Flávio Bolsonaro é o único candidato a presidente investigado por corrupção
A abertura dos autos revela o candidato da extrema direita enroscado numa engrenagem de corrupção, lavagem de dinheiro e outros delitos graves
Editorial do 'Vermelho'
A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, de mandar quebrar o sigilo de todo o caso Banco Master, dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigir que as investigações fossem abertas integralmente, “seja quem for, doa a quem doer”, tira o caso das sombras nas quais o também ministro André Mendonça o havia deixado. O que aparecia em pedaços começa a ser colocado sob a luz pública. E, quando a luz chega, a versão do candidato à Presidência da extrema direita, Flávio Bolsonaro, de que tudo não passaria de perseguição política começa a se desfazer diante de uma sucessão de fatos documentados.
A operação da PF de busca e apreensão relacionada à produtora e às pessoas envolvidas com o suposto financiamento do filme Dark Horse, autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, envolvendo recursos públicos e emendas parlamentares, tocou somente na ponta do iceberg. Mas já é evidente o contraste com a atitude de Mendonça, que meteu o pé no freio das investigações, chegando ao ponto de afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, além de determinar a interrupção da produção de relatórios de inteligência. Medida arbitrária que favoreceu as facções criminosos e bandidos de toda espécie, como o ex-banqueiro criminoso Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Dino reagiu justamente apontando o risco de paralisação de investigações em curso e determinou a reintegração dos dois dirigentes da PF.
Fachin acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) apontando que a divulgação feita por Mendonça não abrangia grande parte dos procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero. A determinação agora é para que sejam encaminhados todos os procedimentos contidos ou relacionados, mantendo-se sob sigilo apenas as diligências cuja divulgação possa efetivamente comprometer sua realização.
Este episódio do levantamento total dos sigilos expôs, uma vez mais, a parcialidade de Mendonça, o papel espúrio de escudo de proteção de Flávio Bolsonaro. Depois que o ministro Dino liberou para divulgação os inquéritos do Dark Horse, Mendonça, acuado, se viu obrigado a fazer o mesmo em relação ao caso do Banco Master. Mas, providencialmente, em socorro ao Bolsonaro candidato, manteve trancada, exatamente, a parte que investiga as relações de dinheiro sujo entre Flávio e Vorcaro. Cedeu e abriu, finalmente, depois de sofrer nova carga de pressão por parte de seus pares e também da opinião pública.
Se destaca, do que foi revelado, que, por solicitação da PF, com aval da PGR, o ministro Mendonça não teve como se esquivar e emitiu despacho autorizando a instauração de procedimento investigatório contra Flávio Bolsonaro por fortes indícios de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros delitos relacionados ao suposto financiamento do filme Dark Horse, em operações que envolvem pelo menos R$ 134 milhões em negociações com Vorcaro.
Os documentos da PF revelam, como destacou o portal ICL Notícias, uma conexão até então desconhecida: o mesmo grupo que atuava na estratégia digital de Vorcaro para defender o Banco Master e atacar o Banco Central também monitorava as redes sociais de Flávio Bolsonaro. A sobreposição das duas atividades levanta novas questões sobre as relações entre o entorno político do candidato e a estrutura de comunicação mobilizada pelo ex-banqueiro.
É importante lembrar que Flávio Bolsonaro mudou sua versão sobre a relação com Vorcaro. A produtora do filme chegou a negar publicamente ter recebido dinheiro do ex-banqueiro, enquanto as investigações posteriormente identificaram as transferências. O escândalo ganhou dimensão ainda maior com as informações sobre transferências para uma estrutura financeira nos Estados Unidos associada a Eduardo Bolsonaro — irmão de Flávio, seu assessor de campanha e um de seus principais articuladores políticos —, o Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos.
Segundo a PF, o fundo recebeu US$ 12,3 milhões em 2025, em remessas feitas pela Entre Investimentos e Participações, empresa ligada ao operador Antônio Carlos Freixo Júnior, a pedido de Vorcaro. O Havengate é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. O irmão de Flavio, Eduardo, aparece como suspeito de direcionamento dos recursos para financiar crimes de lesa-pátria, como as atividades que contribuíram para o tarifaço de Trump contra o Brasil, operação que passou a integrar o foco das investigações.
A crise político-institucional, tendo como epicentro o STF, prossegue. Ela foi detonada por uma investida da extrema direita para prejudicar a campanha de reeleição do presidente Lula e favorecer o candidato de Donald Trump e da extrema direita.
No próximo dia 15, está marcada uma sessão plenária do STF, da qual resultarão desdobramentos da crise. Mendonça perdeu, devido à inquestionável parcialidade, as condições para seguir à frente das relatorias dos casos Master e INSS e precisa ser afastado delas. Na noite deste sábado,12, o presidente Fachin adotou medidas nesta direção. Sobre Mendonça, além da parcialidade, pairam outros graves delitos, tais como interferência nas investigações, o acúmulo dos papéis de juiz e investigador, e ainda há uma reunião privada que ele teve com Vorcaro, mantida oculta pelo ministro.
Há uma incerteza sobre qual rito regerá a sessão. A pauta também está sob disputa. O ministro Gilmar Mendes encaminhou oficio ao presidente Fachin para que fossem reunidos e examinados, conjuntamente, a solicitação de abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes e o pedido com mesmo teor referente a Mendonça. Solicitação plausível. Fachin decidiu examinar separadamente. Na sessão do dia 15, o caso de Moraes, e o de Mendonça para o dia 23. Decisão controversa, que só aumenta o contencioso.
Parte da grande mídia pressiona por um desfecho unilateral: a cabeça de Moraes e ponto. Ao mesmo tempo, é indulgente com Mendonça e, na prática, pretende mantê-lo nas relatorias para que ele siga prejudicando a campanha de Lula.
É preciso que seja sanado, em definitivo, o dano provocado pelo ministro Mendonça. As prerrogativas da Presidência da República devem ser asseguradas, e o diretor-geral da Polícia e o diretor de Inteligência devem ser mantidos em suas funções.
As forças democráticas e progressistas, ao mesmo tempo em que atuam para que o STF supere a crise que enfrenta, precisam partir para a contraofensiva e a campanha à reeleição do presidente Lula retomar a iniciativa política, com a consciência de que a disputa entrou numa nova etapa, que demanda mudanças consoantes às exigências que emergiram.
Uma campanha que seja de confronto, de desmascaramento de Flávio Bolsonaro e propositiva, dando nitidez ao futuro de desenvolvimento soberano, ampliação da democracia e de elevação da qualidade de vida do povo, com valorização do trabalho e nova geração de direitos, caso o eleitorado brasileiro honre o presidente Lula com um quarto mandato.
A retomada da inciativa, além da ampliação da aliança e do reforço do engajamento da frente democrática e popular, exige alcançar um novo patamar da mobilização da larga base social de apoio de Lula. As mobilizações devem se estender por todo país. Toda força, nas ruas e redes, redes e ruas!
A crise desencadeada começa a produzir efeitos contrários aos concebidos pela extrema direita e pelo imperialismo. Ela acendeu um sinal vermelho no campo partidário da nação e dos trabalhadores; ela começa a sacudir os ombros dos verdadeiros patriotas e democratas. Todos juntos para redobrar o empenho e os esforços para fortalecer a campanha da chapa Lula-Alckmin. No geral, os comícios de Lula têm reunido multidões. Praças imensas têm sido, completamente, lotadas, pulsando forte esperança e disposição de luta, a exemplo dos que se realizaram em Porto Alegre e Curitiba. E as últimas pesquisas atestam, apesar do bombardeio, a resiliência do presidente.
E já se vê uma face do efeito bumerangue. Uma pergunta está colocada para os eleitores e eleitoras: Flávio Bolsonaro, único candidato a presidente, investigado pela Polícia Federal, com autorização do STF, por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, pode governar o Brasil? Quem vive do seu suor e de seu trabalho quer, no Palácio do Planalto, um candidato que sabota o fim da escala 6×1? Quem ama o Brasil deseja eleger um serviçal de Trump, que, se eleito, vai entregar as riquezas do país aos Estados Unidos? Quem valoriza a democracia dará seu voto a um candidato que, a exemplo do pai, planeja impor um regime autoritário-ditatorial?
Gol contra de André Mendonça https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01494046490.html

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