Exercício pleno da soberania nacional
Luciano Siqueira
No artigo "Aos 204 anos da Independência, Brasil ainda não exerce plena soberania", de Ronald Freitas, no portal da Fundação Maurício Grabois, uma abordagem do significado histórico e da atualidade do 7 de Setembro.
O autor
afirma que embora a ruptura com o Império Colonial Português em 1822 tenha
garantida a independência política formal, o Brasil não concluiu seu processo
de emancipação plena.
Ronald Freitas sustenta que a
independência de 1822 abriu um novo ciclo,
mas não eliminou as amarras de dependência externa. Ao longo dos séculos XIX e
XX, a formação do Estado Nacional brasileiro foi conduzida por elites econômicas
e políticas que optaram por modelos de desenvolvimento alinhados à subordinação
e aos interesses de grandes potências estrangeiras (como o Império Britânico e,
posteriormente, o imperialismo norte-americano).
Em contraponto,
defende que a soberania não é apenas um conceito jurídico-territorial ou
simbólico, mas sim a capacidade concreta do país de tomar decisões autônomas
sobre seu próprio destino. Sem autonomia econômica, científica e tecnológica, a
soberania política torna-se incompleta.
Na atualidade, alguns vetores conformam a inserção
do Brasil no cenário mundial: o declínio e as crises de hegemonia da ordem
ocidental/imperialista lideradas pelos Estados Unidos; a ascensão da China e a
consolidação do Sul Global e dos BRICS como polos alternativos ao controle do
capital internacional.
Daí salientar-se
a necessidade de o Brasil se posicionar de forma independente nesse novo
cenário multipolar.
Para
exercer plena soberania no século XXI, o Brasil precisa enfrentar novos
gargalos de dependência, incluindo a soberania
digital, tecnológica e de dados (frente ao domínio das big techs
globais), além do controle de seus recursos naturais e matriz energética para
um projeto de desenvolvimento nacional independente.
Não é
simples, evidentemente. A soberania nacional continua sendo uma arena de
disputa política central no país. O cumprimento pleno da "obra da
Independência" exige um projeto soberano, sustentável e democraticamente
orientado ao interesse público, capaz de superar o histórico de submissão
externa e garantir a autonomia decisória do Estado brasileiro.

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