28 maio 2025

Palavra de poeta

retalhos
Cida Pedrosa 

vi escapar pela língua
a felicidade que falava
atrás da porta.
é hora de rever
este amor e
buscar no baú minhas histórias.
reunir carícias
reduzir desejos.
é melhor guardar o amor
na colcha
na concha
no colchão
para que permaneça
sem cheiro de solidão.


[Ilustração: Pablo Picasso]

Leia também: "Sentimento do mundo", poema de Carlos Drummond de Andrade https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/palavra-de-poeta-carlos-drummond-de.html 

Arte é vida

Geovani Cardoso

Leia: O globo da morte mais perigoso do Brasil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/12/minha-opiniao_16.html 

Dica de leitura

Princípios 171: China e nova economia do projetamento
Publicada pela Editora Anita Garibaldi, a revista Princípios (Qualis A3) é o periódico científico marxista mais antigo do Brasil. (ISSN:1415-7888; E-ISSN: 2675-6609) 

Acaba de ser lançada a nova edição da revista Princípios n. 171. Este novo número traz o dossiê “China e nova economia de projetamento”, organizado pelo professor Elias Jabbour. O sucesso deste Dossiê foi tão grande que a Comissão Editorial da revista optou pelo lançamento de duas edições consecutivas dedicadas ao tema. Assim, a próxima edição 172 também tratará dessa temática.

Confira abaixo o editorial do número 171 da revista Princípios.

Ignácio Rangel e sua “economia do projetamento” renascem na China

A renovação do marxismo e o exame dos caminhos da construção socialista sempre estiveram entre os objetivos que norteiam o trabalho editorial de Princípios. Esses mesmos objetivos motivaram o lançamento da chamada de artigos dedicada à nova economia do projetamento. Esse conceito, sobre o qual tem se debruçado uma equipe de pesquisadores liderada pelo professor Elias Jabbour, tem se mostrado profícuo o bastante para lançar nova luz não apenas sobre o fenômeno chinês — uma das grandes esfinges de nossa época — mas sobre a questão mais ampla da alternativa socialista na atualidade.

Não à toa, a referida chamada de artigos foi uma das mais concorridas da história recente da revista. Isso levou a Comissão Editorial a optar pelo lançamento de duas edições consecutivas dedicadas ao tema. A primeira delas, que o leitor tem em mãos, dedica-se à leitura da China como exemplo de nova economia do projetamento. A edição reúne estudos mais empíricos, que se debruçam sobre aspectos específicos da vida chinesa, buscando mostrar como a grande nação asiática renova modelos de planejamento, processo que aponta para um novo patamar da construção socialista. O próximo número da revista, por seu turno, trará artigos mais teóricos, com reflexões sobre o significado da nova economia do projetamento para o socialismo do século XXI.

Encontra-se na ordem do dia das ciências humanas e sociais a criação de uma teoria para compreender a China. Por que a análise da realidade chinesa demanda uma teoria? Trata-se de uma realidade particular, paralela às demais? A verdade é que o país tem inaugurado, ao longo das últimas décadas e de forma mais rápida no pós-crise financeira de 2007-2008, formas superiores de planificação econômica e intervenção rápida sobre o território, o que implica um maior domínio humano sobre a realidade — seja a natural, seja a sociocultural. Ora, se as teorias refletem níveis determinados de interação entre os seres humanos e o meio ambiente — podendo, mesmo, abrir caminho a novos modos históricos de produção —, é necessário admitir que o ferramental teórico disponível nã ;o é mais capaz de entregar uma visão de totalidade sobre o que acontece naquela região do mundo.

Clique aqui para conferir os números antigos da Princípios (1 a 100) https://cdm.grabois.org.br/periodicos/?view_mode=table&perpage=12&order=ASC&orderby=date&fetch_only_meta=23940%2C23783%2C23779&search=princ%C3%ADpios&taxquery%5B0%5D%5Btaxonomy%5 D=tnc_tax_23942&taxquery%5B0%5D%5Bterms%5D%5B0%5D=27&taxquery%5B0%5D%5Bcompare%5D=IN&paged=1&fetch_only=thumbnail

O nível de coordenação tanto do planejamento quanto do investimento alcançado pelos chineses entrega fatos e tendências que ainda nos escapam. Podemos elencar, a título de exemplo, o fato de nos últimos dez anos cerca de 200 milhões de chineses terem migrado do campo para a cidade sem a ocorrência das contradições e flagelos que são típicos desse processo na periferia do capitalismo. Podemos mencionar, ainda, a construção de 45 mil quilômetros de trens de alta velocidade em um espaço de 25 anos; a expansão metroviária para cidades “China adentro”; a modernização e elevação rápida da composição orgânica do capital na agricultura; o salto — quase único na história — para a formação de uma potência em matéria de energia renovável. A China vivencia, ainda, uma grande revolução em matéria de desenvolvimento urbano e regional, com iniciativas como o “Grande desenvolvimento do Oeste” e a erradicação da pobreza extrema. Sem falar da Iniciativa Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative), carro-chefe de um extraordinário trabalho de integração que aponta mesmo para um modelo alternativo de globalização — a serviço dos povos, e não do capital.

A China de hoje está a operar um processo de transformação disruptivo cujas bases são tanto um poder político de novo tipo quanto o controle do Partido Comunista sobre a grande propriedade pública e a grande finança. Percebe-se que os desafios impostos pelas “contradições de múltipla ordem”, fruto desse processo tão rápido quanto único, abrem condições para mais experimentos sociais, como também para a transformação de quantidade em qualidade em todos os campos da ciência social aplicada. A explosão de novos experimentos e novas aplicações tem gerado, de forma quase sequencial, picos de “momentos Sputnik”. É nesse contexto que pipocam noções como a de “milagre chinês”, reveladoras de certa impotência analítica. Afinal, quando algo passa a ser chamado de &l dquo;milagre” é porque as teorias à disposição já deixaram de dar conta da realidade. Essa situação impõe um retorno aos fundamentos. Como parte desse esforço, é de fundamental importância revisitar os clássicos do desenvolvimento. Um dos mais vigorosos entre eles, o economista maranhense Ignácio Rangel, inspira os trabalhos veiculados nesta edição de Princípios. Seu opúsculo Elementos de economia do projetamento, de 1959, tem ajudado sobremaneira a fornecer novas explicações para as ocorrências que emanam da China. O projetamento, segundo Rangel, é a ciência da busca de uma razão superior na relação custo-benefício. Se por um lado essa economia do projetamento morre junto com as primeiras experiências socialistas e o renascimento do keynesianismo militarizado nos EUA, por outro lado ela ressurg e agora, na China, como “nova economia do projetamento”.

Este dossiê de Princípios busca mostrar como a teoria rangeliana pode ser aplicada ao caso chinês. Não é despropositado afirmar, nesse sentido, que renasce no Brasil uma teoria capaz de nos entregar uma visão científica acerca dos novos desdobramentos da construção do socialismo, que têm hoje na China a nação protagonista desse processo.

Princípios traz ainda, nesta edição de número 171, textos voltados a outras temáticas, tecidos a partir de abordagens diversas. Um artigo complementa as contribuições do dossiê ao traçar, embora sem recurso à noção de “nova economia do projetamento”, um panorama da política industrial e, em particular, do papel jogado pelas empresas estatais chinesas no processo de catching-up que vem aproximando o país da fronteira tecnológica em áreas diversas. Em tempos de debate sobre as dificuldades de comunicação da esquerda, uma engenhosa contribuição apoia-se nas teses de autores como Pierre Bourdieu e Jesus Martin-Barbero para analisar aspectos do discurso utilizado, nas eleições de 2022, pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. São apresentadas as razões do êxito de certas estrat&eacut e;gias discursivas, assim como suas potencialidades e limites. Compõe ainda esta edição um artigo que, à luz do lançamento da Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), reflete sobre o sentido humanista dessa política, propondo que se considere o sofrimento não apenas em sua dimensão fisiológica e individual, mas também como fenômeno social. Tal atitude implica o estreitamento das relações entre o serviço social e a área da saúde.

O tema da realidade chinesa retorna à revista em suas últimas páginas, que trazem uma fértil resenha sobre os livros Adam Smith em Pequim: origens e fundamentos do século XXI, de Giovanni Arrighi, e Como a China escapou da terapia de choque, de Isabela Weber, obras que ajudam na compreensão dos inovadores processos econômicos e sociais que se verificam na China contemporânea.

Desejamos uma boa leitura!

A Comissão Editorial

Simpósio da Grabois debate desenvolvimento e desafios do Brasil no cenário global https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/04/fundacao-grabois-debate.html 

Novo técnico, novo esquema tático?

Ancelotti, o técnico sem filosofia
Treinador representa o futebol moderno, prático, que associa talento, estratégia e disciplina
Tostão/Folha de S. Paulo  



Existe um consenso de que o italiano Ancelotti, campeão em vários países, é um grandíssimo treinador, embora alguns achem que o técnico da seleção deveria ser um brasileiro. Outros pensam que o fato de ele nunca ter sido treinador de seleção possa prejudicá-lo, ainda mais em outro país.

Ancelotti já mostrou que se adapta muito bem a diferentes circunstâncias e tem bom relacionamento com jogadores, dirigentes, torcedores e imprensa esportiva.

Por melhor que ele seja, não há nenhuma certeza de que a seleção dará um salto de qualidade. O desempenho e os resultados dependem de muitos fatores, como a qualidade dos jogadores, dos adversários e de inúmeros detalhes previsíveis e imprevisíveis.

Os problemas da seleção não são apenas coletivos. Existe uma carência nas laterais, no meio-campo e na posição de centroavante. Quando digo isso, não comparo com os craques dessas posições presentes na história do futebol brasileiro, e sim com jogadores atuais dessas posições de outras fortes seleções.

Como todas apresentam também deficiências, o Brasil é sempre candidato a ganhar um título mundial. Se melhorar com Ancelotti, aumentam as chances.

Na convocação não houve grandes surpresas. Há muitos outros jogadores mais ou menos do mesmo nível de alguns que foram chamados. Casemiro deve ser o titular. Ancelotti o conhece bem e conta com sua liderança e experiência, além de ele ser bom nas jogadas aéreas, defensivas e ofensivas, uma prática cada vez mais decisiva no futebol. 

Repito: como o futebol exige hoje muito mais mobilidade dos jogadores de meio-campo, que marcam, constroem e avançam, prefiro ver Casemiro mais centralizado na proteção dos defensores, formando um trio com um meio-campista de cada lado que atuam de uma intermediária à outra. Isso facilita o avanço dos laterais.

Outra opção de Ancelotti é atuar com dois volantes e dois pontas que voltam para marcar, formando um quarteto na proteção dos quatro defensores, além de um meia centralizado ofensivo e um centroavante.

Bruno Guimarães, o melhor dos meio-campistas brasileiros, atua com muito mais qualidade no Newcastle do que na seleção porque o time inglês joga com um volante pelo centro e um meio-campista de cada lado (Bruno Guimarães e Joelinton). Bruno marca, dá ótimos passes e avança com muita eficiência. Na seleção ele tem sido apenas um volante marcador.

O melhor da entrevista coletiva de Ancelotti ao ser perguntado sobre qual é a sua filosofia de jogo e se prefere o estilo mais propositivo ou mais reativo, respondeu, com sabedoria e simplicidade, que não tem filosofia, que seu time joga de acordo com o momento e as características e qualidades de seus jogadores e adversários e que a melhor estratégia é a mais bem executada. Ancelotti conhece profundamente o óbvio.

A festejada contratação de Ancelotti é também contraditória. Ao mesmo tempo em que existe um desejo nacional, uma utopia saudosista de que o Brasil volte às suas origens e jogue um futebol encantador e que dê espetáculo, Ancelotti representa o futebol moderno, prático, que associa o talento à estratégia e à disciplina.

Assim são o futebol e a vida. Somos todos contraditórios, uns mais que outros.

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Leia também: "Mergulhar fundo para avançar na superfície" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/11/meu-artigo-no-portal-da-fundacao.html 

O poder das Big Techs e seus impactos no Brasil

Quem controla o mundo digital?

O poder das Big Techs e seus impactos no Brasil. As gigantes da tecnologia dominam a economia, a comunicação e até a política global. Mas até onde vai esse poder? Quem controla nossos dados e define as regras do jogo digital? E como isso afeta a soberania do Brasil?

No Simpósio “Desafios brasileiros em direção ao novo ciclo de desenvolvimento soberano”, a Mesa 3 - “As TCIs e os novos poderosos do mundo, as Big Techs”  - reúne grandes especialistas para debater o impacto desse domínio e os desafios para a regulação e a soberania digital do país.

Com participação de Marcos Dantas – professor titular aposentado da UFRJ,  Helena Lastres – pesquisadora Associada ao Instituto de Economia da UFRJ e Luana Bonone – Coordenadora-Geral de Popularização da Ciência e Tecnologia do do Ministério de Ciência e Tecnologia.

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Elon Musk utiliza mesma estratégia de Henry Ford para disseminar ódio https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/05/mentira-odio.html

Postei no X

Repórteres da rede Globo-CBN tentaram colocar a ministra Marina Silva em situação desconfortável no governo, mas ela reagiu citando quase 30 ações e programas importantes em defesa da sustentabilidade ambiental lideradas pelo próprio presidente Lula. Caíram do cavalo. 

Estratégia, tática e correlação de forças https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/05/estrategia-tatica-e-correlacao-de-forcas.html?m=1 

Humor de resistência

 

Quinho

Leia: IA, nem inteligente, nem artificial https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/03/ia-o-que-e.html