Absurdo retrocesso
Luciano Siqueira
Subproduto da onda conservadora que varre o mundo ocidental e se faz presente de modo agressivo e multifacetado no Brasil, a condenação ao voto feminino acontece com certa força nos ambientes digitais.
É o que revela reportagem da BBC News Brasil https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy74n45p7dyo - a emergência de uma rede de influenciadores digitais e figuras públicas brasileiras ligadas a setores ultraconservadores e de extrema-direita passaram a contestar abertamente a participação das mulheres na política e o próprio direito ao voto feminino.
Um absurdo, porém real.
Influenciadores defendem a tese de que a ampliação do eleitorado feminino seria nociva ao processo político porque as mulheres tomariam decisões eleitorais pautadas por "emocionalismo”, "fragilidade" ou suposta cooptação por pautas progressistas.
Daí o voto feminino seria prejudicial à estabilidade social e às famílias.
Na prática, influência direta de correntes ultraconservadoras e reacionárias dos Estados Unidos. Assimila o movimento red pill, grupos de estilo de vida tradwives (esposas tradicionais) e a alt-right americana, onde se defende a ideia do "voto familiar" (em que o homem, tido como chefe do lar, representaria a unidade doméstica nas urnas).
Parece fantasia, mas não é.
Acontece com a participação ativa de mulheres influencers conservadoras que adotam essa narrativa utilizando suas redes sociais para defender papéis tradicionais de submissão e criticar os avanços dos direitos políticos das mulheres.
Tal movimento contribui diretamente para a escalada da misoginia digital, a transformação de pautas antifeministas radicais em conteúdos voltados para o engajamento de algoritmos e monetização.
Segundo a BBC, o questionamento do voto feminino não representa um debate isolado sobre regras eleitorais, mas sim a expressão de um projeto cultural e ideológico amplo que visa deslegitimar a presença da mulher no espaço público e desacreditar o próprio sistema democrático.
[Ilustração imagem produzida por IA]
A necessidade de um salto de qualidade no combate à violência contra mulher https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/09/violencia-sexista_10.html

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