção passa à incômoda condição de acuado diante de revelações comprometedores.
Especialistas na matéria são unânimes ao afirmar que as informações do Intercept não são frutos de hackers, mas de gente que, por razões institucionais, certamente tinha acesso e compartilhava diálogos comprometedores envolvendo Sérgio Moro e o procurador Deltan Dellagnol na operação Lava Jato.
Em outras palavras, trata-se de lances de disputa pelo poder.
É a hipótese mais plausível.
De tal modo que a liberação das informações a conta gotas constrange Sérgio Moro e seus comparsas — e por extensão o governo Bolsonaro — a uma torturante defensiva.
Mesmo o tratamento dado ao assunto por parte da grande mídia, dúbio em relação a Moro, soam como que um aviso de que pode ser abandonado na próxima esquina.
A Rede Globo, que atuou sempre como um dos braços da Lava Jato, a ponto de comparecer aos locais das operações de prisão, busca e apreensão antes mesmo da Polícia Federal, deve ter muito que temer.
Nesse ambiente de tensão e instabilidade as forças democráticas devem identificar as frestas por onde vai se tornando cada vez mais possível explorar incongruências e fragilidades do governo. E atrair boa parte dos descontentes.
Leia
mais sobre temas da atualidade: https://bit.ly/2Jl5xwF
19 junho 2019
Belo exemplo
Na manha de hoje, bela homenagem a nossa companheira de
trabalho Maria Gleide Gomes Buonafina, pelos seus 60 anos de dedicação serviço
público, sempre dedicada à contabilidade da Prefeitura do Recife. (Foto: Flavio
Campos)
A empáfia de Moro
Diante da balbúrdia que se
instalou no Ministério da Justiça e Segurança Pública com as denúncias contra o
ministro Sérgio Moro, nada mais natural, para esclarecer tudo, do que uma
confrontação das versões com os fatos. Não foi o que aconteceu na audiência da
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (20).
Moro prometeu dar “esclarecimentos”, mas o que se viu foi um desfile de
exibicionismo senatorial dos governistas, que sopraram fogo nas práticas abusivas
da Operação Lava Jato servindo-se do proverbial proselitismo do ex-juiz.
Apesar da ação da oposição, não foi, nem de longe, um encontro para estudar a
fundo a questão, propor investigação e sugerir meios para melhorar o combate à
corrupção. Mas também não foi um balde de água fria nas labaredas do caso. É
preciso prosseguir com a exigência de que tudo seja rigorosamente apurado. Não
se pode ignorar a gravidade das práticas, agora mais à vista, dos que atentaram
contra a Constituição e os interesses nacional e popular. Leia mais
https://bit.ly/2WNmEx2
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