Marcha da Classe Trabalhadora deve impulsionar novas mobilizações populares
Na polarização eleitoral, Lula, diferentemente de Flávio Bolsonaro, tem compromisso com os interesses do povo e do país
Editorial do 'Vermelho'
A Marcha da Classe Trabalhadora, convocada pelas centrais sindicais (CTB, CUT, Força Sindical, UGT, CSB, NCST, Intersindical e Pública) para quarta-feira (15), tem significado político abrangente. A manifestação percorrerá a Esplanada dos Ministérios e entregará a Pauta da Classe Trabalhadora – Prioridades 2026 ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto e aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.
O documento, elaborado pelo Fórum das Centrais Sindicais, contém reivindicações como o fim da escala 6×1 com redução da jornada de trabalho sem redução de salários; combate à pejotização; combate ao feminicídio; não à guerra, pela paz; direito de negociação coletiva para os servidores públicos; fortalecimento das negociações coletivas; fortalecimento da agricultura familiar e reforma agrária.
Antes da Marcha, haverá a Conferência da Classe Trabalhadora (Conclat), em frente ao Teatro Nacional. Para Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a capital da República “será palco de uma vigorosa Marcha da Classe Trabalhadora”, destacando o ato como uma “grande demonstração de unidade” para pressionar por conquistas como empregos, direitos, soberania e vida digna.
A pauta de reivindicações se liga à luta política mais abrangente, abarcando questões de fundo como defesa da democracia, da soberania do país, do desenvolvimento nacional e da inclusão social, temas que entram no debate eleitoral, pontos definidores dos campos que disputam a sucessão presidencial.
Um conjunto de entidades empresariais divulgou um manifesto contra a redução da jornada de trabalho semanal e o fim da escala 6×1, repetindo surrados argumentos sobre impactos sobre a economia, os investimentos e a criação de empregos formais, afetando a competitividade do país, alegando inclusive que a proposta do governo é “açodada em um ano eleitoral”.
Não é de hoje que os setores empresariais usam esses argumentos para combater a redução da jornada de trabalho, como ocorreu nos debates da Constituinte de 1987-1988 sobre a jornada semanal de 44 horas, apropriando-se inclusive dos ganhos com a produtividade do trabalho, sobretudo pela retirada de direitos trabalhistas.
A experiência histórica mostra que o aumento do valor ou a valorização da força de trabalho decorrente da redução da jornada a médio prazo é mais do que compensada pelo aumento da produtividade social do trabalho. Com menos carga horária, o trabalhador torna-se mais produtivo e há outras vantagens sociais relevantes, uma vez que diminuem os problemas de saúde e acidentes do trabalho, além do tempo livre poder servir para a elevação do nível de educação e da qualificação profissional.
Há também a tentativa de desqualificar as organizações sindicais, o que é moeda corrente entre os grupos que se aglutinam em torno de plataformas políticas e programáticas como a de Flávio Bolsonaro, abrindo portas para relações trabalhistas precarizadas e discriminação no acesso ao emprego e à remuneração, a exemplo da desigualdade salarial entre homens e mulheres.
Flávio Bolsonaro é compromissado com outros itens da agenda neoliberal, como o fim do aumento real do salário mínimo, política criada por Lula e extinta por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, encerrando a valorização que considerava a inflação mais o crescimento do PIB, deixando como reajuste apenas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Em alguns anos, o reajuste ficou abaixo da inflação acumulada, prejudicando inclusive as aposentadorias, vinculadas ao salário mínimo. Lula, de volta à Presidência da República, restabeleceu a política de aumento real.
Na outra margem está o presidente Lula, filho da classe trabalhadora, com sua história de compromissos com a democracia e com os direitos do povo. Na atual conjuntura, mantém-se coerente e se posta de maneira firme na defesa de medidas como a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. Um projeto de lei do Executivo deverá ser enviado nesta semana à Câmara dos Deputados, onde já tramita um projeto com este teor de autoria da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS).
Para a vitória da classe trabalhadora, a mais interessada na defesa da democracia para que ela possa se organizar e lutar por seus direitos, é preciso encarar a batalha eleitoral como decisiva, uma questão essencial para evitar novos e brutais retrocessos sociais.
Os trabalhadores são chamados a ter papel de linha de frente da ampla aliança que está em formação para isolar e derrotar Flávio Bolsonaro. A vitória de Lula depende de uma grande e permanente mobilização popular, com os trabalhadores na vanguarda, desenvolvendo diferentes formas de luta, como a Marcha da Classe Trabalhadora, além de promover atividades que debatam questões programáticas, fontes de mobilização, de convicções e de enraizamento da campanha presidencial de Lula.
Se comentar, assine.
Leia também: Dois projetos e dois Brasis em disputa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/financas-publicas.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário