Bom senso, uma rara
virtude
No futebol atual, um dos grandes prazeres é ver as
melhores equipes jogando no ataque. Nenhum jogo é decidido por um único motivo,
nem por um único acerto ou erro
Tostão/Folha
de S. Paulo
O Barcelona, em Madri, ganhou por 2 a
1, mas foi o Atlético que se classificou para as semifinais da Liga dos
Campeões porque venceu o primeiro jogo por 2 a 0. As duas
partidas foram decididas nos detalhes. O Barcelona, como sempre, dominou os
dois jogos e criou mais chances de gols, porém, como é habitual, sofreu gols
por jogar com a defesa muito adiantada e não ter zagueiros de grande qualidade.
Faltou o tal do equilíbrio, que reprime, mas com frequência é necessário.
O
Atlético de Madrid, do jeito do técnico Simeone, de correr pouco risco, vai
enfrentar o Arsenal, que eliminou o Sporting de Portugal. O time inglês passa
por uma queda técnica. Diminuíram até os gols de bola parada, 30% de todos os
gols marcados, um dos pontos fortes do time. PVC, que conhece todas as
estatísticas e entende profundamente de futebol, disse que 32% dos gols do Palmeiras
são feitos também desta maneira. É uma tendência moderna, bastante treinada por
todas as equipes.
O
Arsenal enfrenta neste domingo (19) o Manchester City pelo
Campeonato Inglês. O Arsenal tem seis pontos de vantagem sobre o City, porém
com um jogo a mais. Guardiola, após uma queda prolongada da equipe, reconstruiu
o time, que está jogando muito bem.
Nenhum
jogo é decidido por um único motivo, nem por um único acerto ou erro, embora
muitos insistam em achar uma única explicação para as vitórias e derrotas. As
opiniões mudam rapidamente.
PSG e Bayern, dois timaços, fazem a outra semifinal. Não há favorito. O PSG, atual campeão europeu, voltou a jogar muito bem após uma queda técnica. A defesa do time francês é mais protegida do que a do Bayern.
O time alemão, em um jogo
de sete gols (4 a 3), como era esperado pela qualidade dos ataques, eliminou o Real Madrid. No futebol atual, um dos grandes prazeres é ver
as melhores equipes jogando no ataque. Vinicius Junior atuou muito bem. Seu posicionamento pela
esquerda, sem precisar voltar para marcar, ajuda Ancelotti na escalação da seleção.
O
técnico possui duas alternativas. Uma, que usou contra a França e nas partidas
anteriores, com Vini no centro do ataque, Martinelli pela esquerda (Raphinha
ocuparia este lugar), Luís Henrique ou Estevão pela direita e Matheus Cunha de
meia avançado pelo centro, próximo de Vinicius Junior.
Na
outra formação, na boa atuação contra a Croácia, Vini atuou pela esquerda, mas
sem recompor para marcar, João Pedro de centroavante, Luís Henrique pela
direita e Matheus Cunha mais recuado, protegendo o lado esquerdo defensivo e
formando um trio no meio-campo com Casemiro e Danilo. Matheus Cunha não é um
craque, mas possui muita força física, velocidade e postura coletiva, capaz de
marcar e chegar ao ataque.
Nos
últimos anos, o Brasil começou a formar bons meio-campistas, capazes de atuar
bem de uma intermediária a outra, como Bruno Guimarães, Paquetá, Danilo,
Andreas Pereira. Matheus Cunha tem características de atacante, mas no
Manchester United e na seleção se adaptou muito bem a um novo posicionamento.
No futebol moderno, não há mais sentido dividir o meio-campo entre camisa 5,
camisa 8 e camisa 10.
Uma
das qualidades de Ancelotti é ter bom senso, uma rara virtude, para mudar
detalhes antes e durante as partidas.
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