10 março 2012

O sentido do que se diz

Palavras devem ser mais do que palavras
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Revista Algomais
Na década de setenta, a rede Globo exibia um programa humorístico em que o personagem Walfrido Canavieira - criado e interpretado por Chico Anysio -, ao discursar para a multidão, à guisa de comício, concluía sua fala, em geral vazia, com a expressão: “palavras são palavras, nada mais do que palavras”.

Essa afirmação do discurso demagógico, que pretende conquistar votos sem firmar compromissos claros e factíveis diante do povo, vem à tona com certa força na atual fase pré-eleitoral. Pré-candidatos a prefeito em todo o País – segundo se lê na imprensa e se observa cá na província -, devidamente instruídos por suas assessorias de marketing, pinçam de pesquisas de opinião os problemas mais sentidos pela população e em torno de cada um deles antecipam uma promessa – de preferência apresentada em termos plásticos e atraentes. Pouco importa a viabilidade do que se anuncia, vale a conquista do aval partidário e a simpatia do eleitor.

Há demagogia para todos os gostos. Sem nenhuma consideração para com os dispositivos constitucionais, nem para com as dificuldades de financiamento relacionadas com os limites da arrecadação municipal e com os rigores da Lei de Responsabilidade Fiscal.

De outra parte, mesmo em cidades de grande e médio porte, muitos tratam o município como uma entidade apartada do Estado e da União, como se ente federativo não fosse. Descuidam das implicações de políticas públicas federais no equacionamento de problemas municipais – como desemprego, segurança, saúde, educação, saneamento básico, desenvolvimento de atividades produtivas diversas, etc. E ignoram o peso da mobilização da sociedade local em favor do desenvolvimento nacional.

Nas plataformas (termo mais apropriado do que “programa”) dos candidatos majoritários, o destaque óbvio está nos problemas e soluções locais, porém o elemento nacional não pode está ausente. Todo candidato progressista, mormente os situados à esquerda no espectro das forças que dão respaldo ao governo Dilma, deve se posicionar, por exemplo, sobre projetos e programas do governo federal que, uma vez concretizados, melhorarão em muito as condições de vida nas cidades – como a política de investimento visando acelerar o crescimento econômico, incrementada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Demais, a ideia de um pacto nacional pelo desenvolvimento e pelo emprego, com a valorização do trabalho, no período pós-eleitoral precisa encontrar nos prefeitos eleitos mediadores qualificados junto aos partidos da base do governo, ao movimento social e a segmentos e personalidades expressivas na vida local.

Promessas de futuro candidato não podem ser simples palavras, nada mais do que palavras. Devem
expressar propostas de conteúdo responsável, para que o eleitor possa fazer uma escolha consciente.

Deslindando novas veredas

Ciência Hoje Online:
Novo DNA
Pesquisadores encontram em células saudáveis de humanos e camundongos dezenas de milhares de pequenas moléculas de um DNA até então desconhecido. O material genético descoberto é circular e não faz parte do nosso genoma.
. Todas as células do nosso corpo têm a mesma informação genética, certo? Errado. Um grupo internacional de pesquisadores acaba de descobrir em tecidos sadios de humanos e camundongos uma nova forma de DNA proveniente de pequenos cortes no DNA cromossômico. Esse material genético não está presente no núcleo de todas as células, o que significa que temos células com diferentes sequências de DNA – um verdadeiro mosaico genético.
. O novo DNA foi batizado de microDNA por ser muito pequeno, com no máximo 400 unidades básicas (bases nitrogenadas) – uma quantidade ínfima se comparada aos cerca de 3 bilhões do DNA cromossômico. Além disso, ele não tem a forma de uma hélice linear, mas sim circular.
. DNAs circulares são comuns em bactérias e já haviam sido encontrados em mamíferos, mas em maior tamanho e somente em células cancerosas. Até hoje os cientistas não sabem precisar a sua origem. Alguns acreditam se tratar de uma mutação. Outros apostam que o DNA circular é formado por pedaços de DNA cromossômico que, por alguma razão, se desprendem e têm suas pontas unidas em círculo.
. Leia a matéria na íntegra: http://goo.gl/Enwrj

O que cada um tem a dizer

Qualificar a pauta pré-eleitoral
Luciano Siqueira

Publicado no portal Brasil 247

Em todo o País o debate pré-eleitoral toma corpo, seja pela divulgação das primeiras pesquisas destinadas a captar tendências no eleitorado, seja principalmente porque os partidos já levam em conta a variável tempo tendo em vista as convenções de junho. Tudo bem que assim seja. E que se dê com a transparência possível, para que aquele que irá decidir a parada em outubro possa acompanhar o evolver dos fatos – e das ideias.

Mas, por enquanto, ideias ainda estão escassas; ocupa o centro das atenções a especulação acerca de nomes. Ou seja, há as pré-candidaturas, mas falta ainda colocar à mesa uma pauta substantiva, para além das personalidades envolvidas.

Devagar que o santo é de barro, diz por aqui. E é. Quer dizer: cada coisa há seu tempo para não botar o carro adiante dos bois. O que não quer dizer que se desconheça que bate à porta uma agenda irrecusável que contempla a todos, inclusive aos que não postulam a cabeça de chapa.

Começa com o desenho, ainda que inicial, da plataforma a ser apresentada com o fim de unir as forças coligadas e empolgar o eleitorado. Um conjunto de proposições que deem conta das exigências crescentes advindas de parcelas expressivas da população em favor do desenvolvimento sustentável de nossas cidades. Como explorar em âmbito local as possibilidades doa atual ciclo de crescimento que o país experimenta, assegurando crescimento econômico consistente e duradouro com distribuição de renda, inclusão social e equilíbrio ambiental.

Depois, considerando o cenário em formação, a correlação de forças que previamente se apresenta, a estratégia e a tática a serem seguidas. Aos que se encontram no governo, uma; aos que pelejam pelo lado da posição, outra.

E ainda entrará em cena, já já, a necessidade de entendimento sobre estilo e método de campanha – que se deseja o mais colada possível à base do eleitorado; o uso dos tempos de TV e rádio, essencial à força hegemônica na coligação e igualmente as demais parceiros; o comando conjunto da campanha.

E, concomitantemente com a composição da chapa majoritária – prefeito e vice-prefeito -, os arranjos em torno da disputa por vagas na Câmara Municipal.

A eleição de vereadores – a chamada eleição proporcional – tem pouco destaque no noticiário, o que configura uma lacuna. Os parlamentos municipais, inclusive em importantes capitais, encontram-se defasados em sua composição, majoritariamente de extração localista e de viés tradicional, em prejuízo da abordagem dos problemas candentes da cidade. O Poder Legislativo há que ser valorizado perante os olhos dos eleitores e os partidos têm o dever de apresentar nominatas consonantes com as demandas atuais, de natureza progressista.

Havendo vontade política, será possível cuidar disso tudo em tempo hábil, com serenidade e competência.

Boa tarde, Hélio Pellegrino

Aldemir Martins
O galo
Canto forrado em
carne, e sob as penas,
este carvão que
espreita. E salta em
arco sobre os pulmões
do dia. E bifurca a
manhã com a córnea de
seu bico.

Onde residem as ameaças

No Vermelho:
Instável e perigoso
Eduardo Bomfim

Durante a década de noventa a ofensiva das idéias neoliberais no mundo foi tão avassaladora que se tinha a impressão de um massacre político, teórico e ideológico contra todos os que compunham o campo de resistência a uma hegemonia unipolar.

Na época quem era de esquerda, defensor da soberania do seu País, ou mesmo inclinado à função do Estado como responsável pelas estratégias das políticas públicas achava-se acuado diante da carga de cavalaria contra as idéias progressistas e patrióticas.

A artilharia pesada das orientações do novo liberalismo econômico global ficava por conta da mídia hegemônica mundial atuando como uma orquestra afinada com notícias, debates pretensamente científicos, promessas de uma nova era mundial sem guerras, de intercâmbios científicos, tecnológicos, comerciais e muita, mas muita paz e democracia.

Ao mesmo tempo surgiam do nada para as livrarias, universidades, e imensos espaços de propaganda, vários teóricos entre eles o até então obscuro professor de uma faculdade norte-americana, financiado pelos centros de inteligência dos EUA, Francis Fukuyama que se tornou da noite para o dia em uma celebridade com as suas teses sobre filosofia mas sobretudo na economia.

Entre as suas constatações "científicas" as mais celebradas e difundidas eram o fim da História, a vitória total das forças defensoras de um modelo baseado única e exclusivamente no livre mercado absoluto, a morte dos Estados nacionais e em consequência a extinção das fronteiras nacionais.

Com o tempo as doutrinas neoliberais, as teses de Fukuyama, foram rejeitadas pela opinião pública em decorrência de desastres econômicos em todos os Países , incontáveis privatizações criminosas de empresas estatais, massacres dos direitos trabalhistas e dezenas de guerras imperialistas em quase todos os continentes.

Hoje algumas nações emergentes vão construindo uma outra alternativa, um outro cenário geopolítico, econômico, multilateral, especialmente os BRICS.

Mas a nova ordem mundial ainda detém a iniciativa liderada pelos EUA e a Inglaterra que conduzem uma nova guerra de expansão colonialista, associados ao capital financeiro e ao complexo midiático hegemônico internacional.

E constituem uma ditadura ideológica, cultural, temática a nível global em um planeta instável, perigoso, mergulhado em profunda crise exigindo tenaz resistência dos povos e nações.

Unidade e independência entre partidos coligados

Onde não adianta procurar chifres em cabeça de cavalo
Luciano Siqueira

Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

Quem vai muito além das aparências termina encontrando a verdadeira essência das coisas, na análise dos fatos, das opiniões, do comportamento das pessoas. Na política isso é tão necessário quanto indispensável. Mas é errado e estéril interpretar o que ocorre segundo ideias preconcebidas, como quem busca encontrar chifres em cabeça de cavalo.

Vejamos o caso das frentes partidárias. O noticiário frequentemente cobra de partidos coligados identidade ideológica. Nada mais falso, pois se é certo que toda corrente política traduz no pensamento e no modo de agir determinada ideologia (projeção da realidade conforme interesses de classes ou de segmentos de classes definidos), igualmente certo é que a esfera da política concreta lida com variáveis e motivações mais amplas e diversas. Por isso um partido político assumidamente compromissado com o projeto histórico do proletariado, por exemplo, pode, e deve, na luta concreta, identificar pontos de convergência com outros de matriz ideológica distinta, e com eles somar esforços em função de objetivos de curto e médio prazo, formando o que se convencionou chamar de frente ou coligação partidária.

Em consequência, no âmbito de uma frente é possível sim, e necessário, explicitar diferenças e discrepâncias entre os partidos que a integram. Estão juntos, porém não abrem mão de sua autonomia e independência. É por aí que se pode ter uma frente viva, pulsante, crescentemente fortalecida mediante o debate em torno de propostas e alternativas de ação. Fora disso, a frente não passa de ajuntamento eleitoral.

Agora mesmo, diante das eleições municipais, aqui e em toda parte do País se debate alternativas táticas, mormente em lugares onde o confronto entre forças políticas opostas tende a ganhar dimensão maior e o pleito se dará em dois turnos. Apreciada a correlação de forças real e em perspectiva, é lícito que se cogite de enfrentar o embate com todos juntos desde o início ou com mais de uma candidatura. Vale para a situação, vale também para a oposição.

Duas chapas ou mais nem sempre significa divisão da frente estabelecida. Caso de São Paulo, a principal capital do País. Partidos como o PCdoB, o PT, o PSB, o PMDB, o PDT e outros, integrantes da base de sustentação do governo Dilma e, portanto, partícipes de uma mesma coalizão nacional, marcharão com candidaturas próprias no primeiro turno no pressuposto de que esta será a melhorar maneira de arrostar a candidatura da direita, representada pelo ex-governador José Serra, reservando a união de todos a um provável segundo turno.

A Frente Popular no Recife vive situação que pode vir a se desdobrar de modo semelhante. Diferentemente do pleito passado, as forças que elegeram o atual prefeito, João da Costa, poderão permanecer juntas ou marchar com duas candidaturas. Na segunda hipótese, dificilmente essa opção tática significaria uma fissura irremediável entre os partidos aliados.

Daí porque o debate em torno do assunto há que prosseguir com tranquilidade e paciência.

Enio vê a tentativa de retorno de Serra em São Paulo

Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas