10 novembro 2012

Uma pérola poética da MPB

Wave

Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho...

O resto é mar
É tudo que não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho à brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho...
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade...


Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver...
Vou te contar.

08 novembro 2012

UNE & prefeito

. Acompanho hoje, às 11h, dirigentes da UNE em audiência com o prefeito João da Costa. Bienal de Cultura na pauta.
. Nada a ver com a transição.

07 novembro 2012

Boa noite, Nilson Vellasquez

Condene-me 

A culpa é da poesia
Não há prova do contrário
Essa poesia sem horário
Sem noite e sem dia

A culpa é da poesia
Essa poesia que dilacera
E que ao mesmo tempo acelera
Um pouco dessa agonia

A culpa é da poesia
Prendam-na, condenem.
Não deixem passar impunemente
A causa da letargia

A culpa é da poesia
É criatura peçonhenta
Invade tua moradia
E rápido te arrebenta

A culpa é da poesia
Insistente em nossas bocas
Que mesmo sendo tão rouca
Abocanha a calmaria

A culpa é da poesia
Que não aceita se calar
Roubando o pouco do ar
Que resta quando te via

A culpa é da poesia
Sabemos desde o começo
E pagamos pelo preço
De querê-la em demasia

Mas não matem a poesia
Guardem-na nos porões
Acorrentem os corações
Que cantam sua melodia

Tucano em dificuldade se mete no que não deve

Excesso de palpite sobre partido adversário
Luciano Siqueira

 
Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

 
Como se fosse o confronto entre times de futebol em campeonato de longa duração: o que perde, e apenas resiste, alcançando um êxito aqui outro acolá, mas não evita a tendência decrescente, dá-se ao luxo de opinar sobre seus concorrentes mais diretos, sugerindo opções táticas. Ou seja: já que não consegue resolver-se a si mesmo, concentra atenção em assunto dos outros...

Assim acontece com o PSDB, pela voz de alguns dos seus próceres mais conhecidos. Do recém-eleito prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Deitam falação sobre como deve proceder o PSB, liderado pelo governador Eduardo Campos, agremiação vitoriosa em cinco capitais e importantes cidades de grande e médio porte. Os socialistas ficaram atrás apenas do PT, que dentre a larga base de sustentação do governo Dilma – amplamente vitoriosa no pleito – se destaca no pódio, sobretudo porque venceu na capital de São Paulo, derrotando o tucanato.

Tudo bem que nas hostes oposicionistas ainda é o PSDB que desponta como força mais saliente. Porém muito longe de se converter em alternativa de poder no País, não apenas pela insuficiente força acumulada, mas principalmente pela carência de discurso que vá além do suposto combate à corrupção.

O mais razoável seria o partido de FHC olhar para si mesmo, reavaliar mensagem e postura prática, definir um rumo. Incapaz de assim proceder, dedica-se ao ofício secundário de sugerir ao PSB alternativas que possibilitem a sonhada divisão das forças governistas, pela esquerda.

A tradição política brasileira, desde a Colônia, é marcada por conflitos acirrados, inúmeras vezes sangrentos; e por acordos. Assim se deu com a Independência, a Abolição, a República; na Revolução de 30 e na Redemocratização pós-Estado Novo; e, em tempo mais recente, na superação da ditadura militar que imperou de 1964 a 1985. Então, a construção de pontes entre forças situadas em campos distintos sempre foi, e é, natural e mesmo benéfica. Contribui para a transição de uma determinada ordem institucional para outra, mais avançada. Faz parte do jogo democrático. Dispensadas, porém, ilações precipitadas ao sabor de interesses momentâneos.

Claro que cabe aos socialistas fazerem suas escolhas. Em toda frente partidária, como na ampla e heterogênea coalizão que dá suporte ao projeto nacional liderado pela presidenta Dilma, ao lado da convergência de propósitos se preservam a autonomia e a independência de cada partido. PT, PSB, PCdoB e demais integrantes dessa frente terão que encarar, tendo em vista as eleições gerais de 2014, a opção de permanecerem conjugados ou não. Mas daí a engolir corda de tucano ou da grande mídia vai uma distância abissal.

Espaço institucional democrático

Fator de cooperação entre governo e sociedade
Luciano Siqueira


Publicado no Blog da Folha


Como combinar a ação de governo – que há de ser sempre diligente, eficaz, bem situada no tempo e no espaço – com a ausculta da sociedade? A ideia de governos permeáveis à participação da população ganhou patamar elevado com a Constituição de 88, que consignou a formação de Conselhos, em geral paritários entre representantes governamentais e da sociedade civil, nos três níveis federativos. E diplomas legais outros, como o Estatuto da Cidade, vieram em reforço.

A prática, entretanto, sobretudo na esfera municipal, nem sempre é animadora. Sabe-se da existência meramente formal de inúmeros Conselhos constituídos mais por exigência legal do que propriamente em acolhimento à pressão popular. É que não basta a intenção da Lei, decisivo é o nível de consciência política e de organização da sociedade.

Mas o fato irrecusável é que onde Conselhos têm efetivo funcionamento, servem como instrumento de controle social e, em boa medida, como instrumento de cooperação entre o Poder constituído e a população organizada.

Anuncia-se agora a intenção do governo federal de estimular, nos estados e municípios, a reprodução experiência bem sucedida do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). No próximo dia 20, em Salvador, acontecerá um encontro destinado a uma rede nacional que possibilite a troca de informações sobre experiências vividas pelo País afora. Espera-se que a rede possa estimular governadores e prefeitos a criarem conselhos em âmbito local onde representantes de diversos segmentos da sociedade civil possam acompanhar e discutir abertamente projetos governamentais.

Nos moldes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) há hoje oito colegiados de assessoramento a governadores – Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Sul – e sete prefeituras brasileiras também já criaram seus órgãos semelhantes - três em São Paulo (Diadema, São Carlos e Presidente Venceslau), duas no Rio Grande do Sul (Canoas e Erechim), além de Santarém, Pará e de Goiânia, Goiás.

Pernambuco foi o primeiro estado brasileiro a instituir o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, em 2007, no primeiro ano de governo de Eduardo Campos. Para replicar a experiência em níveis microrregionais, há os Comitês de Articulação Municipal, que vêm cumprindo papel relevante nesse sentido nas 12 microrregiões pernambucanas.

O fortalecimento desse tipo de articulação entre o governo e a sociedade civil, em associação com Conselhos setoriais pré-existentes, como de Saúde, da Criança e do Adolescente, etc., efetivamente dinâmicos, certamente proporcionará a um só tempo um maior entrosamento entre a gestão pública e a sociedade civil e a existência de espaços institucionais onde o conflito social possa se expressar com nitidez, reforçando a vida democrática.

Visão poética

Paulo Mendes Campos: “Passei a mão nos olhos: suntuosa,/negra, na jaula em fuga, ia uma rosa.”

História; 6 de novembro de 1836

Revolução Farroupilha. Os rebeldes farrapos do RS proclamam na vila de Piratini a República do Rio Grande. (Vermelho www.vermelho.org.br).