11 setembro 2026

Dica de leitura

Fogo de monturo financeiro
Luciano Siqueira   

Os mercados financeiros são confiáveis? A pergunta cabe aos que investem na usura e faturam somas estratosféricas.

Segundo analistas, há uma espécie de fogo de monturo, como dizemos nós nordestinos, queimando por baixo das estruturas e ameaçando um fogaréu adiante.

No artigo "A nova tormenta nos mercados financeiros”, do economista britânico Michael Roberts, publicado no site Outras Palavras, https://outraspalavras.net/mercadovsdemocracia/vem-ai-nova-tormenta-nos-mercados-financeiros/  referência a episódios de forte volatilidade e instabilidade que atingiram os mercados globais, destacando as fragilidades estruturais do capitalismo financeiro contemporâneo.

Roberts avalia que a turbulência recente nos mercados financeiros globais foi desencadeada pela combinação de dois fatores principais: Incertezas sobre o ritmo de corte das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) perante uma inflação persistente e sinais de desaceleração econômica; ao desmonte maciço do carry trade (estratégia em que os investidores tomavam empréstimos baratos em ienes para aplicar em ativos de maior rendimento pelo mundo), gerando uma liquidação em cadeia nos mercados globais.

Entretanto, analistas de Wall Street insistem na falsa expectativa de um “pouso suave” da economia norte-americana.

Entretanto, adverte o autor, os lucros corporativos — motor fundamental dos investimentos e do crescimento sob o capitalismo — estão sob pressão e mostrando sinais de estagnação ou queda; e há severos indicadores de aumento do desemprego nos EUA sugerem que o risco de recessão é real e superior ao precificado pelos mercados.

O autor critica o otimismo dominante entre analistas de Wall Street sobre um suposto "pouso suave” da economia norte-americana:

Nesse contexto, há que se considerar uma espécie de monopólio das big techs, carro chefe da valorização dos mercados. Por exemplo, a forte alta das bolsas impulsionada pela especulação e euforia em torno da inteligência artificial (IA), ainda sem retorno consistente.

Agregam-se fatores outros igualmente significativos (no contexto das expectativas negativas): a manutenção das taxas de juros em níveis mais elevados torna o refinanciamento das dívidas insustentáveis ​​para muitas empresas vulneráveis; e o crescimento do mercado de crédito privado (shadow banking) sem regulação adequada e consequente aumento dos riscos sistêmicos no caso de calotes em cadeia.

Assim, a volatilidade dos mercados não é um acidente isolado, mas sim o sintoma visível das contradições da economia real. Crises financeiras decorrem da queda na taxa de lucro do capital produtivo e da subsequente dependência excessiva da especulação financeira e do endividamento para sustentar o crescimento.

Em perspectiva, portanto, sinais de exaustão de um sistema agoniante.

Leia também: As fissuras do dólar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/celso-pinto-de-melo-opina_02068371605.html 

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