O talento brasileiro, de Pernambuco falando para o
mundo!
Enio Lins
LENDO AS NOTÍCIAS do dia seguinte ao Oscar 2026, sem as emoções do acompanhamento da premiação ao vivo, vamos a algumas observações: A primeira delas é que a estatueta não é produto de um julgamento infalível. Tropeça. Mas não é escolha desmoralizada como o Nobel da Paz. Justiça seja feita: a velha Academia de Hollywood, errando ou acertando, tem critérios objetivos, visíveis.
NÃO RECEBEU O Agente Secreto nenhuma das estatuetas às quais concorria, mas são quatro valiosos prêmios as indicações conquistadas: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, Melhor Elenco – estão integradas definitivamente ao currículo. Até agora, apenas uma outra produção brasileira, Cidade de Deus, em 2004, alcançou tal marca (Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Fotografia), lembra o bom camarada Ricardo Cabus, corrigindo equívoco cometido na coluna anterior quando, na versão original, escrevi ser inédita, em termos de Brasil, a quantidade de indicações amealhadas pelo filme de Kleber Mendonça Filho. A película de Fernando Meirelles alcançou essa marca há 22 anos, e é considerada como exemplo de injustiça por não levado nenhum calvo para casa.
MERECIAM O OSCAR outras realizações brasileiras, obras-primas
universais, como Baile Perfumado, Vidas Secas, Pagador de Promessas, Boca de
Ouro, Chuvas de Verão, Pixote etc. Nem falo de outras elogiadas produções como
Terra em Transe, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Limite, Toda Nudez Será
Castigada, por considerar esses filmes menos apropriados à Academia de
Hollywood e mais aproximados do gosto da crítica europeia: Pagador de
Promessas, como sabemos, ganhou a Palma de Ouro em 1962, saiu consagrado de
Cannes – e, indicado ao Oscar, não levou. O reconhecimento internacional é um
processo dinâmico, duro, implacável – uma guerra infinda, na qual o cinema
brasileiro só tem avançado, ampliado espaços, colecionado troféus de todos os
tipos.
WAGNER MOURA, que está apenas começando, com sua primeira indicação
como Melhor Ator, se coloca ao lado de monstros sagrados, atores consagrados
mundialmente, mas que nunca levaram essa estatueta, como Tom Cruise,
Willem Dafoe, John Travolta, Edward Norton, Ed Harris, Ralph Fiennes, Mark
Ruffalo, Samuel L. Jackson, Bill Murray, Harrisson Ford, Jim Carrey, Kirk
Douglas, Johnny Depp... Entre as mulheres, Glenn Close se destaca com oito
indicações e nenhuma estatueta de Melhor Atriz. Charles Chaplin, considerado –
pela maioria – como o maior artista cinematográfico de todos os tempos, morreu
sem levar para casa o Oscar de Melhor Ator, apesar de ter recebido, ao longo da
carreira, três carecas, inclusive o Oscar Honorário pelo conjunto da Obra.
NÃO ESTÁ ISOLADO O Agente Secreto na lista de magníficas películas que
não levaram o Oscar de Melhor Filme. Lhe fazem companhia clássicos
indiscutíveis como Cidadão Kane (1941), Taxi Driver (1976), Psicose (1960),
Blow-Up (1966), Ladrões de Bicicletas (1948), Roma, Cidade Aberta (1945),
Queimada (1969), Novecento (1976), Apocalypse Now (1980), Os Bons Companheiros
(1990), Pulp Fiction (1994), Um Sonho de Liberdade (1995), Fargo (1996), O
Segredo de Brokeback Mountain (2005), e tantas outras películas magistrais,
consagradas pelo público e pela crítica em todo mundo. E preste atenção: Nenhum
dos grandes clássicos de Charles Chaplin jamais ganhou um Oscar de Melhor
Filme, assim como nenhuma das fantásticas obras assinadas por Alfred Hitchcock.
Assim, é um marco histórico – inédito para o Brasil – a indicação de O Agente
Secreto como um dos cinco melhores filmes produzidos em todo mundo no ano de
2025.
POR TUDO ISSO, “Queiram ou
não queiram os juízes/ O nosso bloco é de fato campeão/ E se aqui estamos,
cantando essa canção/ Viemos defender a nossa tradição/ E dizer bem alto que a
injustiça dói/ Nós somos madeira de lei que cupim não rói”. Parabéns para O Agente Secreto! Vamos adiante, filmando e
cantando. Felizes.
Bela e sonora, porém maltratada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/minha-opiniao_25.html

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