27 outubro 2020

Haroldo Lima: O exemplo do Chile

Às vésperas da eleição presidencial nos Estados Unidos e de eleições municipais no Brasil, o povo chileno fez ecoar dos Andes um brado incendiário contra a tirania, os verdugos e seus feitos infames. O povo chileno mostrou que não quer deixar pedra sobre pedra da cruel ditadura de Pinochet que prevaleceu de 1973 a 1990 e que praticou crimes hediondos: mais de 3000 mortes, mais de 40.000 torturados.

A história costuma fazer viradas bruscas. E ventos libertários estão soprando na Argentina, no México, na Venezuela, em Cuba, no Uruguai, na Bolívia, agora no Chile, sinalizando que esses vão se alastrar e chegar a outros países como o Brasil, onde se esconde um admirador de torturadores, puxa-saco de americanos e chefe de quadrilha familiar e miliciana. Essa turma não perde por esperar. (Portal Vermelho).

Crônica de notícia truncada


Hoje cedo ouvi numa emissora de rádio duas notícias sucessivas serem corrigidas pelos repórteres. Informações imprecisas que não batiam umas com as outras. Lembrei-me dessa minha velha crônica...

O rádio e a antecipação da notícia

Luciano Siqueira


Fernando Sabino diz numa de suas crônicas que o rádio entrou na residência dos brasileiros pela sala de visitas e foi parar na cozinha, com o advento da televisão. Aqui em casa, não exatamente na cozinha, no banheiro. Porém não relegado a uma condição inferior, vez que é muito mais ouvido do que vista é a TV. Desde cinco horas da manhã, quando tomamos o primeiro banho antes da caminhada matinal. Ali, sempre presente, de domingo a domingo, anunciando os acontecimentos do dia e difundindo comentários de tudo o que é gente metida a entendida nos mais variados assuntos.

Testemunhamos assim a importância do rádio na formação da consciência política do nosso povo. Não só do rádio, mas dos meios de comunicação como um todo: a TV e os jornais, e também os sítios na Internet, guardam uma relação simbiótica com o rádio, um alimenta os demais e vice-versa.

O rádio confirma ou antecipa a notícia. Dependendo da hora em que o sintonizemos. Na madrugada, os jornais do dia já não terão tempo de registrarem o que ocorreu em Estocolmo, Atenas ou Mossoró, naquele instante; mas o rádio sim, pois a informação terá sido captada em tempo real, via Internet e de imediato repassada aos ouvintes.

A “antecipação” da notícia às vezes é precipitada pela ansiedade de quem a transmite. Vira premonição. Como aconteceu com um jovem repórter da Rádio Jornal, no Recife, em meados dos anos 80, quando exercíamos nosso mandato de deputado estadual colado às lutas populares em ascensão. Uma espécie de plantão permanente, para o que desse e viesse. Um pé na Assembleia Legislativa e o outro nas ruas.

Foi na ocupação do conjunto habitacional Montes Verdes, no Ibura. Transmissão ao vivo. O repórter narra a chegada do Batalhão de Choque da Polícia Militar, enviado pelo governador Roberto Magalhães, e o tumulto que se instala – gritaria, corre-corre, choro de crianças, vozes exaltadas:

- Há muita confusão, senhores ouvintes, pessoas podem ser feridas. Como sempre acontece, o deputado Luciano Siqueira já se encontra no local e, segundo lideranças comunitárias ouvidas pela reportagem, já teve um entrevero com o capitão Viana.

- Então ouça o depoimento do deputado – pede o locutor do estúdio.

- Ainda não é possível. O deputado parece estar encoberto pela poeira que se levanta no local do conflito, onde alguns policiais foram agredidos a pedradas.

- Ele foi agredido pelos policiais? É importante verificar isso.

- Vamos verificar, vamos verificar... e dentro de alguns minutos ele dará entrevista exclusiva para nossa emissora.

Mas não tinha jeito de encontrar o deputado, que ouvia tudo pelo rádio do carro, ainda se deslocando de casa para o bairro, agora o mais rápido que podia – para cumprir o dever e não frustrar o repórter e os seus ouvintes.

Veja: A vida não se resume num samba curto https://bit.ly/3hN3UrP  


Campanha chegando ao auge

Veja: Campanha com pouca grana e muita garra https://bit.ly/3khvz6t

Desigualdade de gênero

Pela primeira vez nos últimos 30 anos, a maioria das mulheres brasileiras está fora do mercado de trabalho. A crise econômica brasileira, agravada com os retrocessos do governo Jair Bolsonaro e a pandemia de Covid-19, aumentou o desemprego dos trabalhadores em geral – mas das trabalhadoras em particular. No segundo trimestre deste ano, a participação feminina no mercado despencou para 46,3%. Esse indicador considera mulheres com mais de 14 anos que trabalham ou estão procurando emprego, na comparação com o universo total do gênero. Após bater recordes nos governos Lula e Dilma, o índice recuou no rastro da recessão, do golpe de 2016 e da chegada de Bolsonaro ao poder. Leia mais https://bit.ly/3kD2J0s

Chile avança

Chile dá alento contra o autoritarismo

Portal Vermelho

 

Pode-se dizer que as palavras do ex-presidente do Chile, Salvador Allende, em seu último discurso quando o sangrento golpe militar comandado pelo general Augusto Pinochet avançava, estão se cumprindo. “O povo deve se defender, mas não deve se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranquilizar, mas tampouco pode humilhar-se”, disse ele. “Sigais sabendo que muito mais cedo do que se espera, se abrirão novamente as grandes alamedas pelas quais passarão homens livres para construir uma sociedade melhor”, prosseguiu.

Hoje, o Chile amanheceu sob a égide de uma nova realidade do ponto de vista da institucionalidade do país. No domingo (25), o povo chileno deu a vitória, em plebiscito, a uma nova Constituição, uma das principais reivindicações dos manifestantes que ocupam as ruas do país há tempos. É o caminho para o enterro da Constituição de 1980, herdada do regime de Pinochet, um entulho autoritário de viés radicalmente neoliberal.

Os acontecimentos no Chile demonstram que os processos históricos para se superar uma ditadura sanguinária e longeva como a chilena são complexos, demandam amplitude, mobilização intensa do povo e, por vezes, um longo tempo. Com essas premissas, as forças que lutam pela democracia no Chile fizeram o percurso de combate à ditadura por diferentes meios, vencendo várias etapas, e continuam em combate na busca de um país totalmente livre dos percalços que impendem a sua democracia e o seu desenvolvimento.

Essa é mais uma vitória das forças democráticas e progressistas na região, castigada, desde a década de 1950, por uma ofensiva neocolonizadora que tem como epicentro o sistema de poder dos Estados Unidos. O Chile ficou marcado por ser o país em que o regime ditatorial das cadeias de golpes militares se prolongou até 1990. Iniciada em 1973, a ditadura chilena ficou marcada também por ser a mais feroz experiência de implantação do projeto neoliberal.

Nesse momento em que a América Latina enfrenta mais uma onda de autoritarismo, com golpes de nova modalidade em alguns países da região e governos com nítido intento de romper as fronteiras da democracia que emergiram no curso do enfrentamento com o processo golpista desencadeado logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o resultado do plebiscito chileno se soma à vitória boliviana em suas recentes eleições para dar um novo alento às forças democráticas e patrióticas. Mas a batalha está em pleno andamento.

O Brasil, por seu significado na região, é o país em que os desafios são mais complexos. O governo de extrema direita do presidente Jair Bolsonaro certamente agirá para criar obstáculos à retomada da marcha pela democracia nos países que estão recusando à volta ao autoritarismo e ao neoliberalismo – como a Argentina, a Bolívia, o México e agora o Chile –, além de seguir avançando sobre a institucionalidade democrática brasileira. Isolar e derrotar Bolsonaro, portando, é uma tarefa de grande envergadura.

Sinuoso é o processo de elevação da consciência cidadã https://bit.ly/2ZVr8pE  

Redes nem sempre sociais

Brasil vive epidemia de ataque virtual

Uma das razões para isso é o aumento no uso de redes sociais durante a pandemia

Ronaldo Lemos, Folha de S. Paulo

 

A crise da Covid-19 apressou por necessidade processos de transformação digital e fez crescer também um outro problema. Há uma verdadeira epidemia de ataques virtuais acontecendo, incluindo plataformas como Whatsapp e Instagram.

Uma das razões para isso é o aumento no uso das plataformas digitais. Durante a pandemia o Whatsapp teve um aumento de uso de 40%, de acordo com dados da consultoria Kantar. Em alguns mercados, como a Espanha, o uso aumentou 76%.

Entre usuários de 18 a 34 anos, houve também aumento de 40% no uso do Facebook e do Instagram.

Com mais tempo online em casa e sem as proteções que em geral as redes corporativas possuem para quem trabalha em escritório, a "superfície" de ataque aumentou consideravelmente. Por conta disso, é muito provável que você tenha algum conhecido ou familiar que teve sua conta de Whatsapp hackeada nos últimos dias.

A forma como esse ataque acontece é variada. Um dos métodos se aproveita de uma falha no Whatsapp Web, enviando um falso contato para a o usuário. Para resolver esse tipo de ataque a providência é simples: atualize seu aplicativo do Whatsapp imediatamente.

Outro tipo de ataque usa a chamada "engenharia social", isto é, a famosa falha humana. A partir de uma conta de Whatsapp ou Facebook já hackeada ou por meio de mensagens de SMS enviadas para o número da pessoa, o atacante se coloca como um amigo precisando de ajuda. Ele diz estar tendo dificuldade para receber um código no seu celular, e pede ajuda para você mandar o código para ele.

A partir daí, ele pede para o Whatsapp enviar um código de verificação para a vítima, que achando que está falando com uma pessoa em quem confia, acaba encaminhando o código. Ao fazer isso, o atacante usa o código para ter acesso à conta da vítima.

A partir daí, passa a analisar os contatos mais frequentes daquela conta e a enviar mensagem com golpes pedindo dinheiro ou tentando angariar mais contas hackeadas. É um método bastante rudimentar de ataque, mas que tem sido eficaz.

Outro ataque parecido tem acontecido no Instagram, tendo por alvo contas verificadas (aquele selinho azul). Várias celebridades no Brasil foram vítimas desse golpe nas últimas semanas.

Veja: Faz-se o que é possível para se alcançar o que se deseja https://bit.ly/2TatLA8

Estupidez

Bolsonaro recomenda voto contra prefeitos que adotaram medidas de isolamento social contra coronavírus. Pode existir conduta mais obtusa?