21 julho 2007

Boa noite, Gabriela Mistral

Portal de saída do Palácio de La Moneda
Eu não Sinto a Solidão

É a noite desamparo
das montanhas ao oceano.
Porém eu, a que te ama,
eu não sinto a solidão.
É todo o céu desamparo,
mergulha a lua nas ondas.
Porém eu, a que te embala,
eu não sinto a solidão.
É o mundo desamparo,
triste a carne em abandono
Porém eu, a que te embala,
eu não sinto a solidão.
(Tradução: Maria Teresa Almeida Pina)

A Rede Globo e o desastre de Congonhas

No Vermelho:
A cobertura criminosa da tragédia
por Mauro Carrara
. Em 68 anos de vida, e muitas décadas de jornalismo pelo mundo afora, jamais havia testemunhado cobertura tão politizada (e vergonhosa) de uma tragédia. O caso do vôo 3054 deverá, no futuro, servir aos professores de comunicação como uma anti-receita de conduta em casos dessa natureza.
. Ultimamente, sempre que há mutreta e grave manipulação dos humores nacionais, verifica-se sempre a participação de um mestre oculto: o Sr. Ali Kamel, poderoso demiurgo das sombras a serviço das Organizações Globo. Na revista Veja e no jornal O Globo, esse homem de comunicação foi adestrado para a função que hoje executa com inegável competência: instaurar a desconfiança e destruir imagens públicas.
. Na quarta-feira, ainda que sobrassem indícios de que o acidente não tinha sido causado por problemas na pista de Congonhas, todos os telejornais da Globo insistiram na teoria. Depoimentos dissonantes, como o do professor Duarte, da UFRJ, foram grosseiramente limados, desemoldurados, para quem não fossem compreendidos e assimilados pelo público.
. A edição do Jornal Nacional de 18/07/2007 deve ser gravada e guardada. Em termos de distorção nada fica a dever àquela que reproduziu seletivamente trechos do último debate eleitoral de 1989. Mostrou gente desesperada, e arrancou lágrimas, até deste jornalista acostumado a ver o sofrimento humano. Em seguida, rumou para Brasília, a indicar solenemente o "culpado".
. Leia o artigo na \integra clicando aqui: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=21716
. Leia também: "Abutres'' da imprensa e da oposição fazem uso político do acidente

DESTAQUE DESTE SÁBADO

Via crucis e pacote áereo

Uma verdadeira via crucis: saímos de casa às 5,30 da manhã com destino ao Aeroporto dos Guararapes, onde deveríamos embarcar às 6,45, pela Gol, para o Rio de Janeiro. Embarcamos três horas após.

No Rio, esperamos outro tanto para embarcar pelas Aerolineas Argentinas para Santiago do Chile, com conexão em Buenos Aires. Na capital argentina, mais espera. Resultado: dezoito horas e um quebrado entre aeroportos e aviões, uma pauleira.

Hoje cedo, aqui em Santiago, lemos na Internet que o governo lançou um pacote de medidas destinado a resolver os graves problemas da aviação comercial brasileira. Um terceiro aeroporto em São Paulo, restrições ao uso do aeroporto de Congonhas como ponto de conexão para outros destinos, reforço do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, para que possa receber um número maior de passageiros, racionalização do tráfego aéreo internacional.

Para quem sofreu o que sofremos ontem, fica a esperança de que tais medidas sejam efetivamente implementadas e que os recursos necessários não sejam contingenciados pelas equipes da Fazenda e do Planejamento.

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Recado 1: Nervosismo sintomático

. Os termos em que o ex-secretário (do governo Jarbas) José Arlindo Soares usou para responder a uma crítica bem-humorada do deputado Guilherme Uchoa ao Programa Governo nos Municípios, que Soares coordenou, revelam um nervosismo exagerado.
. Na mesma linha dos ex-governadores Jarbas e Mendonça, em outras oportunidades.
. Há de se perguntar: se a crítica é natural no sistema democrático, não seria mais sensato dar explicações ao invés de desferir desaforos?

Recado 2: Arraes preferia manter distância de ACM

. Morre ACM. Talvez seja o fim de um ciclo na Bahia. Mas o caudilho será sempre lembrado por aliados e adversários.
. Certa vez, numa das inúmeras conversas fraternais que mantivemos com o ex-governador Miguel Arraes em sua residência de Casa Forte, ouvimos do ex-governador uma frase emblemática: “Aquele jamais desejo ter como inimigo.”

Desastre de Congonhas: um olhar sensato

No Vermelho:
Indignação e Dolo
por Eduardo Bomfim
O pavoroso acidente aéreo ocorrido na terça-feira passada no aeroporto de Congonhas em São Paulo, com a morte de 186 passageiros e tripulantes, aumenta significativamente a responsabilidade das autoridades, pelo tráfego aéreo civil em nosso país. Não é possível, igualmente, eximir o governo federal pela incapacidade em solucionar uma crise que já perdura há meses.

Dias atrás, um outro avião da Pantanal, felizmente sem vítimas fatais, derrapou na pista do mesmo aeroporto paulista. Agora não mais se trata de controle do tráfego aéreo ou coisa que o valha. Existe uma evidente saturação de trânsito de aeronaves em alguns dos principais aeroportos do país.

No caso de Congonhas, construído em 1946, se não me falha a informação, afastado da cidade, foi engolido pelo crescimento avassalador e desordenado de São Paulo e situa-se em meio a enormes edifícios e cercados por grandes pistas de escoamento dos veículos de todas as espécies.

Há alguns anos atrás, um outro aparelho da TAM, que poderia ser de qualquer outra companhia, caiu sobre um bairro, provocando vítimas fatais e sem sobreviventes e outras tantas que moravam nesse que é um dos inúmeros bairros que circundam o sinistro aeródromo. São inúmeras as ocorrências de outros acidentes de menor monta que não são notícias na grande mídia.

Há uma pergunta que não me deixa em paz. Sabendo-se que o aeroporto internacional de Guarulhos opera em capacidade intensa, por que não utilizam o aeroporto internacional de Viracopos em Campinas, em substituição a Congonhas, bem perto da cidade de São Paulo, ligado por excelentes rodovias, acrescentando-se uma via direta de metrô ao centro da capital paulista?

A Aeronáutica, subordinada às regras de disciplina e hierarquia constitucional, não pode sair por aí dizendo o que bem entende. O que é bom para a tranqüilidade do regime democrático. Assim, dizem que existe obsolescência dos equipamentos de controle sobre as vias aéreas, operação tartaruga por parte dos controladores desses equipamentos etc. Acrescentamos à lista, a inviabilidade de aeroportos, aumento do número de aeronaves. Mas a verdade são os episódios trágicos, com perdas de centenas de vidas humanas, inclua-se à lista o desastre com a GOL em setembro passado. Milhares estão correndo risco de vida. Basta.

20 julho 2007

Bom dia, Sophia de Mello Breyner Andresen

Aldo Bonadei

Há jardins

Há jardins invadidos de luar
Que vibram no silêncio como liras,
Segura o teu amor entre os teus dedos
Neste jardins de abril em que respiras.

A vida não virá - as tuas mãos
Não podem colher noutras a doura
Das flores baloiçando ao vento leve.

Fosse o teu corpo feito de luar,
Fosses tu o jardim cheio de lagos,
As árvores em flor, a profusão
Da sua sombra negra nos caminhos.