29 abril 2020

Sem rumo nem iniciativa


Com recessão à porta, governo não tem plano para a economia
Paralisado, governo se perde em disputa política. Sem as medidas necessárias, impactos da pandemia na economia e na vida da população serão piores.
Mariana Branco, portal Vermelho

O Brasil está prestes a mergulhar em uma recessão que pode ser a maior da história. As projeções mais otimistas falam em queda de 3,34% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e riquezas produzidos em um país) e as mais pessimistas em uma contração de 10,1% da atividade econômica. A pandemia do novo coronavírus, claro, é o principal motivo. Mas a crise política e a lentidão do governo para apontar soluções e tomar medidas pioram consideravelmente o cenário.
É o que avaliam especialistas consultados pelo Vermelho. Para eles, o governo federal ainda não compreendeu a magnitude do que está por vir e por isso segue perdido em disputas políticas e propostas insuficientes, como o Pró-Brasil, um programa de estímulo econômico com financiamento público que ainda não saiu do campo das intenções e sofre com fogo amigo, bombardeado pelo próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, e por sua equipe.
O Executivo também se melindrou com a aprovação, na Câmara dos Deputados, do plano de socorro aos estados e municípios, que graças à pandemia devem ter perdas monumentais na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Impostos sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). Paulo Guedes quer contrapartidas, para segurar os gastos. Por isso, o governo negocia com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), condicionar o auxílio da União ao congelamento de salários de servidores públicos por um ano e meio.
Segundo Paulo Kliass, doutor em Economia e especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, a paralisia do governo deve-se a uma disputa interna sobre qual deve ser a estratégia econômica. Há um choque entre o projeto eleitoral de Jair Bolsonaro para 2022 e a obsessão de Guedes pela agenda de cortes de gastos.
“Do ponto de vista do cálculo político, Bolsonaro está pensando em 2022. E está sendo convencido de que [para ter chances na disputa] tem que ser um governo de realização, que mostre ação para a população. Se ele quiser se contrapor às imagens que infelizmente teremos de aumento de mortes, de penúria em razão da pandemia, precisa mudar a política econômica na essência”, avalia.
O problema é que, para dar uma guinada na política econômica, Bolsonaro precisa ou convencer Paulo Guedes, ou abrir mão de mais um superministro e desagradar ao mercado. “O Paulo Guedes está procurando os grandes meios de comunicação para dizer que [o programa Pró-Brasil, idealizado pelo chefe da Casa Civil, general Braga Netto] é estatismo, intervencionismo. O Braga Netto não pode se opor abertamente, porque senão derruba o ministro da Economia. Então, está fazendo um trabalho de convencimento [de Jair Bolsonaro] nos bastidores”, afirma Paulo Kliass.
O economista avalia que congelar salários, achatando o poder de compras das famílias, é mais uma medida recessiva – que vem somar-se à suspensão de contrato de trabalho e à redução de salário e jornada, com o governo compensando os trabalhadores sobre o valor do seguro-desemprego em vez do valor do salário. “Qualquer país capitalista do mundo percebeu que é preciso romper com o austericídio. O consumo, a atividade econômica, afundam mais. É preciso oferecer renda à população necessitada, empresas e ter um programa de investimento público em áreas estratégicas”.
Para Kliass, é irrealista contar com o investimento privado pós-pandemia. “[As empresas] não terão dinheiro. E, quem tem dinheiro, não terá interesse em trazer dinheiro para cá nessa situação”.
Insolvência
Marco Rocha, professor do Instituto de Economia da Unicamp, que, sem a ajuda da União, a situação de estados e municípios deve se deteriorar muito. “Alguns estados já vinham com as contas comprometidas devido ao endividamento e à queda de arrecadação com a crise de 2014, 2015. O Rio de Janeiro deve ter uma perda da ordem de 50% da arrecadação do ICMS, mais uma queda significativa dos royalties [do petróleo]. Alguns estados vão ficar em situação de insolvência. As finanças subnacionais [de estados e municípios] vão precisar de muito mais atenção que o governo acredita que deve dar. A situação ainda ficará bem mais crítica”, analisa.
Ele prevê, ainda, que com o impacto da pandemia sobre micro e pequenas empresas, haverá uma mudança na estrutura ocupacional, reduzindo muito a capacidade de criação de empregos formais do país. O economista ressalta que políticas adotadas pelo governo, como liberação de crédito para pequenos empresários e pagamento do auxílio emergencial a microempreendedores individuais, não estão chegando aos destinatários. “Não estão desenhadas de forma adequada para chegar à base. Se não houver ação pública em relação a isso, não vai se resolver por si só”, destaca.
A falha em tomar as medidas necessárias, diz, compromete a própria quarentena. “Como o governo não organizou as linhas de ajuda, as pessoas são forçadas a retomar as atividades, bem no momento em que está aumentando a curva de contágio”. Para Marco Rocha, a ação do governo deveria se apoiar sobre três pilares: socorro a estados e municípios, linhas de crédito e renegociação de dívidas para pequenas empresas e, por fim, um programa de reativação da demanda.

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É bom você saber


Remédios para transtorno mental não afetam sistema imunológico
Os medicamentos tomados para transtornos mentais não afetam o sistema imunológico, aumentando o risco de infecção pelo novo coronavírus, afirma a professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp Patrícia Moriel.
A farmacêutica explica que há alguns medicamentos contraindicados para pessoas com transtornos mentais que tenham problemas cardíacos ou insuficiência respiratória. Se sintomas desse tipo ocorrerem em quadros de Covid-19, caberá ao médico pesar riscos e benefícios de seguir com a medicação, diz.
Segundo ela, um medicamento que pode causar reações adversas no sistema é a clozapina – especialmente em mulheres e idosos, nos primeiros três meses do tratamento. O remédio, indicado para esquizofrenia, pode reduzir o número de glóbulos brancos a níveis graves. Por isso o tratamento precisa ser acompanhado de perto pelo médico, com medição periódica dos leucócitos.
Moriel lembra que só um médico pode interromper um tratamento, após analisar se há alguma interação com outros medicamentos que possam ser prejudiciais ao paciente. Ela cita ainda um artigo publicado na revista científica americana Jama (Journal of the American Medical Association) que aponta o alto tabagismo, falta de moradia fixa, desemprego e falta de apoio de familiares e amigos como fatores que podem elevar o risco para doentes mentais em contexto de pandemia. (Géssica Brandino, na Folha de S. Paulo)

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Economia sangra

‘Indústria demite e espera retomada mais lenta após fim do isolamento’ [Mas o presidente continua achando que o problema não é com ele!] 

A dor infinita

Por trás dos números, a dor irreparável das famílias. Fique em casa https://bit.ly/2W7Us9L

28 abril 2020

Imbróglio


Ações na Justiça tentam barrar posse de amigo do clã Bolsonaro no comando da Polícia Federal, noticia a Folha de S. Paulo. Os pedidos feitos por partidos e movimentos políticos alegam “abuso de poder” e “desvio de finalidade” na escolha do novo chefe da corporação. Até as 16h às desta terça, ao menos cinco ações pediam a suspensão da nomeação de Ramagem alegando que o chefe do Executivo praticou “aparelhamento particular” ao indicá-lo para a função. [Um lance da crise de governo https://bit.ly/2VLZDgM que deve se arrastar sem limites]. Ramagem é homem de confiança do presidente e de seus filhos. 


Impressões da quarentena


Quem disse que seria fácil?
Rosalva Silva*

Eu já me acostumei a viver de certa forma isolada, em tempos “normais” costumo sair para meus compromissos diários. Mas ter a ideia de ir e vir, nos conforta a não estarmos “presos”. Para algumas pessoas pode estar mais difícil... mas ninguém pode mudar a situação-problema de uma hora pra outra... o mundo não para de girar.
Os amores vão suportar? Os casais que estão juntos, vão entender o significado de estar junto? Aqueles que se separaram, vão entender que foi a decisão certa, ou não? As famílias juntas vão se unir mais? Aqueles que estão longe, vão demonstrar mais afeto e importância? As amizades vão se aprofundar mais, ou não? Vamos aprender a dar mais valor à liberdade? Não sei! Acho que você também não sabe...
Mas se tem algo que me move é a fé! Fé em Deus, fé em dias melhores, fé que vamos aprender com isso tudo!
Não precisávamos ter uma pandemia, para o mundo notar que a vida não tem preço, que a Natureza consegue ser melhor sem a ação do Homem, que precisamos dizer a quem amamos todos os dias, que os amamos, que se não dissermos hoje, amanhã pode não existir.
Saia da zona de conforto. Se quer mesmo uma coisa, lute por ela, querer 100% e não fazer, é igual 100 x 0= continuará sendo 0, se mova ao que te faz feliz! Não espere por momentos ruins para sentir falta dos bons, tente ser uma boa pessoa em todos os instantes. Porque a vida é linda e vale a pena ser vivida a cada segundo!
A vida é curta demais, então viva! Sorria, abrace, ame, curta e seja feliz, porque se você acordou hoje, já é um privilegiado!
*Doutoranda em Saúde Pública pela Fiocruz
[Ilustração: Anita Malfatti]

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Humor de resistência

Charge de Gilmar