Complexo blábláblá
Luciano Siqueira
Quando criança me intrigava a existência de idiomas diferentes: por que as pessoas de lugares distantes não falavam do mesmo jeito que a gente?
Seria mais simples. Haveria menos mal-entendidos.
Aos poucos fui compreendendo a complexidade do desenvolvimento do homo sapiens sobre o solo terrestre, sob influências díspares, em lugares os mais diversos.
Assim mesmo, jamais desenvolvi a capacidade de aprender e dominar outros idiomas. Resistência inconsciente, talvez.
Agora tomo conhecimento de que cientistas avaliam que os idiomas provavelmente alcançaram o seu pico de diversidade no mundo há três mil anos, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.
Isto depois que os seres humanos aprenderam a domesticar animais e plantas.
É o que concluem linguistas e cientistas de diversas áreas pilotando modelos computacionais.
De todo jeito, desde o surgimento dos impérios — e do disciplinamento da vida pelo poder político da época —, estamos "reduzidos" a sete mil línguas.
Acho muito.
Gente demais falando e mais gente ainda carecendo de tradutores e intérpretes!
Para este simples cidadão já em idade provecta, alivia contar com ferramentas de tradução na internet.
Mas certamente não resolve. Basta lembrar que a palavra saudade — reza a lenda — só existe na língua portuguesa!
Bem que gostaria, mas é lenda mesmo: expressões correspondentes são encontradas na língua galega e em outros idiomas, como o romeno e o alemão.
Que a incansável luta pela paz no mundo inclua a possibilidade de gente comum, feito eu, se entender com suíços, ingleses, marroquinos, chineses, coreanos, gaúchos, nordestinos do sertão e do litoral... sem precisar perguntar ao Google.
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Celso Pinto de Melo: "Um país que não falava português" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/raizes-do-brasil.html

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