Entre o caos e o êxtase
Últimos jogos da Copa do Brasil tiveram glória do
Vitória e desorganização do Corinthians. Alvinegro, chutando a bola para a
frente, nem parecia um time treinado por Fernando Diniz
Tostão/Folha
de S. Paulo
Na Copa do
Brasil, estão
definidos os oito classificados. O Vitória, que já tinha eliminado o
Flamengo, goleou o Athletico Paranaense por 4 a 0. O técnico Jair Ventura
mostrou, mais uma vez, que é bom também para jogar no ataque. O Corinthians,
sem nenhuma organização, no caos, chutando a bola para a frente, venceu o
Inter por 2 a 1, mas ficou de fora. Não parecia time treinado por Fernando
Diniz.
Corinthians
e Inter realizaram uma péssima partida. Muito confronto e nenhum futebol.
Depois da partida, alguns disseram que decisão é assim mesmo. É a banalização
da mediocridade. O jogo é um teatro de emoções e também de técnica individual e
coletiva. Não pode ser o caos.
De vez em quando, é preciso
repetir o óbvio. Alguns não conseguem enxergá-lo. As partidas mata-mata de Copa
do Brasil, Libertadores e Copa Sul-americana são mais emocionantes, decisivas,
mas no Brasileirão, um campeonato longo e por pontos corridos, é que podemos
conhecer de maneira melhor os jogadores e as equipes.
Palmeiras
e Flamengo são, novamente, os candidatos ao título do Brasileirão por
terem os melhores elencos. Qualquer outro resultado será uma grande surpresa. O
conceito de que o Flamengo possui um elenco superior ao do Palmeiras não é mais
verdade. Hoje, são equilibrados.
A
dupla de meio-campistas do Palmeiras formada por Marlon Freitas e Andreas
Pereira tem sido brilhante e decisiva. Marlon, além de marcar muito, tem um
ótimo e rápido passe e uma ampla visão do jogo. Andreas Pereira se movimenta
muito bem de uma intermediária à outra, possui um bom passe e tem sido decisivo
nos cruzamentos de bola parada. Assim saem muitos gols do Palmeiras e em todo o
mundo.
O Flamengo não tem um bom reserva com as
características de Pedro. O veloz Bruno Henrique é melhor pela ponta esquerda.
Não entendo por que o mediano lateral direito Emerson Royal é quase sempre
escalado.
No Brasileirão, das equipes
abaixo de Palmeiras e Flamengo, a que tem mais chance de evoluir e de terminar
entre os quatro primeiros é o Cruzeiro, embora o time sinta a falta do lateral
esquerdo Kaiki e do meia/ponta Christian, negociados.
O
Cruzeiro depende muito de Matheus Pereira e de Gerson. Muitos queriam Matheus
Pereira na Copa do Mundo,
por ser um clássico meia centralizado, camisa 10, que se movimenta bastante e
cria belíssimos lances de gol. Este tipo de jogador é ainda importante desde
que não seja o único responsável pela armação das jogadas. A maioria dos times
brasileiros ainda divide o meio-campo entre os volantes que marcam e o camisa
10 que cria as jogadas ofensivas. Nada mais ultrapassado.
Formação de jogadores
A
contratação pelos clubes brasileiros de um imenso número de jogadores de outros
países sul-americanos prejudica a formação de jogadores no Brasil, além de
diminuir as chances dos jovens nas principais equipes.
Décadas
atrás, os europeus tiveram o mesmo problema por causa das contratações de
jogadores de outros continentes. Eles resolveram o problema, mantendo as contratações,
mas criando condições técnicas para formar grandes jogadores, como vimos na
Copa do Mundo. As seleções e os times são fortes. O Brasil necessita resolver
esse dilema. Não tem de ser uma coisa ou outra.
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