22 julho 2026

Boa notícia

Brasil consolida saída do Mapa da Fome com menor índice histórico
A insegurança alimentar caiu severamente para 0,6% da população entre 2023 e 2025; 16,7 milhões deixaram a condição mais grave
Natália Padalo/Vermelho 

O Brasil registrou o menor índice de insegurança alimentar severa desde o início da série histórica e consolidou a saída do Mapa da Fome. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (21) no relatório ‘ O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo ’ (Sofi 2026), da FAO, agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Alimentação e Agricultura. Entre 2023 e 2025, uma proporção de brasileiros submetidos à forma mais grave de privação alimentar caiu para 0,6% da população, e cerca de 16,7 milhões de pessoas deixaram essa condição em relação ao triênio anterior.

O levantamento confirma a recuperação iniciada em 2024, quando o país voltou a ficar abaixo do limite de 2,5% de subalimentação adotado pela FAO para compor o Mapa da Fome. Ao manter esse patamar, o Brasil segue fora da lista após ter retornado em 2022, durante um dos períodos mais críticos da insegurança alimentar no país.

O retrocesso e a supervisão das políticas de combate à fome

O contraste é expressivo. Em 2022, durante o último ano do governo Jair Bolsonaro, a ONU recolocou o Brasil no Mapa da Fome depois que a prevalência de subalimentação atingiu 4,1% da população, acima do limite estabelecido pelo organismo internacional. O levantamento mostrou que cerca de 61 milhões de brasileiros viviam com algum grau de insegurança alimentar, dos quais aproximadamente 15 milhões enfrentaram fome crônica. À época, representantes da FAO e do Programa Mundial de Alimentos alertaram que a pandemia havia agravado a crise, mas enfatizaram que a desigualdade, a perda de renda e o enfraquecimento das políticas públicas também explicaram as restrições do quadro.

O retorno ao Mapa da Fome interrompeu uma trajetória iniciada quase duas décadas antes. Em 2014, o Brasil saiu da lista da ONU após uma combinação de políticas de transferência de renda, valorização do salário mínimo, fortalecimento da agricultura familiar e ampliação da rede de segurança alimentar construída ao longo dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O reconhecimento internacional transformou o país em referência para organismos multilaterais e programas de combate à fome em outras regiões do mundo.

Ao assumir o terceiro mandato, Lula retomou programas e estruturas externas à segurança alimentar, entre eles o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), o fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), a reformulação do Bolsa Família e a ampliação das compras públicas da agricultura familiar. Em nota divulgada após a publicação do Sofi 2026, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social atribuiu a melhoria dos indicadores ao conjunto dessas políticas aliadas à recuperação da economia.

A recuperação em diferentes indicadores

Os números mostram uma queda contínua da fome nos últimos levantamentos da ONU. A insegurança alimentar passou de 6,6% da população no triênio 2021-2023 para 3,4% em 2022-2024, até atingir 0,6% no período de 2023 a 2025. Na comparação com o triênio 2020-2022, quando o indicador atingiu o pior nível da série histórica, cerca de 16,7 milhões de brasileiros deixaram uma condição mais grave de privação alimentar.

Embora os resultados tenham consolidado a recuperação brasileira, o combate à fome continua sendo um dos principais desafios globais. O Sofi 2026 estima que cerca de 645 milhões de pessoas passaram fome no mundo no triênio encerrado em 2025, o equivalente a 7,8% da população mundial. Apesar da melhoria em relação aos anos anteriores, a FAO alerta que conflitos armados, eventos climáticos extremos, desigualdades e crises económicas continuam a dificultar o cumprimento da meta de erradicar a fome até 2030.

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