Subir no vaso para quê?
Luciano Siqueira
Um hábito desde a adolescência: prestar atenção aos avisos afixados nas paredes dos sanitários públicos. Prédios administrativos, restaurantes, supermercados e quejandos.
Não aquelas inscrições feitas à mão com pincel atômico ou giz, em geral
pornográficas. Essas não têm graça, pois se repetem ao longo de
décadas!
Olho as, digamos, oficiais: devidamente postas pela administração. Incrível, contêm respingos de cultura.
Em Portugal, por exemplo: "favor colocar o papel higiênico usado no
vaso sanitário".
No Brasil, como bem sabemos, é o contrário: "favor NÃO colocar
papel higiênico usado no vaso sanitário, use o cesto".
Lá o sistema de esgotos funciona, aqui não.
Há apelos tão veementes quanto contraditórios: "mantenha o sanitário limpo, pois você poderá utilizá-lo
novamente", mas invariavelmente o tal sanitário, naquela rede de supermercados, está sempre
imundo. Clientes sujam e a manutenção é falha.
Há os prolixos: "em prol da higiene do ambiente,
solicitamos aos caros usuários jogarem o papel no cesto e darem descarga ao
saírem". A gente gasta tanto tempo na leitura que até dá vontade de fazer
o contrário!
Numa grande loja de utilidades, o apelo: "favor não subir no vaso
sanitário".
Subir pra quê?
Para evitar que usuário, quem sabe, que o abelhudo espione o que anda fazendo o usuário do vaso ao lado?
E do alto das minhas sete décadas de vida constato que sei
muito pouco dos hábitos humanos quando resolvem suas necessidades mais
íntimas...
O melhor aviso? Sem dúvida o de uma rede de hortifrútis
no Recife: ‘É proibido ter maus pensamentos”.
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Intolerável vício de linguagem https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_29.html

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