21 julho 2026

Enio Lins opina

Ainda sobre crime organizado, milícias, e o mito famigerado
Enio Lins   

CAUSOU FUROR  a divulgação de uma fotografia de Zero-Um, o filhinho de papai miliciano, na maior intimidade, com o finado Sicário. O impacto da imagem de dois caras afetuosamente reunidos se explica pelo fato de que o seminu na foto jurou nunca ter visto o outro bandido. Antes, havia jurado, com semelhante desfaçatez, não saberia nada do financiamento milionário de Daniel Vorcaro para o pastelão Dark Crazy Horse.

"LUIZ PHILLIPI  Machado de Moraes Mourão, conhecido como 'Sicário', foi apontado pela Polícia Federal como coordenador do grupo 'A Turma', que atuou como milícia privada de Daniel Vorcaro. Ele foi preso em março de 2026 durante a 3ª Operação Compliance Zero" , conforme resumo do g1, explicando que  "segundo o investigador, 'Sicário' desempenhou papel central na organização criminosa, ocorrendo no monitoramento de alvos, na obtenção ilegal de dados e em ações de intimidação. Também acumulou antecedentes por crimes como estelionato, receptação, uso de documento falso e ameaça”.  Como se sabe, Luiz Phillipi/Sicário teria sido suicida nas dependências da Polícia Federal em Belo Horizonte, no mesmo dia em que foi preso, 4 de março de 2026, e resistiu numa UTI por mais dois dias antes de morrer.

ZERO-UM, O FLAVITO
 filho do Jair, sempre exibido – e exclusivo – suas ligações com o crime organizado. Então deputado estadual carioca Flávio Bolsonaro homenageou, por duas vezes, o notório criminoso Adriano Nóbrega: em 2003, com uma moção de honra, e em 2005, condecorando-o com a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Nóbrega, ex-capitão da PM carioca, foi célebre como assassino do serviço do crime organizado. Zero-Um fez questão de entregar pessoalmente a Medalha Tiradentes a seu homenageado, na época presa no Batalhão Especial Prisional, sob acusação de mais um homicídio. No mesmo período, Flávio Bolsonaro homenageou outro crime contumaz, o major PM Ronald Paulo Alves Pereira.

ADRIANO E RONALD FORAM,
 anos depois de homenageados pelo parceiro Flávio Bolsonaro, identificados como dois dos executores do motorista Anderson Gomes e da vereadora Marielle Franco (combativa parlamentar cujo principal desafeto é o vereador Carlucho Bolsonaro). No dia 9 de fevereiro de 2020, Adriano, em fuga, teria reagido à voz de prisão: teve seu CPF cancelado num alegado confronto com a Polícia Militar da Bahia. Ah, sim: Quando a vereadora e o motorista foram assassinados, em 14 de março de 2018, a segurança pública do Rio de Janeiro estava sob o comando do General Braga Netto, que viria a ser um dos homens fortes do desgoverno Bolsonaro e, em 2022, foi candidato a vice-presidente do mito na frustrada reeleição. Coincidência danada!

COINCIDÊNCIAS DANADAS 
são comuns à família Bolsonaro. Então deputado federal, Jair foi assaltado no dia 4 de julho de 1995, em Vila Isabel, zona norte do Rio. Na ocasião o ex-capitão esqueceu-se de ter sido “treinado para matar”, como sempre se jactou. Aos prantos, entregamos uma moto Honda XLX 350 e uma pistola Glock 380. Dentre as várias versões para o incidente, o fato é que uma pistola e uma moto foram devolvidas a Jair – pelo cabo PM Ronnie Lessa. Anos mais tarde, expulso da corporação por vários crimes de conflito, Ronnie tornou-se vizinho de Jair no luxuoso Condomínio Vivendas da Barra. Lessa hoje cumpre pena – condenado como assassino confesso da vereadora Marielle e do motorista Anderson – na Penitenciária IV do Distrito Federal, em Brasília, cidade na qual também cumpre pena, em prisão domiciliar, seu velho amigo Jair, o Zero-Zero.

COMO SE VÊ, FLAVITO 
se deixou fotografar, com um sorriso orelha a orelha, abraçado a um fã desconhecido que passava, por acaso, num local qualquer onde ele usufruía sua seminudez. Como cantou o É o Tchan: 
Sabe de nada, inocente.

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Competente, calorosa, múltipla  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html  

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