28 novembro 2023

Fotografia: cena urbana

 

Helia Scheppa*

*Fotógrafa, jornalista
Poema de Chico de Assis com ilustração de Marc Chagall https://bit.ly/49Sq6gC


Desastre argentino

A vitória de Milei e o desafio de decifrá-la

O desencanto com a democracia e o crescimento dos valores individualistas estão na base do desastre argentino. Mas atenção: novo presidente já aprofunda acordos com a “casta” que jurou combater – o que abre enorme brecha para desmascará-lo
Glauco Faria/Outras palavras

 

Javier Milei é o presidente eleito da Argentina. Na noite do domingo (19), muitos brasileiros nas redes sociais identificavam um “gatilho”, lembrando das eleições brasileiras de 2018. Aliás, ainda que em contextos e momentos diferentes, a vitória do candidato do La Libertad Avanza guarda números bastante similares aos de Bolsonaro. Com 99,3% das urnas apuradas, ele tem 55,7% contra 44,3% de Massa, enquanto o então candidato do PSL havia derrotado Fernando Haddad por 55,13% a 44,87%.

O clima semelhante também pode ser visto entre os apoiadores de um e de outro. Em entrevistas com pessoas presentes na festa de Milei falavam sobre a crise econômica, corrupção, a necessidade de “mudança”, a “casta política” e outros termos para justificar seu voto que também remetiam ao Brasil de cinco anos atrás.

E assim como Bolsonaro teve junto dele parte da elite política e econômica brasileira no segundo turno das eleições presidenciais, o presidente eleito argentino também se juntou à parte da mesma “casta” que tanto atacou no primeiro turno ao se aliar ao ex-presidente Mauricio Macri. Este, após ver sua candidata Patricia Bullrich ficar fora do turno final, viu no ultradireitista uma tábua de salvação para manter seu protagonismo político e representar na Casa Rosada os interesses econômico-financeiros que nortearam seu mandato.

“A Argentina tem que se comprometer, e é parte central da plataforma de Milei, assim como da nossa, com a redução estrita e urgente dos gastos públicos para equilibrar as contas. A partir daí, abrir o país, como fez a Colômbia”, disse Macri em uma entrevista recente. Como dito aqui, é nesse ponto de contato que os neoliberais deixam pudores de lado para namorar o fascismo e essa aliança ocasional pode acabar freando os ímpetos mais extremos de Milei em um primeiro momento.

No Congresso Nacional, Milei tem 12% dos deputados e 11% dos senadores, além de não ter nenhum governador eleito pelo seu partido. Por conta, Macri pode ser tornar o grande fiador de seu governo, mas o novo presidente teria que renunciar a suas promessas da campanha. Seguiria um receituário clássico neoliberal no continente, com austeridade fiscal e cortes de gastos públicos, sem a dolarização, mas com uma liberalização ainda maior do uso da moeda estrangeira na Argentina. Nada de acabar com o Banco Central, por exemplo.

Na área econômica, é difícil não ver a concretização de qualquer proposta defendida por Milei como um passo adiante em direção à ruína, como em seus ataques ao Brasil e à China. Hoje, estima-se que metade das reservas do país venha de operações de swap cambial com o país asiático, o que tem permitido ao país honrar os serviços da dívida com o FMI. E trata-se de uma evidente concessão chinesa ao país sul-americano, já que esse tipo de operação serve apenas para viabilizar acordos comerciais, o que não é o caso.

Ainda não se sabe qual Milei assumirá o governo, se em sua versão radical ou a moderada do segundo turno, já sob as amarras do que convencionou chamar de “casta”. É muito provável que adote o figurino de outros, que contempla manobras diversionistas para chamar a atenção e mobilizar parte da sociedade, enquanto promove medidas econômicas que não têm apelo popular. O problema é que a economia foi central no resultado das eleições argentinas. Pode ser que não haja diversionismo suficiente.

O mapa da eleição

Os resultados do segundo turno mostram uma vitória de Javier Mile em quase todo o país. Ele foi derrotado por Sergio Massa em apenas três províncias: Buenos Aires, Santiago del Estero e Formosa.

É na província de Buenos Aires, maior reduto do peronismo e onde o Juntos pela Patria esperava reduzir a diferença a favor de Milei no interior do país, que reside a grande decepção da campanha do ministro da Economia. Com 13.110.768 eleitores, a província tem 37,04% do total de votantes da Argentina. O triunfo foi apertado, 50,73% a 49,27%, e Massa subiu apenas oito pontos em relação ao primeiro turno, enquanto seu rival conquistou 23,4 pontos a mais.

E não foi por falta de empenho do governador reeleito Axel Kicillof, que tomou para si a responsabilidade de comandar a campanha que aumentasse a vantagem para Massa. Contudo, a transferência massiva de votos de Patricia Bullrich para Milei acabou anulando o esforço peronista.

Na segunda província mais populosa, Córdoba, a derrota foi expressiva: Milei chegou a 74,05%, subindo mais de 40 pontos em relação ao resultado do primeiro turno.

O voto pela “mudança”

A eleição de Milei remete a dados divulgados pelo cientista político e professor de ciência política e relações internacionais na Universidade do Sul da Califórnia Gerardo Munck. Em 18 eleições realizadas na América Latina desde 2019, em apenas um país, o Paraguai, o governo de turno saiu vitorioso. Em todos os outros a oposição venceu.

Ainda que necessite de maior aprofundamento para analisar os diversos fatores que explicam isso, a economia e o bem-estar das pessoas têm papel central na derrota de muitos desses governos, mas não só. A expansão de uma visão de mundo mais individualista e imediatista, onde a insatisfação brota de forma rápida, também pode explicar o porquê de a “mudança” ser uma palavra-chave nas eleições da região. E o que representaria mais a expressão do que aqueles que se dizem antissistema?

O desencanto com a política e esse caldo cultural, juntos, levam não só extremistas ao poder como os consolidam como personagens importantes mesmo estando fora de governos. São diversos personagens que emergiram e influem no cenário, levando muitas vezes políticos ditos moderados a posições extremistas. É o seu triunfo, mesmo quando derrotados nas urnas.

É um desafio enorme para a esquerda, mas também para qualquer segmento político fora desse espectro que se importe minimamente com arranjos democráticos. A disputa política não é mais a mesma, e não voltará a ser.

[Ilustração: Leonardo Achilli]

Governo Lula 3 sobre terreno minado https://bit.ly/46yge8V

Humor de resistência: Jota Camelo

Jota Camelo

Al Nakba: a criação de Israel e a catástrofe Palestina https://bit.ly/3R7SgwC 


 

Sylvio: quem?

Depois de atacar o presidente Lula em baixo nível e sua dose de loucura na campanha eleitoral, o ultradireitista Milei convida Lula para a posse e quer estreitar laços com o presidente de seu maior parceiro comercial. Essa mudança se deve a conselhos de seu cachorro morto a seis anos ou é orientação de Macri que, segundo de presume, será o governante de fato?

Sylvio Belém

A crise da ordem mundial neoliberal https://bit.ly/47QnZYH

Feição fascista da direita

Para entender (e enfrentar) o novo fascismo

Ele tornou-se ameaça persistente, indica vitória de Milei. Odeia o Estado, surfa na crise da democracia e se aproveita do frenesi sem memória das redes sociais – para apelar às ilusões mais passadistas… É preciso examiná-lo em profundidade
Glauco Faria/OutrasPalavras


 

A vitória de Javier Milei na Argentina traz algumas pistas sobre como a extrema direita consegue se organizar, política e eleitoralmente, em países, contextos e situações distintas.

Primeiro, é necessário ver que a própria gramática da política mudou com a ascensão dos extremistas, assim como os instrumentos de análise. Se há poucos anos candidatos se esforçavam para dar entrevistas a jornalistas renomados e publicar artigos em jornais impressos mais relevantes, por exemplo, hoje eles dispensam intermediários e dão preferência às redes sociais. Sai a linguagem escrita, e muitas vezes a falada, e ganham relevância a imagem e o meme.

Também era comum que políticos tivessem sua oratória elogiada. Ainda hoje, a memória política de pessoas mais velhas está recheada de discursos antológicos feitos em comícios. Hoje, o palco dá voz a candidatos que são performers, personagens de si. Também por conta disso, o desastroso desempenho de Milei no debate realizado uma semana antes do segundo turno não afetou sua campanha.

Em um artigo publicado em 2022, o filósofo e professor da USP Vladimir Safatle apontava que “em um momento histórico, no qual informação e entretenimento se tornam indistinguíveis, no qual os padrões de comunicação da indústria cultural se tornam ‘naturais’, não há surpresa alguma em encontrar políticos que falam como esse ‘povo’ construído pela cultura de massa, com suas dicotomias, com sua concepção de história saída diretamente de seriados de televisão, com seus heroísmos de filme de ação”.

Nesse aspecto, descrever aspectos caricaturais ou mesmo a ignorância de figuras como Milei, Trump ou Bolsonaro apenas reforça a imagem que querem passar às pessoas. “Ou seja, em uma época na qual a indústria cultural forneceu em definitivo a gramática da política, fica mais fácil a extrema direita passar por aquela que fala a linguagem do povo”, disse ainda Safatle.

O conceito vazio de liberdade

As mensagens enviadas por estes candidatos são múltiplas. O individualismo exacerbado tem o seu limite na noção restritiva de “família” e, dentre os muitos inimigos de ocasião fabricados na retórica extremista, o Estado é o principal, como radicalizou em sua proposta Javier Milei. Ele é vendido como aquele que atrapalha a “liberdade” das pessoas. No cenário onde o empreendedorismo é louvado, o caminho deve estar “livre” para a pessoa ser bem sucedida.

Em um país no qual a política está desacreditada, como a Argentina, com a economia em situação caótica, um discurso assim pode soar como música. Mas mesmo em países onde o estado de bem-estar social é mais avançado e consolidado, qualquer ameaça de disrupção pode ser um gatilho. Não é à toa que a extrema direita cresce também em boa parte da Europa, inclusive em locais com elevado IDH. O extremismo vive e se alimenta de crises e qualquer uma delas abre uma janela de oportunidades em um mundo onde as transições se dão velozmente.

Em uma entrevista concedida em 2020, a antropóloga Letícia Cesarino apontava como este discurso conseguia ser exitoso no país no período da pandemia. “O Brasil tem todo um histórico de abandono de parte da população pelo Estado. É muito impressionante do meu ponto de vista e das pesquisas que tenho feito como de fato muitos brasileiros não esperam nada do Estado. Eles nem cogitam que o Estado deveria apoiar de forma mais decisiva e constante para fazerem o isolamento social e ficar em casa. Então são dois lados, o individualismo, esse desejo de liberdade individual, e junto uma desconfiança em relação ao Estado enquanto entidade coletiva que organiza a nossa sociedade.”

Essa noção distorcida de liberdade, tendo como parâmetro único o indivíduo, acaba afetando as mais diversas percepções. A questão da vacinação no Brasil foi um exemplo concreto. “O próprio fato de as pessoas acharem que a vacina é uma opção individual demonstra um desconhecimento completo de como a própria lógica científica da vacina funciona. Não adianta algumas pessoas tomarem e outras não. A imunidade da vacina só pode ser coletiva, isso para qualquer vacina, não só a da covid-19. Mas é impressionante como esse nível social de causalidade não faz mais sentido para as pessoas, infelizmente”, lamentava Letícia à época.

Imediatismo

Além da linguagem e da gramática, é preciso atentar também para algo que já foi dito aqui, o predomínio que existe hoje em boa parte do mundo dos valores da doutrina neoliberal. Ainda que acumule fracassos do ponto de vista econômico, o receituário que prega o individualismo e demoniza o Estado tem se tornado dominante do ponto de vista cultural. Isso implica também em imediatismo e impaciência, campo fértil para as soluções aparentemente simples vendidas pelos extremistas.

“Assim como quando vencem os progressistas, hoje que venceu a extrema direita na Argentina digo a mesma coisa: as pessoas não votam segundo linhas ideológicas. Você está votando contra o que existe com base no que você percebe em seu contexto imediato. E os ciclos políticos estão ficando mais curtos”, resume, em seu perfil no Twitter, o cientista político Elvin Calcaño Ortiz.

Talvez o problema de parte políticos tradicionais seja este: o timing. Acostumados a um tempo das ações diferente, não conseguem se adaptar a tais ciclos curtos, às vezes curtíssimos, em que a vontade do eleitor pode mudar sem aparentemente qualquer evento externo que justifique a mudança.

O professor de ciência política e relações internacionais na Universidade do Sul da Califórnia Gerardo Munck chamou a atenção para o fato de que, em 18 eleições realizadas na América Latina desde 2019, apenas no Paraguai o governo de turno saiu vitorioso, com a oposição vencendo nos demais. Ainda que opositores de esquerda e direita tenham triunfado, este estado de coisas é desfavorável aos esquerdistas, já que, uma vez no poder, costumam enfrentar a insatisfação das elites econômicas e da mídia tradicional.

Retorno a um passado glorioso

Se Donald Trump incorporou o retorno a um passado idílico com seu principal slogan de campanha, Make America Great Again (Torne a América Grande Novamente), Javier Milei também invocou o passado como farol para o futuro da Argentina.

Recorrente em sua campanha, no comício de encerramento do primeiro turno lá estava a sua promessa. “Temos que voltar a abraçar as ideias da Constituição de (Juan Bautista) Alberdi. Temos que voltar a 1860, quando de um país de bárbaros, em 35 anos, nos convertemos na primeira potência mundial”, disse. Com base neste período tido como áureo, prometeu um padrão de vida semelhante ao da Itália ou França, em um período até 15 anos, e o da Alemanha, em 20. “Se me derem 35, Estados Unidos”, enfatizou.

A construção e resgate de um passado que não considera nem índices de desigualdade e nem opressão e submissão de segmentos inteiros da sociedade se coaduna com a defesa dos ditos valores da família tradicional, uma cidadela contra as mudanças que incomodam parte dos segmentos ressentidos da sociedade. Mas muitas vezes também comunicam aos jovens que “si, si puede”, já que o país teria sido melhor em outros tempos e deixou de sê-lo por conta dos inimigos tradicionais: a esquerda, os corruptos, a casta que teria se apossado do Estado.

Isso permite ainda que o passado histórico recente seja ressignificado, como fez e ainda faz Bolsonaro no Brasil, ao adotar uma versão revisionista da ditadura militar, algo que Milei também reproduziu na Argentina.

A naturalização da extrema direita

“La Nación e La Nación+ funcionam na prática como assessoria de imprensa de Macri, agora a serviço da campanha de Milei”, relatava o jornalista, escritor e ativista LGBTQIA+ argentino Bruno Bimbi na semana que precedeu a eleição. De fato, não foram poucos os veículos da mídia tradicional argentina que optaram por estar ao lado do hoje presidente eleito no segundo turno.

E não só de adesão explícita se faz um candidato extremista, mas também de uma omissão cúmplice. Assim como no Brasil e em outros países, personagens com propostas esdrúxulas, que espalham preconceito e desinformação, não são devidamente confrontados. Em geral, ficam sem ser incomodados por um cômodo jornalismo declaratório (que, de fato, não é jornalismo), mero repetidor de falas sem contestação.

Este é um dos efeitos de uma mídia concentrada economicamente, com poucas pessoas dando as cartas em oligopólios e monopólios da informação historicamente construídos no mundo e, em especial, na América Latina, onde estão os quadros mais severos.

“Naturalizados”, tais personagens não são apresentados na mídia tradicional como ameaças à democracia, nem mesmo quando profissionais desta mesma imprensa são agredidos verbal e mesmo fisicamente, como chegou a acontecer no Brasil e na Argentina. A postura beligerante de Milei fez com que a Human Rights Watch e a Repórteres Sem Fronteira emitissem nota expressando preocupação com sua eleição.

E a “direita democrática”?

O triunfo de Milei foi viabilizado graças à transferência massiva de votos da terceira colocada, Patricia Bullrich, do Junto por el Cambio, coligação liderada pelo macrismo. E, para governar, o futuro presidente também terá que contar com o apoio deste segmento, incluído por ele mesmo no que definia pejorativamente como “casta política”.

A atração pelo poder faz com que a direita ou centro-direita logo amenize ou mesmo chegue a imitar os discursos e prática da extrema direita. Figuras como Simone Tebet ou Geraldo Alckmin, que no Brasil fizeram o movimento contrário, são exceções dentro da regra e da régua dos políticos deste campo.

O problema é que a aliança oportunista oferece poucas opções para o retorno. Ou se dá uma completa absorção deste segmento pelo campo extremista, gerando transformações em que o aliado se torna mais “autêntico” do que os originais (vide Roberto Jefferson) ou logo ele vai para as margens da política, se tornando coadjuvante. O ocaso do PSDB mostra isso no Brasil, mas não é o único exemplo.

Nos Estados Unidos, o Partido Republicano se tornou a feição mais acabada de Donald Trump. Nas primárias para 2024, seus eventuais adversários entoam a mesma canção do ex-presidente, fundada em preconceito, xenofobia, defesa de supostos valores familiares e proposição de medidas ultraliberais.

Se parte da mídia tradicional serve de escada para a ascensão destas figuras ao ser cúmplice, omissa e às vezes parceira ativa, é a direita/centro-direita que pavimenta o caminho para o exercício do poder. A defesa da democracia não serve nem como retórica.

A extrema direita pós-Milei

Fora da Argentina, apoiadores da extrema direita se animaram com o triunfo de Javier Milei. Bolsonaro foi convidado para a posse e seu séquito de seguidores vibrou, projetando um retorno ao poder em 2026 (não se sabe ainda com quem, já que o ex-presidente é inelegível).

Também houve celebração no México e até mesmo entre conservadores dos Estados Unidos. “Se alguns aparentemente não se preocupam com o que se passa na Argentina, devo alertar que a Argentina não é o Brasil de ontem. A Argentina pode se tornar o Brasil de amanhã, pois poderia engajar uma nova onda em tendências do bolsonarismo, inclusive nessas outras radicalidades”, postou o historiador e coordenador do Observatório da Extrema Direita Odilon Caldeira Neto.

Estes extremistas vão olhar para a Argentina inclusive para saber se Milei concretizará suas propostas mais radicais ou se será moderado pelos macristas, entregando o comando da economia e se baseando em manobras diversionistas para mobilizar o apoio a seu governo.

Já à esquerda, tanto lá quanto no Brasil e em outros países, cabe também observar e mesmo adaptar para si uma das características principais deste segmento. Sua estratégia de fazer política vai muito além da eleição. São mobilizações permanentes nas redes sociais onde travam o que eles mesmos chama de “guerra cultural”, terreno no qual têm sido bem sucedidos ao propagar valores discriminatórios fundamentados numa falsa “liberdade de expressão”, contando ainda com influencers e veículos que os repercutem.

Resultados como os da Polônia, no qual mulheres e jovens, em especial, foram fundamentais para tirar um regime extremista do poder, mostram que não é uma batalha perdida, ainda que desigual, já que parte significativa do poder econômico encampa o extremismo, contanto que seus lucros fiquem intactos ou aumentem.

Também nos Estados Unidos, mesmo com o avanço do campo trumpista, o direito ao aborto foi reafirmado em todos os estados que fizeram referendo após a Suprema Corte ter revertido o precedente Roe v. Wade, que assegurava a interrupção da gravidez como um direito constitucional. Agora, os republicanos temem que a questão surja na eleição presidencial de 2024 por entenderem que ela beneficiaria os democratas, favoráveis ao direito. Lembrando ainda que hoje a maioria do país vive em áreas em que o uso recreativo da maconha, outro “espantalho” da extrema direita, é legalizado.

São alguns exemplos de que não há derrotas irreversíveis nestes ciclos curtos da política. Mas é preciso lidar com essa nova gramática e entender o jogo praticado pelos extremistas.

Para onde vai a Argentina? https://tinyurl.com/yc3e2hdc

27 novembro 2023

No Twitter @lucianoPCdoB

Se é fato que ocorreram 365 milhões de fraudes digitais no primeiro trimestre no Brasil, bancos precisam aprimorar segurança em transações via internet.

Até não mais ver, coronavírus! https://bit.ly/46x3Plu 

Palavra de poeta: Chico de Assis

PODERIO DA ARTE
Chico de Assis*
 
A arte é o encontro
do presente com o passado
e a bifurcação do presente 
com o futuro. 
 
Em cada cor imaginária
em cada página literária
em cada som libertário
em cada pedra esculpida
 
há um fio condutor
q atravessa os tempos
e sobrevive no patamar
de uma dor secular
 
q nos oprime
que nos redime
que nos exprime amor.
Só amor!

[Ilustração: Marc Chagall]

*Advogado, poeta
Poema de Conceição Evaristo com ilustração de Francisco Rebolo https://bit.ly/47y7fpo