Ataque dos EUA e Israel ao Irã incendeia o Oriente Médio
Ofensiva imperialista se espalha para outros países e atrai potências europeias para o conflito regional; Pequim e Moscou condenam incursões militares
Davi Molinari/Vermelho
O Oriente Médio mergulhou em uma conflagração generalizada nesta segunda-feira (2), confirmando os piores prognósticos de uma escalada regional. A ofensiva militar deflagrada pelos Estados Unidos e por Israel contra o território do Irã rompeu as fronteiras nacionais, arrastando para a guerra outras nações, incluindo Iraque, Síria, Líbano, Jordânia, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Omã.
A expansão do conflito ocorre no momento em que potências europeias abandonam a neutralidade diplomática para assumirem o papel de coadjuvantes estratégicos: o Reino Unido e a França já operam na região, oferecendo bases militares e apoio logístico para o lançamento de mísseis, enquanto o porta-aviões francês Charles de Gaulle movimenta-se pelo Mediterrâneo em suporte à frota norte-americana.
A estratégia do caos
Para o geógrafo e analista Elias Jabbour, o que se assiste não é um choque fortuito, mas um ataque geopolítico coordenado. Jabbour reforça que a agressão visa desestruturar o núcleo de resistência do Sul Global e frear a integração euroasiática liderada pelos Brics. Ao desestabilizar o Irã, o consórcio imperialista busca sabotar a iniciativa chinesa “Cinturão e Rota”, tentando reafirmar uma hegemonia do dólar e do controle militar sobre a energia em um momento em que a ordem multipolar ganha tração.
O pretexto utilizado por Washington e Tel Aviv para as operações “Leão Rugidor” e “Escudo de Judá” é a suposta necessidade de neutralizar o programa nuclear iraniano e “libertar” o povo persa. Contudo, a realidade revela um objetivo muito mais evidente: a reconfiguração forçada de regimes regionais para garantir a primazia dos interesses norte-americanos na região, ignorando a soberania dos povos.
Retaliação do Irã
A resistência iraniana também impôs perdas significativas aos agressores. Relatórios confirmam que mísseis balísticos de precisão iranianos atingiram a Base Aérea de Nevatim, em Israel, provocando estragos severos em hangares e infraestrutura logística. Irã também anunciou ter atingido o gabinete de Benjamin Netanyahu. A informação não foi confirmada.
Além disso, a defesa aeroespacial da Guarda Revolucionária conseguiu derrubar aeronaves furtivas americanas sobre o Mar Arábico. No Golfo, o Irã demonstrou relativa capacidade de dissuasão ao atingir instalações petroquímicas e ativos navais que davam suporte logístico às forças invasoras, o que resultou na entrada de outros países no conflito.
O Grito de Minab e o Silêncio Ocidental
A face mais cruel da agressão imperialista revelou-se na cidade de Minab, onde o bombardeio a uma escola feminina resultou na trágica morte de centenas de estudantes. Até o momento, o balanço parcial no Irã soma mais de 555 mortos e milhares de feridos em 130 cidades. Este massacre, perpetrado com mísseis de cruzeiro Tomahawk, ocorre sob o olhar complacente de potências ocidentais, que preferem o silêncio à condenação da barbárie contra civis.
Pequim e Moscou: a reação da ordem multipolar
Em Pequim, o presidente Xi Jinping classificou os ataques como uma “violação inaceitável da soberania” e um “atentado aos princípios da ONU”, e pediu um cessar-fogo imediato para evitar que o Oriente Médio caia em um “abismo perigoso”.
Em Moscou, o presidente Vladimir Putin condenou o que chamou de “assassinato cínico” do Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei, destacando que a ação é uma “aventura perigosa” destinada a provocar uma catástrofe global. Rússia e China articulam agora, no Conselho de Segurança da ONU, uma frente diplomática para deter a máquina de guerra estadunidense.
O Brasil condenou o ataque. O embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula, afirmou que “o Brasil deve se preparar para o pior diante do conflito porque ele deve se espalhar na região”.
Trump, nesta segunda-feira (2), afirmou que os Estados Unidos estão preparados para quatro semanas, ou mais, de conflito — mesmo com o barril de petróleo Brent disparando 13% e as bolsas globais em choque.
Estética imperialista: A política do espetáculo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/estetica-imperialista.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário